segunda-feira, 30 de março de 2015

Poesia de Maria Álvaro


Poesia de Maria Álvaro

O MAR...

Veleiro ligeiro beija embevecido,
excitado,
de Tétis o seio cheio, acobreado
e cúpido;
E o Adamastor ora adormecido,
prostrado,
esquece seu furor e vira pr'o lado,
estendido.

Nas ondas eu sigo o seu lençol dourado
e persigo
estrelinhas piscando p'ra mim, deslumbrado,
rendido...
...são olhos espreitando por um véu rendilhado
e antigo
de ninfas pintando e bordando comigo
o meu fado...

Maria Álvaro


NOS AÇORES

Sou uma lagoa, lânguida, estirada,
de expressões mutantes, matizes do céu;
intensa neblina dá-me a imprecisão
de uma realidade p'lo sonho ofuscada.

Inala as hortênses do ventre que é meu,
escuta os silêncios que grito dopada,
e afunda os teus olhos em minha amplidão...
Não ouses, porém, descobrir o meu véu,

Nem insinuar-te em minha morada,
que o colo tranquilo que embala Orfeu
cobre incandescente lava perturbada.

Ganhoa nas asas da minha Emoção
Voa no que é teu...
mergulha calada.

Maria Álvaro



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