quarta-feira, 18 de março de 2015

Poesia de Maria Álvaro


Poesia de Maria Álvaro


QUADRAS RICAS

Dinheiro?!
Cansei!
É deus traiçoeiro,
egoísta! --Eu sei.

Lobo disfarçado
espreitando o cordeiro,
fala açucarado,
mas morde o parceiro.

É outra maçã
de um éden criado
dentada, direi,
fruto envenenado.

Dono dos afectos
que meus eu julguei,
foi mel pr´os insectos
que agora matei.

É tiro certeiro
de alvo estudado,
Do-lar vai lançado
pr´as mãos do matreiro...

Hábil advogado
comandando a Lei :
se o tens, és honrado;
Se não, condenado.

Maria Álvaro

Cada poema, uma jóia...

Cada poema, uma jóia...
Um colar de palavras desfiando pérolas de cultura e emoção...
Filigranas de ouro retorcido insinuando arabescos de sentimentos populares...
Uns, pedras brutas de contornos primitivos e colorido rústico mas sábio...
Outros, as dramáticas peças de ouro verbal maciço cravejadas de rubis sangrentos de paixão e dor...

Há-os delicados como fios imperceptíveis que ligam as estrelas...
Cintilam subtilmente com uma suavidade distinta, só porque descobrem uma flor...
E há os que ostentam ansiosas esmeraldas de sonhada esperança ou amargo desespero...
Também os que mostram águas marinhas e terrestres de saudades natais profundas...
E ainda os que enriquecem de minerais cristalizados nas densas correntes de uma fonte original perdida no tempo...
Mas os mais preciosos têm brilhantes, lágrimas extraídas daquele diamante único, lapidado com o amor humano mais essencial...

Cada poema, uma jóia...
Cada jóia, uma emoção...

Maria Álvaro

BURACO NO PEITO

No buraco bem fundo do meu peito
Aquele vácuo sôfrego de ti...
Um estremecer de todo este meu jeito
Que, da nuca ao ventre...leve...senti...

Uma maré que persegue o luar
Escorre subtil neste leito dolente...
E uma lânguida onda do mar
'Spuma queixume da rocha ausente...

Face risonha de um amor-perfeito...
Trêmula, tensa, querendo te amar
Exala suspiro fugaz... urgente,
Frêmito ansioso como eu nunca vi...

No buraco bem fundo do meu peito...
Lampejam dois pólos desta corrente...
Chamas e fogos que em ti acendi

Inflamam meus céus em noite estrelar...
No buraco bem fundo do meu peito
Aquele vácuo sôfrego de ti...

Maria Álvaro




Sem comentários:

Enviar um comentário