domingo, 15 de março de 2015

Adeus Inezita Barroso - Por Antônio Carlos Afonso dos Santos - Acas


Adeus Inezita Barroso

Por Antônio Carlos Afonso dos Santos - Acas

Vinte e sete dias depois de internada no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, morreu ontem, 08/3/2015, aos 90 anos de idade, a cantora, apresentadora de rádio e TV, pesquisadora e atriz, Inezita Barroso. A causa mortis foi “insuficiência respiratória aguda”. Inezita deixou uma filha, Marta Barroso, 3 netos e 5 bisnetos.

Nascida Inez Madalena Aranha de Lima, Inezita desde os quatorze anos de idade pensava em ser mais que uma aluna de canto, violão e declamação, que era ministrado pela professora Mary Buarque.

Ela dava muita importância ao folclore e música regional, contrariando tudo que sua família, herdeira de várias fazendas de café, pretendia. Perseguiu sua vocação, com enorme energia, durante toda sua vida.

Ainda menina, Inezita participava de recitais infantis de emissoras de rádio, tais como a Rádio Cruzeiro do Sul e Rádio Cultura de São Paulo.
Inezita, que nasceu em  04 de março de 1925 (faleceu em 08 de março de 2015), era formada Biblioteconomia pela USP onde lecionou por longo tempo. Foi casada com Adolfo Barroso, de quem adotou o sobrenome no seu nome artístico.



Em 1952 trabalhou na Rádio Clube do Recife, ainda amadora.  Em 1953 foi contratada pela rádio Nacional de São Paulo, deixando se ser amadora. No ano seguinte, mudou-se para a Rádio Record de São Paulo, onde atuou também na TV Record, onde teve um programa exclusivo dedicado à música regional e ao folclore.

Nessa época, gravou seus primeiros discos de 78 rotações, incluindo ali dois clássicos: ”Moda da Pinga”, de autoria de Zica Bergami e “Ronda”, de Paulo Vanzolini (só depois Ronda foi gravada pela Nora Ney e muito tempo depois, pela Maria Bethânia).

Outro grande sucesso de Inezita em disco, foi a música “Lampião de Gás”. Inezita gravou 65 LPs com modinhas, toadas, modas de viola, rasqueados, cateretês e sambas de roda, todos pinçados nas origens, sempre respeitando a legitimidade do autêntico.

Inezita atuou na TV Cultura de São Paulo, no programa “Viola, minha Viola”, desde 1980 (quando substituiu Moraes Sarmento ), até 2015. Foram 35 anos ininterruptos de música de raiz e folclore brasileiro mostrado à população.

Inezita nasceu numa casa da Rua Conselheiro Brotero, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo; segundo ela em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, em janeiro de 2012, exatamente quando passava uma escola de samba (Camisa Verde) à porta da casa; escola de samba que hoje se chama “Camisa Verde e Branco”. – Nasci ouvindo marchinha paulista; disse ela na ocasião.


CINEMA

Sua boa estampa (morena bonita, cabelos negros) participou de seis filmes nos anos 50: “Ângela”, “Destino em Apuros”, “O Craque”, “Carnaval em Lá Maior”, “É Proibido Beijar”, além do filme “Mulher de Verdade”; onde ganhou o Prêmio “SACI”, de melhor atriz.

História do Violão Quebrado

Depois de percorrer todo o brasil fazendo pesquisa de folclore, Inezita ficou desiludida, porque nenhuma emissora de rádio ou TV queriam exibir sua pesquisa.

Depois de levar o oitavo não, ela quebrou o violão, fez uma fogueira e jogou nas chamas todo o material recolhido pelo Brasil.Pensando bem, aquela fogueira não queimou nada. Tudo o que Inezita Barroso viu pelo País afora ficou bem guardado, fortalecendo a maior defensora das tradições culturais que o Brasil já teve.

POSTERIDADE

Eu, ACAS, nunca esquecerei o contato que fiz com a Inezita em 2002: fui informado que ela fazia um show beneficente no Hospital das Clínicas, todos os anos. Por sorte, fui informado desse show em tal dia de 2002 e fui lá: foi maravilhoso.

Até aproveitei para presentear Inezita com meu primeiro livro, o “Pequeno Dicionário de Caipirês”, pois eu também participei (convidado) do lanche oferecido à Inezita neste local.

Mas, Inezita será lembrada sempre por uma música: “Moda da Pinga”, que ai vai os primeiros versos:

Co´a marvada pinga é que me atrapaio,
Eu entro na venda e já dô meu taio,
Eu pego no copo e dali num saio,
Ali mêmo eu bebo, ali mêmo eu caio,
Só pra í pra casa é que dô trabaio, oi lá! ... .




- Há quem afirme que, embora os versos de Zica Bergami sejam preservados, continuam sendo acrescentados novos versos à essa música até os dias atuais; tal é a força e o apelo da mesma.

De hoje em diante, uma nova estrela aparecerá nos céus do Brasil: Inezzita estará lá, brilhando como sempre.

fim




 

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