quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Poesia de Virgínia Teixeira


Poesia de Virgínia Teixeira


Menina, Mulher, Mãe, Companheira

Menina despojada da sua meninice cedo demais,
Mulher desnudada da sua feminilidade
Mãe sem quem embalar com suavidade
 Companheira forçada a caminhar só pelo cais

Criança que vislumbra os barcos e sonha neles embarcar
Mulher que fita os barcos e anseia pelo seu marinheiro
Mãe que, para lá dos barcos, olha o horizonte vazio sem lastimar  
Companheira que se abraça para escapar da solidão e encontra no mar o seu cheiro

Menina que se ajoelha à beira-mar e reza com fervor
Menina crente, com o peito aberto e a alma selvagem
Mulher que é corpo e essência, paixão e entrega sem pudor

Mulher ardente que se entrega ao mar sem medo do vendaval
Mãe que embala o cadáver que encontra na margem
Companheira que silencia no peito a ânsia intemporal… 


Morreu a menina

As lágrimas caem do céu que vocifera ferozmente
A angústia e a raiva que traz nas nuvens que obscurecem o dia
Nesta terra gélida e desconhecida onde abriguei o espírito carente
De uma menina que morreu há muito, aquela que Via,

Morreu a menina inocente que clamava poesias ao vento
A que escrevia sentimentos para sobreviver
A que amava tão profundamente que raiava o sofrimento
A menina que eu não soube proteger…

O vento agride as árvores e força-as a recuar
As lágrimas do céu derramam-se sem cansaço,
E a que restou, luta para finalmente encontrar

Encontrar o caminho de onde se perdeu
O tão ansiado descanso no seu regaço
A certeza de que, afinal, algo ainda permaneceu…


Veneno

Tantas lágrimas derramadas num tempo já ido
Fluidas num rio de sal e angústia, lamacento de traição
Rio que corria revoltado e feroz, de mim condoído
Ferida de morte por um punhal afiado com desilusão…

E, ao nascer do Sol, o rio começou lentamente a secar
E no pântano viu-se nascer uma singela flor de esperança.
Os passos ficaram mudos na fuga e pensaram parar
E os raios ardentes acenderam a centelha voraz da aliança

Na lama da Razão ficou enterrado o punhal odiado
Encoberto, mas tão real quanto a desilusão que restou…
E ao anoitecer, quando a Lua do seu sono despertou,

O rio voltou a brilhar ao luar com um laivo esverdeado,
De veneno puro, que se impregna devagar e profundamente,
Para os laços dourados do amor macular, eternamente… 





quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ROBERTO GOMES – O Terno Branco

ROBERTO GOMES – O Terno Branco 


ROBERTO GOMES, acaba de lançar mais um livro de contos, A Guitarra de Jemi Hendrix, pela Criar Edições. Para os leitores que conhecem Roberto Gomes não haverá surpresa quanto a excelência de sua escrita ficcional. Mas, para os seus novos leitores, não será demasia dizer que ele é um dos escritores brasileiros contemporâneos mais importantes – daí minha indicação para que não deixem de ler o livro A Guitarra de Jemi Hendrix, que é composto por quinze excelentes contos. 

Mesmo voltado para a literatura – conto, novela, romance, bem como pela ficção infantil, com a qual foi distinguido com o Prêmio Jabuti – Roberto Gomes não se afastou da Filosofia, depois que se graduou, na Universidade Federal do Paraná, há algumas décadas. Na Universidade, não se  limitou a exercer a docência, também levou seus conhecimentos filosóficos para o livro, como é exemplo Crítica da Razão Tupiniquim, que há algumas décadas vem sendo adotado por muitas escolas do nosso país, e com edições renovadas.

Como nosso propósito nesta postagem é dar conhecimento aos leitores do lançamento do novo livro de contos de Roberto Gomes, vamos transcrever abaixo o conto O terno branco, do livro A Guitarra de Jemi Hendrix:


 
O terno branco

Roberto Gomes


Ele já não tinha nome.

Era conhecido pelos apelidos, que eram muitos, dependendo de onde estivesse, dos amigos a sua volta, se era madrugada e estava numa boate, se anoitecia e estava num boteco. Só não tinha um apelido para as manhãs, quando passava dormindo, roncando demasiado alto para seu corpo pequeno, produzindo um estardalhaço sonoro que parecia capaz de quebrar vidraças.

Acordava pontualmente às duas da tarde, a boca queimando, os olhos vermelhos, que dizia infestados por espinhos, não tem mesmo um espinho neste olho?, perguntava, abrindo as pálpebras com dois dedos em alicate. Saía da cama gemendo, ia ao banheiro, enfiava a cabeça debaixo da torneira e, num mesmo gesto, esticava a mão para apanhar a garrafa de conhaque que deixava no armário ao lado. Bebia no gargalo e estalava os beiços.

Sempre vestido de preto.

Uma calça e duas camisas pretas e puídas, que fediam a mil noites e muitas mulheres da vida. Só permitia que fossem lavadas às segundas-feiras, quando não acordava às duas horas da tarde e seguia roncando pelo resto do dia. Saía da cama quando já era noite. Pedia um café embora soubesse que ninguém o atenderia e, cruzando o corredor rumo à cozinha, declarava:

- Segunda-feira é mesmo um dia que não presta pra nada.

Tomava café frio, olhava com desinteresse para a televisão, diante da qual a mulher e a filha estavam plantadas como duas samambaias. Ia ao banheiro com algum estrondo, empestando os ares da casa, batia portas, deixava cair os sapatos quando tentava calçá-los, atrapalhava-se com a camisa do pijama, que enroscava nos braços. Depois desta encenação que repetia com uma precisão de relógio, dizia puta que o pariu que ninguém fala comigo nesta casa! e, parado no meio da sala, decretava, com ênfase:

- Segunda-feira é mesmo um dia que não presta pra nada!

E voltava para a cama, onde se punha a fazer cálculos na tentativa de descobrir há quantos anos ninguém o ouvia, há quantos séculos não tinha notícias da filha, que estava lá plantada no sofá, como era mesmo o nome da desinfeliz?, há quanto tempo não conversava com o filho, que cuspia para o lado quando cruzava com ele? E a mulher, quem era ela?

Depois, dormia aos solavancos até mergulhar num sonho onde havia uma mulher que lhe dizia: vem. Ele ia, sentava-se à mesa, contava casos, anedotas, pregava apelidos em quem estivesse por perto e fazia com que todos rissem muito e batessem nas suas costas dizendo que era mesmo um sujeito admirável, uma figura. Acordava na terça-feira, às duas horas da tarde, pontualmente. E recomeçava.

No mais, terminava certas noites emborcado numa calçada, acordava com dois policiais cutucando suas costelas com o coturno. Noutras, abria os olhos numa casa desconhecida, no meio da madrugada, diante de uma cortina de plástico que era um escandaloso campo coberto com flores vermelhas e amarelas. Ou era erguido por dois braços fortes e jogado na rua, onde quebrava um dente contra o meio-fio. Ia até a farmácia, passava mercúrio cromo na boca, nos braços, na testa, pregava alguns esparadrapos pelo corpo e entrava no primeiro boteco.

Foi assim até o dia em que chegou em casa num domingo à tarde, provocando alvoroço na vizinhança, o que ele fazia em casa àquela hora?, o que estava acontecendo? Atravessou a curiosidade daquela gente cretina sem se deixar abalar e entrou em casa com um pacote muito jeitoso debaixo do braço. Cumprimentou a todos, não recebeu resposta alguma, a filha na frente da televisão, a mulher fabricando os biscoitos com os quais sustentava a casa, o filho cuspindo para os lados como se fosse um preto velho de macumba.

Entrou no quarto e, como sempre, deixou a porta aberta. Todos viram quando abriu o pacote com cuidado e dele retirou um terno branco, claríssimo, e uma camisa também branca. Viram quando estendeu o terno sobre a cama e dependurou a camisa num prego ao lado do armário. Despiu-se, jogando no chão o terno preto e a camisa preta, e estava nu, pois não usava cuecas, uma de suas implicâncias. Viram sua exibição inocente de carnes flácidas, a bunda murcha, o sexo desatento entre as pernas.

Então ele vestiu a camisa branca, as calças brancas, o paletó branco. Olhou-se no espelho balançando a cabeça e, quando se virou para a porta, a mulher, a filha e o filho fizeram de conta que não estavam olhando e mergulharam de novo na tela da televisão. Ele veio até a sala, perguntou se ninguém ia lhe oferecer um café. Não teve resposta. Foi à cozinha e tomou um copo de água, derrubou uma caneca e, quando retornava ao quarto, disse:

- Amanhã é segunda-feira e segunda-feira não serve mesmo pra nada.

Quando entrou no quarto, os três observaram o modo cerimonioso como ajeitou o terno branco no corpo, acomodou os punhos da camisa, aprumou o colarinho, alisou os lençóis, afofou o travesseiro e se deitou na cama. Ficou muito reto, parecendo maior do que era, as mãos sobre o peito, os sapatos apontando para o teto, o nariz muito fino interrogando contra a janela ao fundo.

Logo estava roncando aos arrancos. O filho fechou a porta do quarto, a filha aumentou o volume da televisão. Estranharam quando ele não acordou ao anoitecer da segunda-feira, pedindo café e reclamando que segunda-feira não serve mesmo pra nada. Só às duas horas da tarde de terça-feira abriram a porta do quarto.

- Acho que não roncava desde as dez horas de ontem, a filha explicou ao médico que foi chamado às pressas.


Poemas de Sá de Freitas


Poemas de Sá de Freitas

 
COMO SINTO UM ADEUS

O adeus é prenúncio de ansiedade
Que surgirá nascida de uma ausência...
É princípio de angústia... é evidência
De prantos que virão com intensidade.

O adeus é um sentir de vacuidade,
É o interromper de uma convivência,
É um padecer com a triste permanência,
Da grande dor que traz uma saudade.

O adeus é esperança de um retorno;
É sensação terrível de abandono;
É temor do que inda não surgiu.

É apreensão que a alma mortifica;
Sonho de também ir, para quem fica;
Vontade de regresso à quem partiu.

 
HEI DE ENCONTRAR

Hei de encontrar ainda em meu caminho,
O amor que busco desde a mocidade,
Mesmo que seja no findar da tarde,
Que pressinto chegar-me de mansinho.

Não falo do gostoso «amor - carinho»,
Que traz ao nosso corpo a saciedade:
Falo do amor que falta à humanidade,
Sem o qual cada ser vive sozinho.

Falo daquele amor que mata a fome,
Que agasalha a quem no frio dorme,
Que ao desolado vem trazer alento.

Falo do amor que no perdão se aplica,
Falo do amor que o coração pratica,
Contido no primeiro Mandamento.

 
LUTES

Ao sentires a dor que vem terrível,
Para te torturar, roubar-te a calma,
Enchendo de angústia a tua alma,
De maneira cruel e indescritível...

Reajas, lutes, antes que enfraqueça,
Tua esperança que, depressa, foge;
Antes que o desespero, em ti, se aloje
E toda a força, em ti, desapareça.

Ergues-te antes de entregar-te à sorte;
Antes que venhas assistir a morte
Do otimismo e dos esforços teus...

Extermines com dor antes que aumente,
Antes que te transformes num descrente,
Que duvida do próprio Amor de Deus.





JANEIRO - Miriam de Sales Oliveira


JANEIRO

Miriam de Sales Oliveira

Janeiro ,como palavra,não existe na nossa língua;imagino que seja uma corruptela de Jannuarius,que era, em tempos mais antigos do que eu,dedicado à Jano,primeiro rei do Lácio,que o leitor sabe era o primeiro nome de Roma;e,se não sabia,ficou sabendo.Sabendo,pode exibir sua cultura no escritório e impressionar a secretária.

Eu não me sinto obrigada a prestar homenagem a um cara que não conheci,não é meu vizinho nem meu chefe e nada tem a ver comigo ou com vocês,concordam?

Se fosse januário,ainda vá lá,conheço alguns,inclusive a Januária,de Chico,que vivia na janela e boa coisa não deveria ser.E,também,o S. Januário,que lembra o Vasco.Até ai,tudo bem.

É um mês festeiro,aqui em Salvador,temos,após o réveillon,a festa do Sr. Bom Jesus dos Navegantes com sua procissão de barcos,a festa do Sr. Do Bonfim,com a lavagem e os banhos de cheiro,sem falar nos ensaios carnavalescos que ninguém é de ferro e baiano quando não está numa festa,está inventando alguma;por isso se diz que baiano não nasce,estréia.

O pior de tanta festa é que a chuva gosta de comparecer e cai com vontade,principalmente no Sudeste,pois,como o Nordeste precisa de chuva para amainar a seca e a chuva é pirracenta,cai no Sul,só para aporrinhar os paulistas trabalhadores e os cariocas,praieiros.

Bom é em Belém do Pará,lá,dizem,ainda não fui conferir,a chuva cai com hora marcada;a gente marca um compromisso,perguntando:
-Antes ou depois da chuva?
Terra civilizada é assim.

Dizem  que,no dia 12 de janeiro,em Flandres e no Brabant,na França,existe uma festa tradicional na qual as mulheres querem aparecer como as verdadeiras donas da casa;para isso,metem os maridos na cama e saem a resolver os problemas;os problemas das mulheres brasileiras é simplesmente tirar da cama os maridos para ir trabalhar.



Dois Poemas de Mário Matta e Silva


Dois Poemas de Mário Matta e Silva


NAS VOLTAS DA VIDA

Uma volta, outra volta
Nas voltas que o Mundo dá
Vou lutando em cada volta
E a volta não pára já.
Volta certa, volta e meia
Revolta sempre a voltar
Vai na volta o tempo anda
Na forma de se animar.
Anda à volta, volteando
Nas voltas deste viver
Cada volta que se dá
A vida passa a correr.
Volta à esquerda e à direita
Volteio de carrossel
Vai longe a volta que dou
No cavalo cor de mel.
São voltas que tu me dás
Meio loucas, desvairadas
Já nada volta pr’a trás
Nestas longas caminhadas.
Até quando andar à volta
Da onda, do sol, da lua
Dê eu as voltas que der
Volto a ter-te bela e nua.
Nas voltas do teu rosário
Ando voltando ao pecado
Sentindo que em cada volta
Eu canto meu triste fado.
Vai na volta, vou na volta
Destes dias turbulentos
Com remoinhos à volta
Da pobreza, sofrimentos.
Reviravolta sangrenta
Ais de choro, gritaria
Em cada volta que damos
Quero que a Paz nos sorria.
Ao voltar à engrenagem
Das rodas que o tempo tem
Ando à volta na viagem
Do tempo que vai e vem.
Até quando vou voltar
À espera desse futuro
Cada dia há-de avançar
Do claro para o escuro
Até me sentir definhar
Toca a rodar, a rodar.

25 de Janeiro de 2015

MÁRIO MATTA E SILVA


O SANGUE ESCORRE EM PARIS

Paris. Viagem calma pelo Sena
Por onde voam andorinhas
A aragem é suave, amena
As nuvens vão cinzentas, baixinhas.
Com Notre – Dame, Gótico antigo
Tenho o cântico-chão como abrigo.
Paris. Nos três gritos, fronte erguida
Liberdade, igualdade, fraternidade
Revolução de furores tão destemida
Tão viril, tão gentil, de tanta idade.
Solene Arco do Triunfo, erguido e forte
Contra o nazismo, vencendo a morte.
Paris. Coração a bater pela Europa
Charles de Gaulle, feito vitória
Vaga que se ergue na popa
A banhar França com sua História.
Avanços hábeis na modernidade
Berço de emigrados a gritar saudade.
Paris. Do cume mais alto, a tocar estrelas
Torre Eiffel no ferro emaranhado
Campos Elisios, suas coisas belas
Paz feita no apogeu do Mundo alterado.
Na cultura assenta fórmulas de poetas
Baudelaire. em flores do mal, é rei de profetas.
Paris. De Charlie Hebdo, reduto caricatural
Expressão em desenhos feita liberdade
Sem mancha de prosa, sem texto formal
Vê mensagens bramidas p’la religiosidade.
Jihadismo pressegue, mata atrozmente
Em no nome de Alá, ceifando inocentes.
Paris. Cidade bela tão violentada
Por terrorismo louco, em sangue desfeito
Com gente de máscara e arma apontada
Magoada a Europa, chora no seu peito.
Numa falsa Fé, num atraiçoado Islão
Faz escorrer sangue p’lo Mundo Cristão!

3 de Fevereiro de 2015

MÁRIO MATTA E SILVA




Dois textos de Maria Álvaro



Dois textos de Maria Álvaro


Juventude

Como escorrem pensamentos e emoções ao longo das palavras, assim escorre a juventude pelos dedos feita espuma de gel.... Ah! A juventude!...Sabonete perfumado num banho embebido de prazeres molhados, borbulha macio e nos escapa instante, deslizando vivaz e inconsequente por mãos ávidas por ele... Beleza mesmo na feiura, sem engenho, sem arte, súbita, generosa e impaciente... Não se apercebe que não É, que apenas Está! 

Desliza a juventude... ...ágil... afoita... iludida campeã de ilusões e futuras derrotas... Desliza se desfazendo...como uma nuvem passageira... vapor impalpável que se acaba, chorando na dureza da terra... Arco-íris esfuziante, que se esfumaça suave ao sol, na manhã cintilante encharcada de chuva... ignorante da noite que o espera......

Maria Álvaro



Vazio de mentes

Com a comunicação nas redes sociais, o uso de códigos por adolescentes, e não só, vem limitando a necessidade de se estruturar frases completas e bem construídas. Acredito que várias línguas, não só a Portuguesa, estejam ficando cada vez mais pobres. E expressão verbal pobre conduz a pensamento pobre...e vice versa... 

Além do mais, na vida real, ao vivo, pouco se lê e, consequentemente, a expressão verbal fica ainda mais empobrecida nestes casos . Os jovens comunicam-se oralmente e por escrito através de idiomas telegráficos e gírias metafóricas, que têm a pretensão de substituir toda uma estrutura. 

São expressões estratificadas que todos usam de forma igual, sem que haja a preocupação de mostrar uma identidade crítica individual. Paradoxal e ironicamente, no mundo hoje altamente individualista, o jovem fala a pobre linguagem dos grupos. Tenta a identificação com os grupos apenas no que é aparente, na linguagem corporal, na forma de se vestir, de se maquilhar ou de se pentear, na linguagem e não consegue se caracterizar como indivíduo. 

Estão ficando cada vez mais raros os que buscam outras razões de integração em grupos que tenham finalidades éticas e sociais.. Uma boa parcela da juventude hoje não sabe e não quer se distinguir linguisticamente e é altamente voltado para interesses materiais de caráter também comum...interesses esses neles inconscientemente incutidos, em parte, pela subtil insinuação interesseira dos Media e do mundo capitalista. 

Vive-se um vazio de mentes...

Maria Álvaro

Poemas de Liliana Josué



Poemas de Liliana Josué


Em memória dum grande amigo que partiu desta vida terrena

As lágrimas por nós choradas
na tua quase vontade
de quereres , finalmente, livre pássaro
são tristes, fundas pesadas
apertam o coração
e marcam a existência
de quem te quis tanto, tanto…

mas mesmo assim tu partiste
levitando nesse prazer da ausência
de quem já não pertence aqui

foste habitar o eterno
que os vivos inventam por desconhecimento
o os mortos abraçam no contentamento
de o ter alcançado

ficam as memórias de um viver passado
ficam quase certezas de não estares infeliz
ficam as historias que tu não contaste
ficam os contornos dum tempo feliz.

23/01/2015
 
Liliana Josué


EVA

O vento batia forte
a chuva era um rosário
fevereiro, inverno na sua total nobreza
adversário rígido mas necessário

e foi nesse frio agreste
que certa criança nasceu
linda, loira, branca, doce
uma pérola pequenina
pérola minha, muito minha

sim, era o mundo que o meu ventre tinha dentro
e que nesse frio dorido
fez a vida receber

fio dourado
erva pura e verde
brisa marinha
calor do meu corpo cansado
esperança sem fim
vinda de mim
tenra haste desse fevereiro agreste.

06/02/2015
 
Liliana Josué