sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XVIII - Por Daniel Teixeira - O galope do tempo



Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XVIII - Por Daniel Teixeira - O galope do tempo 
Para começar esta crónica é preciso dizer que é necessário ter vivido com burros para ter memórias sobre burros, como é lógico. Eu tenho-as e muitas e dado aquilo que hoje sei e que outros que conheço não sabem lamento que nem toda a gente tenha passado, pelo menos uma parte da sua vida, com burros, mesmo que de facto tenham passado tempo a viver com «outros» burros.

E é neste aspecto que a coisa se torna paradoxal. Existe alguma vergonha em confessar que se viveu com burros, por pouco tempo que tenha sido, porque existe uma descriminação ridícula, porque é apenas verbal e de uso, contra o nome desses pobres mas sempre aparentemente felizes animais. De um lado são considerados pouco espertos, o que não é verdade; deve existir de facto dentro da sua mente (se é que pudemos falar assim) uma tranquilidade neuronal muito semelhante à paz que todo o ser humano desejaria ter e uma aceitação da inevitabilidade do seu destino que pode parecer depressiva mas que vive dentro deles de uma forma harmoniosa. Realismo, puro e simples, é o que eu acho que é : nada de ambições para desfiladas incomportáveis nem para liberdades excessivas e uma fidelidade aos parceiros a toda a prova.

Uma vez eu e a minha mulher pedimos um burro emprestado ao meu primo que os tinha a pastar num restolho: o que ficou teve de ser segurado na estaca e mesmo assim coitado acabou por cair dado que estava peado: o outro levou-nos onde queríamos, às Eiras Velhas, a nossa hortinha perto do ribeirão, mas mal nos distraímos saiu em desfilada. Ainda corri um bom bocado sobretudo para ver se ele se encaminhava directo para o ponto de partida e lá ia ele, galopando de regresso certeiro.



Poesia de Conceição Tomé - O Mistério da Vida; Dia Outonal; Paz Para o Mundo



Poesia de Conceição Tomé - O Mistério da Vida; Dia Outonal; Paz Para o Mundo  

 O Mistério da Vida
 
 Ninguém conhece se há vida
 Para além daquela que conhecemos
 Porque a vida é um mistério
 Que ainda não desvendamos.
Apenas sabemos,
Que nascemos e morremos.

Dia Outonal
 
 A manhã soturna e fria
 Deixou-me no coração
 Uma forte nostalgia
 E uma certa crispação.
 Um céu plúmbeo
 Descarregou a sua mágoa
 Que escorreu pelas vidraças
 Em forma de gotas de água.
 E vi as árvores da rua
 Trémulas de medo e de frio
 Uma a uma ficar nua.

Paz Para o Mundo
 
 Cessem os gritos
de fome e de terror
 das crianças abandonadas,
desnutridas!
 Sequem os rios
 do pranto e da dor
 e aflorem as puras fontes
de vergonha escondidas!
 Clamem bem alto
as palavras de todos os poetas
 Pela Paz do Mundo e pelo Amor,
 como um bom presságio de profetas!


Leia este tema completo a partir de 28/11/2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Poemas de Ivone Boechat - Mãe; Meu canto; Meu grito



Poemas de Ivone Boechat - Mãe; Meu canto; Meu grito     

 Mãe
 
 Na concepção,
a ternura de deixar existir,
 no seio, a bondade de nutrir,
 nos primeiros passos,
 amparo para não cair,
ao caminhar,
direção para viver
 bem longe dos fracassos.
 Mãe
 Nas decisões da vida,

Meu canto
 
 Eu faço versos
para espantar meus sustos,
 dores, angústias e tristezas vãs,
 vou caminhando
pra esquecer o tempo.
 e, nesse alento,
 vou buscando mágoas
 pra apagar as chagas
 e recomeçar.
 Sou como lírios
 que iluminam vales,

Meu grito

 Eu posso, sei que posso,
 por isso eu vou,
 amordaçada, sacrificada,
 até calada, sem medo.
 Vou sem segredo,
 na certeza de ser melhor,
 não reclamo,
 não tenho nada pra desculpar,
 corro na certa, de peito aberto,
 retorno sempre que precisar.
 Sou como as nuvens,
 formo imagens
 que se apagam nas ilusões,
 grito socorro,
 dou mãos ao mundo,

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

CORONEL FABRICIANO - Os Grandes (III) - BENEDITO FRANCO



CORONEL FABRICIANO - Os Grandes (III) - BENEDITO FRANCO
Em frente à minha loja passam intermitentemente enormes caminhões e carretas. Os caminhões Mercedes perturbam demais, pois seu silencioso – se é que podemos chamá-lo assim – obedece à mesma técnica de quando a Mercedes foi fundada – pelo barulho, deve ter sido lá pelo ano 2000 mil antes de Cristo!... Terrível! Será que a Mercedes é tão incompetente assim ou não se importa em perturbar seus caminhoneiros? E povo que se dane...
Os Grandes (III)

Em Lafaiete, MG, estava em minha casa, na Praça Nossa Senhora do Carmo, quando o Lula, segunda vez candidato à Presidência da República, passou em frente. Eu na sacada e ele, como todo político em campanha, deu uma saudação com um aceno de mãos.

* Tempos atrás, minha loja muito movimentada, saí com os empregados para entrega de mercadoria, deixando apenas duas moças.

O prefeito de Lafaiete, Sr Vicente Faria, apareceu querendo algumas telhas de amianto, 2,44 x 0,50 m. Chegando, o Exmo Senhor Prefeito acabara de colocar no carro umas dez telhas. Quis pagar-lhe o serviço. Não aceitou (rs).

* Três sobrinhos meus são oficiais do Exército - Coronéis.

Nas Agulhas Negras, Escola Superior do Exército em Resende, RJ, na cerimônia de formatura de dois deles, o Vicente e o Elcinho, o Presidente Sarney presente. Levei a Tatiana, e vendo o Presidente bem perto, fiz questão de tirar uma foto dela aparecendo ele no fundo. Percebeu, dando um sorriso, abanou a cabeça.

* Morava no Sion, em Belo Horizonte, quando da visita do Papa, João Paulo II.


 

Poesia de Albertino Galvão - Vagueiam palavras - (in palavras aladas)



Poesia de Albertino Galvão - Vagueiam palavras - (in palavras aladas)
 
 Vagueiam palavras

Vagueiam palavras que o vento transporta
 Famintas de ouvidos que as queiram escutar;
 Palavras de quem nesta vida suporta
 Agruras que o tempo não quis abortar

Mas dançam monstrengos nas ruas escuras
 Guinchando e babando palavras que ferem…
Nos olhos maldosos desejos impuros
 Barrigas inchadas dos males que ingerem

Disputam na noite os restos que ficam
 Das almas perdidas que os próprios geraram…
Nas cruzes do medo a fé crucificam
 E deixam morrendo os corpos que usaram

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

Jornal Raizonline nº 147 de 21 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Estamos (somos) nós indignados ou não?



Jornal Raizonline nº 147 de 21 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Estamos (somos) nós indignados ou não?

Participei / assisti neste último sábado a uma conferência / debate realizada pela Civis (Faro - facebook) onde o tema a desenvolver era «Os novos Movimentos sociais»: o texto da ordem de trabalhos é este que se segue:

«Na sequência da crise económica e financeira, do agravamento das condições sociais e da desconfiança face à classe política, os cidadãos saíram à rua para contestar, para mostrar a sua indignação, para protestar, para reivindicar!

Fruto da sociedade de informação e da facilidade de acesso às redes sociais, os novos movimentos sociais ganham expressão e adeptos.

 Será esta uma nova forma de democracia participativa? Onde falhou a democracia representativa? Onde falharam o Estado, os partidos políticos, os governos? Falta massa crítica ou liderança? Que influência e instrumentos têm estes movimentos para a mudança de paradigma? Para onde caminham estes movimentos e com que objectivos? Encontrarão estes movimentos as soluções para os problemas e desafios que enfrentamos?

Estas e outras questões serão o objecto de reflexão e debate que contará com a análise multidisciplinar do Professor António Covas, da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, da Professora de Ciência Política da Universidade Católica Elisabete Azevedo, do Sociólogo Nelson Dias, do Advogado João Vidal e dos protagonistas de alguns destes movimentos.»

Sem querer ir para além da minha função como cronista neste jornal devo ser (indignado ou não) aquilo que se define normalmente como caixa de ressonância do evento: ou seja, devo trazer para aqui, sem floreados nem observações críticas um resumo daquilo que foi dito e ouvido. Mas não me vou ficar por aí porque não me parece que tratando-se neste evento de questões cívicas eu deva ficar isento ou impossibilitado de agir (escrever) civicamente.

E, antes de mais, devo dizer que na sua grande parte, o tema dos «indignados» foi aflorado em pelo menos duas perspectivas importantes para mim e que merecem realce: de um lado confessou-se que «ainda era cedo» para saber quais os contornos dos movimentos sociais, o que é verdade na minha opinião, e por outro lado procurou-se defender a presença ou ausência de organização nestes movimentos.

Quando se fala em organização fala-se em estrutura, hierarquia, em metodologia, em ordem, em enquadramento de uma forma geral. Na minha opinião temos ainda alguma dificuldade em aceitar que possa haver organização dentro da aparente desorganização quando no fundo tudo começa assim: antes de se ser não se pode ser.


 

POESIA DE JOEL LIRA - Imagens…; Não mata mas mói.; Hoje, a Lua fugiu de mim!



POESIA DE JOEL LIRA - Imagens…; Não mata mas mói.; Hoje, a Lua fugiu de mim!
 
 Imagens…

São as imagens da fome
 que me fazem consumir a alma!
 São imagens de guerra
 que me fazem perder a calma!
 Quando vejo um abutre,
 de olhar fixo,
 pregado no chão,
à espreita
 do alimento
 da criança moribunda

Não mata mas mói.
 
 Apanha-se mais depressa um mentiroso
 que um coxo a andar no seu normal andar!
 E quando o mentiroso é um certo vaidoso
 quase que nos passa despercebido no falar...
 Fanfarrices, risadas, momentos fúteis..
 Pequenos sorrisos matreiros intencionais.
 Afinal que nos servem estes amigos inúteis
 que se dizem nossos amigos, bestiais?!
 Não dão a cara. Inventam fugas certeiras,
 maribam-se para quem não usa caneleiras.
 Pela mentira eles dizem que gostam de nós…

Hoje, a Lua fugiu de mim!
 
 Olhei o céu e reparei que a Lua não estava!
 Pelo menos no mesmo lugar da semana passada.
 Até parece que o lugar mudou de lugar?!
 Quem sabe se ela fugiu mesmo de mim?
 Mudou-se, será?
 Ou fui eu que me mudei do lugar de onde a via
 todas as noites,
 mesmo naquelas noites sem estrelas?!
 Talvez tudo seja mudado
 e eu não tivesse reparado
 no sorriso perdido pelo espaço da vida?!

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011