domingo, 20 de novembro de 2011

POESIA DE RACHEL OMENA - Bilingue - Português e Castelhano - éter de amor; meu mundo és tu



POESIA DE RACHEL OMENA - Bilingue - Português e Castelhano - éter de amor; meu mundo és tu

éter de amor

Ah, amor meu!
Teus olhos me abraçaram
e do céu a luz das estrelas
acariciou meu ventre
e teus beijos me beijaram
levando-me a loucura
desfalecendo meu corpo
Teus dedos tateavam minhas curvas
e encontravam atalhos para beber do meu mel
numa louca sequência onde
te entreguei a lua no meio deste ato
e o éter do amor embriagou nosso espaço
e arrebatou a minha alma

meu mundo és tu
Em cada poro de minha pele
brota amor por ti
em cada pingo de chuva
que cai em meu corpo
sinto você em mim
és a unidade de tudo
és o desejo concentrado de
toda minha paixão
Estar em ti
é como ver o mundo
em um grão de areia
o céu na flor mais bela e
perfumada essência

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

A minha avó - Crónica de Virgínia Teixeira



A minha avó - Crónica de Virgínia Teixeira 

Lembro-me da minha avó, uma mulher forte que admirei toda a vida e que hoje se senta num cadeirão velho perto da janela partida a ouvir um pequeno radiozinho porque até a televisão deixou de lhe interessar.

O meu avô morreu e ela morreu um pouco com ele. E o triste é que nem posso relatar uma bela história de amor que justifique esta minha avó gasta de repente. Não se amavam da forma que os livros pedem, habituaram-se à presença e caprichos um do outro e a minha avó perdeu-se sem ele.

E eu, que nunca imaginei poder sentir menos admiração por ela, pela mulher lutadora, que trabalhava incansavelmente, vejo-me a sentir pena e medo. Um medo incrível de a ver partir sem vislumbrar a mulher de antes, e terror de um dia me ver espelhada nela. Ela foi forte, brava, e a luz apagou-se.

Adormece com o rádio ao colo muitas vezes, deita-se quase ao anoitecer porque não tem nada que fazer, vangloria-se dos vinte pares de peúgas dos netos que dobrou…

Ela acordava de madrugada, abria o pequeno comércio, trabalhava, fazia o almoço sempre variado, descansava um pouco, e trabalhava até à noite. Voltava e fazia o jantar.

Criou três filhos, cada qual com a sua particularidade, e nem do esquizofrénico algum dia a ouvi falar mal. Criou os netos quanto pôde e é justa o suficiente para ver o mal e o bem neles, por mais que se queixe de todos.



Poesia de Rose Arouck - às cegas...; Descaso; Mortiça



Poesia de Rose Arouck - às cegas...; Descaso; Mortiça
 
 às cegas...
 
 Endereçando-te meu olhar
 é que eu consigo me encontrar
 nas linhas turvas do teu verso.
 Eu ando, ando e soluçando e em ti tropeço;
 valendo-me do encontro eu arremesso
 frases canoras para o teu dia clarear.
 Pois minha hora se inicia
 na esquina da tua madrugada vazia
 carregando a sombra inóspita do talvez.

Descaso
 
 Leu
 e não percebeu
 como seu silêncio
 me doeu....
 Tivestes nos braços
 desse meu amor
 tão desgovernado.
 Amor com cheiro
 de passado...
 inexoravelmente
 presente
 dentro de mim.

Mortiça
 
 Morta
 Viva
 Morta
 Que no áuge se transporta
 para o tribunal da escuridão
 apertada e cruciada
 no fundo desse vagão...
 Caminha sem pés
 se mostra em viés...
 Curva-se de cara com o precipício.

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

Texto poético de Virgínia Teixeira - Um oceano



Texto poético de Virgínia Teixeira - Um oceano
 
 A nossa história foi diferente, talvez mais banal do que queremos imaginar, mas ainda assim, existiu e, por algum tempo, os nossos mundos tocaram-se, fundiram-se e foram diferentes.

Por algum tempo pensámos um no outro ao acordar, e ao adormecer.

Brincámos de faz de conta e fingimos um futuro que nunca acreditamos realmente poder ter. Um futuro que, acho, nunca sequer quisemos de verdade. Falámos o bem e calámos o mal. Amámo-nos de verdade, porque só conhecíamos porções de nós, fechámos os olhos ao resto. E, ainda assim, valeu a pena.

E, ainda assim, daqui a dez anos, vamos lembrar, por um motivo qualquer, uma música, uma palavra, o que vivemos, e vamos sorrir.

Não temos como não sorrir, se nos salvámos um ao outro, se nos entregámos quanto pudemos a este encontro.

Nunca te vi, não sei como é o teu rosto, a que sabe o teu beijo, mas sei que te amei. Sei que, se tivesse te tocado, se te tivesse sentido em mim, não ia conseguir esquecer o teu cheiro.


 

POESIA BILINGUE DE ARLETE PIEDADE - Encontro espiritual (Português); Encuentro espiritual (Espanhol - Traducción al español del poeta chileno Angel Pablo Pinazo Astudillo)



POESIA BILINGUE DE ARLETE PIEDADE - Encontro espiritual (Português); Encuentro espiritual  (Espanhol - Traducción al español del poeta chileno Angel Pablo Pinazo Astudillo)

Encontro espiritual

Numa noite escura, sonho que o meu espírito vagueia...
 Errático pelo espaço sideral, em busca não sei de quê...
 Vejo planetas, estrelas, cometas e sou um grão de areia
 Tudo rodopia á minha beira, e sem eu entender porquê...

O meu espírito continua e vejo ao fundo lá no mar...
 O brilho longínquo da água em seu irisado eterno ondear
 Os meus olhos incorpóreos se dirigem para o horizonte
 E vêm ao fundo um furacão tormentoso a se aproximar

Encuentro espiritual

En una noche oscura, sueño que mi espíritu flota...
 errático por el espacio sideral, en busca no sé de qué...
 Veo planetas, estrellas, cometas y soy un grano de arena
 todo da vueltas a mi lado, y sin yo entender por qué.

Mi espíritu continua y veo allá el fondo del mar
 El brillo lejano del agua en su erizado eterno ondear
 Mis ojos incorpóreos se dirigen al horizonte
 y ven a lo lejos una furiosa tormenta aproximar.

Su ojo maligno da vueltas tenebroso y sin parar,
 su rugido ya se oye a lo lejos y me atemoriza
 Más los espíritus no necesitan tener miedo de pasar
 Para ellos los huracanes son apenas una simple brisa

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

Poesia de Arlete Piedade - Bilingue - Era uma vez...(Português) ; Era hace una vez...(Espanhol)



Poesia de Arlete Piedade - Bilingue - Era uma vez...(Português) ; Era hace una vez...(Espanhol)

Era uma vez...
 
 Era uma vez, um pobre, triste e solitário menino
 Vivendo fechado em antiquado e lúgubre casarão...
 Sem conhecer da vida as razões daquele destino
 Separado de sua mãe, família e de seu irmão...

Sem afagos, não havia sorrisos em seu rosto,
Severos deveres a cumprir em duro quotidiano
 Maus tratos na alma e sofrimentos no seu corpo
 Fome imutável, doença, frio, abandono e engano...

Versão em espanhol

 Era hace una vez...

Era hace una vez, un pobre, triste y solitario niño
 Viviendo encerrado en una casona vieja y lúgubre...
 Sin conocer de la vida las razones de aquel destino
 Separado de su madre, familia y de su hermano...

Sin abrazos, no había sonrisas en su rostro,
 Severas tareas a cumplir en su duro día a día
 Malos tratos en el alma y sufrimientos en su cuerpo
 Hambre inmutable, enfermedad, frío, abandono y engaño...

Dolorosamente aprendió el arte de la supervivencia
 Sus armas en la lucha diaria, el desespero y el dolor
 Ve a sus compañeros de vivencia por la Navidad
 Recibieron los afectos, los regalos y el amor

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

José Varzeano - Santa Justa, um monte maior do que algumas aldeias



José Varzeano - Santa Justa, um monte maior do que algumas aldeias 

Hoje escolhemos para escrever o monte de Santa Justa desde sempre um dos mais importantes do concelho e que se situa na freguesia de Martim Longo.

Se estivermos na sede de freguesia e se o pretendermos alcançar, tomando a direcção de Vaqueiros e logo à saída da aldeia, cortarmos à esquerda seguindo a orientação viária tomando a estrada municipal nº 1040, asfaltada e na altura com bom piso, cerca de 6 km andados, encontrar-nos-emos neste monte.

 Quem vier de Alcoutim a caminho de Martim Longo pela estrada 124, encontrará um cruzamento à esquerda que igualmente levará a esta povoação.

O topónimo tem origem num nome de santo, sendo por isso designado por um hagiotopónimo (a toponímia hagionímica é um dos mais profundos processos de formação)

Tudo indica que a devoção a Santa Justa deu origem ao topónimo, devoção que originou à erecção de um templo ainda hoje existente.

Santa Justa e a sua irmã Rufina, vendiam na feira as louças que o pai fabricava. Festejam-se a 19 de Julho e são igualmente padroeiras de Burgos e de Sevilha. (1)

Estará isto relacionado com a arte de olaria que existia na sede da freguesia? Pensamos que sim mas faltam as provas. A olaria teria tido origem neste monte e depois passado para Martim Longo? Não sabemos, estamos só formulando conjecturas.

Sabe-se contudo que no sítio dos Telheiros, numa pequena elevação, próximo do caminho para Santa Justa, existiram fornos de olaria, de que restam ruínas onde a Professora Doutora Helena Catarino recolheu fragmentos de cerâmica de época tardo -medieval e moderna. (2)

Um dos filões a explorar, seria a consulta de assentos de baptismo, óbito ou casamento que nos poderiam indicar essa profissão.