quarta-feira, 29 de julho de 2015

Poesia de Marcos Loures - PLANETA SONHO - APAIXONADAMENTE - PAIXÃO


Poesia de Marcos Loures

PLANETA SONHO

Mergulhando nos sonhos mais bonitos
Abraçando minha deusa tão amada.
Voando por espaços infinitos
Em busca da manhã iluminada;

Os raios deste sol brilhando tanto
Trazendo uma esperança, vivo amor.
Envolto na alegria, enfim te canto
E roubo deste sol todo o calor.

Amada como é bom viver contigo
Sem medo do tormento e da saudade.
Aqui, eu já pressinto, sem perigo,

Eu posso conhecer felicidade.
Amada, vem comigo, eu te proponho,
Na noite viajar, planeta sonho...

MARCOS LOURES

APAIXONADAMENTE

Apaixonadamente me perdi
Nos braços mais gostosos deste mundo.
Pois sempre desejei estar aqui
Nesta casa, contigo, num segundo...

Estrela incandescente, Deus me deu
Trazendo uma alegria sem igual
Acendes o luar no olhar que é meu
Fazendo a poesia natural.

Amando teus cabelos, tua boca.
Sorrisos que em minha alma já descansam.
As ânsias de te amar na vida louca,

O paraíso pleno sempre alcançam...
Pois sabem que encontraram o luar,
Ansiosamente vivem para amar...

MARCOS LOURES

PAIXÃO

De amores vou perdido pelo mundo
Percorro tantos astros que nem sei.
De tudo que te falo, já me inundo,
Da vida que sem tréguas eu busquei.

Paixão que me arrebata e me domina
Não deixa nem sequer achar o rumo.
Perfumando tua alma cristalina
Retendo dos prazeres todo o sumo.

Amar demais passou a ser a meta
Que traz o meu caminho mais florido
Por isso em minha voz, canta o poeta

Sem amor nada faz sequer sentido.
Amores percorrendo os universos
Vibrando nos desejos dos meus versos!

MARCOS LOURES


 

Dois poemas de Liliana Josué - POEMA PARA A CATARINA - OS DOIS ANOS DA CATARINA


Dois poemas de Liliana Josué

POEMA PARA A CATARINA

O tempo ainda é minúsculo
como gota acabada de soltar-se
fruto ainda verde
pendente na árvore vida
esperando que a sustentem

pezinho pequeno
passada incerta
na procura do seu futuro
sem saber que o está fazendo

o cabelo salta a compasso
brilhando de ingenuidade e encanto

boca sorrindo na alegria ver o gato
olhos atentos no presente
para que o amanhã se torne menos estranho
gargalhada ao tocar o pelo do cão
mãozinhas abertas pedindo auxílio

és a minha zínia de verão
o meu girassol de luz
petúnia dos meus dias.

19/07/2015

Liliana Josué


OS DOIS ANOS DA CATARINA

Eu sou uma menina de dois anos
Gosto de brincar com muitos bichanos

Quando um gato peludo faz ron-ron
Rio sem parar e imitou-lhe o som

Quando vou na rua e vejo um cão
Pulo de alegria ai que perdição

Se ele abana a cauda e faz ão-ão
Dou gargalhadas de satisfação

Já tive medo de todas as flores
Explicar não sei estes meus temores

Agora gosto pois sou mais crescida
Ponho-as no cabelo com ar de atrevida

Tenho uma cozinha só para mim
Tachos e pratos tornam-se um festim

Até já mexi sopa no fogão
E o leite entornei mesmo ali no chão

Vou-vos contar um segredo terrível
Se dizem a outros fico irascível

Então lá vai o que trago comigo
Com grande pesar aqui eu vos digo

Sou muito teimosa o dobro em mimada
Faço tais birras que fico estoirada

Não sei o porquê de eu ser assim
Talvez algum genes se colasse a mim

Mas sou muito alegre, feliz, amada
Pois muita paixão me tem sido dada

Eu sou uma menina de dois anos
Nada para mim’ inda são enganos

19/07/2015

Liliana Josué




Lendas - O Judeu Errante


Lendas

O Judeu Errante

O tumulto levou as pessoas às ruas de Jerusalém. Jesus, filho de José, entrara triunfante na cidade, desafiara os comerciantes e os guardiões do templo, presidira a ceia com os seus apóstolos, transmitira a sua mensagem definitiva no Monte das Oliveiras, para cair, tragicamente nas mãos de soldados, sendo julgado, açoitado, humilhado e condenado a ser crucificado.

As festas da Páscoa em Jerusalém foram interrompidas para que se acompanhasse o martírio daquele que se dizia o Messias, que viera para elevar o seu povo, acabar com os sofrimentos dos judeus. Pelas ruas da cidade, o profeta caminhava humilhado, a levar a cruz nas costas, a mesma que serviria como suplício final. Caminhando enfraquecido, quando se deixava cair, era obrigado a levantar através dos açoites impiedosos dos soldados romanos.

Alheio ao tumulto da cerimônia que precedia à crucificação, Ahasverus trabalhava dentro da sua casa, a preparar o couro que usava para fazer os sapatos que vendia. Era um homem calado, frio e alheio aos dramas e às pessoas à volta.

Sua barba espessa escondia as marcas que lhe ia esculpindo o tempo. Não havia Páscoa ou tradições que lhe arrebatasse do cheiro do couro curtido, trabalhado artesanalmente. Fechar um acerto de casamento com uma jovem estava longe de qualquer plano que fizera. A sua solidão latente era o prêmio maior que já adquirira. A sua arte com o couro a realização da alma.

À medida que o supliciado aproximava-se da rua onde Ahasverus morava, o tumulto tornava-se insuportável. Pessoas gritavam, algumas pediam a morte do suposto Messias, outras pediam misericórdia por sua vida. O sapateiro procurou ignorar o barulho. Continuou a recortar o couro curtido.

De repente um estrondo bateu-lhe na porta, fazendo com que ela se abrisse. Parte de uma cruz entrou pela sala. Ahasverus viu um homem atormentado, caído na sua porta, com uma coroa de espinhos na cabeça, o rosto coberto de sangue e as costas em carne viva. Ahasverus irritou-se com aquela imagem. Sentiu-se profundamente incomodado, como se aquele homem ensangüentando, a descansar por um momento na sua porta, fizesse com que todos os males da sua alma se lhe fosse revelado.

Tomou-se de cólera quando viu gotas de sangue a sujar a sua porta. Deixou os afazeres e aproximou-se do supliciado, que caído no chão, pediu-lhe ajuda para se erguer. Mas Ahasverus não se deixou comover, com o pé direito, empurrou o nazareno, vociferando com arroubo:
-Sai da minha porta! Anda, põe-te a andar! Vá logo!

Naquele momento Simão, o Cireneu, apiedando-se de Jesus, ofereceu-se para ajudá-lo a reerguer-se do chão com a cruz. Antes de continuar o caminho para o martírio, o nazareno olhou profundamente Ahasverus, falando-lhe mansamente:
-Eu vou, mas tu ficarás... Caminharás errante e sem descanso pelo mundo até a minha volta...

O olhar que Jesus, filho de José, lançou para o sapateiro, fez com que ele estremecesse a alma. Sentiu-se paralisado, a ver aquele homem caminhar para a morte, afastando-se da sua tenda, deixando-o com uma maldição eterna.

Ainda no fim da tarde daquela sexta-feira, quando o céu escureceu e o nazareno morreu na cruz, Ahasverus viu a barba do seu rosto ficar branca, as mãos envelheceram, sem que tivessem mais habilidade para trabalhar o couro. Ahasverus perdera a juventude e a sua arte. A solidão passou a queimar-lhe o peito.

Lentamente Ahasverus viu o tempo passar, os seus contemporâneos sugados pela morte. Sua alma tornou-se inconstante, peregrina. Uma grande nuvem de poeira bateu-lhe na porta, arrebatando-o e levando-o para as estradas do mundo. Quanto mais envelhecia, mais se distanciava da morte.
Ahasverus passou a percorrer cidades com ruas sem fim. Por onde passava, era conhecido como o Judeu Errante, o eterno estrangeiro, sem pátria, sem raízes.

Nas vilas, nas aldeias, nas terras mais distantes, o povo era surpreendido por um redemoinho de poeira, era o Judeu Errante que vinha dentro dele, numa peregrinação permanente, a carregar consigo a maldição por ter sido cruel com o nazareno.

Todos, quando viam o redemoinho, fechavam as suas portas e janelas, até que passasse o amaldiçoado, evitando que o agouro entrasse pela casa.

O Judeu Errante vaga no meio da poeira, atormentado e solitário, na esperança do dia em que Jesus, filho de José, retorne ao mundo e anuncie o fim da sua maldição e dos tempos.




Monólogo de criança - Texto de Ivone Boechat


Monólogo de criança

Texto de Ivone Boechat

Sou criança! Cheguei, recentemente, de uma longa viagem. Andei pelo caminho misterioso do pensamento dos meus pais, e, durante a concepção, fiz um estágio muito feliz ao lado do coração da minha mãe.

Hoje estou aqui, um pouco assustada, porque os adultos conversam coisas confusas que ainda não consegui entender. A vida é simples e bonita, mas os adultos complicam tudo.

Sabe, imaginam que nós, crianças, somos incapazes, fracas e bobas. Não é nada disso! A gente está apenas se esforçando para crescer e, à medida que o tempo passa, florescer e ajudar a construir este mundo: soltar os passarinhos das gaiolas, plantar flores nos jardins, devolver o azul cristalino dos nossos lagos e abrir as janelas das casas.

As pessoas crescem, ficam fortes e nos sufocam com suas idéias e, às vezes, nem nos deixam falar nada. Algumas, por falta de argumentos, nos agridem.

Eu gostaria que nos olhassem como sementes de guerra ou de paz. "Quem semeia vento, colhe tempestade". Aos gritos, batendo portas, e com tanta falta de compreensão, a gente pode ingressar na juventude, agressiva e desajustada.

Na verdade, a criança tem uma mensagem de paz. Por favor, se você está triste e não se realizou como pessoa, procure, urgente, um outro meio de desabafar suas mágoas. Não deposite suas dores e lágrimas nessa plantinha que mal começa a brotar.

Ela se chama criança e só cresce feliz com os fluídos magnéticos do AMOR.

Ivone Boechat 



 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - NÃO ME CITES - CONSCIENTES DE NOSSA INCONSCIÊNCIA - O POEMA QUE QUIS FAZER-TE (A MEUS FILHOS)


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - NÃO ME CITES - CONSCIENTES DE NOSSA INCONSCIÊNCIA - O POEMA QUE QUIS FAZER-TE (A MEUS FILHOS)


NÃO ME CITES


Não deixes que tua sombra te faça sombra,
Nem te despedaces de cansaço de fugir
De ti, num desespero que te assombra
De obscura tristeza, e te faz partir,

Receando o mundo inteiro, na penumbra
De teus passos, no jardim que não viste florir.
Diante de teus olhos nada se vislumbra,
Mas dentro em pouco, a alvorada vai surgir.

Se deslizares pelas ondas esculturais
De teus pensamentos nobres, na descoberta
De cada hora em cada hora certa,

Não me cites, nem recordes que existi.
Encontrarás então uma porta aberta
E deixarás de ter tua alma deserta.

Cremilde Vieira da Cruz


CONSCIENTES DE NOSSA INCONSCIÊNCIA


Percorremos conscientes,
A noite misteriosa,
Sob vagas altas que o mar atira sobre nós.
Ainda agora era a alvorada de nosso amor
Que agora, não sei porquê, é misterioso, mas enorme.
Talvez quando nascemos,
Alguém tenha trocado nossos caminhos.

Devia ser madrugada
E, de luzes apagadas, enganaram-se.
Nascemos para sentir nosso amor e dizer,
Mas esta distância desarrumada,
Quase muda e fria...
Não nascemos para ser aquecidos pelo mesmo sol,
Nem para caminhar na noite iluminada.

Envolve-nos uma escuridão enorme
E um mistério rude,
Mas esta força etérea que sentimos,
Faz-nos caminhar, caminhar...
Caminhamos de olhos fechados, mas conscientes,
Nesta distância desarrumada,
Como que abraçados por um mistério.

Quando abrimos os olhos,
Conscientes de nossa inconsciência,
Estamos abraçados.

Cremilde Vieira da Cruz



O POEMA QUE QUIS FAZER-TE (A MEUS FILHOS)


Quis fazer-te um poema tão belo,
Quanto o é teu coração,
Tão brilhante,
Como o brilho de teu olhar,
Tão grandioso,
Como o amor que te tenho.

Mas os meus pensamentos nublados
E empobrecidos de solidão,
Minha mente fatigada...
Oh, pobre inspiração que ruiu,
Como as paredes do castelo dos meus sonhos...!
Não te fiz o poema.

Todavia, quero que saibas,
Que tenho um poema dentro de mim,
Que sinto e é teu.
O meu poema,
Aquele que quis fazer-te...
Olha-me nos olhos,
Como quando te embalava,
Como quando te abraçavas a mim!

Olha-me nos olhos
E lerás o meu poema.

Cremilde Vieira da Cruz




Leitura obrigatória em momentos de crise - As escolhas dos intelectuais franceses nos anos sombrios da Ocupação

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Leitura obrigatória em momentos de crise

Recolhido em Livres Pensantes

As escolhas dos intelectuais franceses nos anos sombrios da Ocupação

Por Luciano Trigo

"Em Junho de 1940, após uma resistência pífia, Paris – então a capital cultural e artística do mundo – e boa parte do território francês foram ocupadas pelos nazis, e somente quatro anos depois a cidade seria libertada pelas tropas aliadas.

A conduta dos intelectuais e artistas locais durante a Ocupação é um tema que até hoje desperta paixões e mobiliza a opinião pública na França. Em tom de reportagem, “Paris ocupada – Os aventureiros da arte moderna: 1940-1944 (L&PM, 368 pgs. R$ 44,90), o premiado ensaísta e romancista Dan Franck faz um balanço impressionante do período: embora deixe claras as suas simpatias e antipatias pessoais, ele vai além do julgamento simplista que divide a França da época entre resistentes e colaboradores, sempre buscando contextualizar e fundamentar com um rigoroso trabalho de apuração as escolhas individuais e tomadas de posição política de cada um.

E mostra que, entre os extremos do heroísmo e da traição, da arriscada resistência clandestina e da tentadora capitulação total ao inimigo, houve muitas gradações – e, com raras excepções, a maioria optou em algum grau pelo-meio termo, por alguma forma de acomodação.

“Paris ocupada” não é um livro de historiador, mas uma ágil narrativa em mosaico, uma colecção de episódios reveladores das tragédias individuais e da tragédia colectiva da França ocupada.

Dessa forma, Franck consegue recriar de forma convincente a atmosfera das ruas e vielas, dos cafés e teatros parisienses que padeciam sob o jugo do invasor. “A Cidade-Luz se ensombreceu”, escreve Franck. “Os museus se esvaziaram na meticulosa operação para proteger dos nazis as principais obras de arte do país, e teve início um dos mais sombrios períodos da longa história de Paris, com intervenção política, toque de recolher, perseguição a judeus e a outras minorias, prisões arbitrárias, violência, medo e suspeita.”

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Leia aqui um trecho de “Paris ocupada”, de Dan Franck.

Nesse contexto – e lembrando que naquele momento ninguém sabia quem ia vencer a guerra –, a necessidade de conciliar o trabalho e a subsistência, ou a fuga (quando essa alternativa se apresentava, já que em muitos casos o problema imediato era ficar vivo), com o imperativo moral de se posicionar em relação ao invasor, gerou muito dramas e tragédias pessoais.

Por outro lado, entre os mais velhos muitos haviam testemunhado os horrores da Primeira Guerra se transformaram em pacifistas radicais, mesmo que o preço fosse viver de joelhos; outros eram movidos pela ideologia (numa época em que a palavra fazia algum sentido), ou pela canalhice pura – o que não exclui a genialidade artística, caso do antissemita Céline, autor de “Viagem ao fim da noite”.

Mas Franck lembra sempre que esses homens e mulheres eram reais, de carne e osso, indivíduos que tinham que lidar com questões familiares e afectivas, com crises financeiras, casamentos desfeitos, traições e inimizades, pequenas humilhações, enfim, todas as angústias decorrentes das exigências mesquinhas do dia a dia: editores esmagados que não tinham papel para imprimir seus livros, cineastas e produtores em busca de bobinas de filme, escritores trabalhando com medo da censura, outros morrendo sob tortura.

Como em seus outros livros, Franck aborda as trajectórias de tantos personagens e conta tantos episódios reveladores, chocantes ou inusitados que seria impossível abarcar tudo no curto espaço de uma resenha.

Mas vale citar três personagens que costumam ser associados a posições heróicas, quando na verdade não foi bem assim:

Jean-Paul Sartre, que se omitiu em diversos momentos importantes e retomou tranquilamente suas actividades académicas após um curto período no front (registado nos “Diários de uma guerra estranha”), enquanto colegas eram perseguidos;

André Malraux, que se alienou em sua casa de campo e só aderiu à Resistência nas vésperas do fim do conflito, em 1944;

e Marguerite Duras, que trabalhava junto ao departamento responsável por censurar as obras “inadequadas” do ponto de vista dos nazis.

Mas a lista de personagens famosos cuja conduta Franck esquadrinha é longa: André Breton, Louis Aragon, Antoine de Saint-Exupéry, Louis-Ferdinand Céline, Drieu de la Rochelle, Arthur Koestler, Paul Éluard, Matisse, Jean Giono, Jean Cocteau etc.

Depois de “Boémios”, que retratou a vida de artistas como Picasso, Matisse e Modigliani de 1900 a 1930 (lançado no Brasil pela editora Planeta), e “Libertad!”, que abordou o período 1930-1939, com ênfase no impacto da Guerra Civil Espanhola na comunidade artística (ainda sem tradução), “Paris ocupada” é o terceiro volume de uma ambiciosa série de Dan Franck sobre a vida intelectual na França no século 20.

Leitura obrigatória em momentos de crise, de relativismo moral e de polarização política, como o que estamos atravessando." 

Jornal Globo, 19.07.2015


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Anedotas Recolhidas na Net (Facebook sobretudo)


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Alentejano esperto

Um advogado, daqueles cheios de manias tipo jet7, de Cascais, vai caçar patos para o Alentejo.
Dá um tiro, acerta num pato, mas a ave cai dentro da propriedade dum lavrador.

Enquanto o advogado tentava saltar a vedação, o lavrador chega num tractor e pergunta-lhe o que estava ele a fazer.
O advogado respondeu:
-Acabei de abater um pato, mas ele caiu na sua terra, e agora vou buscá-lo.

O velhote responde:
-Esta propriedade é privada, por isso não pode entrar.
O advogado, indignado:
-Olhe, eu sou um dos melhores advogados de Portugal, ouviu? Se não me deixa ir buscar o pato, processo-o e fico-lhe com tudo o que tem!

O lavrador sorriu e disse:

O senhor não sabe como é que funcionam as coisas aqui no Alentejo! Nós aqui temos o Código Napoleónico, resolvemos estas pequenas zangas com a Regra Alentejana dos Três Pontapés.

Primeiro eu dou-lhe três pontapés; depois você dá-me dois pontapés; e assim consecutivamente até um de nós desistir!

O advogado já se estava a passar com o velho, olhou-o e pensou que seria fácil dar-lhe uma carga de porrada. Por isso, aceitou resolver as coisas segundo o costume local.

O velho, muito calmamente, saiu do tractor e caminhou até perto do advogado.

O primeiro pontapé, dado com uma galocha bem pesada, acertou directamente nas “bolas” do advogado, que caiu de joelhos e vomitou.

O segundo pontapé quase arrancou o nariz do advogado.

Quando o advogado caiu de cara, com as dores, o lavrador apontou o terceiro pontapé aos rins, o que fez com que o outro quase desistisse.

Contudo, o coração negro e vingativo do advogado falou mais alto. Ele não desistiu, levantou-se, todo ensanguentado, e disse:
Bora, velhote! Agora é a minha vez! Vai sentir o poder do meu pé!!!!

O lavrador sorriu e disse:

Nah! Eu desisto! Leve lá o pato!


O alentejano mais pobre da aldeia

O alentejano mais pobre da aldeia só tinha uma bicicleta, mas um dia aparece no Café Central com um descapotável.
Admirados, perguntam os conterrâneos:
"Atão cumpadri, onde arranjou esse carrinho?"

"Nem calculam! Na estrada vi uma moça, por acaso bem jeitosa, a chorar e perguntê "o que é que se passa?"
Atão ela disse-me "veja lá, um carrinho tão novo e já avariado!".

Atão, abri o motor, liguê dois fios e pronto! O carro estava arranjado.

Atão ela puxou-me para trás de um chaparro, despiu-se toda e disse-me "para pagar o trabalho que o senhor teve, faça o que quiser!". E eu fiz o que quis, meti-me no carro e abalê com ele."

Em coro, respondem os outros:

"E vossemecê fez muito bem. De certeza que a roupa também nã lhe servia..."


CASAMENTO NO CÉU

Um casalinho seguia no seu automóvel para a igreja onde iam casar quando são abalroados por um camião e morrem ambos.

Vão para o céu onde são recebidos por S.Pedro a quem perguntam se não seria possível casarem no céu já que não o tinham feito na terra.

S. Pedro disse que sim e que trataria pessoalmente de satisfazer tão nobre pedido.

Passaram 3 meses e nada! Foram ter com S.Pedro e perguntaram-lhe o que se passava, ao que ele respondeu:
– Não se preocupem, pois eu estou a tratar do assunto, não está esquecido.

Passaram-se 2 anos e casamento, nicles! S. Pedro, uma vez mais, assegurou-lhes que estava a tratar do assunto. Finalmente, passados 20 anos, vem S.Pedro a correr com um padre e dirige-se ao casalinho:
– Vamos, chegou a hora!

Fez-se o casamento e foram felizes durante algum tempo, mas passados uns meses foram ter com S. Pedro e disseram-lhe que as coisas não estavam muito bem e que pretendiam divorciar-se.
– Pode conseguir-nos isso aqui no céu?

E S.Pedro responde:

– Estão a brincar comigo ou quê? Levei 20 anos a encontrar um padre aqui no céu. Como é que vou agora encontrar um advogado?