quinta-feira, 9 de julho de 2015

Poema e Prosa de Ivone Boechat


Poema e Prosa de Ivone Boechat


Um amigo

Você quer um amigo:

Para andar na linha? Compre um trem.

Para guardar segredo? Alugue um cofre.

Para socorrer 24 horas? Constrói um hospital.

Para ir com você pra todo lado? Que tal um carro, uma bicicleta ou moto?

Para escutar você sem parar? Ligue o gravador...

Para dizer sim o tempo todo? Grave o seu próprio sim, na frente do espelho.

Para sustentá-lo nos fracassos financeiros? Compre um banco.

Para lhe dar a mão na hora do medo? Contrate uma babá.

Para carregá-lo nas horas difíceis? Chame um táxi.

Para massagear suas dores? Ligue para o massagista!

Para transportar suas reclamações? Chame o carro de mudanças...


E, por falar em mudanças, você realmente precisa mudar. Mude para o mundo da possibilidade.  Não transfira para o amigo todas as suas ansiedades.

Sim, o amigo existe, somos nós. O amigo faz tudo isto que foi descrito acima. E faz mais ainda. Além de ser trem, cofre, hospital, carro, gravador, espelho, banco, babá, táxi, massagista, carro de mudanças, o amigo tem a capacidade de discernir quem é amigo ou quem necessita desta relação de coisas e profissionais para usufruir, economizar, explorar.

Mude! Seja compreensivo, bondoso e todos vão querer ter um amigo assim, como você, como nós.

Ser amigo de si mesmo não é egoísmo. Seja bom para com você também.



“O homem bondoso faz bem a si mesmo, mas o cruel a si mesmo se fere”.

Provérbios  11:17



Ivone Boechat




Poesia de Cremilde Vieira da Cruz


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz

ENTRE CORAÇÕES

Permaneço na penumbra das horas
E mais não sou que um pesadelo.
Oiço bater à porta do vizinho,
Oiço tocar o telefone d vizinho,
Oiço o ladrar do cão do vizinho...
Tudo para lá da porta fechada.

Falo com os pinheiros,
Mas olham-me de lado
E mandam-me não sei onde.

Não sei que distância vai
De meu coração a vossos corações,
Mas deve ser enorme,
Porque a percorro há milhões de anos
E não consigo alcançá-los.

O meu medo é que a memória se me apague,
O sangue me gele nas veias,
E o tempo me traia.

Se isso acontecer,
Quero que saibam que vivi
Colada à memória do passado,
No vácuo do delírio do presente.
O futuro não existe.

O amor foi ontem.
Sonho amarrada a fotografias emolduradas,
Balbucio meu amor,
Mas as lágrimas interrompem-me,
Enquanto a noite desce.

Sei lá de que tamanho é minha noite,
Neste dia a começar de madrugada!

Cremilde Vieira da Cruz


CONSCIENTES DE NOSSA INCONSCIÊNCIA

Percorremos conscientes,
A noite misteriosa,
Sob vagas altas que o mar atira sobre nós.

Ainda agora era a alvorada de nosso amor
Que agora, não sei porquê, é misterioso, mas enorme.
Talvez quando nascemos,
Alguém tenha trocado nossos caminhos.
Devia ser madrugada
E, de luzes apagadas, enganaram-se.

Nascemos para sentir nosso amor e dizer,
Mas esta distância desarrumada,
Quase muda e fria...
Não nascemos para ser aquecidos pelo mesmo sol,
Nem para caminhar na noite iluminada.

Envolve-nos uma escuridão enorme
E um mistério rude,
Mas esta força etérea que sentimos,
Faz-nos caminhar, caminhar...
Caminhamos de olhos fechados, mas conscientes,
Nesta distância desarrumada,
Como que abraçados por um mistério.

Quando abrimos os olhos,
Conscientes de nossa inconsciência,
Estamos abraçados.

Cremilde Vieira da Cruz




quarta-feira, 8 de julho de 2015

Anedotas recolhidas na Net (Facebook sobretudo)


Anedotas recolhidas na Net (Facebook sobretudo)


O Manel entrou no bar

O Manel entrou no bar por volta das 20 horas.
Sentou-se ao pé de uma loira esplendorosa quando começavam as notícias do dia.
A reportagem cobria a notícia de um homem que estava prestes a atirar-se do alto de um enorme edifício.

A loira voltou-se para o Manel e disse:
- Acha que ele vai saltar?
O Manel respondeu:
- Aposto que sim.
A Loira respondeu:
- Eu aposto que não salta.
Manuel pôs uma nota de 20 euros na mesa e exclamou:
- Vamos apostar?
- Sim!

Logo que a loira colocou o seu dinheiro na mesa, o homem atirou-se e morreu no momento em que se esborrachou no solo.
A loira ficou muito aborrecida, mas aceitou a derrota:
- Aposta é aposta. É justo. Fique com os meus 20 euros.
Manuel respondeu:
- Não posso aceitar o seu dinheiro. Eu já tinha visto o incidente no noticiário das 18 horas. Eu sabia que ele iria saltar.

A loira respondeu:
- Eu também vi, mas nunca pensei que ele saltasse outra vez!


Um Padre e uma Freira

Um Padre e uma Freira tinham saido de um convento.
Ao cair da noite, avistaram uma cabana a meio do caminho, e decidiram entrar para pernoitar e prosseguir viagem no dia seguinte.

Ao entrarem na cabana, viram que havia apenas uma cama de casal.
O padre e a freira entreolharam-se e, depois de alguns segundos de silêncio, o padre disse:
Irmã, pode dormir na cama que eu durmo aqui no chão.
E assim fizeram. No entanto, a meio da madrugada a irmã acordou o padre:
Padre! O senhor está acordado?

O padre, bêbedo de sono:
Sim, irmã, precisa de alguma coisa?
Tenho frio...pode dar-me um cobertor?
Sim, irmã, com certeza! O padre levantou-se, foi buscar um cobertor ao armário e cobriu a irmã com muita ternura.

Uma hora depois, a irmã acorda o padre novamente: Padre! Ainda está acordado?
O padre: AH? Irmã ... O que foi agora?
É que ainda estou com frio. Pode dar-me outro cobertor?
Claro irmã, com certeza!

Mais uma vez, o padre levantou-se, cheio de amor e boa vontade, para atender o pedido da irmã.
Outra hora passou e, mais uma vez, a irmã chamou pelo padre:
Padre. O senhor ainda está acordado?
O padre: Sim, irmã! O que foi agora?!
É que eu não estou a conseguir dormir. Ainda estou com muito frio.

Finalmente, entendendo as intenções da irmã, o padre então disse:
Irmã, só estamos aqui nós dois, certo?
- Certo!
O que acontecer aqui, ou deixar de acontecer, só nós saberemos e mais ninguém, certo?
Certo!

Então, tenho uma sugestão ... Que tal se fingirmos ser marido e mulher ?
A freira então pula de alegria na cama e diz :
SIM! SIM !!!

Então o padre muda o tom de voz e grita :
ENTÃO, PORRA ! LEVANTA-TE E VAI BUSCAR A merda DO COBERTOR !


Numa conhecida vinícola da serra

Numa conhecida vinícola da serra, o degustador havia falecido e o proprietário começou a procurar alguém que fizesse o trabalho.
Um velho, jeito de antigo malandro, bêbado e mal vestido, apresentou-se para solicitar o lugar.
O proprietário, que não gostou do candidato, procurou arranjar maneira de livrar-se dele.

Então, na presença de outros dirigentes da empresa, mandou dar-lhe um copo de vinho para ele testar. O velho provou e disse:
- É um Moscatel de três anos, elaborado com uvas colhidas na parte norte da região, guardado em um barril inox. É de baixa qualidade, porém, aceitável.

-Correto - disse o chefe. Outro copo por favor.
- É um cabernet, safra 2008, com uvas colhidas nas encostas ao sul da região, guardado em barril de carvalho americano a oito graus de temperatura. Ainda faltam uns três anos para que alcance sua mais alta qualidade.

- Absolutamente correto. Um terceiro copo.
- É um espumante elaborado com uvas chardonnay, completada com 15% pinot noir, de alta qualidade e exclusiva - disse o bêbado.

O proprietário não acreditava no que estava vendo e fez um sinal com os olhos para sua secretária e pediu a ela que fizesse algo. Ela saiu da sala e regressou com um copo de urina.

O malandro provou e, calmamente, disse:
- É de uma ruiva de vinte e seis anos de idade, com três meses de gravidez e se não me derem o emprego, digo quem é o pai!”


Num escritório, o telefone toca.

Num escritório, o telefone toca.
-Bom dia! Poderia falar com o Dr. Marcelo?
-Desculpe senhor, no momento, o Dr. Marcelo está a cagar!

O homem fica horrorizado, desliga o telefone e decide avisar o Dr. Marcelo sobre a maneira como foi tratado pela secretária:
-Dr. Marcelo, hoje de manhã, liguei para o seu escritório e a sua secretária disse-me que o senhor estava a cagar; isso é um absurdo, o senhor é Presidente de uma Multinacional, trata com pessoas importantíssimas.
-A sua secretária deveria ter mais educação!

O Dr. Marcelo então diz:
-Ó Flávio, muito obrigado pelo toque, vou falar com ela, podes ficar descansado...
-Não fiques chateado, ela é novata mas muito esforçada, com o tempo aprende...

Passados alguns dias, o mesmo homem liga para o escritório e, novamente, a secretária atende:
-Bom dia, em que posso ajudá-lo?
-Bom dia, poderia falar com o Dr. Marcelo?
A secretária responde:
-De momento o Dr. Marcelo está ocupado...

Flávio gostou da resposta, pois percebeu que a secretária havia mudado de atitude.
Então..., perguntou novamente:
-E ele vai demorar muito?

A secretária respondeu:
-Ah..., da maneira que ele passou por aqui aos peidos, vai levar uns bons três quartos d"hora!!!


Uma delícia ...

Anita, de sete anos, regressa a casa vinda da escola.
Tinha tido a primeira aula de educação sexual.
A mãe, muito interessada pergunta:
- Como é que correu?
- Quase morri de vergonha! - respondeu a pequena Anita.
- Porquê? - perguntou a mãe.

Anita respondeu:
- O Zezinho, o menino com o cabelo ruivo, disse que foi a cegonha que o trouxe.
- O Marco, da livraria, disse que veio de Paris.
- A Cristina, a vizinha do lado, disse que foi comprada num orfanato e o Tó disse que foi comprado no hospital.
- O Paulinho disse que nasceu de uma proveta
- O André disse que nasceu de uma barriga de aluguer.

A mãe de Anita respondeu quase sorrindo:
- Mas isso não é motivo para te sentires envergonhada...
- Não, já sei, mas não me atrevi a dizer-lhes que como nós somos pobres, tiveste que ser tu e o pai a fazer-me...!!!


No Convento...

... a madre superiora chama as 100 freiras para um aviso importante. Com a cara marcada pela preocupação, ela diz:

Madre Superiora: Ontem foi cometido um pecado aqui no convento.
99 freiras: Oh, não!
1 freira: hi hi hi!

Madre Superiora: Hoje eu encontrei uma cueca.
99 freiras: Oh, não!
1 freira: hi hi hi!

Madre Superiora: Eu também encontrei um preservativo.
99 freiras: Oh, não!
1 freira: hi hi hi!

Madre Superiora: E foi usado!
99 freiras: Oh, não!
1 freira: hi hi hi!

Madre Superiora: E tem um furo!
1 freira: Oh, não!
99 freiras: hi hi hi!


Um casal que não conseguia ter filhos

Um casal que não conseguia ter filhos, sabendo que o padre da sua paróquia ia para Roma, pediu-lhe que rezasse pela sua conceção.
O padre disse-lhes:
- Não se preocupem. Logo que chegue a Roma tratarei de acender uma vela por vós.

Três anos depois, o padre regressa à paróquia e vai visitar o casal.
Ele encontra a mulher com três filhos pequenos, dois dos quais gémeos, e já grávida novamente.

Diz ele:
- Mas que maravilha! Finalmente conseguiram ter filhos! Onde está o seu marido? Tenho que lhe dar os parabéns!
- Foi a Roma!
- A Roma?

- Sim, ver se apaga a vela!


A barba está " na moda masculina"

A barba está " na moda masculina"...cuidado!
Júlio está no Motel com a amante, relaxando e saboreando o
pós-coito, quando ela interrompe o silêncio e diz:
– Júlio, por que não cortas essa barba?
– Ah… se dependesse só de mim… Sabes que
minha mulher seria capaz de me matar se eu aparecesse sem barba…
ela gosta de mim assim e não quer que a corte!

– Ora, querido – insiste a amante – Faz isso
por mim, por favor…
– Não sei não, querida…. sabes, a minha
mulher ama-me muito, não tenho coragem de a decepcionar…

– Mas sabes que eu também te amo muito…
pensa no caso, por favor…
O tipo continua dizendo que não dá, até que não resiste às súplicas da
amante e resolve atender ao pedido.
Depois do trabalho ele passa no barbeiro, em
seguida vai a um jantar de negócios e quando chega a casa a esposa
já está dormindo.

Assim que ele se deita, sente a mão da esposa afagando o seu rosto
lisinho, sem a barba e com a sua voz sonolenta diz:
– Duarte!!! Ainda estás aqui? Vai-te embora… O barbudo está quase
a chegar e ainda te apanha aqui!!!


Tempos de crise...

O telefone toca e a dona da casa atende:
- Estou ?!
- Queria falar com a Sra. Silva, por favor.
- É a própria .

- Daqui é o Dr. Arruda, do Laboratório de Análises. Ontem, quando o médico do seu marido enviou a biópsia aqui para o laboratório, chegou também uma biópsia de um outro sr. Silva e agora não sabemos qual é a do seu marido... e infelizmente, os resultados são ambos maus...

- E o que é que o Sr. Dr. quer dizer exactamente com isso?

- Um dos exames deu positivo para Alzheimer e o outro deu positivo para HIV. Nós não sabemos qual é o do seu marido.
- Que horror! E vocês não podem repetir os exames?
- Não, a Segurança Social só paga estes exames caros uma única vez por paciente. Agora com os cortes...

- Bem, o que é que o senhor me aconselha a fazer?

- A Segurança Social sugere que a senhora leve o seu marido para um lugar bem longe de casa e o deixe por lá. Se ele encontrar o caminho de volta... não faça mais sexo com ele.


O MECÂNICO

À porta do céu, um tipo furioso protestava perante o S.Pedro.
Meu bom santo, o que fiz eu para estar aqui? Tenho 35 anos, estou em
plena forma física, não bebo, não fumo, faço uma vida de acordo com as
regras dos bons costumes, e agora estou aqui! Certamente houve um
engano!

O S.Pedro responde:
- Bom, não é usual nós cometermos erros, mas enfim, vou verificar!
- Como te chamas?
- Vicente, João Diogo.

- Sim? Profissão?
- Mecânico!

- Ok, cá está a tua ficha. João Diogo Vicente, Mecânico! Tu morreste de
velhice!
- De velhice ?! Mas não é possível, eu tenho somente 35 anos?

- Isso eu não sei, mas fazendo as contas a todas as horas de
mão-de-obra que faturaste aos clientes, isso perfaz 123 anos!


Num bar, James Bond senta-se ao lado duma morena fenomenal

Num bar, James Bond senta-se ao lado duma morena fenomenal. Ele lança-lhe um olhar e de seguida olha para o relógio. Ela pergunta:
- A mulher que espera está atrasada?
- Não - responde Bond - Ganhei este relógio high tech e estou a testá-lo...

- Ah é? - pergunta a morena - E o que esse relógio tem de especial?
- Ele usa ondas alfa para se comunicar comigo - explica Bond.
- E o que ele lhe está a dizer agora? - pergunta a morena curiosa.
- Ele disse-me que você está sem cuequinhas.

A mulher dá uma gargalhada e responde:
- Pois o seu relógio não funciona! Eu estou com cuequinhas.

O James Bond mexe o relógio, dá-lhe umas pancadas e diz:
- Bolas! Está adiantado uma hora!


 

FALAR DE MONTANHEIROS - Texto de Daniel Teixeira


FALAR DE MONTANHEIROS

Texto de Daniel Teixeira

Tenho lido amiúde e de forma dispersa no tempo e nos temas alguma coisa sobre as denominações e terminologia própria dos Montes do Interior algarvio e embora não tenha consultado o Dicionário do falar algarvio de Brazão Gonçalves e não sabendo portanto se esta terminologia que vou referir vem lá expressa e desenvolvida vou escrever esta crónica com base naquilo que conheço por ouvir dizer (pronunciar) e isto ainda sem dar uma atenção específica àquilo que li noutras fontes.


Não se trata de um exercício egoísta ou de desconsideração sobre aquilo que outros já escreveram sobre estes termos (que não são muitos na minha memória) mas trata-se sim de os manter enquadrados nos momentos próprios e ambientes em que eles foram ditos de forma isolada ou repetida na minha presença.


A minha avó por exemplo não sabia, não conseguia e não queria dizer «máquina» referindo-se a uma qualquer ou tão simplesmente à máquina de costura: para ela era «mánica» e nem as constantes correcções nossas a faziam demover da sua ideia: «é máquina que se diz avó!!» mas ela mantinha-se na sua, não por birra, conforme me fui apercebendo, mas porque fazia parte dela já esse termo.


Infelizmente não tive oportunidade (convenhamos, era uma criança...) de comparar com o que as outras mulheres, sobretudo, diziam sobre estes objectos mas lembro-me de que anos mais tarde ter ouvido que «as mánicas da tropa arranjaram alguns caminhos do Monte de Alcaria Alta» misturado com algumas «máquinas».


Tive de percorrer no Google um relativamente longo caminho para encontrar num sítio de anedotas sobre alentejanos alguma coisa que me desse para escrever mais umas linhas sobre este assunto. E é assim: «- Oh pai, isto éi uma mánica , daquelas muito sufisticadas para cortar as árvores , faz logo o trabalho todo . Fui agora mesmo buscá-la á do Fialho a Evora . Querem vê-la a trabalhari !?»


Há também em Italiano algumas coisas que referem esta terminologia mas com base diferente uma vez que se referem à posse: talvez minha = ma + coisa = nica sendo este conceito bem mais geral no sentido português do «é minha!!» com algum sentido também do conjunto «é minha e eu sou o que é meu», isto visto numa forma muito geral e só para ilustrar.


Ora embora se possa chegar à conclusão de que se trata de uma deturpação do termo base «máquina» (pelo menos a acreditar no falejar da anedota alentejana) certo me parece ser que a primeira vez que a minha avó deve ter visto «mánicas» foi precisamente nos períodos de ceifa nas Herdades do Alentejo.


A tentação de juntar estas coisas faz parte da natureza humana, certo, mas vamos admitir que esta propensão para a utilização do termo «mánica» em vez de «máquina» tenha a sua origem no calão alentejano, pelo menos neste caso.


«Pial» que eu tenho visto referido nalguns textos sobre os Montes do Concelho de Alcoutim não me lembro de o ter ouvido: sempre me foi referido «sente-se aí no poial» - por exemplo e embora se admita uma redução geral algarvia pelo «comer» de sonoridades de mais difícil pronúncia nunca ouvi. Arreata por exemplo é bem mais difícil de pronunciar do que rédea e não foi «comida» ou substituída pelo seu equivalente.


Há aqui uma questão de estatuto também, rédea é de animal nobre, cavalo, e arreata dá para os humildes burros e mesmo para os híbridos muares. Será a questão do estatuto suficiente para levar à separação das utilizações? Já «escaleiras» em vez de escadas vem nitidamente do espanhol e não me lembro de se utilizar o termo escadas.


Ora, comecei pelo termo «mánica» e por ele irei terminar, ainda que num outro plano: os animais, sobretudo os muares (e mesmo os cavalos) tinham de ser tratados com «pezinhos de lã» no que se refere a sustos ou coisas que os assustassem. Os asininos também sofriam de um descontrole em face do desconhecido que os fazia entrar em parafuso mas eram relativamente controláveis: baixinhos, bastava desmontar mesmo a salto e tratar do assunto depois.


Ora nos cavalos era preciso aguentar a parada (empinar e correria) e para isso era preciso ter experiência de montar e treino suficiente para não fazer asneira. Os muares, quando em carroça, neste caso em dupla, dos lavradores Vilão, que foi os que conheci neste plano entravam em processo de «espanto» (dizia-se espantaram-se) com aquilo que na altura achávamos ser uma coisinha de nada.


Como eram dois a puxar a gente parava o carro e virava-os de forma a que não vissem o objecto do potencial espanto, mas como eram dois bastava que um visse para que o processo fosse comum. Neste caso que vou contar, talvez o mais grave que nos aconteceu dado o acidentado do terreno da disparada dos dois animais, um indivíduo de Giões resolveu comprar uma «mánica» motorizada em vermelho vivo que até a mim me assustaria.


Ora um tio meu estava de férias no Monte e não havendo ainda telefone em Alcaria Alta e tendo ele um estabelecimento em Lisboa um dos empregados telefonou para Giões por uma questão qualquer que precisava de uma solução do proprietário.


Simpaticamente o tal homem da motorizada vermelha ofereceu-se para dar um saltinho a Alcaria Alta dizer-lhe que de lá tinham pedido para ele ligar para Lisboa.


Pois bem «apanhámos» (nós e os muares) a motorizada vermelha à nossa saída do Monte em frente à Cerca do Toril na parte que era da minha Tia Bia e as duas mulas entraram em disparada enveredando em direcção aos Farelos. Quem conduzia era o Manelito Vilão e cá atrás na caixa íamos três: a gente na nossa inocência achámos piada porque íamos num carro de corrida.


O carro dava saltos (eram ainda rodas de aro de madeira) e só nos apercebemos de que a coisa podia ser grave quando ele nos disse para nos deitarmos no fundo do carro porque o carro podia virar.


O Manelito Vilão (já falei do falecimento dele por ataque cardíaco aqui no Hospital de Faro) gaguejava um pouco mas a ordem de nos deitarmos e agarrarmo-nos bem veio toda sem gaguejo.


Ele lá conseguiu controlar os animais ao fim de bastante tempo, mas quando me relembro de tudo penso que o carro a virar-se era indiferente estarmos deitados ou de pé: os animais continuariam na sua correria arrastando a carroça e muito pouca coisa nos salvaria estando dentro dele.


O susto demorou a passar: ficámos ali um bom bocado a respirar fundo. Depois encetámos o caminho de regresso. Pois bem...felizmente que o nosso destino inicial era uma horta frondosa a cerca de 50 metros da estrada. Achei estranho ele meter o carro em maior velocidade minutos depois correndo-se em direcção às árvores da parte traseira da horta até que olhei para o Monte e para a serpenteada estrada. Lá ao longe vinha a «mánica» vermelha.


Chegámos mesmo a tempo de tapar da vista dos animais o até para mim insólito objecto. E lá ia ele, com o meu enorme e pesado tio na boleia quase arrastando os pés pelo chão.


Levámos muito mais tempo que o costume a regar a horta, a sachar, a limpar as árvores. Só faltou dar-lhes brilho...e só saímos dali depois do regresso do meu tio e do regresso a Giões do motociclista.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

Jornal Raizonline Nº 271 de 28 de Junho de 2015 - Coluna Um - Daniel Teixeira - Ver-se Grego


Jornal Raizonline Nº 271 de 28 de Junho de 2015 - Coluna Um - Daniel Teixeira - Ver-se Grego

Tenho adiado a minha crónica deste número, que deveria ter saído no passado dia 28, porque estava à espera que houvessem novidades conclusivas substancias sobre os inúmeros episódios do embate Grécia / União Europeia (reparem que eu escrevi União).

Nada disso aconteceu até hoje e nesta mesma data consultadas as últimas falas (via comunicação social) parece que o Primeiro Ministro Grego vai aceitar as condições impostas pelos credores, mas...com algumas ressalvas que pelo que penso não serão aceites pelos credores.

Assim, tenho-me visto grego até agora e acho que não me vou safar desta fatalidade pelo que enveredo pelo momento, única forma que parece ser nesta altura do campeonato a forma aceitável de fazer sair alguma coisa.

Se há conclusão que podemos chegar desde logo é que não é nada fácil negociar com a U. Europeia quando se lhe deve dinheiro. Assim, será de supor que, mesmo não se devendo dinheiro, (afirmação que nenhum país pode levantar de ânimo leve,incluindo a Alemanha) também não será nada fácil.

Eu sempre fui um europeísta convicto mas naquele sentido defendido pelo General De Gaulle, ou seja, uma Europa Unida do Atlântico aos Urais, sentimento europeísta este que nada tem a ver com o que se passa actualmente.

Na verdade esta Europa não está muito longe da ideia que se pode fazer quando se assiste a uma sessão de bordoada, embora os bordões agora sejam verbais. Se alguém arrisca a escrever União (como eu fiz acima) Europeia está, na minha modesta opinião a dar uma prova de desatenção nalguns casos e de imbecilidade pura noutros casos.

A Europa não é propriamente uma Instituição de Caridade o que francamente também não lhe caberia mas referindo o meu amigo Michel Bakunine, como tantos outros com outras ideologias que teriam direito a citação aplicável, (...) A União Europeia (...) «é a autoridade, é a força, é a ostentação e efectivação da força. Não se insinua, não procura converter : sempre que o tenta fá-lo de má vontade, pois a sua natureza não esta´em persuadir, mas em impor-se, obrigar. (...)» Recolha em versão francesa dos escritos da Bakunine, Vol. I, pp.288, 289.

E assim, de uma forma geral, entregue que esteja o poder aos eurocratas que escrevem os textos que os «eleitos» assinam de cruz, e botam faladura sem que ninguém lhes dê uns carolos no cocuruto, estamos mesmo lixados e condenados a vermo-nos gregos ad aeternum.





           

domingo, 28 de junho de 2015

Crónicas da Minha Terra - Por Arlete Piedade - Festa na Aldeia


Crónicas da Minha Terra

Por Arlete Piedade

Festa na Aldeia

 
(Nota: Este texto foi escrito recordando as festas populares da minha aldeia, que animaram a minha infância e adolescência, e que recordo como os momentos mais felizes e animados, que durante todo o ano esperava ansiosamente).

Pouco passava das sete horas da manhã e já estalavam foguetes no ar, uns a seguir aos outros, fazendo um barulho infernal que deixava todos os habitantes da aldeia em alvoroço.

São as tradições da terra, amigos! – Temos que saudar o dia que chega com muitos foguetes para os vizinhos das outras aldeias virem todos para a festa e trazerem muitas ofertas para o Santo! – Esclarecia o dono da casa, sorridente, para os seus espantados convidados que tinham acordado assustados.

- Ofertas para o Santo? Para quê? – Perguntaram os dois convidados que tinham chegado na véspera de Lisboa e queriam saber todas as tradições da aldeia, para poderem comparar com as da sua terra.

- O Santo da aldeia é o S. Silvestre! – Respondeu o anfitrião, que acrescentou:
 - O santo protege os animais contra as doenças e os donos dos rebanhos vêm com as cabras, ovelhas e vacas dar umas voltas á capela, para agradecer a protecção do santo!

- Que engraçado isso! E que música é esta que estamos a ouvir a aproximar-se? – Perguntaram os dois amigos, que adoravam musica.
 - Ai meu Deus! – Deve ser a banda que já aí vem, com os festeiros para levantarem a oferta! – Exclamou o amigo, com um ar de aflição que fez rir os convidados.
 - Não riam! – Tenho que ir ver se está tudo em ordem! – Até já amigos! Sentem-se á mesa e comam. Não esperem por mim!

Mas os hóspedes queriam ver e acompanhar tudo e seguiram o amigo até á entrada da moradia, onde ele tinha disposto as ofertas para o Santo. Já se via ao longe na rua, o cortejo que se aproximava, com os festeiros á frente.

Vestiam fatos tradicionais com um colete de flanela vermelha por cima. Na mão esquerda traziam estandartes, com uma bandeira com a imagem do santo, na mão direita traziam sacos de veludo preto com que recolhiam as ofertas e dinheiro.

Outros traziam recipientes metálicos, onde levariam o azeite oferecido – foi explicando o anfitrião, aos dois amigos!

Mas á frente do cortejo, vinham os lançadores dos foguetes que iam deitando alguns para o ar mesmo em frente á casa , enquanto paravam e a banda tocava alegremente.

Mas a pedido do dono da casa, cessaram de lançar os foguetes para o ar, a banda calou-se e os festeiros que eram os habitantes da aldeia, encarregues da festa, aproximaram-se para recolherem a oferta já preparada.

Depois de dar uma quantia substancial em notas, que os amigos não viram bem, mas calcularam que seria cerca de 100 contos (100.000$00 escudos ou 500 euros pela moeda actual), o amigo ofereceu também 10 garrafões de azeite que seriam depois vendidos, e cujo valor revertia para a comissão de festas.

Os dois amigos, não querendo fazer má figura, perguntaram se aceitavam cheques, e foram buscar cada um, um cheque no valor de 50.000$00 (250 euros), que ofereceram aos festeiros para colaborarem conforme podiam.

Depois do cortejo se afastar, voltaram para a cozinha onde a mesa estava posta para o pequeno almoço, mas mal tinham acabado de sentar-se, ouviram lá fora o tropel dos rebanhos que se aproximava para irem dar a volta á capela do santo, e os primos quiserem ir ver a capela e a festa.

Entretanto no enorme fogão a lenha, coziam já as galinhas mortas de véspera, para fazer a canja. Também tinham abatido um porco e um borrego, e as mulheres descascavam batatas para disporem nos enormes tabuleiros de barro, onde já se encontravam pedaços de carne temperada com banha e massa vermelha feita de pimentos esmagados.

Depois de tudo regado com azeite e vinho, colocaram os tabuleiros nos fornos do fogão, onde ficariam a assar.

Enquanto isso, os convidados de Lisboa, acompanhados do amigo aldeão, estavam a entrar na pequena capela da aldeia. Ao fundo no altar, a imagem de S. Silvestre, que segundo lhes explicou o festeiro encarregado da capela, tinha sido um papa natural de França.

Mas antes de ser religioso, fora soldado ao serviço do imperador romano e como tal era afeiçoado aos cavalos e outros animais que protegia e curava de doenças.

Os donos dos animais, quando tinham algum animal doente, faziam promessas a S. Silvestre pedindo a cura do animal doente.

Assim no dia da festa, compravam uma pequena estatueta do animal que se tinha curado, a qual era colocada no altar, para atestar o poder do Santo.

Admirados os dois amigos, primos viram o altar cheio das pequenas estatuetas, e na sacristia ao lado, filas de prateleiras com mais figurinhas, representando vários animais em miniatura.

Depois de darem uma volta pelo arraial, voltaram a casa, onde os esperava o almoço juntamente com dezenas de convidados, que iam enchendo o jardim e o pátio fronteiro á casa.

Depois de devorarem a suculenta canja, e esvaziarem as travessas de carne assada com batatinhas e salada de alface, foi a vez dos doces e sobremesas.

Arroz-doce, pudim de ovos, salada de frutas e leite-creme foram servidos e devorados por aquelas pessoas que aparentavam não comer há uma semana tal a gula com que devoraram tudo que lhe era colocado á frente.

Foi a vez dos bolos confeccionados nos últimos dias pela dona de casa, serem cortados em fatias e colocados em pratos de vidro na mesa, bem como as filhoses cobertas com açúcar e canela e dispostas em enormes travessas intercaladas com os pratos de bolos.

O dono da casa, tinha ido buscar bebidas finas, tais como vinho do Porto, licor de amêndoa amarga e uísque para acompanharem os bolos. As senhoras de Lisboa, preferiram fazer café na máquina expresso que tinham trazido, o qual começaram a servir aos convidados que faziam fila esperando a sua vez.

Findo o almoço todos se dirigiram ao largo da aldeia, onde centenas de pessoas estavam aglomeradas, conversando em grupos, os mais novos dançando ao som da banda que tocava num palco improvisado ao fundo, os homens em grupos cumprimentando os amigos das aldeias vizinhas, as mulheres olhando os vestidos umas das outras para ver qual era a mais bem vestida, as crianças brincado e comendo pinhões em cordões.

Os namorados dançavam, outros jovens e pessoas de todas as idades, acotovelavam-se ao balcão da quermesse para comprarem rifas e verem se tinham sorte em serem premiados com bugigangas diversas que as fábricas e lojas tinham oferecido para serem sorteadas e leiloadas e o dinheiro arrecadado reverter a favor do Santo e da comissão de festas, o que era quase a mesma coisa.

Ao fim da tarde, todos se dirigiam para casa, os convidados para casa dos anfitriões que os tinham recebido, outros de regresso ás suas aldeias, enquanto os habitantes da aldeia se apressavam para irem servir o jantar, porque depois haveria baile e ninguém queria perder a actuação do famoso conjunto musical que tinha sido contratado para a noite de passagem de ano, a noite de S. Silvestre.

Por isso depois do jantar foram de novo para o largo da festa, os miúdos felizes com os brindes que tinham conseguido ganhar na quermesse e que eram uma bola de futebol branca e azul, um carro de bombeiros telecomandado que apitava e buzinava, e uma estatueta de barro que representava um casal de crianças que brincavam.

Agora era a vez de lançarem um balão de ar quente, que já estava pendurado no alto, por cima de uma enorme fogueira destinada a enchê-lo de ar aquecido.

Curiosos, todos se aproximaram, mas ainda iria demorar, só perto da meia-noite seria o lançamento programado. Então dirigiram-se para o salão de baile de onde chegava o som do conjunto musical a afinar os instrumentos.

Daí a pouco começaria o baile, ponto alto das festividades pelo qual todos os jovens esperavam ansiosamente para dançarem com as namoradas os que já namoravam, para arranjarem ou tentarem conquistar uma namorada, os que ainda não tinham.

Em volta do recinto de dança, em duas filas de cadeiras e algumas mesas, as mães vigiavam, enquanto os pais no bar ou no café conversavam de assuntos de homens.

A meia-noite o baile foi interrompido para irem ver subir o balão que se perdeu no céu escuro, e em seguida o baile prosseguiu até de madrugada.

No dia seguinte todos se levantaram tarde depois dos festejos da véspera. Era dia de Ano Novo, mas a seguir ao almoço, enquanto a festa continuava o grupo preferiu regressar a Lisboa.

A chuva tinha recomeçado a cair, anoitecia cedo e o trânsito devia estar caótico na auto-estrada, depois do fim - de - semana de festas.

Arlete Piedade



QUANDO AS FOLHAS CAEM - Texto de Liliana Josué


QUANDO AS FOLHAS CAEM

Texto de Liliana Josué

 O velho Manuel era um homem alto e pesado; olhos pequenos, ligeiramente rasgados e brilhantes, de tom pardo e vivos como os de uma criança.

Os cabelos brancos ainda se mostravam um tanto vaidosos do seu vigor, emoldurando graciosamente as aquelas faces bordadas de rugas.

 Suas mãos eram mapas de gelhas, salpicadas de largas sardas acastanhadas mas ainda com alguma destreza. As pernas é que já não tinham a agilidade de antigamente e os pés arrastavam ligeiramente pelo chão.

No entanto, o seu porte era ainda contornado de certa virilidade.

 Cansado de olhar as grandes vespas do jornal, pois a vista para pouco mais dava, levantou-se do puído sofá, outrora verde, adornado de outonais folhas castanhas, saindo em direcção ao jardim perto de sua casa.

 Enquanto caminhava lentamente, nesse fim de tarde, ouvia os pássaros num cântico murmurado de saudade pelos apetecidos dias de verão.

 Manuel sentou-se num banco de madeira pintado de verde, debaixo de uma grande amoreira. As folhas fustigadas por ligeira aragem, cantarolavam nostálgicas melodias de despedida, e num recato de fim de tempo caíam uma a uma, no seu amarelo envelhecer, enquanto se ofereciam dóceis , em tapetes macios, aos pés daquele homem.

 Na relva verdejante, bandos de crianças corriam e gritavam, como pássaros acabados de aprender a voar, no seu entusiasmo de brincadeiras que só a elas diziam respeito.

 Havia ainda cães brincando com seus donos em corridas e saltinhos, de rabito espetado, numa felicidade sem limites. Enquanto outros, de pelo frouxo e olhar triste, fugiam de cauda encolhida na certeza de não serem desejados.

 Manuel tudo via e entendia. Inclinou um pouco a cabeça para trás, observando o céu acinzentado, e um leve sorriso marcou-lhe a boca de lábios finos. «Os eternos contrastes e desigualdades».

Um vento mais forte soprou num uivo de lobo, e o tapete de folhas mexeu-se num seco rostilhar, chamando a atenção daquele homem. Este olhou-as, agora atentamente, vergando lentamente o corpo.

Os seu pés mal se viam submersos naquele acolhedor tapete matizado. Numa admiração de velho que pensara já nada o perturbar, reparou serem elas também velhas mas belas.

 Esticou os braços e segurou algumas nas suas mãos. Chegou-as ao rosto inalando emocionado seu cheiro a terra, enquanto duas lágrimas traiçoeiras lhe rolaram pelas faces molhando as folhas quase mortas.

 Em atitude de abandono, ali permaneceu num abraço de cumplicidade, esperando serenamente algo de que sempre tanto medo tivera. Afinal a outra parte escura da vida também podia ser bela e repousante.

 Eis que uma nuvem de lindas folhas castanhas, amarelas e encarniçadas desceram suavemente pela árvore envolvendo totalmente o ancião, adormecendo este em doce serenidade.