terça-feira, 23 de junho de 2015

A porta de vidro - Crónica de Abilio Pacheco


A porta de vidro

Crónica de
Abilio Pacheco
 
Semana passada, fui ao chaveiro tirar cópias de umas chaves. O molho tinha três chaves. Segurei duas delas e disse que gostaria de uma cópia de cada. Era uma senhora. Ela recolheu das minhas mãos, sumiu e depois voltou segurando a que não era para copiar e disse: duas cópias, certo? Não, senhora – respondi – uma de cada das outras duas. Ela revirou o chaveiro e fez cara de quem entendeu mas não gostou.

Colocou uma das chaves num suporte. Depois tirou e disse: É de uma porta de vidro. Como não disse nada, ela insistiu: Não é de uma porta de vidro!? Eu lhe disse que não. Ela puxou um huuummmm prolongado. Meditou e quis saber de onde era a chave. Disse-lhe que era da porta do apartamento. De vidro? Não, senhora. De madeira. Aprumou matriz e chave lisa no esmeril, resmungou: porta de vidro. Enquanto tirava a cópia da outra chave, dizia: De vidro. É de uma porta de vidro.

Aparou arestas das duas chaves e voltou-se para mim segurando a chave como brandindo: Esta chave é de uma porta de vidro! Convenci-me que não adiantaria discutir. Em qualquer outra situação, eu iria insistir que estava certo, mas havia rodado mais de 170 km (Capanema-Belém), eram quase 16h e tinha alguma fome. Além do mais, não me parecia haver motivo para insistir. Resolvi não teimar. Conforme ela me estendia a chave, eu confirmava que era. Era de uma porta de vidro. Eu pegaria as chaves, pagaria pela cópia e iria para casa.

Ela puxou de uma vez: Afinal, o senhor não disse que a porta era de madeira!? A mulher me desmontou de vez. Não quisera teimar, mas tergiversar parece que não fora a melhor opção. Estiquei um ééééé… Ela inclinou o rosto para um lado como quem dissesse ‘tô te vendo!’. Respirei calmo e disse, procurando um caminho no meio daquela armadilha. Senhora, a chave (hum!!) é de uma porta de vidro (ãh), mas a minha porta é de madeira (ah!).

Ela parecia ter se desarmado e ia me entregando a chave quando recuou novamente e perguntou onde eu morava. Cruzando minha resposta ela emendou a pergunta se eu estava indo para lá. Naturalmente, sim. Essa sua história está estranha, viu moço! Eu vou lá com o senhor. E foi. No caminho, resmungou outros problemas de clientes como eu. Aquilo não era somente uma cópia de chave errada. Seria caso de polícia. A chave era de uma porta de vidro. Conhecia bem aquelas chaves, seus formatos…

Chegamos à porta e lhe mostrei a madeira. Pegou a chave, ela mesma. Enfiou na fechadura e girou. Olhou-me aborrecida. Cobrou-me pelas cópias e pela visita. Paguei sem reclamar. Ela pegou o dinheiro, fez um rolinho e levantou alto como fosse uma vareta e vibrou o braço bradando. A chave é de uma porta de vidro. E ainda de costas reclamou: de vidro!

Belém/Capanema, 07 de fevereiro de 2013.

Abilio Pacheco

Professor universitário, escritor de prosa e verso, revisor de textos e organizador de antologias. Mestre em Letras (UFPA) e doutorando em Literatura (THL-UNICAMP). Três livros publicados. É membro correspondente da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense (com sede em Marabá), Cônsul dos Poetas Del Mundo para o Estado do Pará, Embaixador da Paz pelo Cercle Universal des Ambassadeurs de la Pax (Genebra-Suiça) e faz parte da AVSPE.




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Chama devoradora - John Steinbeck - Resenha crítica de Daniel Teixeira


Chama devoradora

John Steinbeck

Resenha crítica de Daniel Teixeira

Com este título, Chama devoradora, aparentemente da autoria da tradutora da Livros do Brasil - Lisboa, Virgínia Motta, em data incerta dos anos 60's, baseado no volume de Steinbeck de 1950 «Burning Bright», relemos recentemente mais uma obra deste nobelizado (1963) autor.

O título em português não é dos mais felizes, na nossa opinião, havendo algumas alternativas possíveis que correspondessem melhor quer a um sentimento literário menos catastrófico quer à própria temática do livro, mas por ora fiquemo-nos por aqui.

Na verdade há todo um conjunto de especificidades neste volume que é preciso desde logo referir, na medida em que se não trata directamente de romance (embora o seja no seu conjunto) mas sim de um conjunto de novelas entrelaçadas que se constituem num trama romanceado.

Mas ninguém melhor que o autor para nos explicar porque escreveu desta forma e não de uma outra:

«Decidi-me por este tipo literário por várias e diferentes razões. A leitura de peças teatrais parece-me difícil e o mesmo pensa muita gente. As peças que se dão à estampa são lidas exclusivamente pelas pessoas que se encontram ligadas ao teatro, pelos estudante ou estudiosos da arte dramática e por um grupo relativamente reduzido de leitores a quem o teatro fascina.

Daí a primeira razão da forma literária que adoptei: o desejo de produzir uma peça capaz de atrair um número substancial de leitores, uma vez que o livro é apresentado como um romance vulgar, ou seja, dentro de um género mais familiar ao grande público» (...)»

Quanto à segunda razão apresentada pelo escritor no seu prefácio iremos resumi-la desta forma: trata-se de fornecer de forma mais acessível um conjunto de informação ao actor, ao director, ao produtor e ainda ao leitor, em diversos aspectos, alargando o leque informativo sobre as personagens, coisa que uma peça de teatro escrita ou declamada não faz desde logo, no entender do autor, permitindo por isso uma liberdade interpretativa ao encenador, aos actores e ao público que pode não corresponder àquela intensidade ou forma que inicialmente era pretendida pelo autor.

Steinbeck divide esta peça novela em quatro actos, cada um deles passado em cenários diferentes, com as mesmas personagens base e um argumento que se entrelaça nos momentos relevantes de cada um dos anteriores.

Assim, o primeiro acto passa-se num circo, o segundo acto numa quinta, o terceiro que se prolonga pelo quarto acto entre o mar (um barco atracado num porto) e um nascimento.

Quem conhece Steinbeck sabe que este autor deu uma importância relevante à relação de família e ao relacionamento familiar e tanto neste romance como noutros a transmissão de sangue ou da continuidade afectiva e memorial está de alguma forma sempre presente: lembra-mo-nos de «A um Deus desconhecido» por exemplo (que curiosamente teve pouco sucesso quando da sua publicação primeira em 1933) ou mesmo «Ratos e Homens» que é considerada a sua obra prima ou ainda «As vinhas da Ira» (1939) entre outros.

Neste romance/peça de teatro o tema basilar trata de um indivíduo que tem um verdadeiro problema sobre a necessidade de deixar descendência, o que se torna de alguma forma obsessivo. Compreender Steinbeck e o tempo em que escreve é também ter a tentação de referir o chavão que se acopla normalmente ainda hoje ao povo americano em geral que é a busca de uma identidade comum americana (USA).

Nascido este país (conjunto de estados) de um caldo (nem, sempre ou poucas vezes misturado) de nacionalidades e culturas é bastante comum encontrarem-se ainda hoje as referências identitárias originais (irlandês, italiano, judeu, latino, polaco, etc.) dos emigrantes que inicialmente povoaram a América, mantendo-se algumas comunidades com muito poucas variantes inter - culturais e relativamente pequena fusão social e familiar efectiva.

Contudo este problema relatado por Steinbeck pode inicialmente ser encarado no plano exclusivamente pessoal. Joe Saul é casado em segundas núpcias com Mordeen dado o falecimento da sua primeira esposa, tem um amigo denominado no romance de Amigo Ed, e um jovem auxiliar de nome Vítor.

Independentemente do cenário desenvolvido por Steinbeck as posições hierárquicas dos personagens mantêm-se. No circo Vítor é companheiro de trapézio do mais experiente Joe Saul, na quinta é trabalhador sob as ordens de Joe Saul e no barco é o imediato de Joe Saul e no quarto acto, interligado com o terceiro, está ausente por razões que esclareceremos mais à frente.

Mordeen ama Joe Saul cuja ânsia por ter descendência se vê constantemente frustrada e o atormenta cada vez mais porque sem o saber Joe Saul é estéril. Sabendo da esterilidade dele e desejosa de fazer cumprir o desejo do companheiro, logo no primeiro acto, em conversa com Amigo Ed, sugere levemente a possibilidade de engravidar através de uma relação secreta com o jovem Vítor que a ama sem ser correspondido por Mordeen, relação essa que vem a acontecer.

No primeiro acto ficamos com a dúvida sobre se a infidelidade de Mordeen a Joe Saul terá uma componente exclusivamente altruísta, uma vez que Mordeen também deseja ser mãe, não de uma forma tão obsessiva, mas o resultado acabará por ser o mesmo na medida em que o seu relacionamento com Joe Saul melhorará de forma significativa no seu entender cumprido que seja este seu desejo de deixar o «seu sangue» perdurar.

Nos outros actos trata-se sobretudo da gravidez e da luta de Vítor perante Mordeen para que ela assuma que o futuro filho é dele e dela, situação esta que está presente nos três actos.

No último o Amigo Ed acaba por «resolver» a insistência de Vítor jogando-o ao mar e causando a sua morte, ficando desta forma o crime sem castigo, tentando assim poupar tanto Joe Saul como Mordeen.

A parte final trata do nascimento do bebé, já sabendo na altura, através de análises que fez, Joe Saul, que é estéril e que logo o filho que nasce da barriga de Mordeen não é seu.

Joe Saul acaba por aceitar a inevitabilidade, depois de uma luta de recusa consigo mesmo, e após o nascimento do bebé acaba a peça / romanceada com o seguinte trecho:

(...) «Mordeen, gosto da criança - a voz de Joe Saul ganhou volume e foi em tom vigoroso que reforçou a sua declaração - Mordeen, gosto do nosso filho - e erguendo a cabeça, exclamou triunfante - Mordeen, gosto do meu filho.»

Depois do que dissemos acima sobre as intenções de John Steinbeck quanto à forma do seu escrito parece-nos claro que, apesar de estar bem escrito e ter um enredo suspensivo constante entre actos, com os elementos dramáticos, desconhecimento da realidade dos factos da parte de Joe Saul  e posterior conhecimento, insistência e incerteza quanto ao resultado da pressão do verdadeiro pai da criança, desfecho relativamente inesperado pela acção de Amigo Ed e a atitude final de Joe Saul que, dito tudo isto, como romance este vale mais como peça de teatro.

Na verdade pensamos que só na declamação e na actuação as personagens podem ganhar verdadeira força e intensidade dramática e que as coreografias poderão de facto ajudar bastante uma história que não sendo de todo banal, está quanto a nós longe de se constituir como sendo interessante por si só na sua forma escrita.

Daniel Teixeira


 

Luís Forjaz Trigueiros - Aquelas mãos - Por Daniel Teixeira


Luís Forjaz Trigueiros

Aquelas mãos

Por Daniel Teixeira

Conforme fizemos referência no número anterior existem no livro de contos «Ainda há Estrelas no Céu» de Luís Forjaz Trigueiros dois contos que mereceram uma maior atenção da crítica e dos tradutores fazendo desses dois contos aqueles que maior relevo merecem ainda que, e conforme dissemos igualmente quando da análise do conto «Boa noite, Pai!» existam neste pequeno volume algumas outras estórias que consideramos de igual interesse desenvolver, o que faremos noutras oportunidades. Este volume tem oito contos.

Embora e citando a contracapa do volume vejamos que na altura o autor foi referenciado como tendo afinidades narrativas com Maupassant e K. Mansfield e em termos de análise ou ambiência psicológica ele seja situado nesta introdução com Mauriac, certo nos parece ser que existe nele também influência do psicologismo russo e em análise mais detalhada talvez com Camus ou mesmo Gogol.

Na verdade as personagens deste autor são na sua larga parte elementos de uma pequena e média burguesia rotineira, que não vivem o seu tempo mas que antes o deixam passar por elas, desprovidas de objectivos substanciais, desligadas da alegria de viver, fazendo em certo sentido lembrar o Mersault de Camus no romance o Estrangeiro (não na Morte Feliz) ou mesmo na «Peste».

Por seu lado a falta de objectivos definidos na vida dos seus personagens principais fá-los viver num universo estreito: uma grande farra de aniversário é uma noite no Parque Mayer, por exemplo, a ver uma Revista... enfim, são personagens que se não encontram no tempo em que vivem (as notícias da guerra, neste conto que resumimos e procuramos analisar, de 1940, entram-lhe por um ouvido e saem-lhe pelo outro), é fundamentalmente uma desesperança de vida que neste conto encontra a sua alegria num facto sem importância que pode muito bem aceitar-se como a alegoria que é, mas que denuncia a pouca imaginação do personagem.

Bom narrador, Luís Forjaz Trigueiros, consegue uma narrativa inteligente e faz uma descrição tão detalhada quanto possível de um homem que pode considerar-se comum com ambições que vão um pouco além mas não passam do comum plano mental.

Farei algumas citações mais à frente mas noto antes que o autor procurou ele mesmo construir antecipadamente o ambiente que despoletaria o evento :na verdade por uma vez decide seguir um percurso diferente daquele que segue habitualmente de eléctrico e nele encontra duas mãos de uma jovem senhora que o cativam muito para além daquilo que seria normal.

Ora e retrocedendo um pouco na nossa análise não vemos porque razão ele não encontraria umas mãos que o cativassem numa das suas habituais viegens de casa para o emprego e deste para casa e porque as encontrou naquele dia e não num outro.

Claro que temos um alerta logo no início do conto onde ele repete para si mesmo aquilo que a sua mulher lhe diz ao que parece com alguma frequência : «Tu não me enganes! (...) Não arranjes outra.» o que pode funcionar nele como um desejo de ser tão normal quanto os outros seus colegas e amigos, mas não nos parece que o argumento tenha assim tanta força.

Na verdade «Aquelas mãos» apesar de poder considerar-se ser um conto bem escrito está fracamente alicerçado e menos alicerçado fica quando essa sua paixão por aquelas mãos em concreto se distribue na sua imaginação por várias mãos femininas. Contudo as mãos da sua mulher nunca são referidas nem positiva nem negativamente.

O problema maior que esta questão levanta é o seu convencimento de que comete infidelidade, convencimento esse que o leva a um alheamento familiar que depressa contagia os receios sempre infundados da mulher. Assim os condimentos da infidelidade conjugal reúnem-se entre os dois havendo da parte da sua mulher uma atitude de aceitação dos factos que não existem.

(...)« Foi nessa altura que comecei a olhar melhor para a rapariga que ia sentada mesmo defronte de mim. A falar a verdade, ela não tinha nada de extraordinário. Era bonita? Não me recordo bem. Creio, porém, que tinha uns olhos de tal maneira vagos que nem se cruzaram com os meus.Além disso, vestia sem espalhafato. Sem espalhafato e, com certeza, sem água de colónia absorvente da senhora do lado. Pintadinha, sim, mas com recato, sem exageros. Também não me lembro do vestido. Só me lembro- e isso muito bem - que tinha uma carteira castanha e que a segurava, com as maõs rosadas, sobre os joelhos. Mas eu olhei para as mãos da rapariga e não fui capaz de olhar para mais nada!»(...)

(...)«Até ao dia em que meti naquele eléctrico eu tinha uma cortina corrida entre mim e a vida. Tudo quanto eu via era visto apenas por detrás dessa cortina e, logo, correspondia a uma realidade incompleta.»(...)

(...)«Do meu lugar, (...) acompanhava fixamente com os olhos a vida das suas mãos. Já não eram indiferentes. Assim como eu tinha cordado para um mistério, elas tinham entrado também nesse mistério. E riam para mim, riam evidentemente, já sem conseguirem estar à vontade, persegidas pela consciência de que estavam a falar comigo uma linguagem própria, que os meus olhos talvez não vissem, mas escutavam.»(...)

(...)«Desta maneira, à medida que fitava as mãos da minha companheira de eléctrico, sem quer desviar delas esse olhar, instintivamente me lembrava da minha mulher e quase a ouvia numa reprimenda discreta e apagada como todos os seus gestos: "Firmino, não olhes para ela..." Ouvia-a falar-me assim, mas continuava a olhar. Afinal, pela primeira vez, estava a ser infiel à Lucília, infiel com frieza, conscientemente.E não tiva remorsos.»(...)

(...) « Mas assim que me levantei do meu lugar (...) chegara ao final do meu percurso (...) aquelas mãos recuperaram a sua tranquilidade, voltaram a cumprir o seu destino de existirem apenas. (...) As mãos daquel desconhecida, que eu não tornaria a ver, voltaram, de súbito, a ser silenciosas para mim.»(...)

O resto da estória já foi referida em grosso acima. Podemos sempre pensar e acreditar que se trata de ficção, claro que é, mas mesmo pela sua insignificãncia o episódio pretende descrever a eclosão de um sentimento até aí recalcado (e que continua recalcado) mas onde tudo funciona como a grande catarse desejada.

Chamamos no entanto a atenção para a imagem da cortina corrida (sobre uma vida) e o correr dessa cortina (sobre uma outra perspectiva de vida) e dizer, ironicamente, que cada um corre as cortinas que tem e as que pode ter. 


 

 

Anedotas recolhidas na Net (Facebook sobretudo)


Anedotas recolhidas na Net (Facebook sobretudo)

Um bombeiro à civil ia passeando

Um bombeiro à civil ia passeando, quando repara que do outro lado da rua, está um menino vestido de bombeiro, sentado em cima de um carrinho de bombeiros, puxado por um Cão e um Gato.
Só que enquanto o Cão tem a coleira ao pescoço, o Gato tem a coleira à volta dos testículos.

Intrigado com tal situação, aproximou-se da criança e começou a falar :

- Olá. Como te chamas?
- João.
- Olá João. Pelos vistos queres ser bombeiro?
- Pois quero.
- Sabes eu também sou bombeiro, só que não estou fardado. Foste tu que fizeste a roupa e o carrinho?
- Fui.

- Está muito bem feito. E como não tens motor, puseste o Cão e o Gato a puxar-te. Muito engenhoso sim senhor. Mas olha, se apertares a coleira do Gato no mesmo sitio onde apertaste a do Cão, vais muito mais depressa.

- Pois é, mas assim não tinha sirene.


Saía o advogado do escritório

Saía o advogado do escritório, no seu carro, quando encontrou a sua secretária, à chuva, na paragem do autocarro. Ele parou e perguntou:
– Quer uma boleia?
– Claro… – respondeu ela, entrando no carro.

Ao chegarem ao edifício onde ela mora, ele parou o carro e ela convidou-o para entrar.
– Não quer tomar um cafezinho, um whisky, ou outra coisa?
– Não, obrigado, tenho que ir para casa…
– Vá lá, o doutor foi tão gentil comigo. Suba um pouquinho…

Ele aceitou e subiu.
No apartamento, ele tomava o seu whisky quando ela foi ao quarto e voltou, em roupa interior e muito sensual.
Quem poderia aguentar? Ele não. Algumas horas de sexo depois, ele acabou por adormecer.

Por volta das 4 da madrugada, ele acordou e olhou para o relógio. Grande susto!..Pensou um pouco e disse:
– Empreste-me um pedaço de giz….
Colocou esse pedaço de giz atrás da orelha e foi para casa. Ao chegar, a mulher estava louca de raiva e ele começou a contar:

– Quando saí do trabalho dei boleia à minha secretária.
Depois de chegar a casa dela, ofereceu-me um whisky. Em seguida, foi para o quarto. Voltou para a sala com uma lingerie lindíssima e após vários copos acabámos na cama e fizemos amor. Adormeci e acordei agora há pouco…

A mulher gritou-lhe:
– Seu mentiroso! Desavergonhado! Estiveste no bar a jogar “snooker” com os teus amigos! Nem sabes mentir! Até esqueceste o giz aí atrás da orelha!!…


A professora do 6º ano

A professora do 6º ano perguntou para a sua turma:
- Qual é a parte do corpo humano que aumenta quase dez vezes seu tamanho quando é estimulada?

Ninguém respondeu, até que Natasha levantou-se furiosa e disse:
- Não devia fazer uma pergunta dessas para crianças do 6º ano! Pois eu vou contar aos meus pais e eles vão falar com o director e, este vai demiti-la, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)!! E ainda vai chamar o Conselho Tutelar para te prender.

Para o espanto da Natasha, a professora não apenas a ignorou como fez a pergunta novamente:
- Qual é a parte do corpo que aumenta em dez vezes o seu tamanho quando é estimulada? Alguém sabe?

Finalmente, Rodrigo levantou-se, olhou em redor, e disse:
- A parte do corpo que aumenta dez vezes o seu tamanho quando é estimulada é a pupila.
A professora:
- Muito bem, Rodrigo!!!

Então, voltou-se para a Natasha e continuou:
- E quanto a si, “menina”, tenho três coisas para lhe dizer:
A primeira: é que tem uma mente muito suja para a sua idade.
A segunda: não leu a sua lição de casa: “Os sentidos”…
E a terceira: DEZ VEZES ??? (hahahahahaha)…Um dia a menina vai ficar muito, mas muuuuitooooooo decepcionada, sabia?


O dono de um circo colocou um anúncio

O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão. Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, beirando 80 anos, e uma loura espetacular de 25 anos. O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores.
Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o
equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?

Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula. O leão ruge e começa a correr na direcção da loura. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo.

O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio! Ele deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés! Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante longos minutos! O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!

Vira-se para o velhinho e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o velhinho responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão...


OPSSSSSSSsss

À porta do céu, um tipo furioso protestava perante o S. Pedro.
– Meu bom santo, o que fiz eu para estar aqui? Tenho 35 anos, estou em plena forma física, não bebo, não fumo, faço uma vida de acordo com as regras dos bons costumes, e agora estou aqui! Certamente houve um engano!

O S.Pedro responde:
– Bom, não é usual nós cometermos erros, mas enfim, vou verificar! Como te chamas?
– Vicente, João Diogo.
– Sim… Profissão?
– Mecânico!

– Ok, cá está a tua ficha. João Diogo Vicente, Mecânico! Tu morreste de velhice!

– De velhice ?! Mas não é possível, eu tenho somente 35 anos…

– Isso eu não sei, mas fazendo as contas a todas as horas de mão-de-obra que facturaste aos clientes, isso perfaz 123 anos!


Num voo internacional

Num voo internacional, como é habitual, o comandante do avião liga o microfone e fala aos passageiros:
- "Bom dia, senhores passageiros, neste exato momento estão a 9 mil metros de altitude, velocidade cruzeiro de 860 Km/hora e estamos a sobrevoar a cidade de...AAAAAAAHHHH.VALHA-ME DEUS."

Os passageiros ouvem um barulho infernal, seguido de um grito pavoroso:
- "NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!"
Depois de um silêncio sepulcral, volta a ligar o microfone e, timidamente, diz:

- "Peço imensa desculpa, mas esbarrei na bandeja e uma chávena de café caiu-me no colo. Imaginem lá como é que ficaram as minhas calças à frente!

"Prontamente, um dos passageiros gritou:

- "Filho da p…! Imagina lá como é que ficaram as minhas calças atrás!"


A entrevista da loira

Uma "loira"se candidata ao cargo de auxiliar de delegado:
O delegado pergunta na entrevista:
- Quanto é 1+1?
Onze, diz a loira.

E o delegado segue a entrevista...
- Quais são os 2 meses que começam com M?
Mês que vem e mês passado.
Irritado com o raciocínio da loira , o delegado lança um desafio:
- Quem matou Jhon Lennon ?
E a loira:
- Não sei!

Bom, vá pra casa e tente descobrir! - Diz o delegado.
Chegando em casa, a mãe da loira pergunta:
- Como foi lá na delegacia, minha filha?
A loira responde:

- A entrevista foi otima! Primeiro dia de trabalho e já estou investigando um homicídio!


Quinhentos euros mais o hotel...

Num restaurante, um homem janta só. Na mesa ao lado, uma jovem está também sozinha. A dado momento, ele levanta-se, inclina-se para ela e pede-lhe delicadamente:
- Dá-me licença que leve a mostarda?

- É lamentável o que me está a propor! - Grita a jovem. - O senhor não tem vergonha?
Todo o restaurante se vira para eles. O homem, vermelho como um tomate, balbucia:
- A senhora compreendeu mal. Eu apenas lhe pedi a mostarda...

- Nunca ouvi uma coisa como esta! O senhor é um ordinário!
O homem volta para o lugar, observado severamente por toda a gente. A mulher paga a sua despesa, vai à mesa dele e diz em voz baixa:

- O senhor desculpe a minha atitude. Tenho de lhe dar explicações. Sou socióloga e estou a preparar uma tese sobre as reações dos homens perante uma situação embaraçosa na presença de público. Eu fiz este teste e espero que não fique a pensar mal...

É a altura de o homem gritar:

- O quê? Quinhentos euros mais o hotel?! Você não vale tanto!


Um rapaz de visita a Paris

Um rapaz de visita a Paris comprou umas luvas para a namorada, mas a empregada enganou-se e ao embrulhá-las colocou lá umas cuecas.
A família da rapariga, ainda virgem, era muito conservadora! Imaginem a abertura da embalagem e a leitura da carta que o rapaz enviou...

"Querida, Sabendo que dia 14 é o dia dos namorados, resolvi mandar-te este presentinho.

Embora eu saiba que não costumas usar (pelo menos eu
nunca te vi com umas), acho que vais gostar da cor e do modelo, pois a empregada da loja experimentou, e pelo que vi, ficou óptima.

Apesar de um pouco largas na frente, ela disse que é melhor assim do que muito apertadas, pois a mão entra melhor e os dedos podem movimentar-se bem à vontade.

Depois de usá-las é bom virar do avesso e colocar um pouco de talco para evitar aquele odor desagradável.

Espero que gostes, pois vai cobrir aquilo que um dia te irei pedir, além de proteger o local em que colocarei aquilo que tanto sonhas.
Um beijo (no lugar onde irás usá-las).

PS: Não esperes pelo meu regresso para estreá-las. Quero que todos os meus amigos te vejam com elas. E depois esfrega na cara daquelas tuas amigas invejosas, pois eu nunca vi nenhuma delas com umas!




Poesia de Arlete Piedade Louro - ALDEIA DA SAUDADE


Poesia de Arlete Piedade Louro

ALDEIA DA SAUDADE

Na aldeia da saudade

Os dias são sempre iguais

As noites de nostalgia

As horas passam devagar

A Lua quando se levanta

Triste acena para as estrelas

As almas dos que partiram

Vagueiam entre as oliveiras

Os perfumes da primavera

Esses são sempre iguais

Incendeiam meus sentidos

Acendem mais a saudade

Da tua imagem querida

Perdida entre os pinhais

Revejo teu sorriso terno

Teu cabelo rebelde e sedoso

O encanto e brilho do teu olhar

Cheio de meiguice doce e furtivo

Mirando-me do outro lado da rua!

Aguardo ainda a chegada do carteiro

Portador de mais uma cartinha…

Mas como passou assim o tempo

Sem eu me dar conta dele?

E agora só a saudade habita

Entre as velhas casas desertas

Pelos campos incultos e solitários

Pelos caminhos desertos e áridos

Queimados pelo sol inclemente

Na aldeia da saudade, tudo se desfaz

Nada resta de outrora

Só mesmo os velhos a morrer

As mulheres tristes e desiludidas

E a saudade sempre presente!


Arlete Piedade Louro




sábado, 6 de junho de 2015

Jornal Raizonline Nº 270 de 7 de Junho de 2015 - Coluna Um - Daniel Teixeira - O efeito borboleta


Jornal Raizonline Nº 270 de 7 de Junho de 2015 - Coluna Um - Daniel Teixeira - O efeito borboleta


Daniel Teixeira

 
O efeito borboleta, por aquilo que sei, faz parte das teorias do caos, coisas para as quais nunca pendi muito em termos de pesquisa, embora tenha tropeçado em derivadas ou copiadas, várias vezes.

Por princípio o efeito borboleta é composto de uma série de eventos conjugados ou seguidos cronologicamente, intervindo num dado campo ou para um dado campo, levando à progressão aritmética e/ou geométrica do seu desenvolvimento com vista ou convergindo para um dado efeito.

Aqui há anos achei bastante piada (semi trágica, aliás) quando um responsável por uma Divisão de Obras Públicas do Estado, disse que a causa da queda de uma passadeira elevada sobre uma estrada, queda essa da qual resultaram alguns feridos e alguns carros esmagados, que essa tal de causa tinha sido uma borboleta que tinha batido as asas algures na Asia.

Isto é visto com sentido de gozo, porque pior que andar metido a debitar teorias é pensar-se que se as conhece. Pelos vistos o tal de engenheiro arranjou o argumento que só não foi mais gozado porque se tratava de uma questão séria, com gente ferida e bastantes danos materiais.

Pois, a surpresa veio depois : não é que foi feita inspecção, género necrópsia, à dita passadeira arruinada e não se chegou a qualquer conclusão sobre a causa do evento?

Enfim, não vamos aceitar agora a história da borboleta mas vamos dizer que talvez (maybe) as causas da queda da ponte apenas pudessem ser vistas antes dela cair, o que pode parecer absurdo, mas ao fim e ao cabo vai de encontro àquilo que se pretenderia, ou seja, evitar a sua queda. Por outras palavras aqui a própria queda da passadeira «apagou» as causas que originaram essa queda.

Simples...não há nada de sobrenatural aqui nem de borboletas de asear inoportuno.  As coisas, quando vistas numa perspectiva ou numa dada situação podem apresentar, e apresentam pelo menos parcelarmente, resultados diferentes.

Pois bem, eu já tinha quase jurado a mim mesmo que não falava mais na crise financeira mas não posso deixar de dizer que o que disse acima se aplica inteiramente às leituras que se fazem agora dos resultados dos inquéritos e dos julgamentos mais em voga sobre corrupção, fraude, lavagem de dinheiro, etc.

Na verdade, nestes campos atrás referidos, ainda não assisti a um único resultado de um inquérito que apontasse as causas ou as culpas de quem quer que seja sobre factos considerados pelo menos reprováveis.

A minha ideia é simples: tratando-se de dinheiro, seria lógico que uma contabilidade, ainda que ficcionada por normas unificadoras, desse para fazer o percurso inverso para se detectar o ponto crítico onde as coisas começaram a descambar, ou seja, onde a borboleta começou a bater as asas.

Mas não, em quase todos os casos - não quero generalizar - os factos reprovados ao serem realizados (quando o foram) não deixam traços que permitam a sua reconstrução para efeitos penais, pelo que, muito a contragosto, acabo por ter de acreditar na borboleta.




sexta-feira, 5 de junho de 2015

Poesia de José Manuel Veríssimo


Poesia de José Manuel Veríssimo



 Fumos

 Viver em silêncio
 Alguns gestos
 Sopros de claridade
 De esperança
 Entre nuvens carregadas
 Consenso
 De olhares
 Serenos
 Fraternos
 Brisas
Ou fortes ventos
 De lés - a - lés
 Luares
 Enrolam e desenrolam
 Seres
 Corpos……….
Momentos
 Acesos
 Nos encontros
 Entre vagas
 Rochedos
 E o fumo das marés

 Seixal 18.07.2009



Mar dos Sargaços

 Importa descobrir o espaço
 A espera do tempo marcado
 Lágrimas de ampulheta
 Caídas
Sonoras
 Em compasso

 Vento que empurra
 Asas de gaivota
 Rumo ao Mar dos Sargaços
 Reproduzir vida
 Cardumes de espécies
 Em invasão desmedida
 No oceano imenso
 Simples traços
 A exactidão dos momentos
 Naturalmente exactos
 Natureza – medida
 Neste Mar de Sargaços

 Seixal, 18.07.2009



 Não me Basta - ou sobre um passeio tardio por Lisboa á noite

 Não.
 Não me basta olhar
 Tocar ao de leve
 Nos teus cabelos
 Soltos
 Rebeldes
 Macios.

 Despentear-te
 Provocar-te
 Esse pestanejar
 Medroso
 Esquivo…………

Quero enfrentar
 O teu corpo
 E os teus gestos de surpresa
 Sem rostos lívidos
 Incluir-me em ti
 Sem certezas
 Rodopiarmos
 E cansar-me
 Mais do que meia dúzia de vezes

 Olhar de novo para mim
 E para o refúgio
 Em que me escondi
 Poder gritar-te
 Em silêncio
 Amo-te assim

 Seixal, 18.07.2009

José Manuel Veríssimo