quarta-feira, 18 de março de 2015

Poesia de Liliana Josué


Poesia de Liliana Josué

PEDRO

No meu gemido Universal nasceste
menino robusto e lindo
crucial momento na minha existência

criança adorável em choro de vida

despontou o lírio branco que eu embalei
e amei na solidão do meu mundo

não deixei que te transformassem em nada
não, não deixei
eras meu, estavas em mim
e sendo assim
mais nada contava

querida vozinha em soluço de agradecimento

choravas por causa da música
e brincavas com o reflexo dos espelhos

doce canto, doce pranto
plena certeza de te querer aqui.

22/02/2015
Liliana Josué

GATOS VERDES

 Quatro gatos verdes
 observavam o seu desventrado quarto.
 Gavetas voadoras com línguas de fora;
 armários navegando assustados
 por ondas de papeis;
 leito num furacão
 envolto em negras nuvens de pó.

 Os gatos... eram gatos?
 Sim! Eram gatos! Na certeza da dúvida...
 mas tinham cor de papagaios!
 Verdes, brilhantes...
 talvez fossem... gatos - papagaios!?
 Mas não falavam!

 Constrangidos
 observavam o mundo ressequido
 daquele quarto esquizofrénico.
 Que ambição dali poderem sair
 mas uma despudorada Força contrária
 puxava-os e impedia a desejada saída.
 A liberdade é só para alguns
 ou mesmos nenhuns.

 Um dos quatro gatos - papagaios
 fixou uma porta abstracta
 passou por ela, quis tentar a liberdade.
 Os outros três por lá ficaram
 no caos das suas vidas
 dentro do quarto
 sem se atreverem a olhar mais longe.
 O gato - papagaio que se soltou
 tornou-se azul, brilhante como o céu
 e conseguiu cheirar o ar sem mofo.

 Seria gato? Seria ave?
 Quem o saberia?
 Só se comprovaria ser ele lindo.

 Do seu futuro
 mais ninguém soube.
 Será que encontrou a liberdade?
 Ou terá morrido na saudade
 dos outros três gatos verdes
 fechados nas bolorentas paredes?

 Liliana Josué

 Primavera Branca

 Há sol azul
 nos olhos do ancião,
 metamorfoses de vidas
 esvoaçando como tule
 adormecem esse olhar
 de solidão.

 Cabeça pendendo sonhos
 recordações
 do distante
 memórias de luares antigos
 polvilhados de emoções
 de cor imaculada
 e cheiro a ontem.

 Tudo é Primavera branca
 cabelo, barba, ilusão...
 a face nívea desgostos tranca
 só os olhos é que não.

 Liliana Josué





Poesia de Maria Álvaro


Poesia de Maria Álvaro


QUADRAS RICAS

Dinheiro?!
Cansei!
É deus traiçoeiro,
egoísta! --Eu sei.

Lobo disfarçado
espreitando o cordeiro,
fala açucarado,
mas morde o parceiro.

É outra maçã
de um éden criado
dentada, direi,
fruto envenenado.

Dono dos afectos
que meus eu julguei,
foi mel pr´os insectos
que agora matei.

É tiro certeiro
de alvo estudado,
Do-lar vai lançado
pr´as mãos do matreiro...

Hábil advogado
comandando a Lei :
se o tens, és honrado;
Se não, condenado.

Maria Álvaro

Cada poema, uma jóia...

Cada poema, uma jóia...
Um colar de palavras desfiando pérolas de cultura e emoção...
Filigranas de ouro retorcido insinuando arabescos de sentimentos populares...
Uns, pedras brutas de contornos primitivos e colorido rústico mas sábio...
Outros, as dramáticas peças de ouro verbal maciço cravejadas de rubis sangrentos de paixão e dor...

Há-os delicados como fios imperceptíveis que ligam as estrelas...
Cintilam subtilmente com uma suavidade distinta, só porque descobrem uma flor...
E há os que ostentam ansiosas esmeraldas de sonhada esperança ou amargo desespero...
Também os que mostram águas marinhas e terrestres de saudades natais profundas...
E ainda os que enriquecem de minerais cristalizados nas densas correntes de uma fonte original perdida no tempo...
Mas os mais preciosos têm brilhantes, lágrimas extraídas daquele diamante único, lapidado com o amor humano mais essencial...

Cada poema, uma jóia...
Cada jóia, uma emoção...

Maria Álvaro

BURACO NO PEITO

No buraco bem fundo do meu peito
Aquele vácuo sôfrego de ti...
Um estremecer de todo este meu jeito
Que, da nuca ao ventre...leve...senti...

Uma maré que persegue o luar
Escorre subtil neste leito dolente...
E uma lânguida onda do mar
'Spuma queixume da rocha ausente...

Face risonha de um amor-perfeito...
Trêmula, tensa, querendo te amar
Exala suspiro fugaz... urgente,
Frêmito ansioso como eu nunca vi...

No buraco bem fundo do meu peito...
Lampejam dois pólos desta corrente...
Chamas e fogos que em ti acendi

Inflamam meus céus em noite estrelar...
No buraco bem fundo do meu peito
Aquele vácuo sôfrego de ti...

Maria Álvaro




terça-feira, 17 de março de 2015

Lendas


Lendas
 
Lenda do Milagre de Ourique

A Batalha de Ourique é um episódio simbólico para a monarquia portuguesa, pois conta-se que foi nela que D. Afonso Henriques foi pela primeira vez aclamado rei de Portugal, em 25 de Julho de 1139.

Foi no campo de Ourique que se defrontaram o exército cristão e os cinco reis mouros de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja e os seus guerreiros, que ocupavam o sul da península.

A lenda conta que um pouco antes da batalha, D. Afonso Henriques foi visitado por um velho homem que o rei já tinha visto em sonhos e que lhe fez uma revelação profética de vitória. Contou-lhe ainda que "sem dúvida Ele pôs sobre vós e sobre a vossa geração os olhos da Sua Misericórdia, até à décima sexta descendência, na qual se diminuirá a sucessão. Mas nela, assim diminuída, Ele tornará a pôr os olhos e verá."

O rei deveria ainda, na noite seguinte, sair do acampamento sozinho logo que ouvisse a sineta da ermida onde o velho vivia, o que aconteceu. O rei foi surpreendido por um raio de luz que progressivamente iluminou tudo em seu redor, deixando-o distinguir aos poucos o Sinal da Cruz e Jesus Cristo crucificado.

O rei emocionado ajoelhou-se e ouviu a voz do Senhor que lhe prometeu a vitória naquela e em outras batalhas: por intermédio do rei e dos seus descendentes, Deus fundaria o Seu império através do qual o Seu Nome seria levado às nações mais estranhas e que teria para o povo português grandes desígnios e tarefas.

D. Afonso Henriques voltou confiante para o acampamento e, no dia seguinte, perante a coragem dos portugueses os mouros fugiram, sendo perseguidos e completamente dizimados.

Conforme reza a lenda, D. Afonso Henriques decidiu que a bandeira portuguesa passaria a ter cinco escudos ou quinas em cruz representando os cinco reis vencidos e as cinco chagas de cristo, carregadas com os trinta dinheiros de Judas.


A Morte do Lidador

Num dia longínquo de 1170, Gonçalo Mendes da Maia, nomeado Lidador pelas muitas batalhas travadas e ganhas contra os Mouros, decidiu celebrar os seus 95 anos com um ataque ao famoso mouro Almoleimar.

Da cidade de Beja saiu o Lidador naquela manhã com trinta cavaleiros fidalgos e trezentos homens de armas, sabendo de antemão que o exército de Almoleimar era muitas vezes superior.

Perto do meio-dia, pararam os cavaleiros para descansar perto de um bosque onde emboscados aguardavam os mouros. A primeira seta feriu de morte um guerreiro português, o que fez com que o exército cristão se pusesse em guarda.

Frente a frente se mediam a destreza e perícia árabes, invocando Allah, e a rudeza e força cristãs, clamando por Santiago.

A batalha começou e ambos os exércitos se debateram com coragem, até que num dado momento Gonçalo Mendes e Almoleimar cruzaram espadas em cima dos seus cavalos.

Um dos vários golpes desferidos atingiu Gonçalo Mendes que, mesmo ferido, atacou com raiva Almoleimar, que ripostou. O resultado foram dois golpes fatais, um dos quais matou o mouro e outro que deixou Gonçalo Mendes Maia ferido de morte.

O Lidador, moribundo, perseguiu com os seus homens os mouros que debandavam em fuga até que o esforço de um último golpe sobre um cavaleiro árabe lhe agravou os ferimentos.

O Lidador caiu morto na terra juncada de mais de mil corpos inimigos. Os cerca de sessenta cristãos sobreviventes celebraram com lágrimas esta última vitória do Lidador.

Um sacerdote templário disse em voz baixa as palavras do Livro da Sabedoria: "As almas dos justos estão na mão de Deus e não os afligirá o tormento da morte".


Lenda das Obras de Santa Engrácia

Simão Pires, um cristão novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força por vontade do seu pai fidalgo que não estava de acordo com o seu amor.

Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele, dando-lhe um dia para decidir. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia que ficava perto do convento.

Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha sido visto no local. Apesar de invocar a sua inocência foi preso e condenado à morte na fogueira que se realizaria junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado.

Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem.

Os anos passaram e a freira Violante foi um dia chamada a assistir aos últimos momentos de um ladrão que tinha pedido a sua presença. Revelou-lhe que tinha sido ele o ladrão das relíquias e sabendo da relação secreta dos jovens, tinha incriminado Simão.

Pedia-lhe agora o perdão que Violante lhe concedeu. Entretanto, um facto singular acontecia: as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim.

De tal forma que o povo se habitou a comparar tudo aquilo que não mais acaba às obras de Santa Engrácia.




segunda-feira, 16 de março de 2015

Nascer/viver sem afectos - Retirado do Blogue Livres Pensantes


Nascer/viver sem afectos

Retirado do Blogue Livres Pensantes

 

 Cerca de cinquenta (50) crianças foram abandonadas pelas mães à nascença nas maternidades portuguesas durante o ano de 2010.

Muitas outras foram encontradas em sacos de lixo, em caixotes, ao relento pelo país. Aventar as razões que levaram estas mães a este acto é especular sobre sofrimento, pobreza ou sentimentos que não se contabilizam. No entanto, reflectir sobre o estado da justiça social e da protecção aos desamparados é necessariamente uma obrigação ancestral.

A exclusão e a perda de afectos que marca os sem-abrigo cuja imagem se ergue quase banalizada por tantas reportagens televisivas é também uma deriva desta incapacidade que o Homem tem para com o outro ao consumir-se numa existência fútil de banalidades e de insensibilidade social.

As crianças são sempre as maiores vítimas. O elo mais fraco é a vulnerabilidade disponível na cadeia dos desprotegidos.

Os contos que Hans Christian Andersen escreveu para crianças retratam com actualidade situações que nos confrangem e que denunciam a perda de sentido de muitos rituais que marginalizaram a verdadeira essência do ser humano: o valor dos afectos.

«A menina dos fósforos» é um conto fabulosamente trágico que evidencia a fatalidade de ser pobre num mundo consumista e confortavelmente egoísta. A dimensão feérica e fantástica dos fósforos eleva-nos para a transcendência do sonho materializado pelas referências subjectivas dos afectos que distinguem cada ser humano.

Esta versão videográfica, montada em desenho animado, apresenta virtuosamente o conto escrito por Andersen no Sec. XIX, há quase 150 anos. A excelente banda sonora que a acompanha merece um visionamento.

ALEXANDER PUSHKIN – Poesia e Ficção - Por: PEDRO LUSO DE CARVALHO


ALEXANDER PUSHKIN – Poesia e Ficção        

                               Por: PEDRO LUSO DE CARVALHO
  


 ALEXANDER PUSHKIN consagrou-se por ser o maior poeta da língua russa. Além de poeta, foi dramaturgo, romancista e contista. Sua vocação para o verso foi despertado na infância, vocação essa que iria colocar o seu nome no topo da galeria dos grandes poetas, depois que escreveu o romance em versos Evguieni Oneguin – “o início de todos os inícios”, disse Gorki – “mais singular manifestação do espírito russo”, disse Gogol. 

Jayme Mason diz, em seu livro Mestres da Literatura Russa: “A musicalidade de sua poesia, tão à feição da língua russa, fez com que quase todos os grandes compositores de sua terra musicassem suas obras, desde Tchaikovsky, Glinka, Rimiski-Korsakov e outros”.

Alexander Serguievitch Pushkin nasceu em Moscou a 6 de junho de 1799. Seus pais chamavam-se Serguiei  Lvovitch e Nadejda Ossipovna. Pela linha materna, Pushkin tinha descendência africana.

Seus pais, que tinham posses, deram condições ao menino Alesander de ter sido criado por Arina Radionoyna, jovem escrava liberta, que permaneceu com a família; Arina era doce, extrovertida e conhecedora de  contos e de canções populares.

A família Pushkin usava o idioma francês tão bem quanto o idioma russo. O menino prestava atenção nas conversas entre tutores e governantas estrangeiras, e entre adultos, nos salões e nas festas. Além das facilidades para as duas línguas, tirou proveitos para sua formação no convívio familiar e social.

Em 1811, o menino Alesander Pushkin foi admitido no Liceu de Tsarskkoie-Selô, instituição modelar de ensino, onde cada aluno tinha seu próprio aposento. O Imperador Alexandre I era o patrocinador do Liceu, que estava situado entre jardins, canteiros floridos e fontes. Entre os professores, muitos eram da Universidade de São Petersburgo.

Na época em que Pushkin estudava no Liceu de Tsarskkoie-Selô ocorriam fatos históricos importantes, dentre eles a invasão da Rússia por Napoleão, o incêndio de Moscou, a entrada do exército russo na Europa, a tomada de Paris, o exílio de Napoleão. (Mais tarde, também abordaria temas com motivos da História russa.)

Suas criações poéticas começaram no Liceu Tsarskkoie-Selô, com a história fantástica Russlan e Ludmila, odes e epigramas diversos, poemas românticos, como O Prisioneiro do Cáucaso, Os Irmãos Bandidos, seu grandioso Cavaleiro de Bronze e muitas outras. Seria influenciado por Voltaire e Shakespeare.

O romance (em versos) Evguieni Oneguin é sua obra-prima. Na tragédia, Boris Godunov, sua obra-prima, marcou profundamente o gênero. Pushkin é o fundador da moderna literatura russa. Sua poesia bem demonstra o gênio universal que é, e que tem o seu lugar ao lado de Dante Shakespeare e Goethe.

Seus pensamentos, expressos de maneira sintética, simples e clara, sua rima sonora e melódica, usavam de maneira extraordinária as potencialidades da língua nativa. Ninguém jamais o superaria. A sua influência se estendeu para outras artes, pela pintura e pela música, atingindo tal influência aos grandes compositores da Rússia. Quanto ao seu primeiro modelo, seria Byron, o poeta de Childe Harold’s Pilgrimage, de Don Juan, mestre do lirismo europeu.

Engaja-se na luta pelos ideais da liberdade, torna-se o porta-voz dos ideais estéticos da juventude e da pobreza de vanguarda. Sua Ode à liberdade fere o despotismo e a autocracia. Atrai sobre si a perseguição do tzar, que não mais lhe daria paz.

Pushkin, que se tornaria o maior poeta dentre todos os russos, e que serviria de modelo para Dostoievski e e Gogol, passou a sofrer as humilhações de perenes confinamentos, tendo de apresentar-se periodicamente a generais, tutores e não podendo deslocar-se sem licença prévia.

Seria uma tarefa impossível tentar sintetizar a filosofia e a cosmovisão de Pushkin. Seus ideais poéticos eram totalmente ligados a seus objetivos artísticos, e seria inviável enquadrá-los num esquema ideológico ou filosófico.

As figuras masculinas e femininas de Evguieni Oneguin, Oneguin e Tatiana, são fortemente russas. Ele – a personagem – era modelo do aristocrata desocupado, ela era conjunção de altos valores de ternura, amor puro, inocência e fidelidade.

Suas obras chamadas “menores” têm seus lances e contornos épicos transcendentes. Que melhor estereótipo, de independência de espírito, de revolta surda contra o establishment do estado, que esmaga o indivíduo enorme, do que o Cavaleiro de Bronze? Obra grandiosa que ganhou a universalidade.

Pode-se afirmar com segurança que a tragédia Boris Gudonov, de Pushkin, cabe num lugar ao lado das maiores criações dos imortais mestres Dante e Shakespeare.

Principais obras: (poesia) O prisioneiro do Cáucaso, seu primeiro grande poema (1821) Ruslan e Ludmilla, 1820; Ode à liberdade, 1820; As ciganas, 1824; Eugene Oneguin, 1825-1832; O cavaleiro de bronze, 1833; (peça) Mozart e Sallieri, 1830; Boris Godunov, 1831;(conto) Damas de espadas, 19xx; Contos de Belkin, 1830; A filha do capitão, 1836 (romance) O negro de Pedro, O Grande (inacabado), 1827.

Alexander Pushkin morreu no dia 27 de janeiro de 1837, depois de ter sido ferido por um tiro, em duelo que teve com o amante de sua esposa Natália Nicolaievna Gontchanova.

Com a sua morte, aos 37 anos de idade, a Rússia pranteava o seu poeta maior. Todos os grandes poetas, romancistas e contistas russos pósteros, sofreram a influência de Pushkin.






REFERÊNCIA:

MASON, Jayme. Mestres da Literatura Russa. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.




 

Bento - Conto de Abílio Pacheco


Bento - Conto de Abílio Pacheco
 

No bar, à noitinha, homens jogam sinuca, bebem, falam das mulheres que passam na rua... Bento sai do trabalho; cansado, camisa batendo de suor, para em frente ao bar, entra, senta, pede uma cerveja... bebê o primeiro copo de um só gole e pensa na vida:

A casa de tábua que há muito já quisera ele mesmo construir de alvenaria; até comprara um milheiro de tijolos, erguera uma parede, começara uma outra e o dinheiro não dera para mais nada.

A mulher dava aulas na única escola do bairro, uma creche pequena de apenas três salas, todas de madeira. A filha mais velha, 09 anos, cuidava da casa, limpava, fazia a comida lavava as ouças, cuidava do caçula, de dois anos, pela manhã, à tarde ia estudar e o deixava com a outra irmã de seis anos na casa de uma parenta da mãe que chamavam Tia mesmo sem saber se era realmente tia ou não.

Bento pede outra cerveja, nisso chega um amigo que senta e pede um copo.

O amigo, também pedreiro, fala futilidades; Bento olha a rua e deixa o olhar se perder, o pensamento vaga ao som da voz do amigo e de um breguinha que toca no bar...

Lembra de quando era menino, o pai chegava tarde da noite em casa, sempre bêbado; a mãe, impaciente, esperava na porta olhando a rua de uma extremidade a outra, ele acordava ouvindo os passos macios rondando a casa, levantava e dizia ir ao banheiro, quando se deitava custava a dormir, e às vezes só dormia depois que o pai chegava, brigava, xingava e até batia na mãe; outras vezes conseguia dormir e acordava ouvindo o pai brigando; triste, no quarto, Bento chorava, pensava besteira fazia planos, enchia-se de esperança no futuro; dormia...

O amigo pede outra cerveja e continua conversando... «Aquela ali, olha!» aponta uma vizinha que passa «Vive de chamego com um moleque que passa o dia vadiando pela rua com outros da mesma laia, tem gente com gosto pra tudo...» balança a cabeça negativamente e vira o copo na boca.

Bento que já não divaga mais, se ajeita na cadeira, espicha o pescoço olhando a vizinha que sobe a rua; finalmente dá atenção ao amigo.

Ficam conversando futilidades, esquecem os problemas que carregam.

Enquanto bebem, o tempo corre na rua com os carros que passam... vai ficando mais tarde... mais tarde... e o tempo passa a andar lento com as poucas pessoas que vagam na rua quase deserta.

As garrafas de cerveja se reúnem embaixo da mesa; Bento levanta trôpego, vai ao banheiro, escuuuuuro... e miiiiiijaa...

Voltando, olha as garrafas vazias sob a mesa, senta e vê que o amigo parece meio esquisito, a noite estranha, a rua torta, o corpo tonto... os olhos teimam em não mais ficarem abertos...

Bento apaga... A noite continua a mesma com o tempo suave deslizando no asfalto rua abaixo...

-- Acorda , Bento! Já é hora de ir trabalhar. – a mulher o chama da porta do quarto, a cabeça dói de ressaca, o corpo pesado, os olhos irritados com a luz; fica rolando na cama, depois levanta e vai banheiro ouvindo a mulher contar que o amigo e mais dois trouxeram-no para casa, deram-lhe um banho e um café amargo que ela passara às pressas.

Sentando à mesa, Bento lembra do pai que chegava porre em casa e brigava e xingava e batia na mãe...

Sai para o trabalho com a mesma lembrança da infância e vai recordando os pensamentos, a esperança que tinha, os planos que fizera para o presente...

Em casa, a filha de 06 anos pergunta:
-- Mãe, por que o papai bebe? – a mãe, no jirau, deixa o olhar perder-se triste no azul do céu enquanto os olhos umedecem.

A filha, fica sem resposta... 



Sortido de Anedotas Recolhidas na Net (Facebook sobretudo)



Sortido de Anedotas Recolhidas na Net (Facebook sobretudo)

Fui visitar ao Hospital

Fui visitar ao Hospital, o meu vizinho Sakura, japonês, vítima de
grave acidente automobilístico.
Estava entubado, olhos fechados, totalmente imóvel.
Em pé na beira da cama, vendo-o sereno, repousando com todos aqueles
tubos, fiz uma oração silenciosa!

Em dado momento, repentinamente ele acordou, arregalou os olhos e gritou:
- SAKARO AOTA NAKAMY ANYOBA, SUSHI MASHUTA! Suspirou e morreu.

As últimas palavras do meu amigo ficaram gravadas na minha cabeça!
Na missa de sétimo dia, fui dar os pêsames à mãe do Sakura:
- "Senhora Dona Fumiko, o Sakura, antes de morrer, disse-me estas palavras:
SAKARO AOTA NAKAMY ANYOBA, SUSHI MASHUTA!
O que isso quer dizer?

A Mãe do Sakura olhou-me espantada e traduziu:
- TIRA O PÉ DA MANGUEIRA DE OXIGÊNIO, FILHO DA ****


Todos andavam a pé

O filho de um pastor protestante está prestes a completar dezoito anos. Louco para conduzir, resolve pedir o carro emprestado ao pai. Depois de pensar um pouco, o pastor responde:
— Filho, vamos fazer o seguinte: tu melhoras as tuas notas na escola, estudas a Bíblia todos os dias e cortas esse cabelo. E então voltamos a conversar.

Um mês depois, o rapaz volta a perguntar ao pai se pode usar o carro.
— Filho, eu estou realmente orgulhoso: tu duplicaste as notas na escola e estudaste bem a Bíblia, mas não cortaste o cabelo!
— Pai, lendo a Bíblia, eu fiquei intrigado — responde o filho.
— Sansão usava cabelos longos, Noé também... até Jesus tinha cabelos compridos e todos eram boas pessoas!

E o pai:
— É verdade... mas todos eles andavam a pé...


Um rapaz de poucos recursos

Um rapaz de poucos recursos, namorava uma miúda que era milionária.
Como eles se amavam muito, resolveu pedir a mão dela em casamento ao seu pai.
O pai, riquíssimo, chamou-o a sós na biblioteca da mansão.

Ao falar das suas intenções para com a moça, o futuro sogro pergunta-lhe:
-Você trabalha, rapaz?
-Claro! - respondeu entusiasmado.
-Quanto ganha por mês? - Quis saber o homem.
O rapaz encheu o peito e respondeu:
-450€ Por mês!

O homem disse-lhe aos berros:
-Isso nem paga o papel higiénico que a minha filha usa!

O rapaz saiu triste, cabisbaixo, e no corredor encontrou a namorada, ansiosa por uma resposta:
-E então, o que foi que ele disse?
O rapaz fintou-a dos pés à cabeça e respondeu-lhe:
-CAGONA!!!

Duas loiras assistem a um jogo de futebol

Duas loiras assistem a um jogo de futebol pela primeira vez e logo no estádio. Vêem a primeira parte com muita atenção e, chegado o intervalo, percebem que todos estão a protestar contra o árbitro.

Não entendo porquê, perguntam a um espectador que estava sentado na bancada:
- Desculpe, é a primeira vez que vimos um jogo de futebol. Ajude-nos, por favor, a perceber para quem é que estão a gritar?

O homem, percebendo que eram loiras, simplificou a resposta:
- Para aquele senhor de preto lá à frente.

Elas olham as duas uma para a outra e a que perguntou exclama:
- Também não admira nada! Já está em campo à uma hora e ainda não tocou na bola!

O informático

Um informático está numa ilha deserta há 10 anos, depois de um naufrágio.
Certo dia avista um ponto brilhante no horizonte e começa a segui-lo com o olhar.
"Não é um navio", pensa o nosso herói.
E o ponto aproxima-se. "Não é uma barcaça".
E cada vez o vulto estava mais perto! "Não é uma jangada!?!".
E eis que das águas emerge uma loiraça, com fato de mergulho!

A loiraça dirige-se a ele e pergunta:
- Há quanto tempo não fumas um cigarro?
- Há 10 anos!

Ela abre um bolso interior do seu fato impermeável e dá-lhe um cigarro.
- Meu Deus, que bem que isto me está a saber!

- Há quanto tempo não bebes um whisky?
- Há pelo menos 10 anos!!! - responde o nosso herói, ainda atarantado.
Então ela abre outro bolso interior, tira uma garrafinha de whisky e dá-lhe!

O homem bebe tudo de um trago, ainda descrente com o que lhe estava a acontecer, mas muito, muito feliz!
Então a loiraça começa a baixar o fecho principal do fato e pergunta-lhe:
- E há quanto tempo é que não te divertes a sério?
Vai o nosso homem e grita, louco de felicidade:

- Eh PÁ, tu não me digas que tens aí um portátil ?!...

Jogo de futebol entre o céu e o inferno...

São Pedro encontra o Diabo a passear por entre as nuvens:
- Viva Diabo, o que fazes aqui?
Responde o Diabo:
- Vim lançar-te um desafio: um jogo de futebol. Para ver quem é o melhor, o céu ou o inferno.

Responde São Pedro:
- Aceito! Está ganho… Aqui no céu estão os melhores jogadores de todos os tempos.

Rindo-se diz o Diabo:
- Concordo contigo, mas no final é que vamos ver… É que eu no inferno tenho os melhores árbitros.

Um pai sai do trabalho um pouco tarde

Um pai sai do trabalho um pouco tarde e, já a caminho de casa, lembra-se que é o aniversário de sua filha.
Como não tinha ainda comprado um presente, pára o carro junto a uma casa de brinquedos e pergunta à vendedora:
- "Quanto custa a Barbie que está na vitrina"?

Com modos condescendentes, a vendedora responde:
- "Qual das Barbies? É que temos:
- A Barbie que vai ao ginásio, por €19.95;
- A Barbie que joga volley, por €19.95;
- A Barbie que vai às compras, por €19.95;
- A Barbie que vai à praia, por €19.95;
- A Barbie que vai ao baile, por €19.95;
- A Barbie divorciada, por €265.95".

O homem, admirado, pergunta:
- "Eh! Por que razão a Barbie divorciada custa €265.95 enquanto as
demais custam somente €19.95"?

A vendedora, com ar auto-suficiente, responde:
- "Senhor, é que a Barbie Divorciada vem com:
- O carro do Ken;
- A casa do Ken:
- A casa de praia do Ken:
- A lancha do Ken:
- Os móveis do Ken:
- O computador do Ken e
- Um AMIGO do Ken."

Uma chamada de emergência

Uma chamada de emergência é feita para o 112. O polícia que estava de serviço atende o telefone e alguém grita em aflição:
- Socorro, socorro! Venham cá depressa! Mandem alguém com urgência que entrou um gato cá em casa!
O polícia tentando saber primeiro o que se passava:
- Tenha calma. Que se passa? Mas como assim, um gato?

E do outro lado:
- Sim, um gato, é uma emergência! Ele entrou em casa! Ele entrou em casa!
Tentando acalmar, o polícia diz:
- Calma. O senhor está usando algum tipo de código? Quem é que entrou em casa?

E, sempre aos gritos, respondem:
- O gato! O gato! É um gato mesmo! É caso de vida ou morte! Venham logo!

Estranhando, pergunta o polícia:
- O… O gato? Mas… Ouça lá, quem é que está a falar?
E responde do outro lado:
- O papagaio, p****!

Um agricultor tinha muitos mas mesmo muitos porcos.

Um agricultor tinha muitos mas mesmo muitos porcos.
Certo dia, alguém apareceu e perguntou ao homem:
– O que é que dá de comer aos seus porcos?
– Ora, dou-lhes os restos. Porquê?
– Porque eu sou da Associação para a Protecção dos Animais. O senhor não alimenta os seus animais como deve ser, de modo que vou ter que o autuar.

Passados uns dias, outra pessoa aparece e pergunta ao homem:
– O que é que dá de comer aos seus porcos?
– Ai, eu trato-os muito bem! Dou-lhes salmão, caviar… Porquê?
– Porque eu sou das Nações Unidas. Sabe, não é justo os seus porcos comerem tão bem quando há tanta gente a morrer de fome por esse mundo fora. Vou ter que o autuar.

O homem fica mesmo aborrecido.

Passados uns dias, aparece alguém que pergunta ao homem:
– O que é que você dá de comer aos seus porcos?
O agricultor hesita um bocado e finalmente diz:
– Olhe… Não lhes dou nada… Dou cinco euros a cada um e cada um vai comer onde quiser!

Um casal de idosos fazia 65 anos de casados

Um casal de idosos fazia 65 anos de casados e foram a um restaurante festejar ...

Diz o marido - Minha Rainha, onde te queres sentar?
- Aqui - diz a senhora.
- Princesa, queres um aperitivo?
- Sim, obrigado.
- Meu anjo, o que te apetece comer?
Ela pede a ementa e faz o seu pedido.
- Meu doce, que vinho preferes?

O empregado mal podia acreditar no que ouvia.

A velhota vai ao WC e ele aproveita para falar com o velhinho:
- Como consegue chamar à sua esposa esses nomes tão lindos ao fim de tantos anos? Rainha, Princesa, Anjo, Doce ... Estou verdadeiramente admirado.

O marido olha o empregado nos olhos e responde:
- Sabe, é que não me consigo lembrar do nome dela !

Despedida do padre

No jantar de despedida, depois de 25 anos de trabalho à frente da paróquia, o padre discursa:
- A primeira impressão que tive desta paróquia foi com a primeira confissão que ouvi.. A pessoa confessou ter roubado um aparelho de TV, dinheiro dos seus pais, a empresa onde trabalhava, além de ter aventuras amorosas com as esposas dos amigos.

Também se dedicava ao tráfico de drogas e havia transmitido uma doença venérea à própria irmã. Fiquei assustadíssimo. Com o passar do tempo, entretanto, conheci uma paróquia cheia de gente responsável, com valores, comprometida com sua fé.

Atrasado, chegou então o Presidente da Junta para prestar uma homenagem ao padre. Pediu desculpas pelo atraso e começou o discurso:

- Nunca vou esquecer o dia em que o padre chegou à nossa paróquia. Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro a me confessar.

Seguiu-se um silêncio assustador.

O telemóvel..

Uma óptima ideia para calar quem vive agarrado ao telemóvel e que fala sem parar à frente de todos!

Depois de um longo e agitado dia de trabalho, um homem sentou-se no comboio, recostou-se e fechou os olhos.
Quando o comboio saía da estação, a mulher que se sentara a seu lado, pegou no telemóvel e começou a falar bem alto:
-"Olá meu amor, aqui é a Susi, já estou no comboio... sim, eu sei, é o das seis e meia... não apanhei o das quatro e meia porque estive numa reunião que nunca mais acabava...

Nãooooo, não foi com o Leandro dos Recursos Humanos, foi com o meu chefe...
Nãooooo amor, és o único da minha vida, tu sabes... sim meu amor, amo-te tanto, bla, bla, bla, bla, bla..."

Passados 15 minutos, a mulher continuava a falar, a falar, a falar, e sempre alto...

O homem, já cansado de a ouvir, aproximou-se dela, e com voz clara, disse quase encostado ao telemóvel:
- "Susi, desliga o telemóvel e volta para a cama!!!"

(Consta que Susi nunca mais usou o telemóvel na via pública...)