quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Poesia de José Carlos Moutinho


Poesia de José Carlos Moutinho

Mas é Natal...

Dezembro, mês frio, especial
Porque é de festa,
Dizem que é o mês do Natal...
E este, significa amor, partilha e união!
Paradoxo...
Se afinal, tantos têm fome,
Sem uma côdea de pão para a mitigar!
Quem se lembra desses seres de Deus,
Em corpos que se enregelam,
Embrulhados em mantos de morte,
Pela carência de abrigo e alimento?
Gente enjaulada por ideias humanitárias,
Injustiças criadas em nome de Deus,
Por este mundo... De Deus!

Mas é Natal...
Nasceu o Menino-Salvador,
Enviado pelo Divino,
Para que servisse de exemplo!
Exemplo de quê…
Da ignorância, da maldade e do egoísmo?
Mas são os agasalhados e nutridos
Que festejam esta data, com fervor,
Cheios de fé…
Que fé esta, Santo Deus?
Enganam as suas próprias consciências,
Que assim acalmam sem sentirem culpa
e ignoram os infelizes à sua volta…
Ai, Mundo este, de gente estranha!

Mas é Natal....
Que importa os que morrem de frio e fome,
Se houver abundância e fogueira acesa,
Aquecendo os lares dos privilegiados?
Importa sim, consumir desmesuradamente...
…E bastava a dádiva,
De uma mísera moeda,
Para que milhões sentissem calor,
No estômago e na alma,
Pelo menos nesta data festiva!

Mas é Natal...
Aleluia!

José Carlos Moutinho

Filosofando

No som do silêncio
aconchegam-se os sentires
na suavidade da brisa
murmuram as saudades
no prateado do luar
acalmam-se as almas
no perfume da maresia
suspiram as ilusões
na contemplação do mar
voam os sonhos
com o calor do sol
acalentam-se os corações
com o sopro do vento
soltam-se as tristezas
com as lágrimas da chuva
choram as dores
nas palavras hipócritas
desnudam-se as mentiras
no azedume da inveja
escondem-se as frustrações
no envolver dos braços
sorri o carinho dos abraços
na beleza dos sorrisos
podem nascer amizades
na sincera amizade
exaltam-se as emoções
na brancura da sinceridade
pinta-se harmonia e verdade
nas folhas secas matizadas do outono,
escondem-se mistérios que a brisa da finitude,
leva para o azul etéreo.

José Carlos Moutinho


Gosto de afectos

Pelas margens do meu rio de ilusão
Nascem flores de sonhos por sonhar,
Crescem fantasias de doce paixão
Poesia para a minha alma cantar.
 

Sou sonhador e não me envergonho
Gosto de afectos e bons abraços
A ter carinho jamais me oponho,
A qualquer pessoa eu estendo meus braços.
 

Assim é meu modo de viver e amar
Com amizade alegria e sorriso,
Pelo rio abaixo no meu navegar…
 

Tenho a certeza que deste jeito
Se eu algum dia alcançar o paraiso
todos dirão que fui bom sujeito.

José Carlos Moutinho






Crónica de Gociante Patissa - «O QUE VEJO POSSO TRANSFORMAR EM ARTE, SÓ QUE NÃO CONSIGO ESCREVER»


Crónica de Gociante Patissa

«O QUE VEJO POSSO TRANSFORMAR EM ARTE, SÓ QUE NÃO CONSIGO ESCREVER»

Quando me consegui livrar do turno, delegando tarefas ao pessoal à disposição, estava a uma hora da entrevista em directo ao programa da amiga Lena Sebastião, na Rádio Benguela.

Tinha feito trinta quilómetros ao volante entre uma cidade vizinha e a casa, o mesmo trajecto que uso para relaxar, neste gozo que é conduzir, sozinho, ouvindo o que apetece e no volume que a alma entende. Mas a fórmula estava fora de hipótese nesse exacto dia. Sim, porque, por uma causa bem justificável, embora não seja para aqui chamada, eu tinha passado a noite de sexta para sábado no assento do motorista, onde aliás me foi servido o jantar, tão-só na principal avenida do centro do Lobito.

Nesta época do ano, o litoral é quente e húmido, o que em nada alivia o stress; daí depositar esperanças na terapia do chuveiro. Posto em casa, nada de água na torneira, banho frustrado! É que, como raramente a água falha, perdi o hábito de ter alguma na reserva. Dei meia-volta em direcção ao Largo de África para tirar a poeira do carro. Apenas um “limpador” se encontrava em serviço, engajado já em outra empreitada. Não era prudente esperar pela nossa vez, dada a natureza gasosa do tempo em rádio.

Música alta vinha do jardim. O dístico falava em feira do livro, quando só se viam uma tenda com livros, uma com produtos de alfaiataria e outra com artesanato. Bem, como não há meio-buraco, uma feira é feira a partir da sua intenção, deduzi. Por puro hábito, fiz algumas fotografias. Saudei duas pessoas conhecidas ali e retirei-me.

Um quarto para 16h00. Caminhava, apressado, para o carro, tão contra que sou relativamente ao atraso de convidados quando faço rádio. Para piorar, um adolescente vinha a correr em minha direcção. Inferi logo que alguém me havia referenciado a ele. «Desculpa, quanto tempo leva para escrever um livro?», questionou-me, humilde e sonhador, como se eu tivesse autoridade alguma. Numa cuidadosa selecção de palavras, tirei a coisa da esfera da contabilidade para focar na da maturidade. O importante é o exercício permanente de ler e escrever, e não já criar a pensar no livro ou no disco.

«Para mim, que tenho dificuldade na escrita, tem que ser disco, não?» Bem, eu sou mais inclinado para o livro do que para o CD de poesia. Mas é assim: a escrita é combinar a criatividade com o domínio da ferramenta de trabalho, a língua. Tens dificuldades de escrita, como? «A trombose que me fez assim - indicava a sequela do seu lado esquerdo - prejudicou o cérebro». Anda na 6ª classe do ensino especial e já reprovou duas vezes. Minhas emoções misturavam-se, tendo em conta a empatia e a crise de tempo.

Mas se não consegues ler nem escrever, como identificas a poesia? «Eu me inspiro em tudo, numa festa, jogo de futebol, num filme; tudo o que vejo posso transformar em arte, só que não consigo escrever. Por isso, penso no disco».

Neste caso, a gravação pode ser uma técnica de evitar dispersão, para mais tarde, com ajuda de alguém, cuidar da correcção. Se decidires ficar pelo CD de poesia, tudo bem, desde que seja um trabalho com maturidade. De contrário, o mercado literário pode anular o teu esforço.

Devo ter-lhe confundido ainda mais, mas não sei falar ao contrário do que penso.

Gociante Patissa, Lobito 15 de Abril de 2013




Poesia de Cremilde Vieira da Cruz


Poesia de Cremilde Vieira da Cruz

 
ONDE MORAS, FELICIDADE?


Passei na rua onde moras, felicidade!
Ia ao teu encontro e deixei-te fugir,
Quando a noite, cheia de vaidade,
Veio para me castigar e denegrir.

Dia após dia, tempo sem idade,
Tentando encontrar-te sem o conseguir.
Meus olhos rasos de infelicidade,
Escondiam segredos de minha alma a fluir.

Chamava por ti, mas nunca me ouvias,
E eu procurava, procurava a medo,
A rua onde moras, ou onde vivias!

Nem sombra de ti, um gesto, ou leve rumor...
Nem a tua voz ou murmúrio em segredo
E eu tinha tanto que te dar, tanto amor!!!...

Cremilde Vieira da Cruz

 
FLORES DE SETEMBRO

Puseste a jarra no meu colo,
Quebraste meu coração.
Foi na Terra do Não,
Tempo de ocasião,
Aragem carregada de paixão.
Não foi nada, não!

Foram flores de Maio,
Ou talvez não.
Foram flores de Setembro.
Foi na Terra do Não.
Havia lágrimas nos odores da noite
E levavas-me pela mão.

Tu ias partir.
Eu ia partir.
Mas as flores,
As flores de Setembro,
Essas ficaram à beira do sonho,
Na Terra do Não,
Junto à lagoa azul,
Junto à vereda sem chão.

Bateram portas…
Estávamos à beira do vento.
Não foi nada, não,
Apenas nossa decisão.
Foi na Terra do Não.

Cremilde Vieira da Cruz





O Pónei SPARK - Conto de Arlete Piedade


O Pónei SPARK

Conto de Arlete Piedade

Era uma aldeia perdida no alto de uma montanha num país longínquo no centro da Europa. Quando vinha o inverno, caía muita neve e os caminhos estreitos que contornavam a montanha, ficavam escorregadios para as crianças poderem descer para o vale para irem á escola.

Os pais tinham receio que elas caíssem e se ferissem gravemente, ou até morressem enterradas na neve, antes que alguém as conseguisse encontrar e socorrer, mas o grupo de cinco crianças, era tenaz e com muita vontade de aprender para puderem sair da aldeia e tentar uma vida melhor na vila ou, do outro lado do rio, na cidade grande.

Marina, era a mais velha das meninas com 10 anos. As gémeas Mónica e Sofia, vinham logo a seguir, com 8 anos. Os dois rapazes, eram os irmãos Santiago com 11 anos e Ruben, com 7 anos. Num dia muito frio e sem sol, uma semana antes do Natal, o grupo de crianças seguia em fila pelo estreito carreiro, Santiago á frente, seguido do Ruben, as gémeas a seguir e Marina atrás fechando a retaguarda, quando a neve começou a cair espessa e soprada pelo vento gelado.

As crianças deram as mãos para se apoiarem, mas quando soprou uma rajada mais forte, Ruben, foi projetado contra a parede rochosa da montanha e escorregou, arrastando consigo Mónica que vinha atrás dele.

Santiago na tentativa de agarrar o irmão, foi precipitado no desfiladeiro, dando um grito estridente que fez eco por todo o vale. As crianças não perceberam o que ele gritou, exceto Marina que vinha atrás e tinha ficado de mão dada com Sofia, as duas tremendo e tiritando de choque e frio.

Por isso não souberam explicar aos pais, o que se tinha passado a seguir. Apenas diziam que tinham visto um cavalinho brilhante, de várias cores, que trotava rente ao caminho, com uma longa cauda esvoaçando ao vento e que mergulhou no desfiladeiro. Quando reapareceu, trazia Santiago montado na garupa, abraçando Ruben na sua frente e agarrada ás suas costas, a pequena Mónica.

- Sou o pónei Spark – Eles escutaram a voz meiga, ressoando dentro das suas cabeças. - A partir de hoje, quando estiverem em dificuldades, chamem por mim, e virei para levá-los até ao vale.

Quando recuperaram do choque, a escola estava á vista, não havia sinais de neve e o sol brilhava. Por todo o lado, havia flores vistosas e erva tenrinha. Ao longe pareceu-lhe ver um pequeno cavalo que pastava e trotava feliz, por entre um arco-íris de cores coloridas e luminosas.

Arlete Piedade

Portugal




Sortido de Anedotas (Recolhidas na Net)


Sortido de Anedotas (Recolhidas na Net)

Três Alentejanos reunidos tentam encontrar uma nova maneira de passar o tempo.
 
Diz um: - Oh compadris, já chega de sueca e dominó. Tou farto disto!!
Diz outro: - Atão e se fossemos jogar golfi ?
Pergunta o primeiro: - Atão, oh! compadri, com'é quisso se joga ?
- É c'um pau, umas bolas e um buraco.
Responde o outro : - Atão tá beim ; ê cá dou o pau.
Diz o segundo: - Prontos ê cá dou as bolas.
Responde o terceiro : - Cumpadres, ê cá nã jogo.


Um médico encontra uma médica num congresso. Após a palestra, saem juntos e resolvem jantar. Depois, vão para um hotel e resolvem ficar hospedados no mesmo quarto.
No quarto, prosseguem com as carícias, beijos, exame físico completo e, após a relação, a doutora vai para o toillete, começa a lavar-se:
Esfrega cada falange, metacarpo, antebraço umas cinquenta vezes.
Da cama, o doutor observa e diz:
- Já sei qual é a sua especialidade!
A médica pergunta:
- Qual é ?
- Você é cirurgiã!
- Muito bem, como descobriu?
- Pelo jeito como se lava.
- Também descobri a sua especialidade ...
- O médico, assustado, diz:
- Impossível! Não me levantei da cama, nem me lavei!
- Você é anestesista!
- Surpreso, o médico pergunta:
- Como descobriu?
- Pelo jeito que você faz amor: não senti nada! ! ! 


Um dia, no escritório de advocacia, um homem reparou que o colega, muito conservador, estava a usar um brinco.
- Não sabia que gostavas desse tipo de coisas - comentou.
- Não é nada de especial, é só um brinco - replicou o colega.
- Há quanto tempo é que usas?
- Desde que a minha mulher o encontrou, no meu carro, na semana passada e eu disse que era meu...


Um médico, em Dublin, queria descansar  e ir pescar.
 Então aproximou-se do seu assistente e disse-lhe:
 - Murphy, amanhã vou pescar e não quero fechar a clínica.
 Acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
 - Sim, senhor! -respondeu  Murphy.
 O médico foi  pescar e voltou no dia seguinte. 
 - Então, Murphy,  como correu o dia?
 - Cuidei de três pacientes.
 O primeiro tinha uma dor de cabeça e, então, eu dei-lhe paracetamol.
 - Bravo, meu rapaz
 - E o segundo? - perguntou o médico.
 - O segundo teve indigestão e eu dei-lhe Guronsan - informou Murphy.
 - Bravo, bravo! Você é bom nisso...
 E o terceiro? - perguntou o médico.
 - Bom, doutor, eu estava sentado aqui e, de repente, abriu-se a porta e entrou uma linda mulher. Ela arrancou a roupa, despiu tudo, incluindo o sutiã e  as cuequinhas. Depois deitou-se sobre a marquesa, abriu as pernas e gritou: «AJUDE-ME, pelo amor de Deus!  Há cinco anos que eu não vejo homem!''
 - Nossa Senhora, Murphy, o que  é que você fez? - perguntou o médico.
 - Pus-lhe gotas nos olhos, doutor! 


Um homem entra no salão do barbeiro, e pergunta:
«Quanto tempo até chegar a minha vez?»
 O barbeiro olha em volta do seu salão, e responde:
 «Mais ou menos 2 horas!».
 O homem sai. Passam alguns dias, volta e pergunta:
 «Quanto tempo até chegar a minha vez?»
 O barbeiro olha em volta do seu salão, e responde:
 «Mais ou menos 3 horas!».
 O homem sai. Passa uma semana, o mesmo homem entra e pergunta de novo:
 «Quanto tempo até chegar a minha vez?»
 O barbeiro olha em sua volta e responde:
 «Mais ou menos 1 hora e meia!».
 O homem sai. O barbeiro vira-se para um seu amigo e diz:
 «Oh Paulo, faz-me só um favor! Segue aquele homem e vê para onde vai. O gajo sempre que entra aqui, pergunta quanto tempo até a sua vez, mas nunca volta».
 Uns minutos depois, Paulo regressa ao salão a rir histericamente.
 O barbeiro curioso pergunta:
 «Então? Onde é que ele vai depois daqui?»
 Paulo levanta a cara, enxuga as lágrimas de gargalhadas e responde:
 «Quando sai daqui...ele vai para tua casa!».


Diferença entre o original e a cópia

Um jovem noviço chegou ao mosteiro e deram-lhe a tarefa de ajudar os outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja. Ele ficou surpreendido ao ver que os monges faziam o seu trabalho a partir de cópias e não dos manuscritos originais.
 

Foi falar com o abade e explicou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse erro propagar-se-ia em todas as cópias posteriores. O abade respondeu-lhe que há séculos copiavam da cópia anterior, mas que achava bem relevante a observação do noviço.

Na manhã seguinte, o abade desceu até as profundezas da caverna na cave do mosteiro, onde eram conservados os manuscritos e pergaminhos originais, que não eram manuseados há muitos séculos. 

Passou-se a manhã, a tarde e depois a noite, sem que o abade desse sinais de vida.
Preocupado, o jovem noviço decidiu descer e ver o que tinha acontecido. Encontrou o abade completamente descontrolado, com as vestes rasgadas, a bater com a cabeça ensanguentada nos veneráveis muros do mosteiro.
 
Espantado, o jovem monge perguntou:
- Abade, o que aconteceu?
- Aaaaaaaahhhhhhhhhh!!! CARIDADE...CARIDADE!!! Eram votos de "CARIDADE" que tínhamos de fazer. E não de "CASTIDADE"!!!


Sogra em estado muito grave!
 

Um homem foi ao hospital visitar a sogra que se encontrava num estado muito grave. De volta a casa, a mulher preocupada com o estado da mãe, pergunta:
- Então meu amor, como está a minha mãe?
Responde o homem:
- Segundo o médico ela está ótima, com uma saúde de ferro! Ainda vai viver por muitos anos! Na próxima semana, ela vai receber alta do hospital e vem morar conosco, para sempre!
Espantada diz a mulher:
- Que bom! Mas que coisa estranha… hoje cedo ela parecia estar à beira da morte, e o médico disse que ela teria poucos dias de vida!
Explica o homem:
- Não sei como ela estava hoje de manhã, mas agora à noite, quando eu cheguei ao hospital, o médico disse-me que devia-me preparar para o pior!



O casal queria ficar à vontade, numa tarde de domingo, mas o filho de 5 anos não dava chance.
 

Pensaram um pouco e decidiram colocar o menino sentado na varanda do apartamento, com a tarefa de relatar, em voz alta, todas as atividades da vizinhança. O garoto, sentadinho em sua cadeirinha confortável, começou o relato:
- Tem um carro sendo guinchado aí na rua.
- Tem uma ambulância parada lá na esquina.
- A família do 303 está recebendo visitas.
- O Pedrinho do 301 acaba de ganhar uma bicicleta nova.
O garotinho foi dando o relato completo de tudo o que via e ouvia.
De repente, o casal é surpreendido com a seguinte notícia:
- Os pais da Karina estão trepando!
Os dois pulam da cama, correm até a varanda e o pai pergunta:
- Você está vendo isso daí?
- Não! - responde o garotinho - mas é que a Karina também está sentadinha na varanda.



Dois grandes amigos conversam:
- Olha, rapaz... A minha mulher é uma tremenda mentirosa.
- A Gabriela? - Surpreende-se o amigo - Então, o que aconteceu? Porque estás a dizer isso?
- Ah, ontem não dormiu em casa e inventou que passou a noite com a irmã.
- E não passou?
- Claro que não! Quem passou a noite com a irmã dela fui eu!

 

Vingança merecida
 

Um grande empresário industrial está a morrer. A seu lado, o sócio segura-lhe, amigavelmente, na mão. O moribundo faz-lhe sinal para se aproximar mais e murmura com voz fraca:
- Quero aliviar a minha consciência, antes de partir. O desfalque na caixa há três anos fui eu que o fiz. O falso incêndio de há cinco anos fui eu que o ateei. O assalto do ano passado também fui eu. E, como não te quero esconder nada, o amante da tua mulher era eu...
Podes morrer em paz - diz o outro. - O arsénico do uísque que bebeste ontem fui eu que o lá pus.


Três amigas alentejanas estavam na conversa, quando uma delas comenta com a outra sobre as suas relações sexuais com o marido:
-Nunca te aconteceu, quando fazes amor com o Carlos, tocares nos tomates dele e estarem frios?
A outra responde:
-Sim, sempre que nós fazemos amor eu percebo que estão frios.
-E tu, quando o fazes com o Rafael?
-Sim, estão sempre frios! Responde a outra.
Nisto, diz a alentejana loira:
-Bom, nunca reparei nesse detalhe mas, esta noite, quando tiver com o Maneli, vou tocá-los para ver.
-Está bem, então amanhã contas como foi! Dizem as outras.
No dia seguinte, a alentejana loira aparece toda cheia de hematomas, os olhos roxos e sem alguns dentes.
As amigas ficaram surpreendidas, perguntaram o que lhe aconteceu e a outra responde muito nervosa:
-A culpa é toda vossa!!!
-Mas porquê? Perguntam as amigas.
-Porque, quando toquei nos tomates do Maneli, disse:
-"Ai Maneli, porque é que tu não tens os tomates frios como os do Carlos e os do Rafaeli?"

 

Humor na terceira idade 

(Vantagens e algumas desvantagens da 3ª idade)


1. Os sequestradores não se interessam mais por você.

2. De um grupo de reféns, provavelmente será um dos primeiros a ser libertado.

3. As pessoas lhe telefonam às nove da manhã e perguntam: 'te acordei?'

4. Ninguém mais o considera hipocondríaco.

5. As coisas que você comprar agora não chegarão a ficar velhas.

6. Você pode, numa boa, jantar às seis da tarde.

7. Você pode viver sem sexo, mas não sem os óculos.

8. Você curte ouvir histórias das cirurgias dos outros.

9. Você discute apaixonadamente sobre planos de aposentadoria.

10. Você dá uma festa e os vizinhos nem percebem.

11. Você deixa de pensar nos limites de velocidade como um desafio.

12. Você pára de tentar manter a barriga encolhida, não importa quem entre na sala.

13. Você cantarola junto com a música do elevador.

14. A sua visão não vai piorar muito mais.

15. O seu investimento em planos de saúde finalmente começa a valer a pena.

16. As suas articulações passam a ser mais confiáveis do que serviço de meteorologia.

17. Seus segredos passam a estar bem guardados com seus amigos, porque eles os esquecem.

18. 'Uma noite e tanto', significa que você não teve que se levantar para fazer xixi.

19. Sua mulher diz 'vamos subir e fazer amor', e você responde: 'escolha uma coisa ou outra, não vou conseguir fazer as duas!'.

20. As rugas somem do seu rosto quando você está sem sutiã.

21. Você não quer nem saber onde sua mulher vai, contanto que não tenha que ir junto.

22. Você é avisado para ir devagar pelo médico e não pelo policial.

23. 'Funcionou ', significa que você hoje não precisa ingerir fibras.

24. 'Que sorte!', significa que você encontrou seu carro no estacionamento.






terça-feira, 20 de janeiro de 2015

QUANDO UM HOMEM CHORA - Texto de Madame Bovary

A minha fotografia
QUANDO UM HOMEM CHORA
Texto de Madame Bovary

2014 terminou com dias solarengos no Algarve, aconchegados pelos meus cães e pela leitura do primeiro volume de A MINHA LUTA de Karl Ove Knausgard, A MORTE DO PAI.
Aguardava com curiosidade esta leitura desde Setembro de 2013, quando a deliciosa Ahab anunciou a publicação da tradução dos seis tomos autobiográficos, uma vez que se trata de uma obra confessional, género que muito estimo.

O livro chegou, portanto, com uma empatia já previamente estabelecida e apanhou-me de férias, fumando reflexões várias sobre uma vida melhor e o valor da alegria e do fascínio, moedas ultimamente escassas no meu quotidiano e, consequentemente, nas minhas leituras. A sensação de que o futuro não existe, de que é apenas mais do mesmo, significa que todas as utopias são desprovidas de sentido.

A literatura sempre esteve relacionada com a utopia, por isso, quando a utopia perde o sentido, acontece o mesmo com a literatura. O que eu tentava fazer, e talvez o que todos os escritores tentam fazer – que raio sei eu? –, é combater a ficção com a ficção.

O que eu devia fazer era aceitar o que existia, aceitar as coisas como elas são, por outras palavras, celebrar o mundo em vez de procurar uma saída, porque assim teria sem dúvida uma vida melhor, mas não conseguia, não conseguia; algo se congelara em mim, uma convicção tinha-se enraizado em mim, e, embora fosse essencialista, ou seja, anacrónica e até romântica, eu não conseguia passar por cima dela, pelo simples motivo de que não fora apenas uma coisa pensada mas também sentida, naqueles súbitos estados de iluminação que acontecem na vida, em que durante alguns segundos se vislumbra um mundo diferente do que se vislumbrou momentos antes, onde o mundo parece avançar e mostrar-se por um breve espaço de tempo, antes de recuar e tudo voltar a ser como era…

Kanusgard constrói uma investigação existencial, uma indagação proustiana dos traços do tempo vivido, para entender como se chega a ser como se é: Como é que acabei aqui? Como é que as coisas aconteceram assim? (…) E cada dia que passa, aumenta o desejo pelo momento em que a vida atingirá o auge, pelo momento em que as comportas se abrirão e a vida seguirá, por fim, em frente.

Ao mesmo tempo vejo que a repetição, a clausura, o inalterável são necessários, que me protegem. Nas poucas ocasiões em que os deixei, as velhas feridas regressaram. De repente sou tomado por todos os pensamentos imagináveis sobre o que foi dito, o que foi visto, o que foi pensado, atirado para aquele espaço incontrolável, estéril, muitas vezes degradante e verdadeiramente destrutivo onde vivi tantos anos. Nele a nostalgia é tão forte quanto a que existe aqui, mas a diferença é que esse sentimento tem um objectivo realizável, aqui não. Aqui tenho de encontrar outros objectivos e de me contentar com eles. Falo da arte de viver.

Como não simpatizar com este projecto? Em termos de fascínio, a ligação processava-se de modo menos automático. Influenciada pela imprensa, esperava talvez um striptease mais visceral mas Knausgard, como um bom nórdico, insistia nas excursões pelas ideias e a minha atenção divagava também.

No entanto, a partir da página 140, percebi que havia ali entranhas várias e uma enorme coragem em expô-las e que não me havia apercebido disso até então pelo relato essencialmente masculino e racional. Foi só quando aceitei que visceralidade e lucidez podiam coabitar nas mesmas páginas, que encontrei a porta de entrada para o texto.

E assim fui acompanhando essa voz, apreendendo as suas nuances masculinas, as duras dores do seu crescimento, as primeiras bebedeiras, o primeiro amor. Numa manhã de Abril há rebentos nas árvores e uma vaga verde começa a cobrir a erva amarela dos campos. Florescem os narcisos, e também os malmequeres e as violetas. Em seguida, o ar quente surge como uma coluna por entre as árvores das colinas. Nas encostas soalheiras os rebentos abriram, e as cerejeiras estão em flor. Quando temos dezasseis anos, tudo isto causa uma certa impressão, tudo isto deixa a sua marca, pois é a primeira Primavera em que sabemos que é Primavera, em que todos os sentidos pressentem a sua chegada, e é também a última, pois todas as outras Primaveras empalidecem quando comparadas com a primeira.

Se além disso estamos apaixonados, bem, então… então é apenas uma questão de aguentar. Aguentar toda a felicidade, toda a beleza, todas as promessas que há em todas as coisas. Ia a pé da escola para casa, reparei que a neve derretera sobre o asfalto, era como se ele tivesse sido esfaqueado no coração. Vi caixas de fruta sob um toldo de uma loja, um corvo a saltitar não muito longe dali, olhei para o céu e estava muito bonito. Atravessei a zona residencial, caiu um aguaceiro, fiquei com os olhos cheios de lágrimas.

E, aquando da descrição do autor da sua relação com a arte, lá estava eu enamorada por essa inquietação ávida que tanto conheço e que jamais tinha conseguido capturar pela palavra. Era o único critério que usava para avaliar a arte: a sensação que despertava em mim. A sensação de inesgotabilidade. A sensação de beleza. A sensação de presença. Tudo comprimido em momentos tão intensos que às vezes eram difíceis de aguentar. E bastante inexplicáveis (…).

Liberdade mas não paz, porque, ainda que os quadros retratassem cenários idílicos, como as paisagens arcaicas de Claude, eu ficava sempre perturbado quando os abandonava, pois aquilo que possuíam, no íntimo do seu ser, era a inesgotabilidade, e isso despertava em mim uma espécie de avidez. Não consigo explicar melhor. Uma vontade de estar dentro da inesgotabilidade (…). No entanto, assim que voltava a concentrar-me na pintura, toda a minha racionalidade desaparecia com aquele embate de energia e de beleza. Sim, sim, sim, ouvia. É aí que está. É para aí que tenho de ir. Mas a que é que dissera sim? Para onde é que deveria ir?”

E assim flui a luxúria entre quem se despe e quem olha. Mas nada parecido entre o affair de Actéon e Diana. Porque aqui, a verdade do outro não aniquila, é mais como uma casa bafienta e escura que se abre para a vida com uma sinceridade muito viva. Na minha opinião, é um livro bom mas não genial e muito do bruaá deve-se à exposição extrema e polémica que Knausgard faz dos seus familiares e outros.

A grande operação de marketing do livro baseou-se nessa polémica, o que determina que grande parte do prazer voyeurista da leitura seja gasto nesses espantos. É no entanto um livro bom, cujos tomos seguintes lerei com certeza. Sobretudo porque confessa pequenas derrotas e breves iluminações, que tantos sentem e poucos revelam.



A felicidade obsessiva - Texto de Vítor Afonso em «O homem que sabia Demasiado»

Victor Afonso
A felicidade obsessiva

Numa entrevista ao jornal Expresso o psiquiatra Carlos Amaral Dias responde assim à pergunta se era um feliz: "Não acredito no conceito de felicidade. É uma nivelação por baixo daquilo que se pode esperar da vida - e o que se pode esperar da vida é a capacidade de tirar prazer da existência humana, sabendo coabitar ao mesmo tempo com o sofrimento que é inerente à espécie. Felizes, podem ser, talvez, os besouros... A felicidade é um conceito utópico e eu não gosto de utopias."
 
Concordo. Vivemos numa época na qual se vende felicidade ao desbarato. As livrarias enchem-se quase diariamente de livros que prometem soluções mágicas para sermos mais felizes (os quatro livros destas imagens são apenas exemplos, há dezenas de outros). Ora, a sociedade do espectáculo e do consumo sugerem a venda de produtos comerciais e de bens que levam as pessoas a serem, superficialmente, mais felizes. Os livros de auto-ajuda que prometem alcançar a eterna felicidade enchem os escaparates das livrarias. A felicidade é vendida através de livros de filósofos, psicólogos, sociólogos, políticos, religiões, publicidade, televisão, que nos induzem a obrigatoriedade de ser feliz, a todo o custo. Claro que todos queremos bem-estar, segurança e paz (elementos da felicidade), mas a vida é um conjunto complexo de contradições e frustrações, de sentimentos paradoxais e é importante saber lidar com eles.



Há pessoas verdadeiramente viciadas na busca da felicidade, seja por métodos naturais (como a prática do Yoga ou do Reiki) ou por métodos artificiais (drogas e álcool). O mundo da psicologia inventou até uma nova área de investigação, a chamada "psicologia positiva", dedicada a encontrar formas de melhorar a felicidade, do envolvimento e do significado. Os psicólogos que praticam esta variante de terapia são pioneiros num novo tipo de ciência, a "ciência da felicidade", que tenta ensinar-nos a ficar felizes e a razão pela qual o devemos ser. É de tal forma um tema obsessivo que já se instituiu o "Dia Internacional da Felicidade" e o "Dia Mais Infeliz do Ano".


Daí que venha mesmo a calhar um livro que rema contra esta corrente: tem o sugestivo título "Contra a Felicidade - Em Defesa da Melancolia", do académico Eric G. Wilson. Um livro que subverte o pensamento consensual, defendendo que a melancolia e a tristeza são sentimentos inerentes à condição humana e necessários a qualquer cultura florescente, sendo a musa da grande literatura, pintura, música e inovação.

Eis o que diz Eric G. Wilson: "Basta de Prozac nos nossos cérebros. Aceitemos as nossas facetas depressivas enquanto fontes de criatividade. Ao idolatrar o ideal de felicidade, o indivíduo cega-se para o mundo e vacila perante a mais pequena contrariedade. A nossa cultura parece tratar a melancolia como estado aberrante, como vil ameaça à noção de felicidade, como gratificação imediata, felicidade como conforto superficial."

A dualidade entre sentimentos contraditórios (melancolia/tristeza versus felicidade/alegria) já proporcionou milhares de livros, poemas, ensaios, filmes e canções. No fundo, trata-se de uma discussão que se irá eternizar enquanto houver homem à superfície da terra.

Seja como for, este livro de Eric G. Wilson representa um abanão face às convenções sociais da actualidade e, apesar de ter sido editado há já 6 anos, continua a ser cada vez mais actual, contrariando a avalanche incontida de livros que ajudam a encontrar a felicidade como se este fosse o único e insofismável paradigma existencial possível.