sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - Capítulo IX – Indagações



O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - Capítulo IX – Indagações

Sem qualquer tipo de oposição em terra nem questionamento através da torre de controlo, Youssef pousou a nave na pista deserta e pouco cuidada do espaçoso espaço-porto, estranhando não ver qualquer sinal de vida ou actividade na superfície do planeta nebuloso.

Durante algum tempo permaneceu no interior, sondando com os instrumentos os espaços exteriores, mas nada detectou que lhe chamasse a atenção.

Então cautelosamente desceu da nave e dirigiu-se a um conjunto de edifícios baixos na periferia do campo de pouso, que se encontravam escuros e silenciosos.

Conforme se aproximava, foi notando o brilho de uma luz fraca, iluminando a entrada e dando-lhe uma visão aproximada do interior.

Viu vultos de seres aparentemente humanos, mas por precaução, foi rodeando os edifícios, mantendo-se fora do raio de alcance da luz, tentando descobrir se haveria mais criaturas que o poderiam atacar sem que ele se apercebesse.

Depois de uma volta completa, com todos os seus sentidos alerta e usando os meios de detecção que tinha aprendido na Academia, nada vislumbrou que lhe causasse alarme, apenas o restolhar de pequenos mamíferos, que poderiam ser ratos ou outros animais equivalentes.

Prestes a terminar a sua volta, foi no entanto surpreendido pela saída através da porta de dois vultos, que pareciam ser um macho e um fêmea, que ficaram esperando que ele se aproximasse, aparentemente tranquilos e sem temor.

Perante essa atitude, também ele se aproximou e parou a alguns passos das criaturas, iluminadas pelas luzes e cujas sombras se alongavam no piso esburacado da pista.



 

Brontë - Por Virginia Teixeira- Emily Brontë



Brontë - Por Virginia Teixeira- Emily Brontë

Emily Jane Brontë, a irmã Brontë de minha clara predilecção, nasceu a 30 de Julho de 1818.

Em 1824 entra no colégio interno juntamente com Charlotte, Maria e Elizabeth. Após a morte das duas irmãs mais velhas Emily e Charlotte são trazidas para casa e a educação delas passa a ser proporcionada maioritariamente pelo reverendo e pela tia, sendo posteriormente responsabilidade de Charlotte quando regressa da escola de Roe Head.
Embora seja conhecida como a irmã mais misteriosa e reservada, de quem pouco se sabe, há dados em relatórios escolares da época da introdução no ensino que a apontam como uma rapariga alegre e audaciosa. Com o tempo, no entanto, possivelmente devido à morte das irmãs, esta alegria parece ter-se findado e a grande paixão de Emily tornou-se passear pelas charnecas da zona, geralmente acompanhada pelos muitos cães que viveram com a família ao longo dos anos.

Tive pessoalmente a possibilidade de visitar essas mesmas charnecas (infelizmente não acompanhada por cães), de vislumbrar os campos aparentemente infinitos da zona rural onde Haworth se encontra, e atesto que a beleza e a liberdade proporcionada pelo lugar o tornam mais do que meritório de um passeio.
 
Fiz o meu percurso com Emily na mente, reflectindo sobre a sua vida e sobre o que a teria motivado a escrever um romance como «Monte dos Vendavais», uma das grandes questões da literatura das Brontë.


Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XXII - Por Daniel Teixeira - Pão nosso de cada dia



Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XXII - Por Daniel Teixeira - Pão nosso de cada dia 
Em Alcaria Alta e penso que nos Montes todos pelo menos do Concelho havia uma largo consumo de pão. Hoje em dia com as manutenções de linhas estreitas  de  senhoras e senhores, os controles de colesterol e algumas doenças que requerem consumos reduzidos de gorduras e hidratos de carbono, o montanheiro típico, de raiz, não se safava mesmo.

Não me lembro exactamente quantos fornos haviam no Monte mas eram muitos na sua relação com a população sendo alguns deles semi-privados: na Portelinha, por exemplo, morava uma só família, todos meus primos e tios avós, com todas as suas ramificações e tinham um forno que era praticamente deles: no Além, por aquilo que me lembro (ia lá pouco) havia três; na Praça havia dois: a minha Tia Bia que morava na Praça tinha um forno no quintal o que faz três pelo menos. No Castelo havia dois mais dois (privados estes últimos). Enfim, em média talvez houvesse um forno por três / quatro famílias o que fazia com que estivessem inactivos muito tempo, mesmo os mais utilizados.

Os pastores, por exemplo, talvez os maiores consumidores de pão na proporção da sua alimentação total, mesmo os não assalariados, chegavam ao Monte, carregavam dois ou três pães, uma mão cheia larga de azeitonas, um naco de presunto, por vezes algum tomate rijo mas para consumo rápido, algum grão e partiam de novo tratar das ovelhas presas durante esse tempo em curral. Por isso havia muitos currais aparentemente abandonados mas que serviam de pouso temporário para estas ocasiões.

Não raras vezes ia-se levar um «jantar» e abastecimento de pão ao pastor quando se tinha conhecimento  de que ele andava por ali (ali quer dizer a uns cinco, seis quilómetros de terra a bater) com o gado. Mas isso era uma vez ou duas por acaso.




Poesia de Virgínia Teixeira - Pirata; Ser estranho



Poesia de Virgínia Teixeira - Pirata; Ser estranho 

Pirata


Há um pirata que povoa os sonhos da menina que acorda mulher.
 Para toda a menina, de olhos arregalados e tranças no cabelo,
 Um pirata há a saquear e a pilhar a ilha que é esse puro ser.
 E elas, que se deixam tomar ou resistem com corações de gelo,

Nunca esquecem o pirata, o homem de barba negra e olhos penetrantes,
 Aquele que, de noite, as persegue com as mais belas promessas,
 O que sabe quem elas são e os seus desejos mais atormentantes,
 O que lhes sussurra que numa duna qualquer, as vai tomar sem pressas,

Ser estranho
Há um homem que é acima
 Um ser estranho com poder de amante
 Feio, tenebroso mas que fascina
 Olhos negros de tempestade passante.

O mar corre-lhe nas veias, não sangue de gente,
 O fogo arde-lhe no peito sem o consumir
 As mãos calejadas têm a carícia quente
 E os lábios o desejo de possuir…

Leia este tema completo a partir de 13/2/2012

Ivone Boechat - A mulher da Era pós moderna



Ivone Boechat - A mulher da Era pós moderna 

A mulher da Era - pós moderna deve aparecer nos editoriais «completamente desnuda de vulgaridade e totalmente vestida de inteligência».

Sua elegância se fará notar pela suavidade dos adereços. Na boca, um precioso implante de palavras que desviem o furor. Cílios nada postiços, capazes de filtrar o excesso de pó que pulverizam na vida das pessoas e uma lente de contato para enxergar as qualidades do próximo. Nos cabelos, condicionadores que amaciem o afago das mãos que se apressem a moderar, acalmar, abrigar.

A mulher deve se preparar para ser modelo. Só pisar nas passarelas da vida, sob as luzes do flash da simpatia! Para manter a forma, uma dieta diferenciada. Evitar os frutos amargos que se colhem nos canteiros do ressentimento, nunca se afogar numa sopa de mágoa, regada a disse me disse, nem pensar em se viciar na overdose da desgraça alheia.

Toda noite, a mulher pós-moderna tem o cuidado de limpar do rosto as teias da decepção daquele dia e espalhar muita alegria em volta dos olhos, da boca, áreas mais afetadas pela desidratação que a tristeza provoca! A reposição hormonal do amor, da fé, da misericórdia e da compaixão é feita em alta dosagem, porque já se provou cientificamente que o único efeito colateral que provoca é a manifestação de bondade.

A mulher pós-moderna não pode se descuidar de suas mãos. Ela tem nos dedos a aliança de compromisso com a dor alheia. Na bolsa, uma cartela de pílulas da felicidade e também não podem faltar moedas para facilitar o troco: ofensa se troca pelo perdão. Afinal, ela só anda na última moda, moda e mudança são palavras irmãs. Roupa de marca é roupa que marca a sua presença nas rodas sociais, pela discrição e dignidade.


POESIA DE ARLETE DERETTI - Canção da Chuva - Duo: Arlete Brasil Deretti Fernandes & Hildebrando Menezes



POESIA DE ARLETE DERETTI - Canção da Chuva - Duo: Arlete Brasil Deretti Fernandes & Hildebrando Menezes
 
 Canção da chuva
 
 Chuva benfazeja a escorrer pela vidraça,
 Sacia a sede da terra, momento de magia
 Alimenta o chão como o leite às crianças
 é à força da natureza quando ela procria
 
 Dança um tango na noite, pura fantasia
 Emoldura quadros que a tudo encanta
 Seu poder transformador logo contagia
 São as lágrimas do céu que não se conta
 
 Junto aos fantasmas que a sombra cria
 Mistérios da alma que junto escorrem
 Lava impurezas que o sol depois irradia
 Quando não assola e a tudo descobrem
 
 Pingos tamborilam no telhado, brincam e
 Que calam e nos embalam sussurrando
 Cantam com a voz do vento esta melodia
 Dá um sono gostoso que vem bocejando


Leia este tema completo a partir de 13/2/2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

POESIA - Por António Cambeta (Macau / Tailândia) - Amor e traição; Subindo a Montanha



POESIA - Por António Cambeta (Macau / Tailândia) - Amor e traição; Subindo a Montanha
 
 Amor e traição
 
 Quando a meu lado andavas
 Sempre segurando-me pela mão
 Dizias ser eu só a quem amavas!...
 Parti, atraiçoaste meu coração

O amor é traiçoeiro,
 Tem também o seu condão,
 Quando ele é puro e verdadeiro
 Nos dá vida fazendo pulsar o coração

O meu, felizmente, continua palpitando
 Com peças, novas, que lhe coloquei,
 Do traiçoeiro as feridas fui sarando
 E sempre essa dor recordarei

A minha vida mudou,
 Noutro continente fiquei,
 Muito sofre quem amou
 Mas foi ela e não eu que errei

Subindo a Montanha
 
 Entoando minhas canções
 e, solitário, vou subindo a encosta da montanha,
 penhascos alcantilados, ravinas espantosas,
 tudo é luxuriante e belo.

Sigo num arroio rumo à nascente,
 A montanha eleva-se
 Como um dardo de pedra lançado da terra,
 Paro, para descansar e admirar tão rica beleza

O mosteiro, esse, fica ainda lá no topo da montanha
 Muitas horas serão ainda precisas
 Para o poder alcançar
 Após ter enchido os pulmões
 Com o ar puro da montanha

Leia este tema completo a partir de 13/2/2012