quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Legado Português - Bang Portuguet - Peregrinos da Fé - Por José Gomes Martins (Tailândia)



Legado Português - Bang Portuguet - Peregrinos da Fé - Por José Gomes Martins (Tailândia)

Depois de as ruínas do Campo de São Domingos estarem a descoberto, em 1984, graças ao Embaixador Mello Gouveia e ao Dr. José Blanco, Administrador da Fundação Calouste Gulbenkiam, ficam a aguardar, por cerca de 10 anos, para que um edifício de largas dimensões e de linhas arquitectónicas elegantes, viesse, finalmente a ser inaugurado, em Abril de 1995.

De um matagal espesso, surge um campo de oração e da prática do culto da religião católica, esta que os missionários do Padroado Português do Oriente introduziram no Reino do Sião, em todo o Oriente, após as Cortes de Portugal e do Sião assinarem Acordos de Amizade Comércio e Navegação.

O Padroado desempenha, durante as descobertas portuguesas, um papel primordial nessa expansão. A cruz, as armas, a pólvora e o amor são, assim, factores importantes para o encetamento de relações entre o ocidente e o oriente. Com isto a transformação do mundo.

A mitologia, as crenças religiosas, sejam quais forem os princípios das suas ideologias tem servido para o equilíbrio, ligação e harmonização das civilizações inseridas no planeta mundo.
No Bang Portuguet, mesmo dentro de um matagal espesso os católicos contemporâneos, que herdaram o catolicismo do seus antepassados de séculos, de joelhos, em frente à capelinha, feita de madeira tosca, é ali que vão fazer as sua preces.

Agradecer a imagem de São José, dentro, alumiado por uma vela de cera, fundida dos favos, construídos num ramo de árvore, pelas abelhas silvestres do Bang Portuguet.


 

CASIMIRO CAVACO CORREIA DE BRITO - Por Liliana Josué



CASIMIRO CAVACO CORREIA DE BRITO - Por Liliana Josué

Casimiro de Brito é um personagem da nossa literatura quase «inventado» por quem o lê, pois as suas facetas são tantas que nos absorve a imaginação. A medida que penetramos na sua escrita o espanto instala-se em nós (no sentido filosófico da palavra).

Muito há para dizer sobre este escritor, visto ele ser um mundo a explorar e um paladino da palavra.
Vou tentar sintetizar a sua obra tocando vários aspectos de modo a que fiquemos a conhecê-lo um pouco melhor e revelá-lo a quem não o conhece.

Nasceu em Loulé a 14 de Fevereiro de 1938. é um dos escritores pertencentes ao Movimento Poesia 61 e integrou os cadernos de poesia compilados na Antologia com o mesmo nome. Tirou o curso na Escola Comercial de Faro, e durante 37 anos exerceu a profissão de bancário.

O seu fervor pela escrita não consentiu que «desperdiçasse» tempo em cursos superiores. Escreveu mais de 40 livros, até agora, de vários géneros literários.

Em 1957, mais propriamente aos 18 anos, publicou o seu primeiro livro de poesia intitulado Poemas da Solidão Imperfeita, considerado pelo grande crítico João Gaspar Simões e pelo consagrado vulto da nossa literatura, António Ramos Rosa, um trabalho de excelente qualidade. Este último tornou-se seu amigo, permanecendo essa amizade até aos dias actuais.

Sua adolescência trouxe-lhe o fascínio pela natureza (como o mar e a luz).Contraiu amizades com quem tinha debates intelectuais sobre assuntos Teológicos e sobre a eterna questão da desigualdade entre os homens.


 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jornal Raizonline nº 157 de 6 de Fevereiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Sair da casca



Jornal Raizonline nº 157 de 6 de Fevereiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Sair da casca

Sair da casca é aquilo que as aves e outros ovíparos fazem quando chegam ao final do seu período de gestação «in ovo» (neste caso). Quem teve a possibilidade de ver os pintos a rasgarem a casca do ovo sabe que o relativamente aflitivo trabalho só remotamente pode ser considerado de instintivo. Sendo lógico e sem rede científica aqui a suportar-me tenho de acreditar que os pintos e outros ovíparos (e não só) vêm para esta triste vida cá fora porque se acabaram as possibilidades de continuarem lá dentro.

Entre os humanos, já nascidos ou não, tem havido alguma referência romanesca à permanência in utero de duas formas: uma, ficando mesmo dentro do útero (ficção e alegoria é claro) ou recusando-se a crescer. Este último aspecto tem sido muito interessante nos desenvolvimentos porque retirando os casos patológicos e de impossibilidade de fazer diferente que respeitamos e lamentamos se nota que cada vez os jovens saem do processo juvenil mais tarde, de uma forma geral.

Os casamentos cada vez mais tardios, que podem ser utilizados apenas como termómetro estatístico dizem isso mesmo assim como o cada vez mais tardio nascimento de filhos: normalmente estes são de alguma forma programados para nascerem depois de cursos completados ou depois de processos relativamente instalados a nível profissional e de carreira.

Ora, como vivemos uma cada vez mais forte situação de precariedade a nível profissional e mesmo social tudo indica que teremos bastante manga sem pano nos próximos anos que podem ser longos e podem inclusivamente instalar uma forma de pensar que não deixa de ser pelo menos preocupante. Em termos de biologia as colónias são viáveis ou inviáveis consoante o número de nascimentos é ou não superior ao número de falecimentos.


Poesia de Maria da Fonseca - No Parque do Estoril; Apelo ao Menino Jesus; Lindos Dias de Janeiro



Poesia de Maria da Fonseca - No Parque do Estoril; Apelo ao Menino Jesus; Lindos Dias de Janeiro
 
 No Parque do Estoril

 A noite está agradável,
 E é grande o movimento.
 Há luzes por todo o lado,
 E não se levantou vento.

Na árvore de copa espessa
 Escondem-se mil pardais.
 Demos por isso ao Sol pôr,
 Regressaram dos quintais.

 Voavam muito ligeiros,
 Sem qualquer hesitação.
 Agora estão a dormir
 Nesta noite de verão.

Apelo ao Menino Jesus

 O Natal da minha infância,
 O Natal do meu Menino,
 Tão frágil, tão pequenino,
 Santo Deus, a que distância!

E venceste e resististe
 Como Filho que és do Pai!
 Senhor Deus, acompanhai
 Este mundo em que investiste.

Criador do Universo,
 Da Eternidade sem fim,
 Mandaste teu Filho afim
 De excluir o controverso.

Lindos Dias de Janeiro
 
 Os dias que maravilha!
 Lindo o Sol no céu azul.
 Tão pura e límpida a luz
 Destes países ao Sul!

Despida das suas folhas,
 Vive além a ameixieira.
 E no ramo o melro pia
 Pela sua companheira.

 Vejo assim, com nitidez,
 Seu esforço prà chamar.
 Junta ao seu forte piado,
 Suas penas a agitar.

Leia este tema completo a partir de 6/2/2012

Poética de Ilona Bastos - Deixemos Falar os Nossos Corações; Infinito Criador; Vida



Poética de Ilona Bastos - Deixemos Falar os Nossos Corações; Infinito Criador; Vida
 
 Deixemos Falar os Nossos Corações

Nada do que eu digo
é apenas isso -
é sempre muito mais.
Tu recebes as palavras,
 Misturas o tom e a cor
 Dos teus pensamentos,
 Referências de outros sons,
 De outras imagens e momentos,

Infinito Criador

 é pela janela que se lança o meu olhar
 e com ele a minha alma
 neste sedento bater de asas
 pelo azul do cais de partida
 e de chegada.
 Não busca mais a distância, o meu olhar

Vida

 Eterno é o amor que criou a vida
 no seio do Universo infinito!
 Contida num mínimo ponto primordial,
 florida em explosão colossal,
 na expansão perpétua se difunde
 por milhões de galáxias,
 inquieta se abriga neste berço,
 turbilhão de nuvens etéreas e nuances,
 vastidão de oceanos azuis, ondulantes,
 que refrescam e da terra se apartam.
 Na água, desenvolve a semente,
 simples que é, complexa se torna,
 em várias formas que às margens sobem

Leia este tema completo a partir de 6/2/2012

Poesia e prosa poética de Kácia Pontes - Prosa Poética: A flor vermelha do amor - paixão, amor - razão, amor - prazer... ; - Poesia: Nunca amei alguém assim...; A dor em vão que mais machuca um coração...



Poesia e prosa poética de Kácia Pontes - Prosa Poética: A flor vermelha do amor - paixão, amor - razão, amor - prazer... ; - Poesia: Nunca amei alguém assim...; A dor em vão que mais machuca um coração...
 
 A flor vermelha do amor - paixão, amor - razão, amor -prazer...

Conta à lenda que a flor chamada rosa cujo simbolismo vem da cultura ocidental que por ser formosa e bela foi consagrada a muitas deusas singelas da mitologia como conta a historia...
Estas são as deusas que pela vida foram perpetuadas através das lendas do amor, a linda Afrodite (grega), Vênus (romana), Flora (deusa da primavera e das flores), consagrada a Isís que é retratada com uma coroa de rosas e a deusa Lakshmi (Hindu) cada uma com sua historia enfeitando de amor a nossa memória.
 Os mistérios e a magia dessa flor mais antiga de que se tem notícia, inspiraram poetas, jardineiros, escritores, histórias foram contadas, poemas foram idealizados e apaixonaram, muitos amores foram conquistados e textos escritos. Uma das mais lindas poesias é a do grande poeta lírico Anacreon, que atribuiu o seu nascimento a Vênus. Ele imaginou a deusa surpreendida por Júpiter enquanto se banhava. Vênus enrubesceu de tal maneira, que de sua face brotaram rosas...

Nunca amei alguém assim...
 
 Nunca amei alguém que me levasse para além do infinito
 Que mexesse na minha alma e entrasse no mais intimo
Alguém cujo sorriso abre todas as portas de minha alma
E a voz trás no gemido mil loucura de amor e escrita em prosa...
 Me faz delirar e voar como um pássaro cortando os céus a admirar
 E nesse voo rasante me agarro nos teus cabelos para nunca me separar
 Do amor mais lindo que no meu peito teus versos fez brotar
 E que o vento leve como eco o meu verso de amor para te encantar...

A dor em vão que mais machuca um coração...
 
 A dor que mais machuca um coração...
 é a dor que vem de uma seta atravessando o centro da emoção
 Cortando e dilacerando sem medida, pena e sem compaixão
 Tocando e doendo profundo no mais íntimo do nosso ser
 é essa dor que sem pena no meu coração alguém fez nascer...
 A seta assim como um punhal afiado e brilhante
 Entra na carne, judia numa dor que fura e sangra a gente
 Uma dor imensa, fina e fria que desdobra a alma vazia
 Mas que do peito faz morada até que a morte esvazia...

Leia este tema completo a partir de 6/2/2012

Poesia de Adelina Velho da Palma - Aqui e agora; O poeta; A esperança



Poesia de Adelina Velho da Palma - Aqui e agora; O poeta; A esperança
 
 Aqui e agora

A vida acontece aqui e agora
 o passado é simples recordação
 o futuro é mera especulação
 e nunca o presente se vai embora...

A realidade é feita hora a hora
 e só a ela se deve atenção
 só com ela se tem a percepção
 da suprema lei que em tudo vigora!...

O poeta

 O poeta mantém certa distância
 mas está por dentro e por fora de tudo
 estar ao largo é o que permite o estudo
 e no meio amplifica a importância...

Quando vive com forte acutilância
 emoção ou sentido mais agudo
 consegue esquadrinhar-lhe o conteúdo
 incrementando a própria relevância...

A esperança
 
 Há uma luz que ilumina a escuridão,
 uma plaina que amacia o caminho,
 um alento quando se está sozinho
 que nos guia, refrigera e dá a mão...

Não se trata de simples sensação
 que se evapore ante frágil espinho,
 mas de aceitar o imenso carinho
 com que Deus nos aporta à salvação!...

Leia este tema completo a partir de 6/2/2012