domingo, 29 de janeiro de 2012

Jornal Raizonline nº 156 de 30 de Janeiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Explorar o diferente pode resultar



Jornal Raizonline nº 156 de 30 de Janeiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Explorar o diferente pode resultar

Uma das preocupações que provavelmente já nasceu comigo é a de evitar a rotinização das tarefas, sejam elas quais forem, ou, na melhor das hipóteses, fazer com que a rotina, a mecanização, seja um auxiliar da razão, do raciocínio, dando-lhe descanso e libertando esse raciocínio ou a razão em abstracto para outras tarefas.

O processo, como todos os processos, de uma forma geral, é / são de alguma forma coisas que já existem em nós ou que nós vamos construindo, aferindo, testando, ao longo dos tempos. Sem ser socrático / platónico e sem acreditar nessa coisa de dar à luz o que já existe de forma quase genética, encontro-me por vezes a meio caminho dessas concepções sem no entanto chegar a essa fatal e predestinada filo - mania.

A capacidade do ser humano para se confrontar com a novidade e com os potenciais problemas que ela pode colocar tem milhões (curto modo) de soluções e nós, como seres inteligentes que nos consideramos, optamos livremente ou tão livremente quanto o quadro apresentado nos permite por uma ou outra solução entre várias (milhares de milhões, agora nesta parte do texto já).

Assim, e referido isto, tenho dificuldade em entender o pronto a vestir intelectual, o fast food da sapiência, as gavetinhas que se abrem e fecham em determinadas alturas dos nossos campeonatos pessoais.

Inversamente também me aflige a dispersão das ideias, a idiotice maníaca, a falta de travão, a corrida desenfreada para a meta sem ter em conta a medida dos percursos. Num caso e noutro procuro ser compreensivo, procuro ser tolerante e acho que sou, porque vivo nesta sociedade e não noutra que seria para mim a ideal e que malfadamente não existe senão em mim...também era melhor que a minha papinha mental viesse já feita e que tudo o que se passa à minha volta me tivesse a mim como ponto de encosto: ficaria a sociedade seguramente muito mal servida.

 

A OVELHINHA MANHOSA - Conto Infantil de Cremilde Vieira da Cruz



A OVELHINHA MANHOSA - Conto Infantil de Cremilde Vieira da Cruz

Estava um dia de sol e a Cabrinha Saltarica não queria perder nem uma réstia. Como não gostava de estar quieta, andava a saltaricar sobre as pedras e viu a Ovelhinha Manhosa que fugia assustada. Com curiosidade, perguntou-lhe:

- Para onde vais neste dia tão bonito, com esse ar assustado, Ovelhinha Manhosa?
- Não digas nada, Cabrinha Saltarica, mas vou tentar esconder-me, porque andam por aí uns senhores a cortar a lã às ovelhas e não quero que me façam o mesmo.
- Não queres que te façam o mesmo? Ora essa! Então queres andar com a lã a arrastar pelo chão, com esse aspecto tão feio?
- Prefiro, porque já uma vez me cortaram a lã e andei uns tempos a tiritar de frio. Não estou para isso.
- Tu é que sabes, mas acho que fazes mal, Ovelhinha Manhosa.

- O que eles querem, é vender a minha lã para fazer casacos, mas nessa é que eu não caio. Iam ficar os outros com casaquinhos quentinhos, feitos com a minha lã e eu cheia de frio, não?! Era o que faltava! Pensam que são espertos, mas enganam-se, pois eu sou bem mais esperta que eles.
- Mas olha lá, Ovelhinha Manhosa, a tosquia acontece todos os anos na época própria e a lã volta a crescer, por isso não compreendo o teu receio! Olha que é para teu bem!

- Não tens nada que compreender. Eu é que sei da minha vida, e com a minha lã ninguém há-de andar aquecido.
- Estás a ser egoísta, Ovelhinha Manhosa.



A GATINHA GARFILDA - Conto Infantil de Cremilde Vieira da Cruz



A GATINHA GARFILDA - Conto Infantil de Cremilde Vieira da Cruz
A Garfilda é uma gatinha selvagem que, depois de deambular pelas ruas, triste, cheia de fome e frio, teve a sorte de encontrar a Paula, uma menina que gosta muito de animais e não gosta de vê-los sofrer.

Quando se encontraram, a Garfilda olhou para a menina, muito triste e ao mesmo tempo receosa e desconfiada, pois já se tinha cruzado com outras pessoas que não só a não acolheram, mas até a enxotaram. A Paula chegou-se a ela, fez-lhe uma festinha, a Garfilda foi-se chegando, chegando, com muito cuidado, a menina foi falando com ela, até que se chegou bem perto para lhe pegar ao colo. A gatinha tentou fugir, mas a Paula voltou a fazer-lhe festinhas e conseguiu pegar-lhe.

- Que pêlo tão macio tem esta gata! - exclamou a Paula - Parece veludo. E a gracinha das patas e do narizito, de cor diferente do resto do corpo! Vou levá-la para casa. O pior é o Boby! Sempre ouvi dizer que os cães o os gatos não se dão bem, mas, mesmo assim, vou tentar.

E lá foi a Paula com a gatinha ao colo até casa. Mal entrou a porta o Boby começou a ladrar e a saltar para morder a gatinha. Por sua vez a Gatinha Garfilda, também zangada, ficou com os pêlos em pé, os bigodes arrebitados, e as unhas afiadas já iam direitinhas à cabeça do Boby, se a Paula não tivesse agido com cautela, segurando-a bem. Mesmo assim teve uma certa dificuldade para se proteger a si própria daquelas unhas afiadas.

Perante tal situação, a Paula, cheia de pena, viu-se obrigada a procurar alguém que quisesse ficar com a Garfilda, para não ter que assistir a uma luta entre cão e gato. Para isso, tratou de dar voltas à imaginação...

- Tenho que arranjar alguém que trate bem da Garfilda. E se a desse à tia Augusta? A tia não tem outro animal em casa e  gosta tanto de gatinhos! Não procurarei ninguém sem falar com a tia.



 

Poesia de Maria Custódia Pereira - O Mundo é um Jardim; Saudades tuas; Doce beijo



Poesia de Maria Custódia Pereira - O Mundo é um Jardim; Saudades tuas; Doce beijo
 
 
 O Mundo é um Jardim
 
 Um dia hei-de ver-te rastejar
Aqui implorando o meu amor,
Cruzarei o horizonte sem olhar
E beberei as gotas do teu suor.

Hei-de rir de ti sem piedade
Ao ver-te chorar arrependido,
De ti não ficou nem amizade
Deixaste de ser meu preferido.

Saudades tuas
 
 Meu pensamento corre atrás de ti
 Meus olhos desejam ver o teu olhar,
 Porque esquecer-te nunca consegui
 Porque em ti ando sempre a pensar.

Porque não me sais do pensamento?
Porquê? só contigo eu quero estar!
 Porquê todo este sentimento
 Que me sufoca por te amar.

Doce beijo
 
 Teu beijo doce me acalma
 Vives no meu pensamento,
 Entrego-me de corpo e alma
 Só desfrutando o momento.

Nos teus braços fico a sonhar
 Teu corpo é meu aconchego,
 Contigo quero sempre estar
 Junto a ti... não tenho medo.

Leia este tema completo a partir de 30/1/2012

Poesia de Conceição Tomé - Raízes; Planeta Feroz; Ai de mim



Poesia de Conceição Tomé - Raízes; Planeta Feroz; Ai de mim

 Raízes
 
 Não fosse uma alta barreira
 Mesmo à beirinha da estrada
 Que me impede de subir
 Ao mais alto do lugar,
 Como Milhafre eu pairaria
 Para perscrutar o passado
 E então de novo veria:
 Os campos de milho verde,
 Os vinhedos bem alinhados
 Com os seus cachos dourados,

Planeta Feroz
 
 Vivemos num planeta feroz
 Que manifesta toda a violência
E a sua vingança contra nós,
 Através de cataclismos,
 Arremessando-nos terramotos,
 Tornados, secas, furacões,
 Dilúvios, nevões, maremotos,
Lavas e cinzas de vulcões.
 Mas, nada disto é mais atroz
 Que a destruidora humanidade,
 Na ganância da sua actividade

Ai de mim
 
 Sonhos
 Que não sonhei,
 Amores
Que não senti,
Ilusões
 Que não vivi,
 Desejos
Que não desejei.
 Ai de mim…
Se de mim não sei,
 Ter pena de mim
Não consigo,


Leia este tema completo a partir de 30/1/2012

POESIA DE JOEL LIRA - Desassossegado…; Não esqueço o teu nome!; Coisinha sem Graça nenhuma!



POESIA DE JOEL LIRA - Desassossegado…; Não esqueço o teu nome!; Coisinha sem Graça nenhuma!
 
 Desassossegado…

Tenho pena do chefe do coração
quando diz também p’ra ele está mau…
Com sorriso sério – cara de pau -
diz dos cortes impostos à nação…
Fiquei triste por saber, excelência,
 Que p’ra si é doloroso; - O tanas!
Será que terá de nos pedir clemência,
 nesta ingrata republica das bananas?

Não esqueço o teu nome!
 
 Tenho amores, paixões, fartas ilusões,
 Castigos proibidos de juventude
 No baú da alma, recordações,
 D’azafama da minha inquietude.
 Continuo a crescer e sem parar,
 Mantenho acesa a chama do amor,
 Qu’ ilumina a senda do verbo amar
 Dando ênfase a todo o meu fulgor!
Coisinha sem Graça nenhuma!
 
 Por graça,
Encontrei na Rua da Graça o meu amigo Graço, primo da Dona Graça,
 Por sinal, mulher muito engraçada para uns e, para outros, sem graça nenhuma…
Mas para mim tem graça a mais quando a vejo passar com as saias em dia de vento malandro…
Ao cumprimentar o meu amigo Graço,
 Obviamente que tinha de falar da Graça, sua prima…
Estávamos nós parados na rua da Graça enquanto víamos o eléctrico a subir para a Graça,

Leia este tema completo a partir de 30/1/2012

Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - AO AMANHECER; BROTARA FOGO; SONHO DE UMA NOITE



Poesia de Cremilde Vieira da Cruz - AO AMANHECER; BROTARA FOGO; SONHO DE UMA NOITE 

 AO AMANHECER
 
 Abro a janela do meu quarto,
 Avisto as verdes montanhas,
 E dou-lhes um abraço.
 E ao mar, o que é que faço?
 Peço-lhe que me leve bem longe,
 Na espuma das suas ondas.
 Peço um barco emprestado.
 Peço aos peixes que me empurrem.

BROTARA FOGO
 
 Brotará fogo
 Dessas rosas cor de prata
 Mentirosas
 Transparentes
 Brotará fogo
 Da gruta envolta em hera
 Quem me dera
 Fossem rosas sem espinhos
 Fossem plumas cor-de-rosa

SONHO DE UMA NOITE

 Gaivota voando sobre minha loucura;
 Gaivota dizendo versos que não digo;
 Gaivota ritmo da palavra;
 Gaivota em liberdade,
 Poisando aqui e ali,
 Na areia molhada,
 Na pedra parada,
 Na falésia enxuta,
 Na mais recôndita gruta,

Leia este tema completo a partir de 30/1/2012