domingo, 29 de janeiro de 2012

José Varzeano - Um crime em Alcoutim nos finais do século XVII



José Varzeano - Um crime em Alcoutim nos finais do século XVII   
Maria d`Orta, do termo de Alcoutim, em seu nome e de seus filhos, se me queixou de Bruno Gomes de Brito lhe matou seu marido e pai André Fernandes com um tiro de espingarda, para que se não queixasse da força e violência com que Francisco da Silva, Gregório Esteves, Balthasar Muxe Carvalho, e outros, furtaram uma donzella, sobrinha do morto André Fernandes, de mandado dos quaes o dito Bruno Gomes fez a dita morte.

– E porque tenho mandado ordenar ao Corregedor da Comarca de Tavira tire devassa deste delicto, pronuncie e prenda os culpados – hei por bem se não concedam cartas de seguro aos culpados nelle, sem ordem especial minha, visto a gravidade delle pedir toda a demonstração.

O Conde Regedor, do meu Conselho d´Estado, o tenha intendido, e ordene aos Corregedores do Crime da Corte o executem nesta conformidade.
 Em Lisboa, a 20 de Maio de 1689 = Rei. (*)

(*) Collecção chronologica da legislação portugueza, Vol. 10, pág. 190.

 Pequena nota

Este é o despacho que fui encontrar nas minhas pesquisas e que imediatamente relacionei com a estória que me contaram, Francisco Rodrigues e Manuel António Pinto, ambos naturais do monte do Zambujal, freguesia de Vaqueiros mas que se fixaram e faleceram na vila de Alcoutim.

Recentemente, outros originários daquela zona igualmente conheciam a estória, com menos pormenores do que os dois primeiros, o que é natural.

A ligação que faço a este despacho é a referência que Francisco Rodrigues fazia ao Bruno Gomes, dizendo que era o Conde de Brunhos e que tinha mandado matar a donzela, estória / lenda que refiro na minha «postagem» de 20 de Fevereiro de 2010, com o título de «A lenda do Cerro da Mortalha». 




Brontë - Por Virginia Teixeira



Brontë - Por Virginia Teixeira 
Em 1826 já só viviam três irmãs na casa da paróquia onde o pai, Patrick, era reverendo da igreja de Inglaterra. Outras duas irmãs tinham morrido no ano anterior de tuberculose, com pouco mais de um mês de diferença. De facto, a perda e a morte tinham sido e seriam sempre os temas a circundar a família.

A mãe, de nome Maria, morreu em 1821, poucos meses depois de se mudarem para a casa que se tornaria o centro da história da família e é hoje um museu dedicado à história desta família onde o talento parecia abundar quase tanto quanto a tragédia. 

Quando Maria e Elizabeth (utilizarei as versões inglesas dos nomes porque pessoalmente não acredito na tradução de nomes), as filhas mais velhas, morreram, o Reverendo decidiu retirar da escola cujas péssimas condições propiciaram a sua morte as duas outras filhas que lá estudavam: Charlotte e Emily. Anne, a mais nova, era pequena demais para sair de casa. Patrick Branwell, o único rapaz, também estava em casa ainda.

Durante anos a vida desta família foi considerada por muitos como estranha, sendo o Reverendo um homem crente na educação mesmo para as filhas e tendo dado a estas todas as oportunidades de estudo que estavam ao seu alcance. O lugar de mãe foi ocupado por uma tia descontente com as suas obrigações, mas que lhes ensinou muitos dos ofícios relevantes para as mulheres daquele tempo.




sábado, 28 de janeiro de 2012

Mundo ao contrário - Crónica de VIRGINIA TEIXEIRA



Mundo ao contrário - Crónica de VIRGINIA TEIXEIRA  

Vivo num mundo ao contrário e já não sei qual é o topo e o fundo.

Vivo num mundo onde os políticos do meu país dizem de boca cheia, sem vergonha, que os seus cidadãos devem ir para o estrangeiro, como se dessem o caso por encerrado e o barco já tão perto de afundar que nada mais há a fazer senão correr para os barcos salva-vidas.

No mundo ao contrário onde vivo é legitimo gastar milhões em fogo-de-artifício para comemorar a passagem de ano (e vejam bem que eu adoro fogo-de-artifício) mas os pobres têm de apertar o cinto um bocado mais porque o país está em crise.

No mundo ao contrário onde vivo a solidariedade social é tão parca que há idosos a dormir nas ruas, e pessoas a morrer em casa sem serem descobertas durante semanas.

Neste mundo ao contrário é legitimo gastar dinheiro em touradas (o que afinal anima mais as pessoas do que uma boa selvajaria?) quando há milhares de cães abandonados por todo o país a morrer à fome, atropelados nas estradas (pensemos pelo menos nos acidentes que provocam!), e atirados ao lixo como se fossem coisas (que é o que são segundo a Lei).

Neste mundo ao contrário os professores, criadores da geração de amanhã, aqueles que têm o infinito poder de encher a mente dos nossos filhos de conhecimentos, e ensiná-los a pensar, são tratados como profissionais de somenos importância e, novamente, aconselhados a ir para o estrangeiro assim que possam. E a geração de amanhã, com quem aprende? O que aprende? Ou também tem de ir para o estrangeiro?


Poesia de João Furtado - NEVE EM NEW BEDFORD; AMADEU DA ROSA



Poesia de João Furtado - NEVE EM NEW BEDFORD; AMADEU DA ROSA

 NEVE EM NEW BEDFORD

 Ver pétalas do céu caindo
 Brancas e fofas tal algodão
Fazem enternecer o coração
 E o poeta enternece espantado!

O frio contrasta com o calor
 Transmitido pela beleza
 Que por momentos a natureza
 Oferece-nos com muito amor!

AMADEU DA ROSA
 
 A  A hora é de tristeza e de dor
 M  Meu grande colega e amigo
 A  Ainda estou estupefacto e perplexo
 D  Diariamente fazias a mesma trajectória
E  E creio eu, até tinha a estrada na memória
 U  Unicamente aconteceu e ninguém sabe porque…

D  Da morte e da vida fica o mistério e de ti
 A  Amadeu resta a saudade e a tristeza do vazio!

Leia este tema completo a partir de 30/1/2012

Culinária e Doçaria - Por Dulce Rodrigues - Bacalhau à Brás ; Tarte de Amêndoa; Frango na Cataplana à Algarvia



Culinária e Doçaria - Por Dulce Rodrigues - Bacalhau à Brás ; Tarte de Amêndoa; Frango na Cataplana à Algarvia

Bacalhau à Brás

(gastronomia portuguesa da região de Estremadura)

O bacalhau é um peixe magro com cerca de 70 Kcal por cada 100g. é rico em magnésio e potássio e deve ser salgado para se conservar. O bacalhau cozinha-se no forno, na frigideira, nas brasas ou é cozido simplesmente em água. Em Portugal, existem mais de 100 maneiras de fazer bacalhau, todas tradicionais de norte a sul. A receita que vos proponho hoje é económica e de sabor único ; acompanhe-a com uma salada de alface e um copo de vinho branco... português, claro.
Tarte de Amêndoa

A sabedoria popular costuma dizer que a via mais rápida para conquistar o coração da pessoa amada é através do seu estômago. Espero que a receita que lhe proponho este mês realize esse desejo. Uma deliciosa receita portuguesa. Experimente-a e depois diga-me o que acha.

Ingredientes
 . 250 g amêndoa ralada
 . 250 g açúcar
 . 4 ovos (claras + gemas)
 . 1 chávena de açúcar
 . 1 chávena de água
 . 1 pitada de sal

Frango na Cataplana à Algarvia
(Gastronomia portuguesa da região do Algarve)

A cataplana é um recipiente de cobre, típico da região do Algarve, que serve para cozinhar. Uma das receitas mais conhecidas é a cataplana de mariscos, mas também podemos fazer uma cataplana com carne, como é o caso da presente receita.

Ingredientes (para 4-5 pessoas)
 . 2 frangos pequenos
 . 2 dl de vinho da Madeira
 . 1,5 kg de conquilhas
 . 2 dl de azeite
 . 4 dentes de alho
 . 1 folha de louro
 . sal, piripiri q.b.


 

Coluna de Manuel Fragata de Morais - «Batuque Mukongo». - Novo Livro de Fragata de Morais



Coluna de Manuel Fragata de Morais - «Batuque Mukongo».  - Novo Livro de Fragata de Morais

PAGINA CULTURAL DO JORNAL DE ANGOLA

O escritor Fragata de Morais procedeu na quinta-feira (05/12/11), em Maputo, Moçambique, ao lançamento da sua mais recente obra, intitulada «Batuque Mukongo».
Manuel Augusto Fragata de Morais, de nome completo, diplomata de carreira e no momento emprestado à política, traz a público, em «Batuque Mukongo», as suas memórias em forma de poesia.

Na obra, os leitores têm a oportunidade de conhecer vários episódios da vida do autor, desde a sua infância na província do Uíge, a sua terra natal. «Batuque Mukongo» tem o prefácio assinado por José Luís Mendonça, conhecida figura da literatura angolana.
 
A apresentação do livro, na capital moçambicana, foi feita pelo professor universitário Nataniel Ngomane. O acto decorreu na Associação dos Escritores Moçambicanos, com sede no Instituto Superior de Artes e Cultura, tendo registado a presença de várias entidades locais e estrangeiras, com destaque para o embaixador de Angola em Moçambique, Isaías Jaime Vilinga, e do ex-representante moçambicano em Luanda, que cessou iguais funções no ano passado, António Matonse.

Na ocasião, o autor do livro informou que os leitores angolanos vão tomar contacto com a obra ainda no decurso deste mês, numa cerimónia que está a ser preparada pela União dos Escritores Angolanos.
«Batuque Mukongo» junta-se a outros títulos da lavra de Fragata de Morais, de que se destacam obras como «A Seiva», «Como Iam as Velhas Saber Disso», «Inkuna Minha Terra», «Jindunguices», «Momentos de Ilusão», «A Sonhar se fez verdade», «Antologia Panorâmica de Textos Dramáticos», «A Prece dos Mal Amados», «Sumaúma», «Memórias da Ilha-Crónicas» e «O Fantástico na Prosa Angolana».


A Estrada - Conto de Ray Bradbury e Biografia



A Estrada - Conto de Ray Bradbury e Biografia

Biografia de Ray Bradbury

Ray Bradbury, romancista, contista, ensaísta, dramaturgo, argumentista e poeta, nasceu em Waukegan, Illinois, EUA, em 22 de Agosto de 1920, terceiro filho de Leonard Spaulding Bradbury e Esther Marie Mauberg Bradbury.

No Outono de 1926, a família Bradbury mudou-se para Tucson, Arizona, para regressar logo depois a Waukegan, em Maio do ano seguinte. Por alturas de 1931, Ray Bradbury começou a escrever as suas histórias em papel de embrulho. Em 1932, depois de o pai ter sido despedido do seu emprego de guarda-fios, a família Bradbury mudou-se novamente para Tucson e de novo regressou a Waukegan no ano seguinte. Em 1934 a família foi para Los Angeles, Califórnia.

Bradbury concluiu os seus estudos secundários numa escola de Los Angeles, e a sua educação formal acabou aqui. Mas continuou a estudar sozinho — à noite, na biblioteca e de dia, com a máquina de escrever. Entre 1938 e 1942 vendeu jornais nas esquinas de Los Angeles.

A sua primeira história em letra de forma foi Hollerbrochen’s Dilemma, publicada em 1938 na Imagination!, uma revista amadora de fãs. Em 1939, Bradbury fez sair quatro números da Futuria Fantasia, a sua própria revista de fãs, sendo grande parte do material publicado da sua própria autoria.
A sua primeira publicação paga foi Pendulum, em 1941, para a Super Science Stories. Em 1942, Bradbury escreveu The Lake, a história em que ele encontrou o seu estilo próprio. Cerca de 1943, já tinha deixado o emprego de vendedor de jornais e começou a escrever a tempo inteiro, publicando numerosos contos em jornais e revistas.

Em 1945, o seu conto The Big Black and White Game foi seleccionado para o Best American Short Stories. Em 1947 Bradbury casou com Marguerite McClure e nesse mesmo ano coligiu muitos dos seus melhores trabalhos e publicou-os sob o título Dark Carnival, a sua primeira colectânea de contos.