domingo, 15 de janeiro de 2012

Jornal Raizonline nº 154 de 16 de Janeiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Mudar sim, mas devagar



Jornal Raizonline nº 154 de 16 de Janeiro de 2012 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Mudar sim, mas devagar

O original deste titulo acima é atribuído a D. Sebastião que, lá por terras de Africa, na famosa Alcácer Kibir, terá dito, numa frase de heroísmo (ou fatalismo mesclado) que iria seguramente morrer mas que o faria devagar no calor da refrega.

O Alexandre Herculano, que foi o maior fabricante de heróis nacionais através da escrita, se fosse vivo e conhecesse o nosso projecto jornal e rádio e portal não precisaria de afiar muito a caneta, modéstia à parte, para nos colocar a todos nas páginas da história da diferença e da persistência e ainda de uma coisa muito importante nos tempos de hoje: nos píncaros da poupança.

Como já não há homens desses e esses que há parecidos andam pelos corredores da política politiqueira tendo sido despromovidos a vendedores de promessas, ficamos nós para falarmos de nós mesmos, o que é sempre bom quando confirmado pela realidade.

Ao longo dos anos temos avançado sempre em passos apoiados, não temos gasto dinheiro, senão aquele que gastávamos já normalmente e mais algum, pouco, por força das coisas incontornáveis e temos um projecto a meu ver sólido que avança agora também por outros caminhos, sem mudar depressa, fazendo jus ao título.

Estamos nestes momentos numa fase em que começámos a sair á rua, a ser elementos válidos (nunca determinantes diga-se com mais modéstia ainda) na elaboração e no apoio de projectos culturais e sociais, começamos a aparecer como apoiantes de iniciativas, a fazer ombrear o nosso emblema / logo com instituições credíveis e a ter ainda mais projectos que só ficam na gaveta da oportunidade porque a isso as circunstâncias estruturais obrigam.





COLUNA DE TOM COELHO - Um mundo doente



COLUNA DE TOM COELHO - Um mundo doente 

«A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.» (John Dewey)

Crise na Europa e nos Estados Unidos, queda de governos árabes, discussões sobre o aquecimento global. As doenças que acometem o mundo não são de ordem econômica, política ou ambiental. Nossas mazelas são de caráter social. A sociedade está enferma.

As pessoas estão fisicamente doentes. Caminhe por uma praia e observe a condição dos banhistas para constatar a falta de cuidados com o próprio corpo, fruto de vida sedentária, alimentação desregrada, ausência de atividade física. Não é à toa que obesidade, hipertensão arterial e doenças coronarianas crescem vertiginosamente.

As pessoas estão mentalmente doentes. Ansiedade, angústia, transtornos de humor. Como prova do que digo, observe a proliferação de drogarias por todo o país. E mais do que o número de novos estabelecimentos, a frequência maciça de consumidores. Não importam dia e horário, invariavelmente você encontrará filas nos caixas. Gente comprando de medicamentos para as dores do corpo, a ansiolíticos e antidepressivos.

As relações sociais estão doentes. Temos cada vez mais amigos virtuais, mas continuamos sem conhecer o vizinho que reside há anos na porta ao lado. Familiares não comungam de uma mesma refeição, pais e filhos pouco conversam, casais de amigos em um encontro pessoal trocam a autenticidade de um diálogo pela efemeridade de tuitadas em seus smartphones.


Poesia de Albertino Galvão - Tu…; Foge das «sombras» mulher…



Poesia de Albertino Galvão - Tu…; Foge das «sombras» mulher…

 
Tu…

Tu…
Mendigo que passas
 No silêncio da calçada…
Que à noite pelas vielas
 Mastigas restos e ais
 E em noites de lua cheia
 Te masturbas junto ao cais…
és meu irmão!

Tu…
Prostituta frustrada
 Que vãs ilusões abraças…
Que te entregas à luxúria
 Em tarimbas de amargura
 E vomitas as mistelas
 Bebidas em parca ceia…
és minha irmã!

Foge das «sombras» mulher…

Dedicado às jovens mulheres que, por motivos muitas vezes alheios à sua vontade, caem na prostituição.

Quais aves agouras de negra plumagem
 Do negro da vida as sombras chegaram;
 Beberam a seiva da tua coragem
 Comeram-te o riso e em ti se alojaram
 Roubaram-te dos olhos o brilho e a cor
 Da pele a textura suave e macia;
 Dos lábios o gosto a que sabe o amor
 Dos seios o viço que neles havia

Leia este tema completo a partir de 16/1/2012

Um conto de Edvaldo Rosa - Histórias Ocultas no Silêncio das Coisas...



Um conto de Edvaldo Rosa - Histórias Ocultas no Silêncio das Coisas... 

Desde sempre, tive uma fixação pelas minhas mãos e pés. Por meio deles senti o mundo, vivi a vida, da forma que pude.
 Através das mãos tocava em tudo, sentindo a natureza de cada coisa, e as particularidades de cada uma.
 
Meus pés, sempre me sustentaram nesta vida, sentindo em si o peso dos anos pelos quais passamos juntos, e sempre me encaminhando por caminhos estranhos e diferentes...
 E sempre senti uma sensação muito gostosa, quando minha mãe me pegava no colo, e pondo minhas mãos entre as suas, as acarinhava docemente e entre um olhar e outro me dizia que eram iguais as de meu pai.

Era muitas vezes pega de surpresa, quando deitada na cama, sentia minha mãe massageando os meus pés... E entre um sorriso e outro, pois sempre senti muitas cócegas, ela me dizia serem iguais aos de meu pai.

Quando me lembrava das palavras de minha mãe, corria ao meu pai para ver-lhe as mãos e os pés... E em meu olhar pareciam sempre muito iguais...
 De bem com a vida, fui sempre muito espontânea, brincalhona e divertida...


Poesia de Raquel Luisa Teppich - Acuarela; Partida y Cumpleaños; Así te amo



Poesia de Raquel Luisa Teppich - Acuarela; Partida y Cumpleaños; Así te amo
 
 
 Acuarela
 
 La pasión tan inmensa,
 juego de almas en comunión.
 Breviario de quimeras.
 Juegos con erotismo
 avasallantes hasta
 olvidar la sensatez.
 Instantes prefijados
 y sendas varias
 a transitar.
 Besos cerca del río
 sentados sobre el prado
 acariciando nuestros glúteos
 mientras asábamos un dorado.

Partida y Cumpleaños
 
 Muy hondas fechas…
Papi admirado y tan querido!!!
 Partiste una calurosa Navidad
 tres días después
 tu Cumpleaños llegaría.
 Recuerdo tus bromas
 por haber nacido
 el día de los Santos Inocentes.
 Carismático de pie a cabeza,
 Padre y Amigo de tus flores
 mimadas sin cesar.
 Grandilocuente de cuerpo
 y alma.
 Guardo uno,
 de tus tantos ejemplos:

Así te amo
 
 Elevas mi integridad,
 musitas mi sexto sentido
 peregrinando el cosmos.
 Enciendes
 mi
 noche y día.
 Sedienta
 de ti
 festejo la vida
 al encontrarte
 y padezco
 si te has ido.
 Sin ti el vuelo
 de las palomas
 decaen hasta
 fundirse en zozobra.

Leia este tema completo a partir de 16/1/2012

Conto: Um natal com a avó - Por Gociante Patissa



Conto: Um natal com a avó - Por Gociante Patissa 

Velha-Mbali encontrava-se a repousar no cadeirão da varanda desde a sua chegada. Confundiam-se, no bocejar, os solavancos da viagem e os restos do sono de quem madrugou para apanhar o primeiro autocarro intermunicipal da SGO. As pausas prolongadas e a economia de palavras eram parte da recuperação do efeito dos vómitos. A anciã teve o incómodo já previsível de usar saco plástico para lançar, foram três vezes nesta viagem de setenta quilómetros para ser mais preciso, uma fatalidade que decerto não será digerida nesta encarnação.

Qual sino de boas-vindas, o efeito acústico resultante do atrito entre a loiça e os talheres, enquanto punham a mesa, lisonjeava os ouvidos da hóspede. Chegava também com agrado a fumaça do peixe na grelha, que era a segunda paixão que Velha-Mbali guardava da cidade depois da família.

Velha-Mbali herdou da mãe uma beleza que compensava a estatura baixa do lado paterno. O rosto era a única vitrina para se lhe ver a pele semi-flácida, obra da idade. Usava panos compridos, de arrastar o chão, como manda a tradição. Os cabelos, maioritariamente brancos, salientavam a ligação entre o lenço e o quimone, ambos de tecido azulescuro de pintas brancas. A sorte de nascer imune à cárie era responsável pela capacidade de competir com os netos em matérias de mastigar, fosse o que fosse. Como é claro, empatava também na hora de palitar.


José Carlos Moutinho - Poesia - Chamada do Vento; A paz do poeta; Cosmos insatisfeito



José Carlos Moutinho - Poesia - Chamada do Vento; A paz do poeta; Cosmos insatisfeito

Chamada do Vento

Lá fora, sibila aflitivo o vento,
 Como se chamasse por alguém,
 Era um som triste
E simultaneamente lânguido;
 De Alma perdida no vazio,
 Em busca do amor que partira!
 Arrepia-me,
 Provoca-me forte ansiedade
 E inconscientemente, deixo-me levar
 Pelo vento de angústia desconhecida;

A paz do poeta
As palavras soltam-se,
Deslizando na ponta da pena,
Definindo emoções e sentimentos,
 Podem tornar-se acutilantes ou doces!
 As palavras transcrevem a alma do poeta
 Que deixa espelhar os seus momentos;
 As palavras podem ser agrestes e terríveis
 Na inquietude do poeta;
 Adquirem toda a beleza do ânimo
 Se este está feliz!
 é nesta conjugação de estados de alma,
 Que amor e paixão assumem lugar de destaque!

Cosmos insatisfeito
Flutuam poeiras no céu azul,
 Escondem partículas de sonhos,
 Que vagueiam no espaço vazio,
 Fugindo das desilusões!
 O sol atinge o seu clímax,
 Irradia calor que afaga esperanças;
 Cintilam raios como flechas de cupido,
 Solta-se o amor em cristais;
 No horizonte o céu prolonga o mar
 Que desperta do seu sono fugaz
 E se agita em ondas suaves de carícias
 Que beijam as areias douradas,
 E delicadamente desfazem-se em espuma
 De alegria e prazer da vida!