sábado, 10 de dezembro de 2011

O NATAL DO JOAQUIM - Conto por João Furtado



O NATAL DO JOAQUIM - Conto por João Furtado 

Era uma vez, um menino que morava numa casa muito pequena e feita de pedras soltas e de barro. A casa era coberta de palhas. Ele vivia com a avó. A mãe tinha morrido e o pai viajado para Europa e nunca mais tinha dado noticias.

O nome da avó era Matilde e do menino era Joaquim. Ele e a avó Matilde moravam no campo, numa localidade rural da Ilha de Santiago chamada Rui Vaz.

O Joaquim tinha apenas oito anos, mas era ele que tinha a responsabilidade de sustentar a casa. Ele levantava cedo e ia buscar água no burro. Graças a Deus, ele tinha um burro. Depois ia dar palha a única cabra que tinha e milho as quatro galinhas e um galo. Se fosse tempo de «as águas» ia tratar de roçar ou semear ou mondar conforme a época... As duas coisas que um menino de oito anos devia fazer eram estudar e brincar, o Joaquim não tinha tempo.

O Joaquim não tinha tempo para estudar nem para brincar.
Havia meses que a avozinha Matilde havia se adoecido e não podia fazer nada. Ela estava cada vez mais fraca. Os vizinhos ajudavam, mas cada família estava verdadeiramente mais preocupada com os seus próprios problemas, que não eram poucos.


PEQUENAS MENTIRAS ENTRE AMIGOS



PEQUENAS MENTIRAS ENTRE AMIGOS

Ainda é possível a admiração por alguns programadores de cinema em Lisboa quando, dentro de um centro comercial, ainda têm a ousadia de manter um filme em sala durante oito semanas.

Um filme francês com uma sala só para si ao fim deste tempo todo é um fenómeno raro mas não inexplicável.

Um filme cuja atracção cresce pelo boca a boca que vem revelando sempre grande satisfação à saída da sala. Um filme de público - como ocasionalmente temos oportunidade e obrigação de sublinhar que a França ainda faz regularmente - com a sugestão da revivência de felizes memórias de grupo.

Bastará dizer que o filme é uma variação sobre a forma de Os Amigos de Alex para contextualizar rapidamente o que se passa em cena, desta vez com uma geração francesa entre os 30 e os 40 anos.

São figuras a entrarem na crise de meia idade sem terem ainda superado a adolescência, um grupo por isso susceptível aos pequenos dramas e aos grandes erros como só o embalo psicanalítico moderno vai criando.

As suas preocupações são múltiplas mas a sua origem pode ser traçada ao egoísmo de cada um daqueles elemento. Os seus distúrbios tê, quase sempre, uma razão amorosa para a qual a sua idade exige uma atitude mais ponderada mas a sua mentalidade mantém irresolvida.




O Joãozinho e a fome - Conto de João Furtado



O Joãozinho e a fome - Conto de João Furtado

Era segundo ano consecutivo que a chuva nem vê-la. A cor castanha e informe da terra era desoladora. Só a grande esperança desmedida do Cabo-verdiano o fazia pegar na enxada e ir cavar para a sementeira de um novo e incerto ano agrícola. Verdade se diga, o José de Sousa havia visto no lunário perpetuo que o próximo ano era bom e de fartura.

O José de Sousa nunca costumava falhar duas vezes. Já havia falhado no ano passado e prometido um farto ano, mas deu no que se via. Nem palha para animal. Não havia jantado no dia anterior, sentia a barriga a roncar de fome. E não tinha onde ir buscar. O ultimo empréstimo foi a uma semana e os últimos grãos de milho serviu de jantar a dois dias. Do farelo a mulher, a sua Josefa, fez camoca com que tomou o pequeno almoço no dia anterior e levou uma parte que comeu enquanto trabalha.

Com fome e com barriga a roncar pegou na enxada e já ia a sair para ir trabalhar, quando a Josefa o chamou.
 -Mário
-Sim, Josefa fala!
 -Hoje não temos nada para comer!
 -Vou trazer o que comer.



Trabalhos de Natal - Diversos Autores



Trabalhos de Natal - Diversos Autores

OUTRO LADO DO NATAL (JORGE BRITES) ; NATAL (João Furtado); Natal De Hoje - Natal Tropical (São Tomé); Enfim...(Patrícia Neme); UM PEDIDO DE NATAL (Denise Severgnini); A MENINA SORRISO (Cremilde Vieira da Cruz); A Ilustre Língua Portuguesa (Francis Raposo Ferreira); O Catador dos Sonhos (Beti Martins); Mas é Natal... (José Carlos Moutinho); a menina dos fósforos cedeu (Xavier Zarco); natal (Pedro Moura)



Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XIX - Por Daniel Teixeira - O Natal em Alcaria Alta



Crónicas e ficções soltas - Alcoutim - Recordações XIX - Por Daniel Teixeira - O Natal em Alcaria Alta 
Nunca passei um Natal no Monte de Alcaria Alta ou noutro do Concelho. Uma das poucas memórias que não posso ter, mesmo. Não sei como era o Natal no Monte e quando lá regressava, nos meus tempos de criança, era já quase final do ano seguinte pelo que a haver conversas para pôr em dia essas seriam seguramente outras mais recentes.

Facto é que também nunca vi brinquedos nas mãos dos miúdos de lá. Acho que nem eu os tinha ou levava para lá...não fazia parte nem das possibilidades nem dos nossos interesses na altura. Muito sinceramente nem sequer me lembro de ver por lá uma miúda a brincar com bonecas, coisa que seria a mais possível.

Lá pelos meus 12/14 anos começou a virar-se a vocação do Menino Jesus do sector da doçaria ligeira para outros caminhos (Pai Natal é coisa que nunca conheci naquele tempo como referência). O Paulito (em Faro) recebeu num Natal um stick de hoquéi devidamente decorado com as cores do Sporting, para jogar aquilo a que chamávamos hóquei em campo com os nossos sticks feitos a martelo e com martelo.

Era um pau comprido para agarrar, por vezes com o topo limado ou simplesmente lixado ou nada e duas peças de madeira em baixo com a devida angulação (mais de 90º a roçar os 100/120 graus) pregadas, quanto mais forte melhor. Era o nosso auto brinquedo.

O stick «amaricado» do Paulito durou pouco tempo mesmo: não resistiu às investidas dos defesas ou dos atacantes. Ainda se tentou remendá-lo com duas ripas na fractura mas não aceitava prego e fita adesiva ainda não havia e acabaria sempre por não resultar: os embates eram fortes e foi verdadeiramente um erro de cálculo do Menino Jesus ter oferecido aquilo ao Paulito.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Poesia de Marcos Loures - As horas mortas vejo esta figura; VENCIDA CADA ETAPA; Na taça primorosa de cristal



Poesia de Marcos Loures - As horas mortas vejo esta figura; VENCIDA CADA ETAPA; Na taça primorosa de cristal

 As horas mortas vejo esta figura
 
 As horas mortas vejo esta figura
 Decrépito fantasma que persigo
 E quando no meu peito faz abrigo,
 A noite se mostrando sempre escura
 Enquanto se traduz leda loucura
 Eu vejo a cada passo outro perigo
 E tanto ou quase insano assim prossigo
 Traçando nova senda em amargura,

VENCIDA CADA ETAPA

 Um gesto em tal leveza que pudesse
 Trazer algum momento mais eclético,
 O quanto se fez tolo e mesmo aético
 Não deixa que se pense em qualquer prece,
 E tendo o que a verdade me oferece
 Por mais atroz ainda e não atlético
 O mundo que sonhara em mal genético
 Aos poucos tal mortalha já me tece.
 Vencida cada etapa nada resta
 E a senda que se vê sendo funesta
 Talvez inda redima cada crime,

Na taça primorosa de cristal

 Na taça primorosa de cristal
 O vinho maturado em minha adega,
 Aonde esta vontade já se apega
 Traçando este momento magistral,
 O amor ao conhecer tal ritual,
 Porquanto novos rumos, pois navega
 Sabendo a divindade desta entrega
 Percebe este delírio sem igual,

Leia este tema completo a partir de 12/12/2011

Texto de Edvaldo Rosa e Poema de Luís da Mota Filipe - Carlos Silva, irmão a gente nunca esquece! (Texto) e O Fado é Portugal (Poema)




Texto de Edvaldo Rosa e Poema de Luís da Mota Filipe - Carlos Silva, irmão a gente nunca esquece! (Texto) e O Fado é Portugal (Poema)
 
 Carlos Silva, irmão a gente nunca esquece!

Irmão a gente nunca esquece! E um que a vida escolheu, que toca tanto nossas almas e coração, nem se fala... é verdade que eu morro de vontade de sentar em teu tamborete no avarandado contiguo á tua sala, e contigo ver a vida passar lentamente... Ouvindo a voz nascendo do coração da gente...

Em cantorias, as tuas, pois eu não canto nada, e as minhas poesias nem tão dolentes, ponteadas pela tua viola, fortemente dedilhada, por teus dedos que sabem tanto das mazelas e dos sonhos ainda não sonhados de tua gente!

E que são velhos conhecidos do pó das estradas, outrora pedras brutas hoje alquebradas pela marcha incessante de tua gente tão amantíssima quanto amada!

Irmão a gente nunca esquece... Principalmente você, cabra da peste, que desde que foi para o nordeste, deixou uma saudade que não cessa, que não passa... Irmão a gente nunca esquece, principalmente um que olha fundo no olho da gente. E tem na ponta da língua muitas vezes afiada, a palavra que apazigua nossas dores, e que em outro instante, acerta o nosso passo nas estradas...

O Fado é Portugal
 
 Este cantar lusitano,
 Aqui, agora, sempre, além,
 é partida e chegada,
 O adeus magoado,
 O regresso sonhado,
 São choros, ais, mas também gritos calados,
 São beijos, sorrisos e abraços apertados;
 Esta alma apaixonada,
 é gemido, pecado e passado,
 A mocidade, verdade e saudade,
 é alegria e desilusão,
 O Amor ou a paixão;
 Uma gaivota ou canoa,
 No Tejo da Capital,

Leia este tema completo a partir de 12/12/2011