domingo, 4 de dezembro de 2011

Poesia de Ana Barbara Santo António - INTENSIDADE DO SENTIR



Poesia de Ana Barbara Santo António - INTENSIDADE DO SENTIR 

 
 INTENSIDADE DO SENTIR


 Sei que não és só falo
 Não és só fauno
 Talvez homem
 Quando me dizes:
«Mas tu és grande no sentir no viver …
Puxo-te para mim, por eles… com intensidade
… e depois abraço-te para te sentir respirar…»
Sentir do verbo amar
 Ainda que o lado obscuro da lua
 Comprometa todo esse sentir
 Esse teu querer-me só e nua
 Seja o teu falo a pedir
 O meu lado iluminado
 Ainda que o meu olhar provocado
 Seja somente a imaginação
 Parte do teu querer
 O desejo incendiado
 De luxúria tesão
 Inflamado prazer

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Página de Edvaldo Rosa - A vida é bem assim...; Travessia...



Página de Edvaldo Rosa - A vida é bem assim...; Travessia...

A vida é bem assim...

 Fui ter ao começo, só para ver, só para crer que inexiste!
 Agora, o que era porta ou janela é parede...
 Onde havia portão, é vão...
 Olhando de fora, um alaranjado exuberante,
 Inquieta meus sentidos tão acostumados,
 Há cinzas desbotados!
 Por dentro, como não estarão as velhas paredes caiadas?
 Aquelas onde dependuramos, por tanto tempo,
Com pregos tortos, as nossas histórias?
 Paredes?
Cúmplices silenciosas, ouvintes queridas, de nossos segredos...
 Testemunhas, mudas, das alegrias e das tristezas em nossos olhos...
 Aonde, o perfume de lavanda, outrora sobre o toucador da velha senhora,
 Estará agora?

Travessia...

 Estou prestes a morrer e não pronto!
 Tudo o que me definia como ser,
 Não basta para entender-me neste momento...
 Duro é saber, que muito do meu esforço,
 Foi tão pouco... O que me assusta e causa espanto!
 Não consegui ater-me ás minhas próprias crenças...
 Ao modo auto imposto de como viver!
 Os passos no caminho trouxeram as tais diferenças...
- Desejar é bem diferente de ter!
 Neste momento não tenho certezas,
Sinto tristezas que me provocam o pranto...
 Com olhos vagos, olho um abismo se abrindo sob meus pés... Tão largo!

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Ciranda Desafio-te Tristeza (Iniciada por Sá de Freitas) - RENEGO-TE TRISTEZA!(Carmo Vasconcelos) ; TRISTEZA(Humberto Rodrigues Neto)



Ciranda Desafio-te Tristeza (Iniciada por Sá de Freitas) - RENEGO-TE TRISTEZA!(Carmo Vasconcelos) ; TRISTEZA(Humberto Rodrigues Neto)

RENEGO-TE TRISTEZA!

Carmo Vasconcelos
Não há cousa nem ninguém que destrua
Esta alegria nata que em mim mora
Foi-me insuflada numa santa aurora
Anima que rogo a Deus sempre flua

Vejo a tristeza como um passarinho
Que perdeu o rumo, asa derrubada
Ou seu ninho tombou em derrocada
Com os filhinhos mortos no caminho

TRISTEZA
Humberto Rodrigues Neto
A mesma dor, o mesmo nada em tudo,
uma ânsia funda de morrer, chorar;
na alma engasgado um sentimento mudo,
e em tudo o nada de um vazio lunar...

A fronte baixa... nas feições o agudo
vinco das rugas, a testemunhar
que o sofrimento está afinal desnudo
na dor que franze o meu semblante e o olhar...

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Lamentações de um pé de Alface - Por Marcelo Sguassábia



Lamentações de um pé de Alface - Por Marcelo Sguassábia
Parem, reflitam e vejam se tenho ou não tenho razão. Vergonhosamente lamentável é a forma com que nos arrancam de nossa terra, onde a tanto custo fincamos nossas raízes e deveríamos viver felizes para sempre. Quem nos remove de nosso solo é tão assassino quanto os pecuaristas e açougueiros, que tanta indignação e repulsa despertam na sociedade civilizada pelas atrocidades cometidas nos matadouros.
ONGs e associações de defesa dos animais protestam – e com toda razão – contra o confinamento de bois, galinhas e porcos. Mas e quanto a nós? Alguém se compadece ao saber o quanto sofremos, espremidos, nos caixotes da Ceasa?

Somos seres vivos, queremos e devemos ser tratados como filhos de Deus, e reivindicamos igual tratamento dispensado aos mamíferos e galináceos. Está cientificamente provado que ao som de Bach, Mozart e Beethoven os vegetais se desenvolvem com maior força e viço, o que só demonstra que constituímos formas inteligentes e sensíveis de vida. Somos muito mais delicados e sutis em nossa estrutura física, e por isso mesmo merecedores de cuidados especiais.

Seus almoços e jantares são o nosso suplício derradeiro. Uma verdadeira sessão de tortura a acidez do vinagre, do sal e do limão sobre nossas folhas frágeis e tenras. Segue-se o esquartejamento no prato, quando sofremos dores inenarráveis antes de nos alojarmos, mortos, nos buchos de vocês, humanos.


Natal e Natalidade - Por Arlete Piedade



Natal e Natalidade - Por Arlete Piedade

Natalidade deriva da palavra natal, e significa o número de nascimentos ocorridos durante um determinado período. Logo natal significa nascimento. Cada vez que uma criança nasce, existe natal.
 Mas o Natal como o conhecemos e celebramos, pretende festejar o nascimento de uma criança muito especial: - Jesus Cristo!

 Jesus e as mensagens que nos deixou de amor e solidariedade entre os homens que são todos irmãos, porque filhos do mesmo Deus.

 Então pelo Natal a mensagem principal e os festejos deviam centralizar-se em relembrar e praticar os seus ensinamentos contidos nas palavras que nos deixou. No entanto ao longo dos séculos, a festa do Natal foi-se adulterando, recolhendo e integrando símbolos de outras religiões e culturas, até se transformar no que é hoje:

- Uma festa essencialmente de consumo, de ostentação, de significados ocos e hipócritas, que se pretendem fazer crer á sociedade como verdadeiros e que passado o Natal, todos arquivamos de novo até ao próximo Natal!

A famigerada crise de que tanto se fala e tanto se culpa, pelos desaires económicos, do nosso país e do mundo em geral, devia servir para a reflexão, de todos nós e de quanto temos esbanjado em objetos inúteis, em prendas que apenas serviam para afagar a nossa vaidade, enquanto tantas crianças, que não pediram para nascer, nem imaginam que existe algo como o Natal.


O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - V Capítulo – Reflexões



O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - V Capítulo – Reflexões 
Youssef ignorava até hoje porque o tinham mantido amarrado naquela plataforma, durante tanto tempo….seria porque o temiam? Seria porque não sabiam qual o destino a dar-lhe? Seria por ser um príncipe de um mundo distante?

Quando os homens cinzentos foram vencidos, os seus novos companheiros, trataram dele e levaram-nos para uma nave espaçosa, que tinha um jardim interior, que lhe recordava a sua pátria.

Estes seres eram afáveis e simpáticos, altos, louros de olhos claros como ele. Imediatamente o começaram a tratar como um irmão reencontrado depois de muito tempo perdido, deram-lhe instrução e ensinaram-lhe a sua língua com uma espécie de disco que se colocava na cabeça e se ouvia a voz directamente no cérebro.

Depois de algum tempo já conhecia toda a nave, a casa das máquinas e os computadores de bordo e tudo manobrava na perfeição.

Assim ao chegaram a um planeta todo verde e reluzente, disseram-lhe que ele ia ter que ficar ali, para cursar a Academia do Espaço e vir a ser um oficial ao serviço da Patrulha Galáctica para se fazer um homem de verdade, sério e honrado como um verdadeiro príncipe.

Embora triste por se separar dos novos amigos e irmãos, Youssef compreendeu as razões que lhe apresentavam e aceitou começar o seu treino para Patrulheiro do Espaço.

Durante cinco anos cumpriu todas as normas, aprendeu as diversas matérias, cursou todos os cursos de artes marciais e praticou na condução e manobra das naves da Academia, tendo concluído o seu curso com Excelência e Distinção.


Triste fado - Conto de VIRGINIA TEIXEIRA



Triste fado - Conto de VIRGINIA TEIXEIRA 
 
 Há pessoas a quem o fado é a tristeza e a espera. São pessoas a quem o olhar húmido é mais belo do que o risonho, e a quem um esgar de dor se torna com o tempo num sorriso apreciado por todos. São seres de olhar perdido mais além.

 Ela sempre foi fadada à tristeza. Eu adivinhava-o no rosto da criança pequena que ajudei a criar, e sempre soube mais do que os outros o significado daquele olhar perdido no além. Verdade seja dita que não quis crer e muitas vezes me repreendi por apreciar a beleza da menina quando as lágrimas se derramavam abundantes pelo rosto abaixo. Mas a idade traz sabedorias que temos de aceitar e na altura eu já a acalentava com mais doçura do que aos outros, mesmo que fosse ela a que menos retribuísse o carinho oferecido.

Era uma menina magra, de uma delicadeza de postura que contrastava com a pele morena e o cabelo rebelde. Nunca se deixava apanhar pela escova, ganchos e pregadores de cabelo, como as irmãs, e passava os dias em correrias com os meninos, tanto com os irmãos e primos como com os filhos dos que trabalhavam na casa.

 Eu sempre cá vivi, fui à cidade poucas vezes e foi aqui que construí a minha vida. Não sei nada do mundo longínquo, nem sinto falta desses saberes estrangeiros.

 Contento-me com o que aprendi com a patroa que, quando eu ainda era menina, se encarregou da minha educação, mais à laia de passatempo do que por dever cristão. Basta-me saber o que li ao longo dos anos e o que aprendi com as mulheres do campo que aqui trabalham. Dizem que tenho jeito para as plantas e, na verdade, não há planta que na minha mão não sobreviva.