domingo, 4 de dezembro de 2011

Natal e Natalidade - Por Arlete Piedade



Natal e Natalidade - Por Arlete Piedade

Natalidade deriva da palavra natal, e significa o número de nascimentos ocorridos durante um determinado período. Logo natal significa nascimento. Cada vez que uma criança nasce, existe natal.
 Mas o Natal como o conhecemos e celebramos, pretende festejar o nascimento de uma criança muito especial: - Jesus Cristo!

 Jesus e as mensagens que nos deixou de amor e solidariedade entre os homens que são todos irmãos, porque filhos do mesmo Deus.

 Então pelo Natal a mensagem principal e os festejos deviam centralizar-se em relembrar e praticar os seus ensinamentos contidos nas palavras que nos deixou. No entanto ao longo dos séculos, a festa do Natal foi-se adulterando, recolhendo e integrando símbolos de outras religiões e culturas, até se transformar no que é hoje:

- Uma festa essencialmente de consumo, de ostentação, de significados ocos e hipócritas, que se pretendem fazer crer á sociedade como verdadeiros e que passado o Natal, todos arquivamos de novo até ao próximo Natal!

A famigerada crise de que tanto se fala e tanto se culpa, pelos desaires económicos, do nosso país e do mundo em geral, devia servir para a reflexão, de todos nós e de quanto temos esbanjado em objetos inúteis, em prendas que apenas serviam para afagar a nossa vaidade, enquanto tantas crianças, que não pediram para nascer, nem imaginam que existe algo como o Natal.


O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - V Capítulo – Reflexões



O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - V Capítulo – Reflexões 
Youssef ignorava até hoje porque o tinham mantido amarrado naquela plataforma, durante tanto tempo….seria porque o temiam? Seria porque não sabiam qual o destino a dar-lhe? Seria por ser um príncipe de um mundo distante?

Quando os homens cinzentos foram vencidos, os seus novos companheiros, trataram dele e levaram-nos para uma nave espaçosa, que tinha um jardim interior, que lhe recordava a sua pátria.

Estes seres eram afáveis e simpáticos, altos, louros de olhos claros como ele. Imediatamente o começaram a tratar como um irmão reencontrado depois de muito tempo perdido, deram-lhe instrução e ensinaram-lhe a sua língua com uma espécie de disco que se colocava na cabeça e se ouvia a voz directamente no cérebro.

Depois de algum tempo já conhecia toda a nave, a casa das máquinas e os computadores de bordo e tudo manobrava na perfeição.

Assim ao chegaram a um planeta todo verde e reluzente, disseram-lhe que ele ia ter que ficar ali, para cursar a Academia do Espaço e vir a ser um oficial ao serviço da Patrulha Galáctica para se fazer um homem de verdade, sério e honrado como um verdadeiro príncipe.

Embora triste por se separar dos novos amigos e irmãos, Youssef compreendeu as razões que lhe apresentavam e aceitou começar o seu treino para Patrulheiro do Espaço.

Durante cinco anos cumpriu todas as normas, aprendeu as diversas matérias, cursou todos os cursos de artes marciais e praticou na condução e manobra das naves da Academia, tendo concluído o seu curso com Excelência e Distinção.


Triste fado - Conto de VIRGINIA TEIXEIRA



Triste fado - Conto de VIRGINIA TEIXEIRA 
 
 Há pessoas a quem o fado é a tristeza e a espera. São pessoas a quem o olhar húmido é mais belo do que o risonho, e a quem um esgar de dor se torna com o tempo num sorriso apreciado por todos. São seres de olhar perdido mais além.

 Ela sempre foi fadada à tristeza. Eu adivinhava-o no rosto da criança pequena que ajudei a criar, e sempre soube mais do que os outros o significado daquele olhar perdido no além. Verdade seja dita que não quis crer e muitas vezes me repreendi por apreciar a beleza da menina quando as lágrimas se derramavam abundantes pelo rosto abaixo. Mas a idade traz sabedorias que temos de aceitar e na altura eu já a acalentava com mais doçura do que aos outros, mesmo que fosse ela a que menos retribuísse o carinho oferecido.

Era uma menina magra, de uma delicadeza de postura que contrastava com a pele morena e o cabelo rebelde. Nunca se deixava apanhar pela escova, ganchos e pregadores de cabelo, como as irmãs, e passava os dias em correrias com os meninos, tanto com os irmãos e primos como com os filhos dos que trabalhavam na casa.

 Eu sempre cá vivi, fui à cidade poucas vezes e foi aqui que construí a minha vida. Não sei nada do mundo longínquo, nem sinto falta desses saberes estrangeiros.

 Contento-me com o que aprendi com a patroa que, quando eu ainda era menina, se encarregou da minha educação, mais à laia de passatempo do que por dever cristão. Basta-me saber o que li ao longo dos anos e o que aprendi com as mulheres do campo que aqui trabalham. Dizem que tenho jeito para as plantas e, na verdade, não há planta que na minha mão não sobreviva.


Poesia de Virgínia Teixeira - Tu és a cotovia!; Eu sou a que procura mas jamais encontra; A saudade nunca deixa de latejar



Poesia de Virgínia Teixeira - Tu és a cotovia!; Eu sou a que procura mas jamais encontra; A saudade nunca deixa de latejar 

 
 Tu és a cotovia!
 
«Tu és a cotovia!», afirma no meu sonho o espectro vagante
«Tu és a cotovia!», sussurra quando coloca a mão no meu ombro cansado,
«Tu és a cotovia!», murmura enquanto me fita o olhar desesperado,
«Tu és a cotovia!», grita o espectro com um tom ressonante.
«Tu és a cotovia!», ouço todo o dia na minha alma tão agitada
«Tu és a cotovia!» , e o espectro persegue-me com a sua voz calmante
«Tu és a cotovia!», e sinto que é uma mensagem sagrada
«Tu és a cotovia!», e não resisto a acreditar no seu significado inquietante

Eu sou a que procura mas jamais encontra
 
 Eu sou a que procura mas jamais encontra
 Aquela que sonha mas não realiza a quimera
 Eu sou a que corajosamente luta contra
 Sem sequer recordar o que tanto quisera…
Eu sou a que almeja mas jamais consegue alcançar…
A que acredita ser Mais mas não encontra o caminho
 Eu sou a que ama mas a quem ninguém é capaz de amar…
Eu sou o espírito que uiva sozinho

A saudade nunca deixa de latejar
 
 A saudade nunca deixa de latejar
 No peito cansado da guerreira
 A saudade nunca deixa de angustiar
 O coração já gasto da mulher
A saudade nunca deixa de insistir
Nas pernas acorrentadas da prisioneira
 A saudade nunca deixa de ferir
 Os olhos acostumados com a escuridão da menina

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Poesia de Marcia Dalva Machinski - Meu pai é o cara (Retrato de seu Jaques); Canção a meu menino – Canto de Maria à Jesus (Inspirada em Dudu); Trilogia de Ana – poemas ditados por minha avó, num leito de hospital



Poesia de Marcia Dalva Machinski - Meu pai é o cara (Retrato de seu Jaques); Canção a meu menino – Canto de Maria à Jesus (Inspirada em Dudu); Trilogia de Ana – poemas ditados por minha avó, num leito de hospital

 Meu pai é o cara
 (Retrato de seu Jaques)

 
 Tocou violão e cantou ... com a «Moreninha Linda», conquistou minha mãe ...
 namorou, noivou, casou...

 fecundou-a, uma, duas, três, quatro e na quinta vez, fui eu que nasci ...
 ele já tinha cinco mulheres em sua vida, mas guardou reservas para amar a mim ...

 pegou-me no colo, levou-me pra passear, carregou-me pra cama quando eu fingia ter dormido no sofá, erguia-me de pernas pro ar, pra eu rir até não aguentar mais...

 deu-me livros e mais livros ...
 todos os causos, parlendas, trava-línguas me ensinou a recitar ... a tabuada de trás pra frente e de frente pra trás, me ensinou a cantar ...

Canção a meu menino – Canto de Maria à Jesus
 (Inspirada em Dudu)

 
 Meu menino Deus
 Quero pegar-te em meu colo...
 Te carregar
 Brincar contigo e dizer que és lindo!
 Menino - bebê
 Enche minh’alma
 Com teu olhar
 Sorri para mim
 Doce criança
 Presença do Céu
 Comunica-me Deus
 Que olha pra mim
 Meu menino Deus

Trilogia de Ana – poemas ditados por minha avó, num leito de hospital
 
 I - Amor

Meu amor
 A ti eu Peço
 As bênçãos do Céu
 Tantas, quanto há estrelas no firmamento
 Quanto há areia na praia
 Tanto quanto, o vento forte do inverno
 Folha seca, no chão espalha
 Tanto quanto, os meus olhos
 Já choraram, caindo no meu colo
 num colar de pérolas, se juntaram

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Poesia de José Brites Marques Inácio - GEOMETRIA PLANA; IN PARADISUM; COMBATENTE DE INVERNO (Ou insana voz na noite)



Poesia de José Brites Marques Inácio - GEOMETRIA PLANA; IN PARADISUM; COMBATENTE DE INVERNO (Ou insana voz na noite)
 
 GEOMETRIA PLANA
 (JBMI)

 A recta existe entre dois pontos.
 Ou o seu segmento.
Também a vida existe entre dois batimentos.
 Ou o seu deslumbramento.
 Sobrevive-se entre dois ermos:
 O milagre e o desabamento.
 A geometria cheia de vida aplana-me,
 intersecta-me por um momento.
 Refulge-me o sol entre sombras

IN PARADISUM
 (JBMI)

 Nutrem remorsos, os frutos?
 Talvez os mais rubros de sequeiro
 não os verdes de píncaro inteiro
 sem poderem cair de maduros.
 Os pomares são seguros?
 é tal a sede que me traz romãs
 que nem a folha d' alperce trava
 a carícia grácil que a sesta leva
 no doce amar das manhãs.
 Amores de verão à sombra,
 como carícias de inverno ao sol,
 são flores imensas, primavera,

COMBATENTE DE INVERNO
 (Ou insana voz na noite)

 (JBMI)

 Perguntas-me como vou
 ao que respondo:
Em carro de mulas bravas,
 por lameiros proscritos
 e azinhagas exíguas.
 Ah... Vou bem,
tão bem
 que já me não aflige
 o pau da roupa da vizinha
 nem a promissória vencida.
 Encontrei a roda dos dias
 esquecida no entulho
 vazado por incertos.

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011

Poesia de Sylvia Beirute - Mise en scéne; Deserto Urbano; Tu nunca foste um anúncio



Poesia de Sylvia Beirute - Mise en scéne; Deserto Urbano; Tu nunca foste um anúncio

 
 
 Mise en scéne
 
 a percepção é que é o poema.
as palavras
não funcionam como um todo.
 existe um verso
em trânsito que
 vai consumindo todos os outros.
 que vai de dentro para fora.
 e é ele verdadeiramente
que chega
 aos olhos da leitura.

Deserto Urbano
 
 se me derem um deserto para viver.
 do deserto selecciono a minha independência
para ver ao longe aquilo que ao perto
 já não amanhece.
 e no grande livro do nada
uma conjunção avermelhece
 como estrutura transitiva,
como massa de água que resolve as luzes
 e ainda assim ilumina todas as raízes.
 e por fim desejo não ter de escolher as palavras.

Tu nunca foste um anúncio
 
 tu nunca foste um anúncio
 nunca vendeste nada
nem sequer o teu amor
 tu nunca tiveste qualquer pequena coisa
 à prova de bala
 tu nunca escreveste coisas simples
 {coisas como eu gosto de ti
 ou és especial}

Leia este tema completo a partir de 5/12/2011