domingo, 27 de novembro de 2011

Jornal Raizonline nº 148 de 28 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - A sociabilidade associal



Jornal Raizonline nº 148 de 28 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - A sociabilidade associal

O velho Kant lá para o século XVIII trouxe para a sócio - filosofia esta terminologia que não será nunca de esquecer até porque mantém toda a sua verdade e universalidade: digamos que é quase «genética» esta verdade, tem passado pelos séculos sem beliscão, sem mexer um ponto visível que seja, enfim e breve, estamos mesmo condenados a ser socialmente associais.

No fundo do que se trata é de uma coisa bastante complexa: encontrar pontos de convergência e de interesse mútuo que façam pender a balança, bastaria um pouquinho só, para o lado do social. Como em todos os casos em que quem coloca de um lado tem de tirar no outro a tarefa tem sido sempre difícil e nalguns casos impossível de levar a cabo.

Mesmo entre as escalas sociais em que um bocado mais de clareza nos raciocínios se coloca quase como evidente as coisas acabam muitas vezes por não resultar senão parcelarmente. A tal defesa do «quintal» ou do «espaço psíquico vital» é uma questão mesclada das mais diversas nuances: quando se parte de coração aberto para um acordo que satisfaça as duas partes, aquilo a que se chama um «negócio em que ambas as partes ganham» o pobre (de espírito, neste caso) desconfia sempre.

Ao longo dos tempos e falando em termos de experiência pessoal tenho-me encontrado com muita gente que não conhece simplesmente, não conhece de todo, aquela gratificação que cada um de nós pode ter por ensinar uma coisa a uma pessoa «de borla».

Depois e em face da relutância quase instintiva do outro e falando agora aqui em termos que podem ser considerados cínicos não posso sequer utilizar o argumento de que se eu ensinar a uma pessoa uma dada coisa que ela não sabe, como é evidente, pelo menos «ganho» o tempo que levaria a dizer-lhe como se faz todas a vezes que essa pessoa precisasse de fazer isso que eu me proponho ensinar. Não posso dizer isso é claro...uma vez que isso seria entendido como havendo um enfado meu em dizer como se faz desde a primeira vez e a resposta seria mais ou menos: «se não queres ajudar tudo bem...etc. etc.».



 

Crónica: Há lugares virgens, tão virgens que a lei não os conhece - Crónica de Gociante Patissa



Crónica: Há lugares virgens, tão virgens que a lei não os conhece - Crónica de Gociante Patissa

Acordei tarde no domingo, digo tarde porque me teria de apresentar no serviço às 7h30 da manhã. Na aviação, no que à empresa em que trabalho diz respeito, há somente dois feriados por ano: o Natal e o Ano Novo.

Os demais são conforme a escala de serviço. No domingo não me apeteceu trabalhar, uma indisposição que não entendia, em princípio, bem porquê. Faltou-me ânimo, que muito precisa quem anda no atendimento público. Por isso mesmo, decidi faltar. Isso poderá melindrar quem anda no desemprego, mas não tenho razões para fingir.

 Há somente dois lugares onde me sinto completo, em casa da minha mãe e em estúdio de rádio. Ora, não estando no radialismo activo, não restavam dúvidas sobre o que fazer. Peguei no volante, em direcção ao Lobito, para a casa da minha mãe.

Lá posto, os semblantes eram de desolação. Tinha chegado notícia do assassinato da tia Verónica Chilombo, esposa do tio Abílio Gociante, irmão mais velho de minha mãe.

Faleceu na remota povoação de Ekovongo, na sequência do espancamento ocorrido dois dias antes na vila da Ganda, aproximadamente 200km da cidade de Benguela. As primeiras informações diziam que a tia se teria envolvido em briga de noras rivais, esposas do primo Lucas, professor e pedreiro. Uma pedrada na cabeça terá aberto o caminho para cinco pontos de sutura.



Se lhe perguntarem como é o amor, o que responderia? - Texto de Carolina Felipe



Se lhe perguntarem como é o amor, o que responderia? - Texto de Carolina Felipe 
Muitos tentariam arranjar inúmeras explicações, alguns se enrolariam, outros acreditariam estar certos de suas convicções. O que ninguém entende, é que o amor não tem explicação. Não consigo nem dar-lhes uma explicação do porque que ele não tem explicação. Pode parecer confuso, mas é a mais pura verdade.

Perdido como está este mundo, há seres humanos que não acreditam no amor. Que vivem para o poder, o físico. Estes seres dizem-se os felizes, por estarem livre de tal sofrimento que muitas vezes vem junto. Outros entram em uma busca loucamente arriscada para encontrá-lo. Baseiam-se em romances como Romeu & Julieta, e cegos pelo desejo, deixam até mesmo o verdadeiro sentimento se perder. Desistem de viver a sua história, querendo viver a de outro alguém... E é deste jeito que o amor se distancia mais...


 

Culinária e Doçaria por Karolina Felipe - Mousse super rápida de limão; Pavê de abacaxi; Rocambole de frango



Culinária e Doçaria por Karolina Felipe - Mousse super rápida de limão; Pavê de abacaxi; Rocambole de frango

 
 
 Mousse super rápida de limão

Ingredientes:
 1 lata de leite condensado
 1 lata de creme de leite
 1/2 lata de suco de limão coado

 Modo de Preparo:
 Bata tudo no liquidificador coloque em tacinhas.
 Se quiser uma mousse mais sofisticada junte depois de batido 200 g de chocolate branco derretido e 3 claras em neve.
 Leve para gelar.


 Pavê de abacaxi

 O pavê é um doce excelente e é conhecido por toda a parte, com o passar dos anos ele foi se modificando, mas sua essência continua a mesma.
 Este é um dos doces mais fáceis de fazer e fica maravilhoso, você pode servir em qualquer ocasião que ele cai muito bem. Confira abaixo uma receita deliciosa de pavê de abacaxi.

Ingredientes:

1 abacaxi cortado em cubos médios
 1 ½ xícara de chá de açúcar refinado
 1 lata de leite condensado de sua preferência
 1 xícara de chá de leite
 3 gemas de ovo
 2 colheres de sopa de margarina
 1 lata de creme de leite sem soro
 1 pacote de biscoito Champagne
 150 gramas de côco ralado

Leia este tema completo a partir de 28/11/2011

Culinária e Doçaria por Karolina Felipe - Batata suíça; Bolo gelado simples; Filé assado ao pesto de ervas



Culinária e Doçaria por Karolina Felipe - Batata suíça; Bolo gelado simples; Filé assado ao pesto de ervas

 Batata suíça

Ingredientes:
 250 g de batatas
 Manteiga para untar a frigideira
 Vasilha com água e sal para umedecer os dedos
 Sugestões de recheio:
 Queijo cremoso, mussarela, abobrinha crua fatiada em rodelas finas
 Queijo cremoso, mussarela, carne seca
 Queijo cremoso, mussarela, frango desfiado com milho verde ou frango com tomate seco e cogumelo
 Queijo cremoso, mussarela, estrogonofe grosso
 Queijo cremoso, mussarela, camarão
 Obs: Podem ser utilizados outros tipos de queijo ou somente o recheio de sua preferência.

 Modo de Preparo:

Leve as batatas para cozinhar em uma panela com água. Quando começar a ferver, marque 7 minutos e retire as batatas. Leve para geladeira e deixe de um dia para o outro. Retire da geladeira e passe no ralo grosso.
 
Unte uma frigideira de 16 cm de diâmetro com manteiga. Coloque a batata ralada, o suficiente para cobrir o fundo da frigideira, sempre umedecendo as mãos na água com sal (facilita o manuseio da batata e salga ao mesmo tempo). Ponha também uma camada do recheio desejado, quantidade para cobrir a batata, deixando as bordas livres.
 
Depois, coloque mais uma camada de batata e leve ao fogo médio por mais ou menos 3 minutos. Pegue outra frigideira também untada, vire e deixe mais 3 minutos deste lado.
 Repita o processo mais duas vezes ou até dourar a batata.


Coluna de Manuel Fragata de Morais - Momento de ilusão - Contos - CARTAS



Coluna de Manuel Fragata de Morais - Momento de ilusão - Contos - CARTAS
Minha Genoveva,
 
 Senta-te para que não caias de surpresa, já que é a primeira vez que nos falamos e poder-te-á ser, ou não, agradável o que vou contar.

Quando o meu bisavô foi para as Africas, já lá vão precisamente 98 anos, certamente ninguém pensou na sua aldeia que voltasse, mas foi o que fez, como talvez saibas. Deixou aí filhos com uma lavadeira negra, um deles o teu avô, de nome Miguel Gomes, só isso é que sei. Parece que vivia em Benguela e o teu pai ou a tua mãe, cujos nomes não conheço, se ainda forem vivos, por certo saberão confirmar o que digo. Sou, pois, tua prima afastada, sendo o nosso bisavô o mesmo, já que ele aqui tornou a fazer filhos, tendo-se casado com a minha bisavó, D. Engrácia Gomes.

Fique muito feliz quando recebi do consulado português em Luanda a indagação se por acaso um tal José Armando Gomes seria aquele que estivera em Angola de 1900 a 1930 e cujo assento de baptismo de um filho, Miguel Gomes, constava na paróquia do Carmo em Luanda. Acho que terás sido tu a inquirir, pois foi esse o endereço que me foi fornecido.
O resto, é este primeiro contacto. Manda-nos fotografias tuas e da família, explicando tudo muito bem, quem são e como estão.

O retrato que anexo, é do Augusto, meu marido, eu e o nosso filho Tobias, tirado no jardim zoológico o ano passado, quando fomos a Lisboa de férias. Por acaso tirada ao lado dos elefantes, quando ainda não sabíamos que tínhamos parentes em Africa, vê lá.

Tua prima que te adorará conhecer um dia.

Ana Rita

P.S. Que cor és?...



Mário Maldonado ao chegar a casa, encontrou a carta aberta em cima da mesa na sala de jantar. Certamente que a mulher aí a tinha deixado para que ele a lesse. Momentos depois, quando esta saiu do quarto, jocoso, perguntou, à guisa de cumprimento:

«Então foste descobrir uns pulas teus parentes na meloi?»
De facto assim fora. Genoveva descobrira uns documentos guardados em um embrulho de papel castanho meio comido pelas traças, numa mala com coisas que tinham pertencido a sua mãe, que davam a entender que talvez pudessem ser de seus familiares. Sem dizer nada ao marido consultara os registos da igreja e contactara o consulado português em Luanda, que se prontificou a averiguar.

«Que mal há, são parentes e devemos conhecer as nossas origens.»





Coluna de Manuel Fragata de Morais - MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS - CONSELHOS E CONSELHEIROS



Coluna de Manuel Fragata de Morais - MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS - CONSELHOS E CONSELHEIROS
A sabedoria popular é abundante tanto quanto a conselhos quanto a conselheiros, já que sem uns e nem os outros se viveria.

Pessoalmente, sou muito dado a aconselhar, talvez por ter atingido aquela idade em que um homem torna-se membro do nobre grupo de sekulus que envolve a sabedoria, aquele grupo de gente de idade que se alegra em fornecer alvitres porque já não consegue ou pode dar maus exemplos.
Em geral o conselho vem do coração, quando não da alma, a não ser o conselho que visa o mal, a malandrice, o lixanço do próximo, embora os cínicos afirmem que os melhores conselhos vêm dos piores homens.

Sobre os conselhos, há os pedidos e há os oferecidos e sobre isso, gostaria de vos contar uma pequena história, creio que das «Mil e Uma Noites» aquela peça maravilhosa e imorredoura da literatura universal que muitos de nós tiveram a felicidade de ouvir lida ou de ter lido.

Havia um camponês que era dono de um burro e de um boi, que ele muito acarinhava. Todavia o burro, que repousava muito mais da lavoura do campo, engordara, enquanto o boi, pela razão inversa, começava a ter um ar abatido, sofredor. Preocupado, como qualquer um de nós o faria, o bovino foi buscar conselho junto ao amigo:

«Diz-me lá ó irmão, o que devo fazer para me livrar um pouco deste trabalho pesado?»

Desejando ser solícito, também vaidoso pela consulta que o colocava um pouco acima, o burro não se fez rogado e aconselhou: