domingo, 20 de novembro de 2011

Texto poético de Virgínia Teixeira - Um oceano



Texto poético de Virgínia Teixeira - Um oceano
 
 A nossa história foi diferente, talvez mais banal do que queremos imaginar, mas ainda assim, existiu e, por algum tempo, os nossos mundos tocaram-se, fundiram-se e foram diferentes.

Por algum tempo pensámos um no outro ao acordar, e ao adormecer.

Brincámos de faz de conta e fingimos um futuro que nunca acreditamos realmente poder ter. Um futuro que, acho, nunca sequer quisemos de verdade. Falámos o bem e calámos o mal. Amámo-nos de verdade, porque só conhecíamos porções de nós, fechámos os olhos ao resto. E, ainda assim, valeu a pena.

E, ainda assim, daqui a dez anos, vamos lembrar, por um motivo qualquer, uma música, uma palavra, o que vivemos, e vamos sorrir.

Não temos como não sorrir, se nos salvámos um ao outro, se nos entregámos quanto pudemos a este encontro.

Nunca te vi, não sei como é o teu rosto, a que sabe o teu beijo, mas sei que te amei. Sei que, se tivesse te tocado, se te tivesse sentido em mim, não ia conseguir esquecer o teu cheiro.


 

POESIA BILINGUE DE ARLETE PIEDADE - Encontro espiritual (Português); Encuentro espiritual (Espanhol - Traducción al español del poeta chileno Angel Pablo Pinazo Astudillo)



POESIA BILINGUE DE ARLETE PIEDADE - Encontro espiritual (Português); Encuentro espiritual  (Espanhol - Traducción al español del poeta chileno Angel Pablo Pinazo Astudillo)

Encontro espiritual

Numa noite escura, sonho que o meu espírito vagueia...
 Errático pelo espaço sideral, em busca não sei de quê...
 Vejo planetas, estrelas, cometas e sou um grão de areia
 Tudo rodopia á minha beira, e sem eu entender porquê...

O meu espírito continua e vejo ao fundo lá no mar...
 O brilho longínquo da água em seu irisado eterno ondear
 Os meus olhos incorpóreos se dirigem para o horizonte
 E vêm ao fundo um furacão tormentoso a se aproximar

Encuentro espiritual

En una noche oscura, sueño que mi espíritu flota...
 errático por el espacio sideral, en busca no sé de qué...
 Veo planetas, estrellas, cometas y soy un grano de arena
 todo da vueltas a mi lado, y sin yo entender por qué.

Mi espíritu continua y veo allá el fondo del mar
 El brillo lejano del agua en su erizado eterno ondear
 Mis ojos incorpóreos se dirigen al horizonte
 y ven a lo lejos una furiosa tormenta aproximar.

Su ojo maligno da vueltas tenebroso y sin parar,
 su rugido ya se oye a lo lejos y me atemoriza
 Más los espíritus no necesitan tener miedo de pasar
 Para ellos los huracanes son apenas una simple brisa

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

Poesia de Arlete Piedade - Bilingue - Era uma vez...(Português) ; Era hace una vez...(Espanhol)



Poesia de Arlete Piedade - Bilingue - Era uma vez...(Português) ; Era hace una vez...(Espanhol)

Era uma vez...
 
 Era uma vez, um pobre, triste e solitário menino
 Vivendo fechado em antiquado e lúgubre casarão...
 Sem conhecer da vida as razões daquele destino
 Separado de sua mãe, família e de seu irmão...

Sem afagos, não havia sorrisos em seu rosto,
Severos deveres a cumprir em duro quotidiano
 Maus tratos na alma e sofrimentos no seu corpo
 Fome imutável, doença, frio, abandono e engano...

Versão em espanhol

 Era hace una vez...

Era hace una vez, un pobre, triste y solitario niño
 Viviendo encerrado en una casona vieja y lúgubre...
 Sin conocer de la vida las razones de aquel destino
 Separado de su madre, familia y de su hermano...

Sin abrazos, no había sonrisas en su rostro,
 Severas tareas a cumplir en su duro día a día
 Malos tratos en el alma y sufrimientos en su cuerpo
 Hambre inmutable, enfermedad, frío, abandono y engaño...

Dolorosamente aprendió el arte de la supervivencia
 Sus armas en la lucha diaria, el desespero y el dolor
 Ve a sus compañeros de vivencia por la Navidad
 Recibieron los afectos, los regalos y el amor

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

José Varzeano - Santa Justa, um monte maior do que algumas aldeias



José Varzeano - Santa Justa, um monte maior do que algumas aldeias 

Hoje escolhemos para escrever o monte de Santa Justa desde sempre um dos mais importantes do concelho e que se situa na freguesia de Martim Longo.

Se estivermos na sede de freguesia e se o pretendermos alcançar, tomando a direcção de Vaqueiros e logo à saída da aldeia, cortarmos à esquerda seguindo a orientação viária tomando a estrada municipal nº 1040, asfaltada e na altura com bom piso, cerca de 6 km andados, encontrar-nos-emos neste monte.

 Quem vier de Alcoutim a caminho de Martim Longo pela estrada 124, encontrará um cruzamento à esquerda que igualmente levará a esta povoação.

O topónimo tem origem num nome de santo, sendo por isso designado por um hagiotopónimo (a toponímia hagionímica é um dos mais profundos processos de formação)

Tudo indica que a devoção a Santa Justa deu origem ao topónimo, devoção que originou à erecção de um templo ainda hoje existente.

Santa Justa e a sua irmã Rufina, vendiam na feira as louças que o pai fabricava. Festejam-se a 19 de Julho e são igualmente padroeiras de Burgos e de Sevilha. (1)

Estará isto relacionado com a arte de olaria que existia na sede da freguesia? Pensamos que sim mas faltam as provas. A olaria teria tido origem neste monte e depois passado para Martim Longo? Não sabemos, estamos só formulando conjecturas.

Sabe-se contudo que no sítio dos Telheiros, numa pequena elevação, próximo do caminho para Santa Justa, existiram fornos de olaria, de que restam ruínas onde a Professora Doutora Helena Catarino recolheu fragmentos de cerâmica de época tardo -medieval e moderna. (2)

Um dos filões a explorar, seria a consulta de assentos de baptismo, óbito ou casamento que nos poderiam indicar essa profissão.

sábado, 19 de novembro de 2011

A Viola Cabocla - Crónica / divulgação de António Carlos Affonso dos Santos - Acas



A Viola Cabocla - Crónica / divulgação de António Carlos Affonso dos Santos - Acas

Este trabalho, de autoria do Professor Alceu Maynard de Araújo, foi publicado em artigos, na Revista Sertaneja de números 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13 e 14, de julho de 1958 a maio de de 1959. Por sua importância para a divulgação deste instrumento tão valioso para a cultura sertaneja, este artigo está sendo transcrito na íntegra, inclusive as fotos. Estas estão com baixa qualidade devido a deterioração do papel, devido a idade do mesmo (45 anos). Ao final do trabalho, veja uma pequena biografia do Prof. Alceu.

Origem da Viola

A viola é por excelência um instrumento musical do meio rural, sendo muito disseminada em nosso país, e encontrada nos mais longínqüos rincões do sertão brasileiro.
Sua origem é remota. No baixo latim encontramos: vidula, vitula, viella ou fiola, mas nenhum destes vocábulos serviu para designar a nossa viola. Tratava-se de um violino pequeno, um tetracórdio. Era a viola de arco, uma espécie de rabeca. Mas a nossa viola é também bastante idosa, veio de Portugal e ao aclimatar-se em terras brasileiras sofreu algumas modificações, não só em sua anatomia como também no número de cordas. é a lei da evolução. Evoluiu tanto que nós conhecemos no Brasil cinco tipos distintos de violas de cordas de aço: a paulista, a goiana, a cuiabana, a angrense e a nordestina.

Dos tipos mencionados, estudaremos apenas a paulista e a angrense pelo fato de serem as mais conhecidas e encontradas com maior freqüência em nosso Estado.
A viola é o instrumento fundamental do «modinheiro», é cordofônio, pois suas cordas comunicam sua vibração ao ar. Serve para acompanhamento de canto e dança. Pode ser tocada só, executando solos, em dupla, o que é muito comum ou para acompanhamento.




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Poesia de Denise Severgnini - BORBOLETA; Mudanças nas feições de um amor; Súbito prazer



Poesia de Denise Severgnini - BORBOLETA; Mudanças nas feições de um amor; Súbito prazer
 
 
 BORBOLETA
 
 Ninfa dorme enclausurada
 Seu tempo passa devagar
 à espera do sonho de borboletar
 Crisálida acorda encantada
 Com cores e flores da natureza
 Nas hialinas asas da borboleta
 Urge a pressa de vivenciar
 Lépida existência da beleza

Mudanças nas feições de um amor
 
 Títere em movimento gere a história
 Sombras sem luz, vontade desconexa
 Levas em direção bem mais complexa
 Manuseando o amor em luz inglória
 Alegoria torpe, merencória
 O jugo se traduz e tudo indexa
 Comando dentro dela não se anexa
 A mulher ressurgindo peremptória

Súbito prazer
 
 Há desejo disfarçado de ternura,
 Um querer contido à espera da explosão
 Súbito arroubo, ainda que mesclado em candura,
 Prazer latente, próximo à ebulição...
 Nos dizeres de teu olhar, eu leio,
 Olhos sequiosos por nosso deleite
 Que no encontro de corpos, sem receio,
«Se unirão» como presente e enfeite...
 Encontram formas de trocar carinhos
 e sensações, as mais profundas...

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

POESIA DE PATRICIA NEME - Vida; Desencontro; Porque eu vivi!



POESIA DE PATRICIA NEME - Vida; Desencontro; Porque eu vivi!
 
 
 Vida
 
 Ah!, se eu pudesse unir os meus bocados,
 aos teus pedaços, tantos... De ternura...
 Ah, se eu pudesse ter-te em meus pecados,
 com toda a insanidade da loucura...
 .
 Teus versos... Sempre tão apaixonados...
 Nos meus, sempre saudades e amargura...
 Mas ambos temos sonhos embalados,

Desencontro
 
 Foi tanto o tempo que jogamos fora,
 submersos em detalhes sem sentido.
 E o amor partiu, sem rumo, mundo afora...
 Tristonho, aniquilado, dolorido.
 Perdemos a ternura que houve outrora,
 feriu-nos o ciúme desmedido;
 restou-nos o relógio, que hora a hora,

Porque eu vivi!
 
 Quando foi tanto amor, tanta querência,
 perdi-me nos caminhos de quem sou,
 pois só me deste o chão da tua ausência...
 Num sonho que partiu... E não voltou....
 Quando foi tanto amor, sem reticência...
 Quando minh’alma, em ti, se derramou...
 E tu brincaste, sem dó ou clemência,

Leia este tema completo a partir de 21/11/2011