sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Poesia de Maria de São Pedro - LOBO MEU...; NO TEU OLHAR; LUA DE LOBOS



Poesia de Maria de São Pedro - LOBO MEU...; NO TEU OLHAR; LUA DE LOBOS
 
 LOBO MEU...
 
 Amar-te à distancia
 de um pulo de um gato.
 Envolver-te em lembranças lindas
 como um cobertor de um bebé.

Olhar-te,
 pestanas baixas,
 derretida como chocolate quente,
 servido em noite de temporal.

NO TEU OLHAR
 
 Embalada no teu olhar de lobo solitário,
 danço um tango de fascinação.

Esvoaçam folhas de Outono
rodopiando sobre as nossas cabeças.

Mãos quentes entrelaçadas murmuram
 paixões e desejos.
 Leve, a bruma cai leve sobre nós.

LUA DE LOBOS

 Apaziguando leve,
 o verde preguiçoso dos sobreiros,
 chuva miudinha e fria ensopa
 a areia fina e as pedras
 do riacho murmurejante.

Como aragem mansa
 em fim de tarde outonal,
 lobos surgem da penumbra,
 desconfiados e sedentos.


Leia este tema completo a partir de 21/11/2011

Almodòvar que te quero Pedro - Rosa Pena



Almodòvar que te quero Pedro - Rosa Pena

Uma ótima fotografia, uma trilha sonora dramática, um cenário perfeito para contar uma história maldita de boa e ainda assim me senti encarcerada na pele de fã do Almodòvar com roteiros de sua própria autoria.

Tentei me abandonar à tensão forte (genial) que o filme impõe, porém nosso passado (meu e de Pedro), em que eu me sentia segura em qualquer trajeto que ele se entranhasse, não deixou que ela rolasse plenamente. Algo ficou me cutucando que faltavam as loucuras cotidianas (sem grandezas cinematográficas que com ele ficam imensas) tão típicas desse cineasta espanhol que só de olhá-lo tocam mil castanholas em minha cabeça.

Muita pimenta num pedaço de carne e lágrimas que não se acabam mais, algumas inesquecíveis, como a do no filme Volver em que a filha ao sentir um cheiro  estranho, chora copiosamente porque o odor é idêntico ao peido da mãe morta. Só ele é capaz de colocar muitíssimo bem essa irreverência. Saudade não se sente só pelos odores de cravos!

Assisti A Pele que Habito em duplo suspense: Pelo próprio roteiro e pelo momento em que Pedro praticaria uma dessas suas genialidades. Para me deixar mendigando de pires na mão, ele me acenou que elas surgiriam a qualquer momento. Ah! A cena em que a menina brinca distraidamente no jardim e desperta a mãe cantando os versos de «Pelo amor de amar» (música brasileira) é fabulosa (a filha é que é a sereia da mãe) ou na súbita fantasia erótica de onça-pintada de um dos personagens em plena Toledo (cidade histórica espanhola).




O Dedé - Por Marcelo Sguassábia



O Dedé - Por Marcelo Sguassábia
Humor, nonsense e sátira. Junte a isso algumas incursões no universo onírico e um tiquinho de prosa poética. Este é mais ou menos o meu estilo: o não - estilo definido. Sou redator publicitário, pianista diletante, beatlemaníaco desde sempre e amante de filmes e livros que tratem de viagens no tempo.
 Blogs: www.consoantesreticentes.blogspot.com  (contos e crônicas)
 www.letraemeredacaocriativa.blogspot.com  (portfólio)
 Email: msguassabia@yahoo.com.br

O Dedé
Foi revendo «Forrest Gump» que lembrei do Dedé, o sumido porém inesquecível Dedé. Estava ao seu lado no cinema, na época do lançamento do filme, quando num rompante inspiradíssimo ele lavrou a versão tupiniquim da filosofia do anti-herói americano: «A vida é como uma empadinha de rodoviária: a gente nunca sabe o que vai encontrar».

Nada do que o Dedé dissesse era levado a sério. Por mais sérios que fossem seus enunciados e máximas.
 
Consta que foi por volta de 1978 que o Dedé cismou que o tempo estava passando mais rápido.
Alardeava aos quatro ventos a singular constatação, dispunha-se a chamar a comunidade científica pra comprovar por A+B a sua tese. Tinha toda uma teoria, amparada por equações complicadíssimas, cálculos quânticos e dízimas periódicas. Porém, mais rápido ou não, o tempo passou e a coisa ficou por isso mesmo.

 Uma figura, o Dedé. Pelo seu jeitão aloprado, muitos o chamavam de Lelé. Que maldade.
 
Líder nato, amava palavras de ordem e gritos de guerra. Adivinha, no colégio, quem era o presidente do grêmio, o chefe da fanfarra, o representante de classe, o orador da turma?
Lógico, o Dedé. Na faculdade, estampava e vendia nos intervalos das aulas camisetas do Che, da plantinha de Cannabis e contra o imperialismo ianque.



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mapa Verde do Jardim São Sebastião - Mirian Cristina Ubaldo



Mapa Verde do Jardim São Sebastião - Mirian Cristina Ubaldo
A Rede Social de Taquaritinga, sob a mediação de Mirian Cristina Ubaldo e coordenação de Suellen Cedroni, realizou a entrega oficial do Diagnóstico participativo juntamente com o Mapa Verde do Jardim São Sebastião à comunidade.

O evento aconteceu na Fundação Edmilson no dia 07/11/2011 com a presença de líderes comunitários e representantes de secretarias municipais .

A visão de futuro e o Diagnóstico participativo serão ferramentas norteadoras para o desenvolvimento dos trabalhos, que deverão definir a vocação do bairro, as prioridades, ações e projetos que deverão ser implantados para chegar ao futuro desejado.



domingo, 13 de novembro de 2011

Jornal Raizonline nº 146 de 14 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Respeitar as nossas raízes



Jornal Raizonline nº 146 de 14 de Novembro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Respeitar as nossas raízes

 A maioria das pessoas que vê o seu tempo do passado numa forma positiva e encara de bom grado uma rememoração sobretudo da infância. Infâncias despreocupadas, infâncias protegidas no seu curso pelos mais velhos, possibilidade de brincar e chegar a casa com a certeza de ter o jantar na mesa, enfim, tudo isso é (foi) uma vida que deixou marcas brilhantes que ainda hoje se procuram fazer reluzir, dar lustro e em certo sentido, reviver pela memória.

A minha infância não foi nem melhor nem pior do que a dos outros, encurtada já na fase semi-juvenil pela necessidade de trabalhar, mas lembro-me perfeitamente do Chico, um moço agora para aí com um metro e sessenta, ser o campeão nas corridas que fazíamos. Era mais pequeno que nós embora da mesma idade, levantava a cabeça para a frente como se cortasse a meta ao longo de todo o percurso e lá ia ele para a vitória.

Eu, como não lhe ganhava, em teoria nem devia falar nisto para preservar o meu prestígio, a minha imagem, sobretudo porque esta questão não sendo segredo de estado também não é do conhecimento das pessoas que me lêem. Em rigor deveria falar das coisas em que fui melhor que ele e / ou que os outros e não das coisas em que fui menos bom ou em que fui pior...mas não vou falar nisso mesmo.

Prefiro enveredar por um outro plano no discurso que ultrapassa de uma forma também airosa tudo isso, todas essas pequenas frustrações que nem chegaram a ser frustrações de longa duração: tanto eu como os outros acabámos por chegar à conclusão que ele era melhor na corrida e acabámos por andar ao lado dele nas situações em que a velocidade nas pernas era importante.



André Mingas - Um sorriso musical que partiu 



André Mingas - Um sorriso musical  que partiu 
Há seres humanos que acabam por deixar de pertencer aos seus familiares e passam a pertencer a todo um povo, André Mingas foi um deles. Continuará a sê-lo enquanto viver na memória da sua música e a preencher espaços das nossas vidas com a harmonia da sua obra.

Na hora da partida, aos 61 anos, André Mingas deixou suspensa uma nota musical que pôs os angolanos a cantar, um pouco como se cada um dissesse presente! Eu sinto esta música.
«Sentimos no teu canto de violão sincopado, tantas vezes igual ao teu e cada vez mais igual a ti mesmo, a eterna majestade de um rei de coroa de sonhos e manto de charmes que tivemos o privilégio de ter emprestado de Deus durante 61 anos», leu-se no elogio fúnebre.

E este empréstimo levou André a, nas palavras do amigo Reginaldo Silva, saber «influenciar e alterar positivamente, como poucos, o curso normal dos acontecimentos».
UM SORRISO QUE E UMA MARCA

«E superaste na mestria de sorrir camuflando sabe-se lá que pesares… Sorrisos de fazer bem à alma alheia que deixam como rastro uma lembrança bonita: não nos lembramos de ti com outra aura que não tenha sido a da beleza e da gentileza».

Esta passagem, igualmente lida no elogio fúnebre, acaba por ilustrar aquilo que é a imagem que André soube passar de si para a família e para a sociedade. Soube passar e soube ser. Um homem que sabia sorrir. Provavelmente será esta a imagem que o manterá presente para sempre.




A CHEGADA - Por Arlete Piedade - Conto Bilingue (Português e Espanhol)



A CHEGADA - Por Arlete Piedade - Conto Bilingue (Português e Espanhol)

Este conto ficou em 5º Lugar, no IV Concurso Artístico «Histórias de Natal» promovido pelo Centro de Estudos Culturais de Petrópolis - RJ (Brasil).

Era já noite alta, as estrelas brilhavam no céu escuro e límpido, iluminado pelo brilho das constelações e nebulosas que se recortavam claramente naquele firmamento esplendoroso de luz e quietude.
 José caminhava desde há vários dias e noites apenas com pequenas paragens para os animais descansarem, e sua esposa e o Menino comerem algum parco alimento que lhe permitisse prosseguir naquela viagem, cujo fim ele esperava alcançar nos dias seguintes.

As suas pernas cansadas prosseguiam no entanto com um ritmo próprio como se não pertencessem ao mesmo corpo e fossem comandadas por algum mecanismo desconhecido de um tempo futuro, ou talvez passado, José não sabia, mas sentia que elas não lhe pertenciam e alguma força superior as comandava em seu lugar e lhe fazia sentir aquela urgência em prosseguir sem descanso até o Menino estar seguro em terra egípcia.

Olhou para trás brevemente, alertado por algum ruído diferente e quase imperceptível e viu sua esposa que dormitava sentada no burro exausto que no entanto ia também arrastando as suas patinhas desabituadas daquele piso, e envolvido na manta que o protegia do frio noturno do deserto, o pequeno vulto do filho de Maria, mas a quem ele amava com um amor tão forte que sentia que daria a sua vida para o proteger e a sua mãe.

Um pequeno vulto negro no céu, se destacou por breves momentos contra o brilho da noite estrelada e José pensou que fosse uma ave noturna e em breve esqueceu, enquanto prosseguia incansável rumo ao sol nascente cujos clarões da aurora já começavam a pincelar o céu com rosas e violetas sob um fundo dourado.

Em breve o sol esplendoroso e ardente iria subir rapidamente no céu e cada dia era mais difícil prosseguir viagem sob o calor sufocante.