domingo, 13 de novembro de 2011

No tempo da escola - Texto de Arlete Piedade



No tempo da escola - Texto de Arlete Piedade
 
 Fala-se agora muito no bullying na escola, mas este fenómeno sempre existiu, embora sem os contornos exageradamente violentos a que agora se assiste nestes tempos atuais.
 Recordo-me em especial como marcante, da passagem da escola primária para a escola preparatória, o que implicou não só a passagem de escola, mas o entrar na pré-adolescência, a mudança da aldeia para a vila mais próxima, ficar fora de casa todo o dia, pois que saía de madrugada de casa, para apanhar o autocarro, e só regressava ao início da noite.

Tinha que levar o almoço, porque na altura não havia refeitórios na escola, apenas um pequeno bar, nem local para aquecer o almoço, porque nem sequer existiam ainda os micro-ondas. Havia apenas uma sala com meses, onde podíamos comer.

 Portanto levava numa maleta, a lancheira com o almoço, que era comido frio, embora a minha mãe na tentativa de o manter quente até á hora do almoço, embrulhasse a lancheira, em papéis de jornais, o que era o isolante que se usava na altura.

Isto acontecia nos anos de 1967-1968-1969, entre os meus 11 a 13 anos, quando na altura em França, tinham lugar as célebres revoluções estudantis e o homem chegava á lua. Na música, os adolescentes como eu, encantavam-se com os Beatles, Adamo e Júlio Igésias, e outros cantores franceses que não me recordo agora.

Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Artigo/Resenha Crítica - ROMANCE «A mulher, o Homem e o Cão» de Nicodemos Sena por Silas Correia Leite - Uma «Neverland» na Hiléia Amazónica



Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Artigo/Resenha Crítica - ROMANCE «A mulher, o Homem e o Cão» de Nicodemos Sena por Silas  Correia Leite - Uma «Neverland» na Hiléia Amazónica

Para falar do novo livro do escritor paraense radicado em Taubaté -SP, Nicodemos Sena, «A Mulher, o Homem e o Cão» (Ed. LetraSelvagem, 2009, Coleção Gente Pobre, 152 pág.) não teria como não me reportar ao sucesso que foi a portentosa obra «A Espera do Nunca Mais» (Ed. Cejup, 1999), um caudaloso romance elogiado pela crítica, «que faz meio-termo entre ficção e realidade (...); alto estilo, demonstrando vigor e consciência estética(...)», segundo Ronaldo Cagiano (in Opção Cultural).

A amazônica como um todo, resgatada e retratada, do rural-agreste e ermo aos «anos de chumbo» da ditadura militar (o escritor é um retratista de seu tempo e das amarguras de seu tempo?), no letral, literal, e lítero-culturamente sob todos os aspectos. «Uma aula de Amazônia (...)», diz Oscar D’Ambrosio (in Caderno de Sábado, Jornal da Tarde).

Coloco pra mim, entre os dez melhores romances brasileiros, não necessariamente numa ordem linear, «Dom Casmurro» ( Machado de Assis), «Grande Sertão: Veredas» (Guimarães Rosa), «Vidas Secas» (Graciliano Ramos), «Incidente em Antares» (Erico Veríssimo), «Crônica de Uma Casa Assassinada» (Lúcio Cardoso), «Macunaíma» (Mário de Andrade), «O Cortiço» (Aluisio de Azevedo), «Dona Flor e seus Dois Maridos» (Jorge Amado), «O Cais da Sagração» (Josué Montello), e, entre todos os do Autran Dourado (que é ótimo em tudo o que escreve), o recente romance «A Mulher, o Homem e o Cão», de Nicodemos Sena, certamente o maior romancista brasileiro contemporâneo, pouco pop e naturalmente muito cult, diga-se de passagem.




Poesia de Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz - subjetividade lixo da contemporaneidade; homens!



Poesia de Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz - subjetividade lixo da contemporaneidade; homens!

subjetividade lixo da contemporaneidade

corpo,
 prisão da alma,
 destruo-te no anseio
 de libertar meu sonho...
 corpo-rosto,
 acessório,
 que te retalho e estico:
 simulacro da juventude!
 corpo-boca,
 fumante,
 que me alicia e fede:
 paradoxo sensual!
 corpo-peito,
 descartável,
 quero-te em redefinição:
 prótese defeituosa!

homens!

Qual o homem – esse deus pensante -
que nunca se fez oração
 na boca de uma mulher?
 Qual o homem – esse ser errante –
que nunca se fez caminho
 nos trilhos de uma mulher?
 Qual o homem – esse ser nefando -
que nunca se fez passado
 nos sonhos de uma mulher?
 Qual o homem – esse ser garrido –
que nunca se fez passivo
 noa braços de uma mulher?
 Qual o homem – esse ser perdido –
que nunca se fez encontrar
 nos beijos de uma mulher?

Leia este tema completo a partir de 14/11/2011

Poesia de Denise Severgnini - DE POETISA A LOUCA...



Poesia de Denise Severgnini - DE POETISA A LOUCA...

DE POETISA A LOUCA...


Massacro a palavra, o verso, a métrica
 Todo dia, toda hora no pensar maníaco
 Psicose inspiradora verte como poesia elétrica
 Entusiasmo criador do agridoce ao amoníaco

Danço nas hordas da bipolaridade humoral
 Claridades brunas aos sóis das meias-noites
 Ou negrores ternos na minha aurora boreal
 Zig - zagueiam... Cotidianamente são açoites

Um Yin e um Yang tão inversos estrondeiam
 Em presença de mios desvairados de Ding e Ling
 Nem Dali e Van Gogh profícuos e lúcidos abarcam
 A possessiva demência do meu intelectivo King

Se criatividade é ininterruptamente imaginar,
 Aquela expressão não dita discorre mais alta
 Do que os vocábulos expostos num versejar.
 Da entrelinhas, a camuflada realidade salta!

Leia este tema completo a partir de 14/11/2011

São Paulo em Minicontos - Olhos e Máscaras Negros!- Paradoxos do Anjo - Cecília - Lenda Urbana!



São Paulo em Minicontos - Olhos e Máscaras Negros!- Paradoxos do Anjo - Cecília - Lenda Urbana!

Olhos e Máscaras Negros!

Tiago, olhos negros como uma jabuticaba bem madura, sobrancelhas espessas e negríssimas que contrastam com a tez alva!
Na Igreja de São Judas, lá no Jabaquara, surge a noiva com vestido alugado, bela e dissimulada! O vestido não é exatamente igual ao da «princesa» – lamenta a «noiva» que vasculhou todas as lojas da São Caetano, mas não conseguiu o tal vestido da princesa.
 Tiago, masoquista, exige de si mesmo que os perdoe!
No altar, Daniel: cínico, e inescrupuloso, e traidor - espera pela Bruxa travestida de Princesa Medieval. Daniel está mais para «sapo» do que para «príncipe». Um sapo de olhos verdes. Olhos de Serpente! O baile será à fantasia, onde até «Veneno Mortal» será servido!

Paradoxos do Anjo

Ele não é «Capitu», mas tem os «olhos de ressaca», sim! O Pai foi embora quando ele ainda era um bebê. A mulher dita fatal e armada até os dentes mordeu a língua do pai do menino: Derradeiro Beijo! Deus queira que ele, o Pai, no céu esteja!

Se o Pai não tivesse sucumbido ao decote da mulher que carrega na mão direita a foice, hoje, o «Menino - Anjo -Pornográfico» seria um Anjo de Outra Natureza – tudo seria diferente: O Menino não se colocaria no mundo como «Mercadoria», ensinando a quem queira aprender que agora quase tudo já é «Bem de Consumo» – divaga a «caixa» da padaria que o vê passar viçoso, e esguio, e cós da «Cueca Kalvin Klein» à mostra, e meio ingênuo!



Poesia de Ana Barbara Santo António - VIDA INCOMPLETA



Poesia de Ana Barbara Santo António - VIDA INCOMPLETA

 Toda a minha vida será uma poesia incompleta
 Um poema por cumprir
 Uma palavra por sentir
 Um verso por florir
 E digo-o sentido
 Com a alma em lágrimas
 Com o coração ferido
 Com a pele em mágoas
 O corpo prisioneiro das palavras
 As mãos cansadas de escrever
 Os dedos amortecidos pelo prazer
 De sentir e de ler
 Esses versos sentidos
 Que falam do ser
 Incompreendidos

Leia este tema completo a partir de 14/11/2011

sábado, 12 de novembro de 2011

Crônica Abílio Pacheco - ENEM, e nem! Eu, hein!



Crônica Abílio Pacheco - ENEM, e nem! Eu, hein!

Ano passado eu escrevi sobre o ENEM em duas crônicas que publiquei aqui e
aqui.
Mas o problema soa tão recente que não parece ter sido ano passado. Ademais o ministro da Educação (não satisfeito com um vexame por ano e do ano retrasado) querer transformar o ENEM em exame semestral dá mesmo esta sensação de que foi ontem. Num dos textos, eu falo da necessidade de salvar o ENEM.

E de novo precisamos salvar o exame. Acusem logo o ministro de qualquer corrupção para que ele cai logo. Inventem qualquer coisa, porque já deu para notar que falta de competência não é suficiente para que ninguém deixe o cargo. Um Cristóvão Buarque até que não seria mal. Que me desculpem os paulistanos, mas tomara que ele ganhe para prefeito caso se candidate. Vá lá, ser descurado numa só cidade que no país todo.

Agora. Vejamos o ENEM deste ano. Tem uma coisa que não faz sentido. Quer dizer que as questões usadas num (pré-) teste ano passado e que, por algum mau acaso, foram parar na prova do ENEM vasaram para um simulado aplicado pelo Colégio Christus uma semana ou três dias antes. Repetindo: questões de outubro de 2010 também presentes no exame de outubro deste ano vasaram para um simulado de uma semana anterior?

Não faz sentido. Foi um vasamento anacrônico!? Vamos colocar na ordem temporal: houve um pré-teste em outubro de 2010, o colégio Christus usou questões não -inéditas (provavelmente provenientes das mais variadas fontes, inclusive do pré-teste) num simulado uma semana ou três dias antes do exame e o MEC/INEP reutilizou as questões não-inéditas no ENEM.