sábado, 12 de novembro de 2011

Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - O Casamento - Por: João Furtado



Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - O Casamento - Por: João Furtado

Desta vez não usamos o Hiace. Iamos a boleia de um amigo. A viagem foi mais suave, não tivemos que dar mil e uma curva até o carro encher. O Hiace leva oficialmente 13 pessoas, normalmente 16 a 20.

A policia bem tenta impedir com multas mas dificilmente consegue multar alguém, embora todos os condutores se gradeiam entre eles, quando existe uma operação «STOP», os que passam pelo ponto do «STOP» pisca para todos os Hiaces com que se cruzam. Uma espécie de pacto.

Outra razão do excesso da capacidade é que ninguém quer entrar num Hiace vazio. E sempre a força que vai-se rendendo e entrando no carro. Um puxa eu puxa você com resultados imprevistos. Todos os condutores têm um grupo de 4 ou 5 ajudantes que a troco de alguns tostões entram e fingem ser clientes e que vão descendo aos poucos conforme o Hiace vai-se enchendo com verdadeiros clientes.

O carro sai do largo da Sucupira toma Avenida de Lisboa vira a esquerda, contorna a Rotunda a frente da sede do Sindicato UNTC-CS, Primeiro de Maio toma a Avenida da Fazenda vai até a Ponte da Vila Nova vira a direita anda mais uns 300 metros vira a esquerda, sobe Safende, passa por Cruz Marques chega a Rotunda de Ponta de Agua, sempre a parar, a lutar para que este ou aquele passageiro entre no seu Hiace e não do colega de profissão.

E regressa no sentido inverso até o Largo da Sucupira de novo. Ao todo cerca de 2 ou três quilómetros. Já cheguei a fazer este percurso pelo menos 6 vezes antes de rumar ao destino programado. Deve ser por isso que todos procuram o Hiace que já esta cheio. Mesmo se para tal se lembre das sardinhas enlatadas, só que as sardinhas não tiveram escolha…



Recordar o Raizonline-Textos de numeros de arquivo - NOS SERTAO DO BRASIL - Crónica em «caipirês» por ACAS



Recordar o Raizonline-Textos de numeros de arquivo - NOS SERTAO DO BRASIL - Crónica em «caipirês» por ACAS

As coisa num ia bem! Sór brabo pra mais de quatro mêis. Lá nos piquete, o gado magricela e os matungo, era só pele e osso. Até no córgo do brejão, já se via os efeito da estiage. No poção, bem na curva do córgo, adonde as traíra vão tomá sór e os lambari de rabo vermêio e os tambiú acudia aos magote até quando uma fôia caía nágua, era só desolação.

Tudo o que as vista arcança e vê agora é aquele mundão de meu Deus de pexes boiano, tudo de barriga pra cima, puxano o fôrgo sem ar. Arguma coisa o cão fez pra ficá assim! Eu era um bacurim e vi isso tudo. Eu tava dijunto cum a minha mãe e as cumadre dela e mais um mundão de criança e muié dos colonho da fazenda. Nóis tudo carregava uma garrafa dágua cada um. Nóis tava numa porcissão pra São Pedro fazê chovê, rezano e cantano uns hino.

 ...«Nossa Senhora saiu/com seu manto na cabeça/Nossa Senhora saiu/Com seu manto na cabeça/O manto dela caiu/Bem na rua da tristeza/ A seca tá muito grande/Chuva Deus num qué mandá/A seca ta muito grande/Chuva Deus num qué mandá/Manda as chuva que nos móia/Nem si fô pra consolá »...
E nóis seguia as estrada de terra batida, os carreadô, as senda. Tudo quanto era Santa Cruz das estrada nóis parava, rezava dez Ave-Maria e Deiz Padre-Nosso e cantava os hino. Quanto acabava, despejava um poco da água da garrafa em cima da santa cruz.





Página de Varenka de Fátima Araújo - O silencio que gela...(Poema); Você é para mim.....(Texto)



Página de Varenka de Fátima Araújo - O silencio que gela...(Poema); Você é para mim.....(Texto)
 
 
 O silencio que gela...

Ao nascermos a única herança que nos acompanha é a morte
 esta sempre nos acompanhando
 nas escapas, montanhas
 nas casas, jardins, janelas que se abrem
 em cima dos prédios

O silencio que gela...

 Na rua ela pode te abraçar
 no ar pode te abraçar e soltar
 no mar pode te abraçar e levar pro fundo
 na terra pode te abraçar e jogar no lixo
 na árvore pode te abraçar e jogar no chão

Você é para mim.....

Ter um filho é dadivoso, privilegio dos seres humanos, pequeninos são como os anjos, vivendo na pureza, perpetuando a espécie e povoando a terra.
 
Muito pouco é o que aqui escrevo, para dizer o quando, você é importante, vida minha.

Todas as palavras vão sangrando e elevando meu pensamento. Meu moreno da cor que combina com teus olhos e cabelos pretos. No encantamento do meu sonho se fez realidade. Você independente, sonha o mais intenso dos sonhos, na caminhada, onde às pedras soltas, fazem cicatrizes, mas o tempo como bálsamo apagara...


 

Quem é quem? - Os papéis nas experiências de Bullying e Ciberbullying - Por Virgínia Teixeira



Quem é quem? - Os papéis nas experiências de Bullying e Ciberbullying - Por Virgínia Teixeira

O bullying e o ciberbullying têm sido objecto de grande interesse científico e nos últimos anos têm proliferado os estudos e propostas de intervenção na área.

O bullying caracteriza-se como as experiências de agressão que englobam determinadas características, nomeadamente: intencionalidade, ou seja, que o dano seja deliberadamente infligido; repetição e duração do comportamento, ou seja, que seja um acontecimento que ocorre diversas vezes e ao longo do tempo; e que haja um desequilíbrio de poder entre os intervenientes (agressor e vitima), o que implica que a existência de situações de agressão entre indivíduos com o mesmo poder físico não sejam englobados no grupo de comportamentos que consistem bullying (Olweus, 2003).

O Ciberbullying será uma agressão perpetrada através de meios de comunicação electrónica (Email, telemóvel, Messenger ou pela Internet, por exemplo) de forma deliberada (Ybarra & Mitchell, 2004).

O bullying e o ciberbullying, apesar de terem diversos aspectos comuns, apresentam também características distintas que os tornam fenómenos independentes, ainda que em frequente interdependência.

Os papéis adoptados pelos envolvidos em experiências de bullying/ciberbullying poderão ser essencialmente definidos como: vítimas, agressores, agressores/vítimas e espectadores; embora diversas denominações tenham sido utilizadas ao longo do tempo.

Uma parte substancial da investigação tem focado em particular o papel da vítima nas experiências de bullying/ciberbullying, e o modo como esta é afectada; no entanto têm sido também realizados estudos interessantes que analisam características e antecedentes dos agressores, assim como as consequências das experiências de bullying/ciberbullying nestes.




Poesia de Maria Custódia Pereira - UMA IMAGEM UM POEMA; MEU CORPO; BEM-VINDO



Poesia de Maria Custódia Pereira - UMA IMAGEM UM POEMA; MEU CORPO; BEM-VINDO

 UMA IMAGEM UM POEMA
 
 Ao passar por aqui, sentei-me
 Debaixo desta árvore tão linda,
 E com toda esta beleza deparei-me
 Com algo que não tinha visto ainda.

Tantas florinhas de várias cores
 Brancas, azuis, rosa e amarelas,
 Umas mais pequenas outras maiores
 E que cheirinho que vem delas.

MEU CORPO
 
 Meu corpo
 Há muito acabado, desfeito,
 Esconde o que já não tem, ficou sem jeito
 Apenas um bom coração guardo no meu peito.

Meu corpo
 Sem carícias, morreu devagar,
 Estremecendo ao leve toque do teu olhar
 E as curvas torneadas acabaram por alargar.

BEM-VINDO
 
 Ainda bem que regressaste
 Já sentia a tua falta,
 Os carinhos que mandaste
 Distribui-os pela malta.
 O grupo ficou mais triste
 Sem a tua companhia,
 Pois assim que tu saíste
 Ninguém mais escrevia.

Leia este tema completo a partir de 14/11/2011

Recordar o Raizonline - Trabalhos de números de arquivo - Histórias de Bia - Conto de Maria Petronilho



Recordar o Raizonline - Trabalhos de números de arquivo - Histórias de Bia - Conto de Maria Petronilho

Aos seis anos, Bia já lia e escrevia sem erros.
 Aprendera não se sabe como, ao mesmo tempo que aprendera a fazer laços com os atacadores dos sapatos, a abotoar os colchetes da saia, a fazer bonecas de trapos. é muito fácil fazer bonecas.

 Podem ter ou não ter esqueleto, depende do tamanho e este depende dos trapos que o acaso nos deixa à mão de semear. Reúnem-se os trapos e escolhem-se os tecidos para o corpo e para o vestuário.
 Para as bonecas pequenas, bastam fios, até linhas servem, se se enrolarem bastante. Se a boneca for grande, tem de ter esqueleto, ou seja, uma armação, em cruz feita com dois pauzinhos.

Começa-se por uma bolinha: pode ser de pano, de pão, de algodão... se a gente tiver um berlinde (bola de gude) então... very, very good! Ata-se bem apertado, em espiral, para fazer o pescoço.
 Faz-se um rolinho de tecido e coloca-se na horizontal, ajeitando o tecido de modo a que fiquem a descoberto dois pedaços de cada lado. Nas bonecas com esqueleto, envolvem-se os braços de pau em tiras de tecido e no fim dos braços cozem-se as pontas com pontinhos miúdos, a fazer de mãos.
 Na vertical, isto é que requer alguma habilidade, colocam-se outros dois rolinhos: as pernas. Se se tiver um trapo com que se faça um rolo fino e comprido o suficiente para se dobrar em ângulo... então é facílimo!

 ... Mas é preciso ter muita sorte... As mulheres aproveitam esses pedaços para fazer remendos. Se a boneca tiver esqueleto tem de se ter muito cuidado, colocando um outro pauzinho do mesmo tamanho, de modo a que a boneca não pereça coxa.

Ata-se muito bem a cintura. Depois é só fazer a roupa!
 Cruza-se uma tira a fazer de blusa e coze-se dos lados. E com um trapézio do mesmo ou de outro tecido, talha-se a saia.






Histórias...mais que histórias - Por Karolina Felipe - Esvaziando os armários de nossa vida



Histórias...mais que histórias - Por Karolina Felipe - Esvaziando os armários de nossa vida
Todos os anos há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico.
Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo.

Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.
 Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado.

Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido «espetacular» ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina connosco e nunca usamos.

Por vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá, guardada sabe-se lá por que.

Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas. Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.
 Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais.

Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente.
 De uma olhada séria no que anda guardando lá. Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia.