domingo, 30 de outubro de 2011

Jornal Raizonline nº 144 de 31 de Outubro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Regresso ao passado



Jornal Raizonline nº 144 de 31 de Outubro de 2011 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - Regresso ao passado

Desde há algum tempo para cá temos publicado com alguma regularidade trabalhos a que chamamos «dos números de arquivo». Esses trabalhos pelo facto de serem recolocados, depois de devidamente vistos (lidos) mostram aquela realidade que tem sido a constante mais presente no nosso Jornal Raizonline.

Mostram também esses trabalhos publicados de novo, com dois três anos de intervalo, que o facto de se trabalhar neste jornal com a arte, com os artistas, sejam eles poetas ou prosadores tem uma vantagem enorme: trabalhamos com a intemporalidade, quer dizer, trabalhamos com «coisas» que lidas há três anos e lidas agora mantêm a mesma frescura inicial. Na prática bastaria não fazer a referência à republicação para que só poucos se dessem conta do facto de se tratar de republicações.

E é boa essa constatação porque se aplica muito também a todo o complexo que nos envolve a todos quer no jornal quer na rádio quer nos outros elementos paralelos e / ou auxiliares que temos no nosso projecto Raizonline.

 Curioso que sou com os motores de busca reparo com frequência - e todos podem ver por exemplo nos widgets de permanência dos blogues - que temas com vários anos de publicação são lidos e relidos várias vezes.



Recordar o Raizonline - Trabalhos dos Numeros de Arquivo - Poesia de Patrícia Neme -  



Recordar o Raizonline - Trabalhos dos Numeros de Arquivo - Poesia de Patrícia Neme -
Auto-retrato ; Fiz do verde meu caminho...; Das rosas e dos Sonhos; Libertação

Auto-retrato
Me pedes das feições... Contempla os traços
das vidas, cujo lar é uma calçada.
Caminhos, onde os sonhos são escassos,
aos quais o fado oferta o nada... Nada!
Encontra-me no olhar do pequenino
privado de carinhos, de alimento;
na infância - filha de único destino:
um chão, sem sepultura, alma em tormento.
é minha a voz pungente em elegia

Fiz do verde meu caminho...

Fiz do verde meu caminho,
fiz da vida plantação;
plantei flor e passarinho,
filhos, versos e oração.
Plantei pão e plantei vinho,
com o amor da minha mão.
Caminhei por verdes mares,
fiz sorrir verdes olhares,
verde foi o meu jardim.
Verde foi minha esperança
no verdor das minhas tranças...
Hoje restam só lembranças
com as quais brinco cantares

Das rosas e dos Sonhos
«O sonho que se esvai na desventura»
do anoitecer das pétalas das rosas,
é sonho embevecido pela alvura
da mão entregue às tramas amorosas.
O sonho que se esvai... Sonho ou loucura?
No sonho habitam cores enganosas...
E na loucura habita a entrega pura
de quem sonhou venturas ardorosas.

Libertação
E certo, amei-te além do meu bom senso,
com força, com delírio... Com loucura!
Amei, tão de profundis, tão intenso...
Que me perdi... Quando à tua procura.
E achei-me em pranto largo, triste, denso,
nos campos semeados de ternura.
Amei-te... E o meu amor foi tão imenso...
E para ti, foi tudo uma aventura...

Leia este tema completo a partir de 31/10/2011

Textos poéticos de Joaquim Nogueira



Textos poéticos de Joaquim Nogueira
 
 Joaquim Nogueira

«… deixa enroscar-me nos teus braços… coloca tua mão na minha cabeça e enrola os teus dedos nos meus raros cabelos… baixa um pouco a tua fronte e beija a minha boca… deixa enroscar-me no teu colo… sentir a tua maciez e ver de baixo para cima o teu sorriso… ver-te junto a mim e saber-te ali comigo… de tal forma que quando olhas eu sou o teu olhar… de tal forma que quando sorris eu sou os teus lábios… de tal forma que quando me afagas eu sou a tua mão… de tal forma que quando me tocas eu sou o teu corpo… de tal forma que quando me olhas eu sou o teu olhar…

deixa pousar o meu cansaço na tua serenidade e sentir a tua paz na minha guerra… baixar as armas e sentir a trégua na tenda que se ergue no deserto da batalha… humedecer as mãos na brisa da água que corre no ribeiro que nos circunda… lavar a cara na frescura do vento que nos embala… sentir que nem tudo é real mas que o sonho nos preenche… sentir que, por vezes, só o desejo chega, só o querer basta, só o pensar nos satisfaz… deixa-me ser não só a realidade mas também o que não somos… deixa-me olhar para dentro de ti e ver-me inteiro… deixa-me tocar-te com o sonho e saber-me parte dele como sei que ele é uma parte do meu eu verdadeiro…»

Leia este tema completo a partir de 31/10/2011

Página de Michael Ginobili - Em colaboração com : Michael Ginobili e Autocinetrip - Instinto de Vingança; O Mágico; O Solteirão; Piranha



Página de Michael Ginobili - Em colaboração com : Michael Ginobili  e Autocinetrip - Instinto de Vingança; O Mágico; O Solteirão; Piranha

Instinto de Vingança
Depois de assistir a Instinto de Vingança (Tell-Tale) fiquei com uma dúvida na cabeça: por que esse título não foi lançado diretamente em DVD? Alguns filmes têm esse destino por não apresentarem um grau de qualidade suficiente para se promoverem na tela grande, ou não têm atores famosos em seu elenco para chamar a atenção do espectador. Pois bem, essa fita sofre dos dois problemas e mesmo assim chega ao circuito de cinema. Vai entender!

Para não dizer que o elenco é formado por totais desconhecidos, Lena Headey interpreta a médica que se envolve com o protagonista. Antes disso, a atriz inglesa tinha vivido a rainha em 300 – seu personagem aparecia em cerca de cinco cenas na adaptação da graphic novel. O nome mais expressivo entre os atores desse thriller é Brian Cox (Meu Monstro de Estimação), mas em um papel secundário.

O Mágico

A animação O Mágico é o casamento de dois grandes nomes do cinema francês, ambos capazes de contar boas histórias sem usar diálogos. O cineasta Jaques Tati (Meu Tio) fez alguns filmes em que ele mesmo atua praticamente sem ter falas, mas deixou para trás um roteiro nunca filmado. Felizmente, o animador Sylvain Chomet o adaptou e criou uma obra maravilhosa.

Nunca é demais avisar que, assim como Bicicletas de Belleville, não se trata de uma peça para o público infantil. Os adultos é que devem prestigiar, rir e se emocionar com esse filme.

O Solteirão

Comum é dizer que a vida imita a arte ou vice-versa. No caso de O Solteirão, as duas possibilidades se aplicam para o personagem defendido por Michael Douglas. Anos atrás, o ator tratou-se de seu vício em sexo e seu acordo pré-nupcial com Catherine Zeta -Jones prevê uma grande multo em caso de adultério. A arte imita a vida.

Depois de finalizadas as gravações desse longa, Douglas descobriu estar com câncer. Começou então uma luta por sua saúde. A vida imita a arte, apesar de Ben não enfrentar sua condição e usar essa dificuldade como o começo de uma filosofia de vida deturpada.

Piranha

Um filme de terror em que o perigo está em peixes sanguinários, com Richard Dreyfuss no elenco. O leitor pode pensar que se trata de Tubarão (1975), mas na verdade é o remake do menos conhecido – e menos conceituado – Piranha (1978). A referência não é acidental, já que o ator até cantarola a mesma música que estava na cena do clássico dirigido por Spielberg. Dreyfuss resolveu usar a situação para o bem e doou seu cachê de US$ 50.000 para caridade.

Não é apenas em Tubarão que Piranha apoia-se para atrair fãs de outras franquias. Christopher Loyd interpreta um papel que é claramente baseado em Doc de De Volta para o Futuro (1985). Ele vive um especialista em peixes que aparece do nada para explicar a periculosidade das piranhas pré-históricas que causam o terror no Lago Vitória.

Leia este tema completo a partir de 31/10/2011

Poesia de Rose Arouck - O Poeta; Leia-me; Sou Tua Sombra 



Poesia de Rose Arouck - O Poeta; Leia-me; Sou Tua Sombra

O Poeta

O poeta é
fonte aberta
jorrando na imensidão;
mata a sede de aventuras
consola as criaturas
e ameniza a solidão.
Poeta é ser divino
que Deus um dia criou;
deu-lhe o dom da ternura
fez-lhe semeador da cultura
a brotar pelo amor.
Ele orienta a paz,
è Força pura e capaz;
de dominar um açoite
mudar o dia em noite
e tudo em amor transformar...

Leia-me
Está escrito em meus olhos cor do mar,
Sublinhado pelas ondas em maresias,
A escolha de ter-te,
e sonhando-te guardar
dentro dessas linhas que antes eram tão vazias.
Decifra-me com tua risada de cristal,
Espalha que não consigo me entender.
Soberana é tua casta, Rei tão real,
Enriquece-me com teu majestoso viver!

Sou Tua Sombra
Sou tua sombra e não das conta, quando chego
Infeliz, atravessando a luz da aurora;
é como a sombra no teu olhar que ainda eu vejo,
uma estranha promessa que feliz ora te torna.
Persigo tua pegada vacilante,
viril, decidida e inconstante;
rastros que tento intensamente alcançar.
Vejo a certeza postada à minha mesa
e uma esperança voltando na luz acesa
que me permite novamente te enxergar.

Leia este tema completo a partir de 31/10/2011

Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Poesia de Pequenina - Gotas Salgadas; Caminhante Errante; Já não sou mais eu



Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Poesia de Pequenina - Gotas Salgadas; Caminhante Errante; Já não sou mais eu

Gotas Salgadas

A noite chora
Num lamento de dor
Mistura-se ao ruído do mar
Lágrimas caem…
Sobre a areia branca num apelo
Pés atados…
Sentimentos afundados
Mente estafada, alma acorrentada
Sinto-me só, presa ao nada
Solidão da madrugada
Inserida no meu pensamento
Que como o vento, ruge
Absorvendo-me a cada dia
Gargalhando com ironia
A fé perecida, a desesperança…

Caminhante Errante
Mãos rudes, embrutecidas
Pés descalços, nas calçadas da vida
Pernas rígidas e endurecidas…
Trôpegas, mal resolvidas
Passadas curtas…
Inflexíveis, constrangidas
Cansado e humilhado, vai
Um vulto que declina, mas não cai…
Caminhante errante…
Vindo de um remoto passado
Já bem distante
Nasceu, sofreu e morreu…
Morreu em vida…
Limitado dos seus gestos
Sem protestos…
Com a lucidez corrompida

Já não sou mais eu
Já não sei onde ando
Se bem na terra ou no céu
No espaço, vivo ao léu
Contando as horas do tempo
Acampada por sobre as nuvens
Perdida no infinito
Não sou nada, sou o grito.
Trago a alma cravada
Carente e desamparada
Que aos poucos se declina
Sufocada pela neblina
Foi-se de mim, à menina
Já não mais me reconheço
À vida cobra o seu preço.
Deixem-me dormir


Leia este tema completo a partir de 31/10/2011

Recordar o Raizonline - Trabalhos de Numeros de Arquivo - JORNADA CREPUSCULAR - A tradição das Tertúlias nos Cafés - Por Mário Matta e Silva



Recordar o Raizonline - Trabalhos de Numeros de Arquivo - JORNADA CREPUSCULAR -  A tradição das Tertúlias nos Cafés - Por Mário Matta e Silva

GOETHE deixou escrito que os cafés «são uma espécie de clube democrático (…) onde se pode ficar sentado durante horas a discutir, a escrever…»

Em Veneza, o Florian, guarda memórias de Byron, Dickens, Proust, Yourcenar, e muitos outros que mantinham ali os seus grupos. Em Paris, o Procope, não só guarda memórias revolucionárias, como as de carismáticos visitantes que lá tertuliaram, como, Diderot, Montesquieu, Baudelaire, Verlaine…

Balzac resumiu assim tudo o que se podia, ao tempo, considerar sobre cada um dos cafés que frequentavam: «O café é o parlamento do povo.»

Esta frase não exclui a vivacidade dos grupos, formando elites, estilos, gostos, à volta das mesas onde o café arábico era alvo da degustação e do prazer, numa cumplicidade com o ambiente respirado e partilhado, de Arte Nova, entre espelhos, o ferro trabalhado, colunas, estátuas, mesas de mármore ou de madeira, cadeiras de boa madeira ou de couro.

Os cafés, a partir do último quartel do Sec. XVIII, (talvez por influência mais directa dos intelectuais estrangeirados) tornaram-se por certo no primeiro fórum socialmente plural. Muita poesia ou prosa, manifestos, tratados e abaixo-assinados foram construídos, lidos e discutidos pelas mesas dos cafés em várias épocas, nos mais dispares locais.

Porto, Coimbra, Lisboa, têm a sua tradição feita de boémios, de estudantes, de poetas, sustentando em suas mesas conversas acaloradas, piadas, anedotas tertúlias animadas…