sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Emília Marcelino Daniel Marques Leitão - Biografia, Bibliografia e Entrevista conduzida por Arlete Piedade



Emília Marcelino Daniel Marques Leitão - Biografia, Bibliografia e Entrevista conduzida por Arlete Piedade

Conheci Emília Daniel, como poetisa, ao participarmos juntas na antologia de poemas, Poetas de Santarém, há cerca de cinco anos e deste aí temos mantido contatos que se renovaram este ano por ocasião do Dia Mundial da Poesia e do evento promovido pela Biblioteca Municipal de Santarém, no qual participámos de novo em conjunto com outras pessoas ligadas á poesia e cultura.
Já este mês voltámos a encontrar-nos no I Evento Poético-Literário do Seixal, para o qual nos deslocámos juntas, devido a residirmos na mesma cidade.

Sendo esta senhora, uma pessoa que teve um percurso de vida multifacetado e brilhante, ligado á floresta e ambiente, primeiro em Moçambique onde se formou, trabalhou e viveu 30 anos, em seguida lecionando nos Açores e também com um estágio em França, num instituto de investigação ligado á agronomia, não podemos deixar de começar esta entrevista, falando desta parte tão essencial á economia de um país e que tão deixado de lado tem sido em Portugal nas últimas décadas.



Carta a um velho amigo metalúrgico - Crónica de António Carlos Affonso dos Santos - Acas


Carta a um velho amigo metalúrgico - Crónica de António Carlos Affonso dos Santos - Acas

Caro amigo,
Estamos ficando mais velhos! Os anos se sucedem. As lembranças da Cobrasma, em Osasco; no distante ano de 1971, ainda estão em nossas lembranças. éramos também pouco mais que adolescentes à época.

As crianças, que ainda há pouco choramingavam em nossos colos, hoje são mães e pais. Os netos correm pelos corredores, pelos jardins. Nós testemunhamos «par e passo» o quanto nosso país mudou nos últimos anos. Avançamos na tecnologia e regredimos nos costumes. Ficou o respeito entre os mais antigos.

Temos que nos adaptar a conviver com os desiguais; coisas do modernismo! Nossas companheiras; legado vivo de nossa existência e nós mesmos, já começamos a nos queixar das dores que a idade provoca. Quando somos jovens, projetamos muitos sonhos. E muitos deles não se tornaram realidade; alguns sonhos nós conseguimos realizar, ainda que, muitas vezes, não os realizamos da forma como os idealizamos. A idade tem um ingrediente ótimo; que é a temperança. Nós somos mais calmos para tomarmos decisões, que, via de regra, tornam-se cada vez mais sábias.

- Meu amigo. Estamos ficando mais velhos! Os anos se sucedem. Aos poucos, ficamos sabendo de um ou outro ex-colega de trabalho ou escola que já partiram desta vida levando alguma história, onde nós também fazíamos parte. Vimos muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.



Ivone Boechat - A filosofia popular sobre a morte



Ivone Boechat - A filosofia popular sobre a morte

Quando eu era criança, o velório era um acontecimento.
A cidade era pequenina, então tudo se divulgava rápido. Em pouco tempo, o alto falante da igreja onde o falecido frequentava comunicava, em alto e bom som, o passamento desta para uma vida melhor, ou se usava um carro anunciando detalhes: quem morreu, onde, idade, motivo do óbito.

A morte pairava nas piadas! Antes de acontecer o pior, até o doente bem humorado brincava: fiquei tão mal que por mais um pouco comia capim pela raiz; pensei que ia vestir um pijama de madeira, etc...Depois, se porventura o sujeito morresse, aí, sim, a coisa era levada a sério e o sepultamento era um fato social marcante.

Naquele tempo, não se fechava uma tampa de caixão sem jogar perfume e pétalas de flores sobre o defunto. Já fui encarregada de comprar muito perfume ruth para pulverizar por cima do morto. Nunca me esqueci do cheiro. O perfume, claro, perdia a personalidade, por causa do odor muito forte de cravo, cravina, brinco de princesa, de rosas miúdas de cores variadas.

Não havia casa de venda de flores, as crianças saiam pedindo nas portas da casa. Já ouvi muita coisa.
 - Esse defunto morava em cima da pedra?
 - Vou dar, mas não sei nem se merece.
 - Vá em paz.
 Houve negação:
 - Pra aquele cara ? Bata em outra porta.
 A caravana de crianças saía em mutirão solidário e não respondia a nenhuma provocação, nada. Quem deu, tudo bem.



Coluna de Manuel Fragata de Morais - MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS - DE HOMENS, PORCOS E OVELHAS



Coluna de Manuel Fragata de Morais - MEMORIAS DA ILHA - CRONICAS  - DE HOMENS, PORCOS E OVELHAS
Não deixei de sorrir ao ler nas «Curiosidades» do Jornal de Angola, sobre a prisão de um homem por ter tido relações sexuais com um porco.
 Imaginem!
 
Tantas foram as questões que se me colocaram e a tal velocidade, que por fim já não sabia como chegar a uma conclusão.
Tentei ver os direitos do cidadão suinófilo, e verifiquei que cada um come do que gosta, ainda por cima se for carne de porco.
Tentei ser magnânimo e defender a honra violada do porco, pôr na balança o peso do seu predestino, indagando-me se não viria a sofrer muito mais no facão, chegada a altura.

Achei, portanto, que o porco, se tivesse visão, deveria ter mantido aquele relacionamento na clandestinidade e não ter nada de que se ter posto para ali aos gritos, sem o mínimo de pudor. Todos conhecemos quanto grita um suíno, ainda por cima norte-americano, bem alimentado, 56 quilos de alta e vitaminada ração, cientificamente preparada, e de fazer inveja, em termos de proteínas, à alimentação de muita criança mundo afora.

Se decidiu bater com a língua nos dentes e desatar a gritar exactamente no momento em que a mana do pacato Austin Gullette passava, dando a conhecer ao mundo aquele amor incompreendido e viril, o que esperava?



Coluna de Manuel Fragata de Morais - O FANTASTICO NA PROSA ANGOLANA - O CABELO E A FOME de António Fonseca



Coluna de Manuel Fragata de Morais - O FANTASTICO NA PROSA ANGOLANA - O CABELO E A FOME de António Fonseca
O cabelo e a fome eram irmãos e viviam na mesma aldeia.
 Um dia foram às partes do leste fazer negócios para, de seguida, irem comprar escravos e bois. Foram ao leste e trocaram borracha com fardos de mantas e panos. Estavam já de regresso, quando, a meio do caminho, o céu ficou carregado ameaçando chuva.

A fome começou logo a cortar ramos de árvores, a arrancar capim e construiu uma cubata e meteu-se lá com o seu fardo. Quando o cabelo ia também meter lá o seu fardo, a fome disse-lhe:
 – Aqui não entras.
 O cabelo disse à fome:
 – Irmã, embora eu possa suportar as chuvas ficando fora, deixa-me guardar o meu fardo na tua cubata.
 Todavia, a fome não ligou ao pedido.

Choveu muito e o cabelo ficou ele molhado. Depois meteram-se a caminhar e, tendo andado bastante, dormiram. Quando nasceu o novo dia, o cabelo disse:
 – Irmã, fiquemos hoje aqui para eu estender e secar o meu fardo que se molhou com as chuvas de ontem.
 Mas a sua irmã fome não ligou novamente ao seu pedido.



Conto de Cremilde Vieira da Cruz - Avómi - A BRUXA MALUCA



Conto de Cremilde Vieira da Cruz - Avómi - A BRUXA MALUCA

Era uma bruxa tão maluca, tão maluca que ficou apelidada de Bruxa Maluca. Ela era muito rica e tinha uma vassoura de ouro, linda e valiosa. Como era muito desastrada, de vez em quando perdia a vassoura. Como era bruxa, fazia as suas poções para adivinhar onde estava a vassoura e também para fazer mal a quem a tivesse encontrado e não a quisesse devolver.

Certo dia, estava a Bruxa Maluca a fazer uma das suas poções, começou a ouvir um barulho muito esquisito e a ver sair um fumo muito azul do recipiente onde fazia a poção. Ela achava que era a melhor bruxa do mundo e ficou admirada com o que estava a acontecer, mas não se alarmou. Correu para o outro extremo da sala onde fazia as bruxarias, pegou noutro frasco e começou a fazer outra poção, desta vez para adivinhar o que estava a acontecer com a outra poção que fizera antes e originara aquele barulho e fumo azul.

Aí é que foram elas...! Mal ela deitou para dentro do frasco, um líquido branco, o frasco começou a deslocar-se da mesa e a subir, subir, até que bateu com toda a força no teto e se estilhaçou em mil pedaços. A bruxa ficou desesperada e desatou aos berros, porque tudo lhe corria mal e não conseguia localizar a vassoura, para sair dali por algum tempo. Então resolveu disfarçar-se.

Foi a um baú onde tinha muitas roupas e vestiu um lindo vestido de noite, calçou sapatos elegantes, pôs um chapéu e foi para a rua. Na rua ninguém a conhecia, porque o chapéu tinha um véu que lhe cobria a cara. Porém, como estava vestida de maneira não apropriada para aquela hora da manhã, quando passava, as pessoas olhavam e riam-se dela, o que a deixava cada vez mais furiosa, mas, por mais que desse voltas à imaginação, não arranjava solução para o que lhe estava a acontecer.

Voltou a casa, desfez todas as poções que antes havia iniciado, no entanto continuava sem a sua preciosa vassoura e tinha necessidade de a encontrar. Mas como? Pensou, pensou... Estava muito distraída ao canto da sala, ouviu uma porta a abrir-se e assustou-se. Então pensou:





 

Poesia de Carlos Camões Galhardas - Matias José - Homenagem ao Poeta Fernando Pessoa; PELA NAO VIOLENCIA



Poesia de Carlos Camões Galhardas - Matias José - Homenagem ao Poeta Fernando Pessoa; PELA NAO VIOLENCIA

Homenagem ao Poeta Fernando Pessoa

O VALOR DAS COISAS

Está em tudo o que pomos
E como o fazemos...
Tudo quanto somos,
Ou tanto as queremos!

TEMPO QUE DURAM
Mais importante que o tempo
Que duram sem ter medida,
é o instante... o momento,
Fazendo parte dessa vida!

PELA NAO VIOLENCIA
«CAOS»
Instala-se o caos dos condenados,
Ouvem-se gritos isolados
Na antemanhã dos mutilados.
Os seres mais fragilizados
Fecham-se a mil cuidados
Com medo de ser interrogados.
Noutro mundo exilados
Permanecem d’ olhos fechados
Escondendo tempos passados…
Tristes, sós e abandonados!
Os diabos, esses são aclamados,
Como senhores idolatrados;
Passeiam-se engalanados
Depois dos crimes executados…

Leia este tema completo a partir de 31/10/2011