domingo, 23 de outubro de 2011

Três textos de Varenka de Fátima Araújo - O rapaz do sapato grande; De olho na literatura; O menino Africano



Três textos de Varenka de Fátima Araújo - O rapaz do sapato grande; De olho na literatura; O menino Africano

O rapaz do sapato grande

Lili estava esperando um senhor cego que vende vassouras, ele desce a rua Carlos Gomes com vassouras fabricadas por ele, aprendeu este ofício antes de ficar cego, numa noite de sexta-feira, foi a pressão do olho que subira repentinamente, não falou mais sobre a perda da visão, com suas mãos e as pontas dos dedos passou a ver o mundo. Para sustentar sua família, vende suas vassouras na rua ,desce por uma e sobe a Avenida Sete.

De olho na literatura

Tudo começou nesta terrinha. Tem gente que respeita o trabalho, a cama é sagrada para fazer amor. Teve em cada época sua revolta. Passeatas, passeatas, passeatas.
Hoje,14 de novembro um novo marco. Uma passeata da literatura, crianças das escolas da periferia acenando com as mãos, portando cartazes com poesias, com retratos dos poetas: Castro Alves, Jorge Amado e outros ilustres poetas contemporâneos declamando, outros radiantes dando entrevistas.

O menino Africano

No chão batido da rua. Imagens multicoloridas, de homens e mulheres de cor, vestidos de vermelho e verde, amarelo e azul, lilás e verde, vinho, magente e verde sua pele negra serve de fundo de tela, todas as cores combinam com negro. Repetidamente um redemoinho, quando passa a poeira, tudo normal.
A feira tem verduras e frutas, carne, e o prato do dia é o que oferecem os africanos de uma certa cidade.


sábado, 22 de outubro de 2011

COLUNA do Prof. Menegatti - Baixo custo, alto índice de satisfação do cliente...; Passos para vencer conflitos no trabalho...



COLUNA do Prof. Menegatti - Baixo custo, alto índice de satisfação do cliente...; Passos para vencer conflitos no trabalho...

Baixo custo, alto índice de satisfação do cliente...

Embora a prática das boas maneiras seja fundamental para um bom serviço, todos nós já tivemos experiências em que isso não aconteceu. Quem já não teve de enfrentar funcionários mal-educados, desinteressados ou rudes.
Para que isso não aconteça, veja alguns exemplos de cordialidade:
* Dar passagem e abrir portas para os outros.
* Usar as palavras: bom dia, boa tarde, por favor, obrigado, licença,
como vai.
* Ligar de volta como prometido.
* Oferecer-se para carregar o embrulho de alguém.
* Fazer elogios sempre que possível.

Passos para vencer conflitos no trabalho...

Não revele informações confidenciais: quando estamos no meio de uma discussão ou conflito, é natural citarmos as opiniões, impressões e afirmações de outras pessoas para fortalecer nossos argumentos. Revelar, durante uma discussão, coisas que nos foram ditas em segredo significa trair essa confiança. Trair a confiança de outra pessoa, durante uma discussão, causa prejuízos duradouros à sua própria reputação e a dos seus relacionamentos.

Não responda com a mesma moeda: muitas discussões e conflitos são causados por imaturidade e não levam a nada. Se alguém insultar você ou colocar em dúvida seu caráter, não responda da mesma forma. Se você responder a um tolo, se tornará também um tolo. Desmascare os argumentos sem ofender. Se não for receptivo, simplesmente vá embora. Deixe que a outra pessoa sofra as consequências da própria tolice.



Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Laudelina - Por: Cecílio Elias Netto - (Por especial gentileza do autor)

Recordar o Raizonline - Trabalhos de Números de Arquivo - Laudelina - Por: Cecílio Elias Netto - (Por especial gentileza do autor)

Sempre estiveram abertas e viçosas as flores de Laudelina. Quem passasse pela antiga casa, na esquina da 15 com José Pinto de Almeida, poderia vê-las, ainda que protegidas por grades, pedindo para serem roubadas. Pois as flores de dona Laudelina Cotrim de Castro surgiram para ser roubadas por moços enamorados.

Eramos uma cidade sem grades, num tempo sem prisões morais e sustos. Em noites de serestas, as flores de Laudelina ficavam assanhadas à espera de quem as roubasse para levar às janelas das namoradas, noites de serestas sob céus enluarados.

Pulava-se a mureta do jardim num fingimento comum: ela fingia não ouvir passos mansos no jardim, nós fingíamos que a estávamos enganando.

Quando passo por lá, não consigo deixar de pensar nas flores de Laudelina. E, talvez por essa tristeza que surge não se sabe de onde ou porquê, dá-me uma vontade danada de pular o muro, roubar rosas em plena tarde chuvosa, sair caminhando em busca de um violão e, então, sentar na sarjeta e chamar os amigos para cantar modinha de coisas de amor.

Pois estão muito feios os nossos tempos e parece que vão enfeiando até mesmo o amor.
E, na tristeza repentina de uma tarde chuvosa, as flores de Laudelina pareceram aqueles «psius» que ela sabia dar quando se deparava com tolices das pessoas.
é um «psiu» que permanece no ar, diante das tolices que vimos fazendo nesse ir sem saber para onde, nesse vir sem ter para o quê voltar.

A casa que foi de Laudelina fizeram bater uma saudade danada dentro do peito, saudade ou nostalgia não consigo definir, mas sei que melancolia doída como garoa fina caindo em folha seca.
Não sei se foram as rosas, se a ausência de Laudelina Cotrim de Castro o que começa a machucar e a doer, pois essa sensação de ausência dói e machuca.

Laudelina preenchia todos os espaços vazios de Piracicaba e sabia afastar qualquer tristeza.
Ela não suportaria viver em tempos tão amargos, mas não fugiria deles. Laudelina mudaria os tempos, pois ela era mulher de mudar, de transformar, de mexer.

E se o jardim da casa dela ficou é porque ela permanece viva em algum lugar e não a estamos vendo. O «psiu», agora, entra pelo coração. E fica incomodando.

CORONEL FABRICIANO - 098 - Os Grandes - BENEDITO FRANCO



CORONEL FABRICIANO - 098 - Os Grandes - BENEDITO FRANCO 
* Morando no Rio, tinha bastante oportunidade de ver os grandes do mundo passando por lá.

Residia no bairro do Catete, Rua Santo Amaro, em frente à Beneficência Portuguesa. Bastava descer um pouco e estava nos jardins ao lado do Monumento dos Pracinhas. Logo após a esquina da rua, está a Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro. Os grandes passavam ou iam até lá.

Em frente à Cúria havia uma banca de jornal, onde, às 5h 30m recebia um sorriso, um cumprimento e, às vezes, algumas palavras do extraordinário Don Helder Câmara - como eu, comprava o jornal constantemente.

· Eisenhower vi bem de perto, não mais que cinco metros, recebendo um aceno de mão do general - presidente dos Estados Unidos.
Para a visita, numerosos seguranças dos Estados Unidos e uma banda de música de uma de suas forças armadas.

Hoje o aeroporto internacional do Rio de Janeiro é o Galeão. Na época usava-se mais o Aeroporto Santos Dumont, no centro, em frente ao Pão de Açúcar.

A banda dos soldados americanos, partindo do Rio em um avião de mais de cem passageiros, assim que decolou, bateu de frente no Pão de Açúcar, falecendo todos.



 

Crônica de 12 de Outubro – Steve Jobs (Resquiçat In Pace) - Por Se Gyn



Crônica de 12 de Outubro – Steve Jobs (Resquiçat In Pace) - Por Se Gyn
Continuam as manifestações sobre o passamento de Steve Jobs. E como era de se esperar, é bem mais que pesar. O homem era constantemente incensado. Se brincar, virar santo.

Jobs era um nerd, mas não tolerou os estudos da faculdade. E aí, resolveu se mandar para o oriente para ajustar a cabeça, do que decorre a intensa sugestão das notas e matérias publicadas na Internet de que ela teria se constituído numa espécie de iluminação da qual resultou o sucesso da Apple e seu sistema operacional, embarcados em unicamente em computadores da própria Apple.

Não é bem assim: a criação da revolucionária interface gráfica amigável, baseada no uso de ícones e janelas foi do especialista Jef Raskin, especialista no relacionamento homem-máquina, que, acabou levando uma rasteira de Jobs no fim (afastamento sumário e supressão de créditos intelectuais) do processo de criação do McIntosh. O que Jobs fez foi lançar no mercado o tal computador, que se converteu numa espécie de big bang a partir do qual se estabeleceu a mais incrível revolução tecnológica da humanidade – o que é, de qualquer forma, admirável.

Mas, claro, a Apple dos anos iniciais se tornou rapidamente um ícone pop. E a Apple da terceira fase tornou Jobs uma personalidade pop. Dizem que o homem inventou um monte de traquitanas revolucionárias. Menos: das supostas invenções citadas, só uma merece o status: o Ipod. O resto foi macaqueado de invenções precedentes – o Itunes não foi a primeira sacada comercial decorrente de simples desdobramento da prática da chamada pirataria virtual, o Iphone era um produto já previsível, e foi mais ou xerocado de aparelhos precedentes (Motorolla Moto King e LG KG 800, por exemplo). E o Ipad é mera evolução do Kindle (com adição de uma suíte de aplicativos saída do Iphone), da americana Amazon.

Onde estava a diferença dos produtos físicos e virtuais da empresa capitaneada por Steve ? Do seu apurado sendo de elegância e beleza – funcional e estética, que, ao par de sua mão de ferro administrativa, conseguia estabelecer para os seus produtos – verdadeiro estado de arte, que, por isto mesmo, eram recebidos com intensa admiração e festa no mundo fashion e que era replicada no mundo dos geeks, nerds e descolados.



Um milho sobre a mesa. - Crónica de Haroldo P. Barboza



Um milho sobre a mesa. - Crónica de Haroldo P. Barboza

Prezados colegas que eventualmente assistem ao programa «Um milhão sobre a mesa» do SBT! Eu deixei de assisti-lo depois da 3ª apresentação.

Após breve troca de considerações através de e-mails e ainda sem uma explicação lógica dos Matemáticos da Nestlé ou do SBT (que já receberam esta nota) chegamos a estas breves conclusões (comparando com o programa «Um contra cem») sobre o modelo de programa que alardeia a concessão de tal prêmio à dupla que participa da gincana:

Em qualquer dos programas, para se obter o prêmio máximo é preciso mesclar 97% de conhecimento + memória, 2% de lógica e 1% de sorte. Numa população composta por 99% de desconhecedores da língua portuguesa, quantos saberão a terminologia em Latim de uma espécie de legumes ou verduras (como foi colocado na estréia do «Um milhão sobre a mesa»)? Típica pergunta (que não é sorteada pelo participante – simplesmente «aparece» no telão) para derrubar até mesmo um agricultor experiente!

No programa «Um contra cem» o candidato tinha algumas chances de avançar (e elevar a premiação) contando com algumas opções de auxílio a cada pergunta. E tinha a possibilidade de desistir em determinado ponto e levar consigo o que merecidamente havia conquistado. Muitos chegaram a ganhar R$ 300.000,00 em média.

No programa «Um milhão sobre a mesa» não existem chances de ELEVAR a premiação conforme o candidato (mesmo com ajuda do par) ultrapasse etapas. Na melhor das hipóteses mantém o valor inicial se tiver alto conhecimento sobre literatura, latim, música, cinema, alimentos, política, esportes diversos, transportes e outras dezenas de aplicações que nos cercam. Basta uma pergunta de algo que ocorreu há mais de 50 anos para obriga-lo a fatiar seu montante.

Ainda mais tendo um curto espaço de tempo para manejar com dificuldade gordos pacotes representando R$ 10.000,00. Em notas de R$ 100,00 o tamanho real do pacote chega a menos da metade do que é usado para complicar a vida do participante nervoso. Ainda por cima SEM nenhuma chance de desistir no meio da competição. Uma pressão psicológica elevada para o prêmio que se pretende oferecer.



 

Cuide do que é precioso. - Por Haroldo P. Barboza



Cuide do que é precioso. - Por Haroldo P. Barboza
A existência de «máfias» basicamente acontece pela demanda da população que nem sempre consegue controlar sua ansiedade ou sua «esperteza». Em alguns casos elas proliferam no meio da população de baixa renda que se torna refém de atravessadores de serviços que subornam fiscais e policiais. Por isto os «gatos» aumentam em grande velocidade. Nós pagamos a diferença às fornecedoras.

O que não se compreende é que pessoas com algum polimento de lucidez relaxem num assunto vital e permitam ser exploradas pelos aproveitadores regulares que por vários anos atuam da mesma forma no mesmo segmento social e com alto sucesso. Vamos a dois exemplos cotidianos de freqüência constante e que retratam a nossa incoerência.

Exemplo 1 - Transporte escolar.

Famílias que possuem renda para colocar dois ou três filhos (entre 6 e 12 anos) em escolas particulares gastando por cabeça quase R$ 1200,00 por mês com mensalidade, material e lanches, deixam de gastar R$ 200,00 pelo transporte escolar especializado e quase 95% seguro.

Se você tiver oportunidade, pare por 10 minutos na porta de uma escola deste porte e observe que na chegada ou saída, dezenas de kombis e camionetes caindo aos pedaços e sem identificação legal amontoam 12 ou 15 crianças (onde cabem 10) sem conforto e segurança.

Muitos destes motoristas fazem transporte de cargas pesadas e não possuem a menor qualificação para cuidar da segurança dos menores. Nem paciência para lidar com crianças sapecas e trânsito caótico. Mas cobram «apenas» R$ 120,00 pelo serviço (?). Com esta «economia» (sobre 3 filhos) é possível quase suprir o gasto do exemplo 2 abaixo.
Se as pessoas levassem em conta a integridade de seus herdeiros esta prática continuaria?
Exemplo 2 - Ingressos para espetáculos.
Seja jogo de futebol, show musical ou similar, com expectativa de alto público no dia do acontecimento. A administração do espetáculo anuncia a tabela de preços, bem como os pontos de vendas e horários de abertura das bilheterias.

Quatro dias antes imensas filas se formam nas cercanias dos pontos de vendas. Centenas de pessoas (tem tabela de revezamento) passam a madrugada no cimento frio portando cobertores, perdendo aulas (e trabalho) e sujeitos a enchentes e assaltos. Algo que não fazem por uma causa cívica com duas horas de duração.