sábado, 24 de setembro de 2011

São Paulo em Minicontos - PAULISTANO BLUES



São Paulo em Minicontos - PAULISTANO BLUES

Um desses meninos que usam roupa social e óculos, mal saído da adolescência e que parece «fazer» Administração, ou Direito, ou Economia... Um menino com destino à Estação Paulista deixa as lágrimas rolarem livremente, quando disse a um amigo, outro menino com o mesmo perfil, que seu namoro com Ana chegara ao fim.

- Ana é linda, mas ainda é muito «menina», faz tudo o que a sua mãe manda. Por mais que me doa, não a quero mais... Sentenciou o menino mal saído da adolescência.
Um menino, desses que usam roupa social e têm cara de bebê. Um menino, desses para quem as mulheres querem dar colo...

Dia desses, no ponto da Brigadeiro Faria Lima, um menino vestido de preto dos pés à cabeça, antes de entrar no buzão, pergunta ao motorista se aquele ônibus passa em frente à Galeria do Rock.
- Não! O «ponto final» deste ônibus é na Praça Ramos. Mas de lá até a Galeria do Rock é um «pulo» – respondeu o motorista. O menino, todo de preto e «arrastando correntes», entrou no ônibus que o deixaria nas proximidades da tão festejada Galeria do Rock, mas lamentou por ter que andar um pouco até o destino desejado.

- Porra, meu! é cada uma que me aparece: Será que ele quer que o ônibus entre na Galeria do Rock?! - Resmungou um passageiro, crendo que o «menino de preto» não o havia escutado.
- Cala a boca, cuzão! Eu não estou falando com você - retrucou o «menino» - totalmente «Heavy Metal» - Corpo e Mente, Correntes e Indumentária Preta!

Leia este tema completo a partir de 26/9/2011

Quando eu fui raptado por extraterrestres - Reflexão de Michel Crayon



Quando eu fui raptado por extraterrestres - Reflexão de Michel Crayon
Era assim um dia a atirar para o normal, nem muito sol nem chuva, com temperatura a atirar para a zona dos vinte centígrados e isto em pleno Outono com folhas a caírem das árvores aos montões e para aí uma meia dúzia de nabos nos jardins a juntar folhinhas com aquelas pás que não são pás, assim com uns dentes de arranhar e cristalino assobio feliz, plantados quase geometricamente ao longo dos jardins gémeos que por sua vez distavam da estrada quase a mesma coisa em metros.

Havia um gajo que estava verdadeiramente desalinhado em relação aos outros, para aí um meio metro mas como assobiava rouco acabei por dar o desconto e nem sequer lhe chamei a atenção e continuei o meu caminho pelo passeio atapetado de folhas secas como o caraças e que já deviam pelo menos uma semana ao Newton das maçãs.

Nas árvores, agora semi-despidas, assim perto da humana e já tiritante calça e camisa singela, alguns pássaros teimavam em cantarolar de quando em vez, saltitando despreocupados pelos ramos como se para eles tanto se lhes desse ser Outono ou outra coisa qualquer.

Dentro de semanas e como as coisas iam, as árvores estariam verdadeiramente despidas de folhagem e eles, pássaros, se calhar lá continuariam na mesma mas aí mais atentos às velhotas e aos velhotes que levam pacotinhos de alpista, milho e outros cereais para despejarem pausadamente em lugares estratégicos com as mãos envoltas em luvas de lã grossa uns e tipo cabedal preto outros, isso depende.

Pois bem e deixando a descrição paisagística, que até não está má de todo, faltando os putos a berrar e as senhoras de carrinho de bebé, os polícias de guarda ao banco, as pessoas que vêm das Finanças, os modernos pedintes do euro ou do cigarrinho e mais alguns elementos do mobiliário urbanístico, como caixas de lixo, placards publicitários, cocó dos cães, dos pombos, etc. deixando tudo isto vou então entrar no meu rapto, no rapto da minha pessoa pelos extraterrestres dos quais toda a gente tem um medo terrível.

Os meus, aqueles que me raptaram, contrariamente ao tradicional nestes casos não desceram em discos voadores em processo descendente folha de papel, não deitaram luzes ofuscantes nem me chuparam por uma passerelle luminosa.



 

Tudo o que você sempre quis saber sobre:Fernando Pessoa, e não encontrou.- Texto e Recolha da Redacção - OS GRAUS DA POESIA LIRICA



Tudo o que você sempre quis saber sobre:Fernando Pessoa, e não encontrou.- Texto e Recolha da Redacção - OS GRAUS DA POESIA LIRICA
O primeiro grau da poesia lírica é aquele em que o poeta, de temperamento intenso e emotivo, exprime espontânea ou reflectidamente esse temperamento e essas emoções. E é o tipo mais vulgar do poeta lírico; é também o de menos mérito, como tipo.

A intensidade da emoção procede, em geral, da unidade do temperamento; e assim este tipo de poeta lírico é em geral monocórdico, e os seus poemas giram em torno de determinado número, em geral pequeno, de emoções.

Por isso, neste género de poetas, é vulgar dizer-se, porque com razão se nota que um é «um poeta do amor», outro «um poeta da saudade», um terceiro «um poeta da tristeza».

O segundo grau da poesia lírica é aquele em que o poeta, por mais intelectual ou imaginativo, pode ser mesmo que só por mais culto, não tem já a simplicidade de emoções, ou a limitação delas, que distingue o poeta do primeiro grau.

Este será também tipicamente um poeta lírico, no sentido vulgar do termo, mas não será já um poeta monocórdico. Os seus poemas abrangerão assuntos diversos, unificando-os todavia o temperamento e o estilo.

Sendo variado nos tipos de emoção, não o será na maneira de sentir. Assim, um Swinburne, tão monocórdico no temperamento e no estilo, pode contudo escrever com igual relevo um poema de amor, uma elegia mórbida, um poema revolucionário.

O terceiro grau da poesia lírica é aquele em que o poeta, ainda mais intelectual, começa a despersonalizar-se, a sentir, não já porque sente, mas porque pensa que sente; a sentir estados de alma que realmente não tem, simplesmente porque os compreende.

Estamos na antecâmara da poesia dramática, na sua essência íntima. O temperamento do poeta, seja qual for, está dissolvido pela inteligência. A sua obra será unificada só pelo estilo, último reduto da sua unidade espiritual, da sua coexistência consigo mesmo.

Assim é Tennyson, escrevendo por igual «Ulisses» e «The Lady of Shalott», assim, e mais, é Browning, escrevendo o que chamou «poemas dramáticos», que não são dialogados, mas monólogos revelando almas diversas, com que o poeta não tem identidade, não a pretende ter e muitas vezes não a quer ter.

Leia este tema completo a partir de 26/9/2011

EU CAPRICORNIO... - Dueto Poético de Deth Haak e Arlete Piedade




EU CAPRICORNIO... - Dueto Poético de Deth Haak e Arlete Piedade

EU CAPRICORNIO...

Cadencioso em vírgulas de amor precipitado,
Na aura atmosférica buscar o amado, lavrando
A terra disseminando letras, em amor adubando
Abecedário. Bordando exclamações no amor conquistado...
Capricórnio... O refrescar da brisa brava
De osculados abarcamentos adejados,
Estratagemas valsados, nadando montanhas
Imagéticas, dos lúdicos oceanos acutilados.
Alma verte línguas incandescidas, nos vulcões
Platinados em emoções esquecidas, nas lições
Esquivadas. Fogueira do amor em brasa viva!
Tórrido na corrosiva natureza envolve a vida...
Zéfiro petrificado lume, imprimindo borbotados
feelings Herácliticos de saturno, em sóis ocultos
Na construção do drama humano. Transbordados
Na elocução densa, articulação dos poetas líricos.


Capricórnio...senhor de dragões em chamas,
campeador de causas alheias, negras tramas
triste coração dolorido que lágrimas derramas
Capricórnio...fraterno de seres sem temores
ternamente acaricias da noite, os moradores
solidão é a tua companheira de lutas e dores
Capricórnio...vencedor das trevas, habitante
das altas montanhas, de enigmas, intrigante
de pobres e tristes mortais, solícito ajudante


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POESIAS DE VALDO SANTOS



POESIAS DE VALDO SANTOS

pelas pedras soltas
de uma calçada
desfeita pela traição..
caminha um poeta
na solidão..
... carrega no seu olhar
a tristeza de mais um dia passar
nas suas olheiras
repousam as amarguras
de uma vida atribulada
na sua mão trémula
pelo bater desalinhado
de seu coração.
ele guarda aquela lágrima
que nunca deixou cair no chão..
em sua outra mão, sua bengala
o auxilia..já lhe pesa os anos
e o dia..
no seu bolso dorme a caneta
que em tempos sua tinta
sobre palavras de amor



Fui poeta por um dia
num poema de alegria
quando descrevi a saudade
através de uma rima de felicidade..
dei formas á paixão
usei as palavras do meu coração
tocadas pelos meus sentimentos
fiz nascer das sementes desta harmonia
todos os desejos de uma vida
usei a cor do teu olhar, para cobrir
os espaços vazios que eu podia deixar
escrevi em cada minha letra os meus
desejos de te conquistar
dei vida aos meus sonhos
descrevi-os em versos de amar,
contornei a minha dor
usei as mais belas expressões


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Conto - Visita Sombria - Por Emerson Wiskow



Conto - Visita Sombria - Por Emerson Wiskow

- Daqui a pouco elas virão sacolejando suas línguas de serpentes. São como répteis com suas línguas loucas e nojentas.
- Sim!... Elas tentam nos seduzir. Se retorcem como se não tivessem ossos. Insinuam-se cheias de luxúria.
- Acho bom você preparar seu rifle!
- ééé... Vou deixar minha arma pronta. Preparada para quando chegarem.
O velho Marcelino engatilhou sua arma fazendo um som seco no meio da noite. No bairro ninguém colocava a cara para fora de casa depois que a noite chegava. As ruas ficavam vazias e silenciosas como se uma peste tivesse se abatido sobre a cidade. Tudo começou quando elas apareceram. Sempre no meio da noite.

- Hé, hé, hé... Dessa vez vamos pegá-las. Estamos prontos pra elas! - disse o velho Marcelino alisando o longo cano do seu rifle.
- Vamos com calma! Você sabe, elas são muito perigosas. São matreiras como o demônio e podem nos enganar se não tomarmos cuidado - retrucou o velho Luiz com uma expressão desconfiada e tensa. Seu rosto parecia se retorcer na penumbra.

- Dessa vez não vou deixar escaparem! - exclamou Marcelino exaltado enquanto espremia um cigarro entre os lábios murchos.
- Eu sabia que um dia elas voltariam!
- Nunca pensei que essas coisas realmente existissem! - retrucou o velho Marcelino.

- Você não leu os velhos livros? São coisas muito antigas, sempre existiram e agora resolveram aparecer por aqui. Surgem lentamente, lindas, com suas línguas dançantes e seus corpos que parecem não terem ossos. Sabem muito bem do poder que possuem. Nos hipnotizam enquanto movimentam seus corpos daquela forma.
- é, mas dessa vez vamos fodê-las! Estou preparado para elas.
- Ei! Você ouviu isso?
- Fique quieto!
- Ei... Ouça esses sons. Parecem línguas sibilantes.



 

O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - II Capítulo – A chegada



O Príncipe de Ofiúco - Novela de Arlete Piedade - II Capítulo – A chegada
Ao fazer a aproximação final ao espaço - porto, e pousando suavemente a sua companheira de tantas jornadas, naquele planeta escuro e sombrio, ainda na sua mente inquieta se revolvia o mistério da princesa amaldiçoada e qual seria o seu papel naquele enigma.

Recebido com uma guarda de honra enviada pelo Rei, que o escoltava agora pelos iluminados corredores, foi reparando nas diferenças que havia nos ambientes em que passava.

As cores das paredes agora eram mais suaves, de cor das rosas e outras cores claras, viam-se algumas pinturas que embora indefinidas, quebravam a monotonia dos murais, a iluminação era mais suave e um som baixo mas agradável, semelhante a música longínqua, fazia-se ouvir, como fundo aos passos marciais dos soldados.

Não havia dúvida….havia mão feminina por ali agora…como seria essa princesa? E quem seria a sua mãe? Se ela era filha do Rei, mas a sua esposa havia falecido há tantos anos atrás…mais um mistério que seria desvendado em breve…

Depois de atravessar vários corredores, que iam ficando mais luxuosamente decorados, á medida que o se iam aproximando do Palácio Real, viu ao longe a entrada magnificamente esculpida na rocha negra do interior do planeta, da fantástica teia de grutas que serviam de morada àquele rei agora a braços com um problema tão enigmático.

Misteriosas figuras de antigos guerreiros e monstros estranhos, se destacavam na entrada que resplandecia á luz feérica dos lasers multicolores que pincelavam a negra rocha como se de uma tela surreal se tratasse, e os sentinelas com as suas roupas luxuosas e suas faces negras, pareciam mais outras esculturas, mas estas vivas.

Ao aproximar-se da escadaria que dava acesso á entrada, viu que o Rei Kristian em pessoa, se aproximava para o receber.