quinta-feira, 22 de setembro de 2011

José Carlos Moutinho - Poesia - O tempo na sua corrida; Somos o Universo



José Carlos Moutinho - Poesia - O tempo na sua corrida; Somos o Universo

O tempo na sua corrida


O tempo bate-me no peito,
Com a velocidade dos segundos,
Que os minutos trazem com o vento,
Numa corrida desenfreada das horas,
Sem paragens, nem descansos
E que tudo leva…
Com o girar dos ponteiros,
Vai-se reduzindo
A nossa esperança do futuro,
Esmorece a lembrança das paixões
E emoções vividas;
Desfalecem as ilusões sentidas,
Vontades que se esfumam,
Na mente do corpo que se revolta,
Com a fraqueza dos seus músculos,

Somos o Universo
Zarpo deste porto da bonança,
Levo-me no murmúrio das águas serenas,
Transparentes deste mar, que cintila
No reflexo dos raios solares;
Navego…
Deixo-me adornar ao sabor do vento,
Acariciando as margens da alegria;
Deslizo a minha paz,
Na proa desta nave da felicidade;
Sorrio-me na bolina,
De velas brancas hasteadas,
Agitadas pela brisa do prazer,
Numa sensação de liberdade;
O sol aquece-me a alma,

Leia este tema completo a partir de 26/9/2011

Poesia e Texto de Marcos Loures - a lua que te trouxe; (Poema) OLHOS AZUIS (Texto).



Poesia e Texto de Marcos Loures - a lua que te trouxe; (Poema) OLHOS AZUIS (Texto).

Marcos Loures
a lua que te trouxe
Não vejo mais a lua que te trouxe
Nem mesmo a mansidão deste meu céu.
Pedindo tão somente que não fosse
Tirar deste espetáculo seu véu...
Saudades de quem fora mais gentil
E sempre me dissera ser feliz.
As cores que emolduras, num abril,
Roubando deste amor todo matiz.

Marcos Loures
OLHOS AZUIS.

Acordara cedo, como sempre fazia desde há muito tempo, criado sozinho; desde os tempos mais pueris da vida fora obrigado a trabalhar; primeiro com os tios na roça, depois com o mesmo patrão que tinha sido do pai, falecido no início dos primeiros passos, lembranças esquecidas dentro de uma gaveta qualquer, há muito fechada.
Olhou para o corpo estendido na cama, corpo de belas formas, da morena bonita que conhecera e logo se apaixonara; casamento de 10 anos, quatro filhos e poucas alegrias.
Reparou bem no despertador, 5 horas, como sempre, mesmo nas férias não conseguia acordar mais tarde, escravo de uma rotina cruel...
Naquele momento pensou na noite anterior, noite longa e estranha, cheia de fantasmas e pesadelos, o que ultimamente se tornara costumeiro, quase diário, gritos e tumulto de gente correndo, coisa estranha...
Pacato desde menino, «incapaz de fazer mal a uma mosca», segundo comentava o tio; tio que fora pai, num ato de amor sem cobranças, amor verdadeiro.


Poesia de José Brites Marques Inácio - Indo pela Mão do Dia; O PRIMEIRO BEIJO



Poesia de José Brites Marques Inácio - Indo pela Mão do Dia; O PRIMEIRO BEIJO

Indo pela Mão do Dia

(JBMI)
Arrumei o encanto na estante
hermeticamente estilizado
em um só instante.
.
Com o sol ainda distante
inclina já o plano
e esta aceleração
torna-se constante.
.
Uniforme.
Informe.
Enorme.
.
O dia derrama esferas

O PRIMEIRO BEIJO
(JBMI)
Folheia-se o poema.
Simples e fulgurante
como que embalado
pelo leque das
brisas de ocaso
esquecidas na calenda.
Afloram as ingénuas letras
como saia de pregas
de caligafia empinada
sob o aroma de pinheiros
e de manhãs doces
despreocupadas.


Leia este tema completo a partir de 26/9/2011

Poemas de Edvaldo Rosa - A vida é bem assim...; E A VIDA SEGUE...; NOSSO NOVO VELHO AMOR...



Poemas de Edvaldo Rosa - A vida é bem assim...; E A VIDA SEGUE...; NOSSO NOVO VELHO AMOR...


A vida é bem assim...

Fui ter ao começo, só para ver, só para crer que inexiste!
Agora, o que era porta ou janela é parede...
Onde havia portão, é vão...
Olhando de fora, um alaranjado exuberante,
Inquieta meus sentidos tão acostumados,
A cinzas desbotados!
Por dentro, como não estarão as velhas paredes caiadas?
Aquelas onde dependuramos, por tanto tempo,
Com pregos tortos, as nossas histórias?
Paredes?
Cúmplices silenciosas, ouvintes queridas, de nossos segredos...

E A VIDA SEGUE...
A vida segue... Sem que nada a pudesse deter!
Olho para trás, para minha sombra que a luz dilata,
Entre lágrimas de pesar e de medo...
Temo que meu corpo falhe comigo, falhando consigo,
Como as bases de uma casa que não a podem suportar!
Temo os tempos futuros...
Como se nem houvesse tempo para passar!
Olho a minha volta, e noto que a vida nem me nota...
Apenas segue... Apenas passa... Seu destino é passar!

NOSSO NOVO VELHO AMOR...
Em meus braços procuras ainda o aconchego...
Faz tempo, que nós nos olhamos nos olhos,
Faz tempo, que brigando procuramos juntos a paz!
Desnudos novamente, frente a frente nós nos colocamos,
Vendo um no outro o que o tempo nos fez...
Mas eu procuro os teus olhos,
Procuras os meus mais uma vez!
E nos abraçamos profundamente amorosos...
Arrefeceram as belezas de nossos corpos,
Mas as de nossos corações e almas, o tempo não corrompeu!

Leia este tema completo a partir de 26/9/2011

A GUISA DE MANIFESTO ANTI-CHORA-QUE-LOGO-NAO-BEBENSES - Por Xavier Zarco



A GUISA DE MANIFESTO ANTI-CHORA-QUE-LOGO-NAO-BEBENSES - Por Xavier Zarco

A GUISA DE MANIFESTO ANTI-CHORA-QUE-LOGO-NAO-BEBENSES

Rapidamente, talvez por hábito, mas sobretudo por força do convívio, comecei a gostar muito de mim, mas hoje, neste preciso instante em que alinhavo estas palavras, pela natureza das coisas, gostava de ser o Almada, o Almada Negreiros.

Pena não possuir poderes mediúnicos.

Mas uma coisas eu sei, tenho a convicção que, querendo algo, vou à luta, não fico sentado nesta minha confortável cadeira à espera que me a venham trazer. Se nem o raio do gato se anicha a meu lado, tendo de o convocar para o efeito e ele, ao que parece, bem aprecia que lhe passe a mão pelo pêlo, quanto mais o resto.

Assim, quero, e vou, bem ou mal, deixar para a posteridade o meu próprio manifesto anti, anti-qualquer-coisa. Já se verá anti-quê.

Tudo ocorre na terra que fica exactamente nos antípodas daqueloutra descrita pelo José Gomes Ferreira no seu João Sem Medo. Esta é conhecida por ser aquela em que os seus habitantes, por preguiça, não aproveitam as lágrimas, autênticas pérolas, para a sua sede matar, embora persistam em as chorar.

Também esta localidade, como não poderia deixar de o ser, o que seria catastrófico para carteiros e cartógrafos, geógrafos e demais necessitados dessas preciosas tabuletas, possui uma designação.

Chama-se, ou baptizaram-na como tal, Chora-que-logo-não-bebes, sendo os seus autóctones, por força da construção em uso e hábito das palavras, intitulados de chora-que-logo-não-bebenses.

Eis pois o título, tão preciso nestas coisas da prosápia. Manifesto Anti-chora-que-logo-não-bebenses, ou algo à guisa de.

Comecemos pois.




Crónicas «Ver e Sentir» - Por Cristina Maia Caetano - (LXXV)



Crónicas «Ver e Sentir» - Por Cristina Maia Caetano - (LXXV)

Se pensarmos no significado da palavra intuição, verificamos que a percepção imediata e clara de verdades sem recurso ao raciocínio, é um facto! Da mesma forma, concluímos também, que intuir, se baseia em pressentimentos que imediatamente se tornam clarificadores para os portadores dos mesmos!
Qualidade inata se trata, pois!

Uma parte natural de cada um de nós, se trata, pois!
Amago da nossa existência, certamente é o também!
Relação profunda com a natureza espiritual de cada qual, igualmente transporta esse mesmo vínculo espiritual para o seio do dia-a-dia! Perpetuamente!

E, sim! De uma força orientadora de grande precisão, se trata, e em todos os aspectos da vida, se exprime! Sempre!

Certeza, certeza mesmo, é que quando mais se segue a sabedoria interior, melhor cada um de nós poderá cuidar de si, com assinalável contribuição para o sucesso e realização pessoal!

Certeza, certeza mesmo, é que normalmente as pessoas de sucesso são frequentemente as mais intuitivas! Sim, porque de uma forma consciente ou inconscientemente, elas seguem constantemente os seus mais viscerais sentimentos!

Certeza, certeza mesmo, é que a intuição está intimamente ligada à criatividade, criando um desejável, vivo e produtivo estado de fluência intelectual!




Crónica de Haroldo P. Barboza - Tolerância 500



Crónica de Haroldo P. Barboza - Tolerância 500

O ser humano é avesso às mudanças rápidas. Só se conforma com elas quando são provocadas por ocorrências naturais (enchentes, vulcões, furacões e assemelhados) que alteram radicalmente o cotidiano dos afetados.

Quando elas são criadas por atos administrativos (mesmo bem intencionados) que pretendem atender anseios de mais de 90% da população, acontece uma primeira fase de «reclamações» até que percebamos que de fato a medida poderá ser benéfica se ocorrerem aceitação e colaboração de quase todos.

Os desajustados sempre serão contra. Mas normalmente as mudanças atendem aos grupos que patrocinam campanhas eleitorais. Como são camufladas por «vantagens» (paliativas) voláteis, a grande camada sem percepção as aceita e as incorpora ao pacote de prejuízos sociais.

Entre os latinos, provavelmente o brasileiro é o mais resistente às mudanças, apesar de estar sempre resmungando que «alguma coisa tem que mudar» quando em raros momentos de lucidez percebe que está sendo «embrulhado» pelos seus dirigentes (de qualquer esfera).

A luta para combater a acomodação tem de ser parecida com a longa batalha para manter o peso: DIARIA.

Quem se exercita por 60 minutos diários, se deixar de fazê-lo por 3 dias, será alertado pela balança (ou pelo cinto) que seu peso aumentou. Isto lhe obrigará a um «sacrifício» na próxima semana ingerindo menos comida e aumentando os movimentos que efetivamente torrem as calorias excedentes.

No caso da manutenção de nossa cidadania, estamos parados muito além de 3 dias. Mais do que três décadas. Ou três séculos. E os dirigentes inescrupulosos já perceberam esta atitude passiva que nos anestesia e se prolifera através de nossos genes, alterando o DNA que passa tal herança à geração seguinte. Ela se manifesta externamente através das seculares frases de descomprometimento:
«- DEIXA assim para ver como é que fica» (quem deixa, concorda);
«- vamos TORCER para melhorar» (se o agricultor apenas torce sem lavrar, nada nasce);
«um dia vai melhorar se DEUS quiser» (largar na mão de outros é fugir da responsabilidade).