sábado, 10 de setembro de 2011

Três textos poéticos de Joaquim Nogueira - Acabaram-se as palavras; A saudável inveja:; pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira



Três textos poéticos de Joaquim Nogueira - Acabaram-se as palavras; A saudável inveja:; pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira

Acabaram-se as palavras

«... terminaram as palavras... as letras deixaram de existir... as frases já não podem ser formuladas e a comunicação escrita ou falada findou... o Homem deixou de poder dizer um simples vocábulo e nem um só ditongo se consegue escrever ou articular... mas a sua necessidade de gritar leva-o a inventar novas formas de comunicar... passa a usar o seu corpo para insinuar as sílabas e começar a juntar os elementos que formam a ideia, a imagem ou apenas o sentido... o seu corpo passa a ser a caneta ou a corda vocal... e as mãos tocam ali, acolá ou aqui...

A saudável inveja:
...escrevo em muitos lados e, felizmente, tenho amigos em muitos lados; conversamos e, às vezes, até nos encontramos e damos abraços uns aos outros entre palavras, risos e com os talheres à mistura numa mesa de um qualquer restaurante... eu amo todos estes meus amigos até mesmo aqueles que me invejam tão saudavelmente como, por exemplo, da forma que o M. se expressou:
.
pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira
«... pedi para ver o invisível e deram-me a cegueira... pedi para ouvir o inaudível e obtive o silêncio... pedi para tactear o nada e consegui o caos do tudo... pedi sempre o que quer que fosse que me viesse à ideia e o retorno era sempre o oposto... a conclusão óbvia era não pedir ou então pedir apenas o real, o vivo, o palpável, o som, a luz, a beleza... nunca tive a certeza se terá sido a melhor opção... mas a verdade é que a partir do momento em que pedi apenas o viável, as coisas se tornavam passíveis de obtenção... pedi amor e tive-te... pedi um beijo e saboreei-te os lábios... pedi um abraço e amornei meu corpo na tua sedosa pele...

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Biografia e Poesia de José Brites Marques Inácio - POESIA: Império Abdicado; Marinheiro d' Outono; Outorgado Outono



Biografia e Poesia de José Brites Marques Inácio - POESIA: Império Abdicado; Marinheiro d' Outono; Outorgado Outono  

Trabalhou por Conta própria. Estudou Hidrologia Médica na Faculdade de Medicina do Porto. Vive em Resende, Viseu, Portugal. Casado com Maria De Fátima Brites. Sabe Língua portuguesa, Língua francesa, Língua inglesa, Língua castelhana. Nasceu em Leiria a 21 de Março de 1956

POESIA - Império Abdicado; Marinheiro d' Outono; Outorgado Outono

Império Abdicado

(JBMI)
Já não sou rei de impérios
nem dos mares em teus olhos.
Soubera cavalgar de estandartes
poetar belos impropérios.
Tão pouco padrão alevantado
sombra redonda de caravelas.
Tivera estranhos horizontes
onde o sol madruga, desapiedado.
Sou bote de enseada
areal de moura encantada
ânfora que derramaste à soleira.

Marinheiro d' Outono
(JBMI)
E o frio que aí vem
tolhe?
Exércitos são ventos
que da serra descem
marinheiros são chuvas
escorridas, unguentos.
E a alma que te tem
some?
A negritude que aflora
no cume aflito
tem lobo noite adentro
tem coragem que te demora.

Outorgado Outono
(JBMI)
Vagos vermelhos pardacentos,
mais ocre que ventura,
invadem a tela fresca aberta
lancetada e sem sutura.
Ainda que rios de sangue corressem
onde o olhar se esvai, invernal,
e debutassem lírios fora de tempo
cantantes de loucas primaveras...

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Poesia de Pinhal Dias - Alma que tanto sofreu.; Fim das touradas.



Poesia de Pinhal Dias - Alma que tanto sofreu.; Fim das touradas.

Alma que tanto sofreu.
Questiona - Alma que tanto sofreu
Réstia final, no avanço da idade
Sente no Divino a felicidade
Por alento de versos que venceu
Sociedade, família em revolta
Os filhos que culpam erros dos pais
Educação perdida!? Meditais! …
Contudo... O amor está de volta

Fim das touradas.
Já não basta a confusão
dos signos
«Touro»
que dita a influência:
«Pessoa determinada…»,
mas não gosta de touradas!
Se o campino está para o gado!?
Na arena não o protege
…e a lei finge que não vê!
O touro na arena é massacrado
por um cavaleiro que o crava
à margem do arreliado…

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

São Paulo em Minicontos



São Paulo em Minicontos

PAULISTANO BLUES


Sou paulistano por excelência. Estou só! Sou como recém-nascido jogado na lata do lixo. Não tenho pai, não tenho mãe, não tenho irmãos, não tenho amigos... Apenas uma lata de lixo pode ser a Mãe que não me nega o Leite da Sobrevivência. Sou alimentado em seus peitos doces e sujos, onde encontro a cumplicidade vital. Encontro abrigo. Encontro a paz que mata todas as minhas fomes, minhas sedes. Peitos docemente sujos, imundamente doces! No lixo orgânico e não - reciclável, encontro a estranha poesia que me faz existir de fato. Agora, trago no bolso todas as armas que me farão vitorioso numa Luta Armada de Palavras! As armas, eu as encontrei na lata do teu lixo, enquanto de muito longe me vinha um Blues... Paulistano Blues...

Rê Reta

Quase não tinha «peito». Chamavam-na de «Rê Reta». Agora, cheia de si, desfila pelas ruas da Vila Madalena com a tal da «autoestima» elevadíssima: 360 ml de silicone em cada peito, pagos em seis «suaves» prestações. Vitoriosa e feliz da vida, Renata aguarda Lucas retornar de Boca Raton, quando, vingativa que é, esfregará em sua cara os agora «peitões». Lucas nem imagina o «tamanho da surpresa» que o espera quando retornar à Pátria Amada! Será, meu caro? Nesses tempos de «redes sociais», fica dificílimo surpreender alguém!

No centro da Metrópole

No centro da Metrópole, crentes de todas as espécies pregam a conversão para os «infiéis». Há até crente dividido entre Elvis Presley e Jesus Cristo: Não sabe se fala de um ou do outro, e o Espetáculo é a Indefinição! A Indefinição é o Espetáculo! Em meio ao fuzuê, artistas de rua apresentam-se sonhando com um bom lugar na TV (apesar da INTERNET, todos ainda almejam um lugarzinho na TV). Muita «pregação» e outro tanto de «música» que faz surgir, entre as moradoras de rua, dançarinas que animam o Show da Vida: Rosinhas, Tátis, Ritinhas...





Poética de Ilona Bastos - Oração; Quando sonhamos!



Poética de Ilona Bastos - Oração; Quando sonhamos!

Oração

Neste dia vou dizer mil palavras.
Palavras de júbilo ou de tristeza,
Palavras de ira ou de comoção,
Substantivos aos centos,
Pronomes sem conta,
Adjectivos à discrição,
Preposições simples e compostas.
Neste dia sair-me-ão da boca
Expressões que nem conheço como minhas.
Vou ser sisuda no discurso,
Ou irónica no comentário.
Vou gritar chamamentos,
Laconicamente concordar,
Ou irromper em desabafos.

Quando sonhamos!

Ouvindo música,
Vou escrevendo
Ao sabor dos sonhos
Que inundam minha mente,
Invadem meus ouvidos,
Transbordam em meu olhos,
Colorindo as paisagens
Do tom que é o dos sonhos.
Que bela é a vida
Quando sonhamos!
Como apaixonados,
Observamos a Natureza
Com encantamento,
Aceitamos os outros
Com carinho,
Levantamo-nos, pela manhã,
Cheios de um entusiasmo
Que ilumina o nosso olhar.


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Poesia de Arlete Piedade - Amor Ternura; Definições



Poesia de Arlete Piedade - Amor Ternura; Definições

Amor Ternura

Meu amado, companheiro desejado, amante idolatrado
Por ti, meus dias são plenos de forças, sonhos e carinho
As noites espaços de comunhão espiritual, em voo alado
Nunca mais adorado, quero que te sintas triste e sózinho
No rasto das estrelas luminosas, tua alma vou a buscar
Em desejos de consolo, o coração, cansado te procura
Nossos corpos vibrantes de anseios, desejam se amar
Tua voz de veludo, em canções de amor, me sussurra...

Definições
Amor que mesmo distante,
Continuas sempre presente
Lembro-te a todo o instante
Para mim nunca estás ausente.
Vives no meu pensamento,
Habitas no meu coração,
Não sei definir o sentimento,
Não sei esconder a paixão.


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Poesia de Se - Gyn - 7 de setembro - 11 haicais



Poesia de Se - Gyn - 7 de setembro - 11 haicais
01.

céu limpo e azulado –-
até os pardais matinais
no 7 de setembro

02.

O tímido Anchieta
de olho na malabarista --
dia de desfile

03.

índios à vontade
bem perto do diabo velho -–
carro alegórico

04.

Cabral e Caminha
imóveis em sua nau --
Só terra à vista

05
.
Foi tanto ensaio!
o primo de quepe e fardão
toca bombardino


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