sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Poética de Ilona Bastos - Oração; Quando sonhamos!



Poética de Ilona Bastos - Oração; Quando sonhamos!

Oração

Neste dia vou dizer mil palavras.
Palavras de júbilo ou de tristeza,
Palavras de ira ou de comoção,
Substantivos aos centos,
Pronomes sem conta,
Adjectivos à discrição,
Preposições simples e compostas.
Neste dia sair-me-ão da boca
Expressões que nem conheço como minhas.
Vou ser sisuda no discurso,
Ou irónica no comentário.
Vou gritar chamamentos,
Laconicamente concordar,
Ou irromper em desabafos.

Quando sonhamos!

Ouvindo música,
Vou escrevendo
Ao sabor dos sonhos
Que inundam minha mente,
Invadem meus ouvidos,
Transbordam em meu olhos,
Colorindo as paisagens
Do tom que é o dos sonhos.
Que bela é a vida
Quando sonhamos!
Como apaixonados,
Observamos a Natureza
Com encantamento,
Aceitamos os outros
Com carinho,
Levantamo-nos, pela manhã,
Cheios de um entusiasmo
Que ilumina o nosso olhar.


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Poesia de Arlete Piedade - Amor Ternura; Definições



Poesia de Arlete Piedade - Amor Ternura; Definições

Amor Ternura

Meu amado, companheiro desejado, amante idolatrado
Por ti, meus dias são plenos de forças, sonhos e carinho
As noites espaços de comunhão espiritual, em voo alado
Nunca mais adorado, quero que te sintas triste e sózinho
No rasto das estrelas luminosas, tua alma vou a buscar
Em desejos de consolo, o coração, cansado te procura
Nossos corpos vibrantes de anseios, desejam se amar
Tua voz de veludo, em canções de amor, me sussurra...

Definições
Amor que mesmo distante,
Continuas sempre presente
Lembro-te a todo o instante
Para mim nunca estás ausente.
Vives no meu pensamento,
Habitas no meu coração,
Não sei definir o sentimento,
Não sei esconder a paixão.


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Poesia de Se - Gyn - 7 de setembro - 11 haicais



Poesia de Se - Gyn - 7 de setembro - 11 haicais
01.

céu limpo e azulado –-
até os pardais matinais
no 7 de setembro

02.

O tímido Anchieta
de olho na malabarista --
dia de desfile

03.

índios à vontade
bem perto do diabo velho -–
carro alegórico

04.

Cabral e Caminha
imóveis em sua nau --
Só terra à vista

05
.
Foi tanto ensaio!
o primo de quepe e fardão
toca bombardino


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POEMAS DE JOSE GERALDO MARTINEZ - Tu és linda!; Sonho dela, sonho meu...



POEMAS DE JOSE GERALDO MARTINEZ - Tu és linda!; Sonho dela, sonho meu...

Tu és linda!

José Geraldo Martinez
Ah! Meu amor tu és linda!
E quando vens em manhã primaveril?
Trazendo um sorriso de menina,
com olhinhos da cor de anil...
As flores bordam teus cabelos!
Enfeitam um anjo a caminhar entre elas...
O sol cora teu rosto sem apelo
e barroca fica em bela tela!
Pudesse eu pintar,
quando beijas a branca rosa...
Quanto te colocas a cantares e
a falares toda prosa!

Sonho dela, sonho meu...
José Geraldo Martinez
Venha, aqui estou como esperavas!
Sou presa à caçadora,
fera abatida entregue à opressora...
Com o corpo todo nu, como sonhavas!
Venha! Estou em tuas mãos felinas!
Arranha-me e arruína
a carne que se faz arrepiada...
Sou inteiro teu, mulher amada!


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Poesia de Sylvia Beirute - MOVIMENTO {ao Gavine Rubro}; UM DIA TRISTE



Poesia de Sylvia Beirute - MOVIMENTO {ao Gavine Rubro}; UM DIA TRISTE



MOVIMENTO

{ao Gavine Rubro}

assim.
assim.
assim.
que movimento é este?
que semiologia do próprio?
que não coincidência com o alvo errado?
que alvo seria?
que perfuração da cabeça?
que efeitos?
que tipo de ausência recolhe a arte?
que lacuna deixada em branco?
que reflexão no prazer intravenoso?

UM DIA TRISTE
eu sei o que é
o que é senti-lo
a que sabe
que cor apresenta nos dias tristes
sei quantas vezes aparece
sei que recolhe a neblina
e olha para mim como se eu fosse alguém
que desse aulas de coração
nas impressões de encantamento
no esquecimento profundo
eu sei que a sua boca é um caderno
invisível
que a sua pós-adolescência
é geograficamente
descomprometida com qualquer



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Poesia e prosa poética de Virgínia Teixeira - Vida (Poema); Um oceano (Prosa poètica)



Poesia e prosa poética de Virgínia Teixeira - Vida (Poema); Um oceano (Prosa poètica)



Vida

A infância morreu-me ceifada com uma brutalidade dorida.
A adolescência soube-me a chocolate com um toque de menta,
Um doce que aconchega e espevita, que me acordou para a vida!
Fui então despedaçada por punhais, e apresentada à tormenta
Aquela em que ainda hoje vivo, a que ainda me obrigo a suportar,
Esta tormenta que vejo cada dia mais a todo o meu ser apagar…
Esta dor, a mágoa sem sentido que me faz querer a liberdade
De não ter amarras a uma vida que não me tem tido piedade…

Um oceano
A nossa história foi diferente, talvez mais banal do que queremos imaginar, mas ainda assim, existiu e, por algum tempo, os nossos mundos tocaram-se, fundiram-se e foram diferentes.
Por algum tempo pensámos um no outro ao acordar, e ao adormecer. Brincámos de faz de conta e fingimos um futuro que nunca acreditamos realmente poder ter. Um futuro que, acho, nunca sequer quisemos de verdade. Falámos o bem e calámos o mal. Amámo-nos de verdade, porque só conhecíamos porções de nós, fechámos os olhos ao resto. E, ainda assim, valeu a pena.





POESIA DE JOEL LIRA - Não venhas ter comigo...; A criança vive!; Engrenagem



POESIA DE JOEL LIRA - Não venhas ter comigo...; A criança vive!; Engrenagem

Não venhas ter comigo...


Neste fim de semana peço-te: Não venhas.
Não venhas ter comigo, eu não estou por cá.
Vou ao hospital ver alguém. Aqui não me apanhas.
Levo uma rosa ao paciente que está lá!
Ainda se tiver tempo, na volta, irei,
Visitar alguém silenciado numa prisão.
Levo comigo um gesto, uma palavra, pão,
E a fé de o ver cá fora lhe desejarei!

A criança vive!
Já não chove lá fora. A chuva parou
Aos olhos desta criança que ainda sou.
Do céu caíram rosas que alguém enviou
De uma nuvem que a minha mão amparou!
Já não batem à porta e me pedem licença,
Nem suavemente como quem chama por mim…
Entram! Tenho a porta aberta desde nascença.
E na minha mansão há um lugar no jardim!

Engrenagem
Esta minha máquina não pára!...
Avança, avança e não se cansa
Por muito que eu queira, não sou capaz!
( Bicho de carpinteiro é mesmo bicho… )
Por que será que não pára?
Será…
Por ter olhos, ouvidos,
Pernas, braços, boca e coração?!
Talvez sim. Talvez não.
Contudo,


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