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sábado, 28 de março de 2015

Anedotas (Recolhidas na Net - sobretudo Facebook)


Anedotas (Recolhidas na Net - sobretudo Facebook)


Problemas familiares


Na catequese dizia o padre:
- Como vocês sabem, o nosso primeiro pai foi Adão e nossa primeira mãe foi Eva.

Nisto, uma das crianças interrompe:
- Não é verdade.
- Como não é verdade? - pergunta o padre um tanto aborrecido.
- O meu pai diz que nós descendemos do macaco!
- Olha meu filho, os teus problemas de família não me interessam…


Velhinha


A velhinha subia a rua transportando dois enormes sacos negros, desses que são usados para o lixo. Um deles, roto, deixava de quando em quando cair no chão parte do conteúdo, neste caso notas de 100 Euros. Há um polícia que a interpela:

- A senhora tem de ter mais cuidado. Está a deixar cair dinheiro desse enorme saco... - disse-lhe o guarda.

- Muito obrigada senhor guarda. Tenho de voltar atrás e apanhar o dinheiro que me caiu... - agradeceu ternamente a velhinha. - Muito obrigada!.

O polícia, curioso não a libertou de imediato:
- Esse saco enorme, cheio de dinheiro, de onde vem? Não é dinheiro roubado, não?

- Que ideia, senhor guarda! Não! - disse ela quase indignada. - Eu moro ali ao lado do estádio de futebol, ali em baixo, sabe?
O polícia assentiu que sim.

- Tenho ali uma casinha com um jardinzinho, umas roseiras, umas buganvílias..., e os espectadores, à entrada e à saída têm o hábito de se encostar aos arbustos e urinar mesmo em cima dos meus canteiros. De maneira que nos dias de jogo eu escondo-me atrás do muro com a minha tesoura de podar e quando eles estão com o membro de fora eu apareço e digo "Ou me dás cem euros ou corto!

O polícia riu-se em gargalhadas francas
- Não me parece nada má ideia..

Preparava-se para deixar a velhinha seguir o seu destino quando lhe perguntou:
- Mas e o outro saco, também tem dinheiro?
- Ah senhor guarda, sabe como é, nem toda a gente paga...


Puto inteligente


A professora estava com dificuldades com um dos alunos.
- Lucas, qual é o problema?
- Sou demasiado inteligente para estar no primeiro ano. A minha irmã está no terceiro ano e eu sou muito mais inteligente do que ela, quero ir para o terceiro ano também!

A professora vê que não vai conseguir resolver o problema e manda-o para o conselho directivo.

Enquanto Lucas está na sala de espera, a professora explica a situação ao director, este decide fazer um teste ao miúdo.

A professora então chama o Lucas e explica-lhe que lhe vão fazer um teste e caso ele responda correctamente a todas as perguntas passará automaticamente para o terceiro ano.

O Director começa:
- Lucas, quantos são 3 vezes 3?
- 9.
- E quantos são 6 vezes 6?
- 36.

E o director continua com as perguntas a que um aluno do terceiro ano deve saber responder e Lucas não erra nada. O director diz para a professora:
- Acho que vamos mesmo ter que passar o Lucas para o terceiro ano.

- Posso fazer algumas perguntas também, Sr.Director? Pergunta a professora.
O director concorda e a professora começa:
- A vaca tem quatro e eu só tenho duas o que é?
Lucas pensa um instante e responde:
- Pernas.

Ela faz-lhe outra pergunta:
- O que é que tu tens nas tuas calças que eu não tenho nas minhas?
O director arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...
- Bolsos. Responde Lucas.

- O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atrás no homem?
Estupefacto com as questões, o director prende a respiração...
- A letra "M". Responde o miúdo.

A professora continua o questionário:
- Onde é que a mulher tem o cabelo mais encaracolado?
- Em África.

- O que é que é mole, mas na mão das mulheres fica duro?
- O verniz.

- O que é que as mulheres têm no meio das pernas?
- Os joelhos.

- O que é que a mulher casada tem mais larga que a solteira?
- A cama.

- Qual o monossílabo técnico que começa com a letra C e termina com a Letra U e ora está sujo ora está limpo?
- O céu.

- O que é que começa com C tem duas letras, um buraco no meio e eu já dei a várias pessoas?
- CD.

Não se contendo mais, o director interrompe, respira aliviado e diz à professora:
- Ponha o Lucas no quarto ano. Até agora EU errei todas!


No consultório


No consultório, o oculista fazia os exames de rotina:
O que está escrito aqui?
Não sei, não consigo ler...responde o paciente!

O médico aumenta a letra:
E agora?...o que está escrito aqui?

Ele esforça-se, mas não consegue ler nada!
Várias tentativas depois, o médico conclui:
Bom, só há uma solução, vamos ter de operar!

Depois da operação, o doente pergunta ao médico:
E agora doutor? o senhor acha que eu vou conseguir ler tudo?
Claro que sim!...a operação foi um sucesso!

Ainda bem, doutor, como a medicina está avançada!
O senhor acredita que antes da cirurgia......
EU ERA ANALFABETO?......


Dois padres


Dois padres no interior costumavam cruzar-se de bicicleta na estrada quando iam ao domingo rezar a missa em suas respetivas paróquias. Mas um dia um deles está a pé. Um para e pergunta:
- Então a sua bicicleta?

- Creio que a roubaram no pátio da igreja - responde o outro padre.
- Não brinque! Mas, olhe, tenho uma ideia: para saber quem foi, na hora do sermão, cite os 10 mandamentos. Quando chegar no "Não roubarás" basta olhar para os fiéis, que o culpado de certeza vai-se trair.

No domingo seguinte, os padres cruzam-se, os dois de bicicleta.

- Ah! Então o sermão correu bemo! - diz o padre que deu a ideia.
- Mais ou menos - responde o outro padre. - É que quando eu cheguei no "Não desejarás a mulher do próximo" lembrei-me onde tinha deixado a bicicleta!


O Carrossel


No Alentejo, um indivíduo vai ao médico:
— Sô doutor, olhe para isto — mostra a parte detrás do pescoço com um hematoma.

Foi um leão...
— Um leão? Onde é que isso aconteceu?
— Em Évora.
— Em Évora?!

— Olhe, sô doutor e esta foi um urso — diz o alentejano, mostrando as costas cortadas por escoriações horríveis.
— Um urso?! Onde aconteceu isso?
— Em Évora.

E olhe mais esta! — diz o alentejano, mostrando uma perna cheia de feridas e escalavrada. — Esta foi um tigre!
— Um tigre? Onde? Não me diga que também foi em Évora.

— Foi em Évora, sim, Sô doutor, e digo-lhe mais. Se não parassem o carrossel a tempo, matavam-me ali mesmo!...


Rir faz bem à Saúde


O Padre


O padre caminha, um pouco desorientado por uma vereda; encontra um garoto a guardar umas cabrinhas e pergunta-lhe:
— Menino, sabes-me dizer onde é a estrada que vai para Évora?
— O senhor prior quer ir para Évora?
— Quero, sim.
— Então o senhor prior é que vai. A estrada não vai. Fica.

— Ah, sim? Como é que te chamas?
— Eu não me chamo. Os outros é que me chamam.

— Olha lá — diz o padre já aborrecido —, há muitos atrasados mentais, lá na tua terra?
— Nã senhora, já não há. Os que havia foram todos pra padres.


O Primeiro Advogado no Céu


Há muitos, muitos anos, chegaram juntos ao Céu um advogado e um Papa.

São Pedro mandou o advogado instalar-se numa bela mansão de 800 m2, no alto de uma colina, com um fabuloso jardim, pomar, piscina, etc…

O Papa, que vinha logo atrás, pensou que seria contemplado com um palacete, mas ficou branco como a cal quando São Pedro lhe disse que ele deveria morar num apartamento T1 na periferia. Irritado e incrédulo, o Santo Padre observou:
- Não estou a entender! Esse sujeitinho medíocre, um simples advogado, recebe uma mansão daquelas e eu, Sumo Pontífice da Igreja do Senhor, vou morar nesta espelunca!

São Pedro, pacientemente, respondeu:
- Espero que Sua Santidade compreenda! De papas, está o Céu cheio, mas advogados, este é o primeiro que recebemos!


Os alentejanos são terríveis!!


O alentejano está a comer ao balcão de um restaurante na estrada, quando entram três motoqueiros de Lisboa, tipo "Abutres" (aqueles gajos que vestem roupas de couro preto, cheios de coisas cromadas e que gostam de mostrar a sua força quando estão em bando).

O primeiro, vai até ao alentejano, apaga o cigarro em cima do bife dele e vai sentar-se na ponta do balcão.

O segundo, vai até o alentejano, cospe-lhe no copo e vai sentar-se na outra ponta do balcão.

O terceiro, vira o prato do alentejano e também vai sentar-se ao balcão...

Sem uma palavra de protesto, o alentejano levanta-se, põe o boné, já gasto, na cabeça e vai-se embora.

Depois de algum tempo, um dos motoqueiros diz ao empregado do restaurante:
- Aquele gajo não era grande homem!
- Era mesmo um banana, remata o segundo motoqueiro.

E o empregado:
- Nem grande motorista ... Acabou de passar, com o camião TIR dele, por cima de três motas que estavam ali paradas!!!


Vinte anos fechados...


Para a realização de uma experiência, três homens são fechados numa casa cada um durante 20 anos, mas cada um pode escolher uma coisa para ter consigo na casa durante todo aquele tempo.

O primeiro, como gosta muito de beber, pede que lhe encham a casa de vinho.

O segundo, como gosta muito de doces, pede que lhe encham a casa de bolos.

O terceiro, como gosta muito de fumar, pede que lhe encham a casa de tabaco.

Ao fim de 20 anos, as casas são abertas.

Abre-se a primeira porta e sai de lá o sujeito completamente bêbedo, a cambalear.

Abre-se a segunda porta e sai de lá o sujeito, gordíssimo, a mal passar pela porta.

Abre-se a terceira porta e sai de lá o sujeito, com os olhos muito abertos e um cigarro na boca e a perguntar a toda a gente:
- Alguém tem lume? Alguém tem lume?


Desculpas com a polícia...


Um tipo do norte comprou um Mercedes e estava a dar uma volta numa estrada nacional à noite.
A capota estava recolhida, a brisa soprava levemente pelo seu cabelo e ele decidiu puxar um bocado pelo carro.

Assim que a agulha chegou aos 130 km, ele de repente reparou nas luzes azuis por trás dele.
"De maneira alguma conseguem acompanhar um Mercedes" pensou ele para consigo mesmo, e acelerou ainda mais.

A agulha bateu os 150, 170, 180 e, finalmente, os 200 km/h, sempre com as luzes atrás dele.
Entretanto teve um momento de lucidez e pensou:

"Mas que raio é que eu estou a fazer?!" e logo de seguida encostou.
O polícia chegou ao pé dele, pediu-lhe a carta de condução e sem dizer uma palavra e examinou o carro e disse:

- Eu tive um turno bastante longo e esta é a minha última paragem. Não estou com vontade de tratar de mais papeladas, por isso, se me der uma desculpa pela forma como conduziu que eu ainda não tenha ouvido, deixo-o ir!
- Na semana passada a minha mulher fugiu de casa com um polícia - disse o homem - e eu estava com medo que a quisesse devolver!

Diz o polícia: - Tenha uma boa noite!




sexta-feira, 27 de março de 2015

O Suicídio - Por Daniel Teixeira


O Suicídio

Por Daniel Teixeira

Há diversas formas de se morrer. Uma delas é o suicídio. Hoje em dia enquadramos o suicídio num contexto psicológico e vemos aqueles que o cometem como pessoas com problemas, passíveis de ser ajudadas por profissionais.

Mas o suicídio, a sua prática sempre existiu, desde os tempos mais remotos, e foi a forma de o encarar que mudou radicalmente ao longo dos tempos. As mentalidades evoluíram e o suicídio tomou outros contornos.

Só no século IV é que se começa a tomar o suicídio como algo negativo, graças a S. Agostinho que rejeita a prática. Mais tarde, a Igreja, órgão de suma importância nas sociedades do século XIII , sob a forma de S. Tomás Aquino, veio a trazer um conceito que mudou para sempre a visão dos que cometiam suicídio. Foi o conceito de «pecado» que até hoje ainda influencia a opinião de muitos neste assunto.

Foi então que, através de «castigos», como a ameaça do Inferno (ao cometer o pecado), e a exposição do corpo em praça pública, denegrindo a pessoa morta e família, o suicídio ganhou o seu cunho de «proibido» e mau.

Hoje o suicídio é visto essencialmente de uma forma psicológica (considerando-se as problemáticas psicológicas relacionadas), e entendido mais abertamente que sob a suma influencia da Igreja.

No entanto, não existe uma posição permissiva em quase nenhuma sociedade, mas sim uma preocupação crescente da saúde mental e não só de proporcionar uma existência em que o suicídio não seja contemplado como alternativa. Assim, desenvolvem-se esforços vários para promover condições de vida em que o suicídio não seja visto como uma hipótese viável.

Este é um assunto muito complexo, e podemos começar por comparar as diferentes noções que vários autores dão do conceito de suicídio.

Parece-nos óbvio o que é o suicídio, mas há diversas teorias que abrangem mais do que o simples acto de morrer voluntariamente, utilizando instrumentos que se sabem provocar esse fim (a morte).

Durkheim (1897) refere que uma conduta suicidária alcança tudo o que a «vitima» causa, tendo consciência do seu possível resultado. Assim, segundo este autor, usar drogas, álcool ou até conduzir perigosamente, são condutas suicidárias.

Já Halbwachs (1930) refere que o suicídio é o acto realizado com instrumentos ou meios que nos levem a crer que o sujeito realmente tinha como objectivo a morte.

A definição que, talvez, se aproxime mais da noção em senso comum que vigora actualmente, é a de Vaz Serra (1971) que concebe o suicídio como a autodestruição consequente num acto voluntariamente realizado com vista a esse fim (morte).

Baechler (1975) vê o suicídio como todo o comportamento que procura solução para um problema existencial através do atentar ao Eu.

Estes autores, referidos por Daniel Sampaio, também ele muito atento a esta questão, dão-nos uma noção breve da extensão desta problemática.

Talvez ninguém saiba explicar completamente o suicídio, o que leva uma pessoa a recorrer a ele, que sentimento acompanha o momento do suicídio, que objectivo se pretende alcançar com esse acto.

Talvez seja diferente para cada pessoa, as pressões exercidas sobre os indivíduos são diferentes, as razões nunca poderiam comparar-se de pessoa para pessoa.

Será para alguns como Paulo Coelho escreve no seu livro, Verónika decide morrer:

«(...) Verónika decidira morrer naquela tarde bonita de Lubljana, com músicos bolivianos a tocar na praça, com um jovem a passar diante da sua janela, e estava contente com o que os seus olhos viam e os seus ouvidos escutavam. Mais contente ainda estava por não ter que ver aquelas mesmas coisas por mais trinta, quarenta, ou cinquenta anos - pois iam perder toda a sua originalidade, e transformar-se na tragédia de uma vida onde tudo se repete, e o dia anterior é sempre igual ao seguinte(...) .»;

para outros esta calma, é substituída por um desespero avassalador, uma angústia silenciosa.

O suicídio nem sempre é um adeus, na maior parte dos casos é uma mensagem, um pedido aos que os rodeiam.

Daniel Sampaio refere quatro tipos fundamentais de suicídio (baseou as suas conclusões num estudo de tentativas de suicídio adolescente): 

fala-nos do suicídio por apelo, em que o indivíduo pretende a comunicação, enviar determinada mensagem que, de outra forma, não consegue expressar;

o suicídio por desafio, em que o sujeito desafia os seus superiores, colocando-se numa posição de igualdade;

do suicídio de renascimento, em que a pessoa quer modificar o sistema em que está inserido, a seu modo;

e, por fim, temos o suicídio de fuga, em que o sujeito quer excluir-se.

Nestes quatro tipos de suicido encontra-se uma noção em comum, a noção de mudança. Os sujeitos desejam a mudança. A forma como encaram as suas tentativas de suicídio difere, mas o objectivo central é o mesmo, a mudança. A situação em que se encontram não lhes serve mais.

Não será o equivalente a sofrer de uma doença terminal em que a morte não é uma escolha, mas uma certeza incontornável, mas os últimos passos de quem um dia «escolhe» a morte, seja por que razão for, são também minutos de despedida que talvez nunca entendamos completamente.





Lendas


Lendas

Lenda da Cova Encantada ou da Casa da Moura Zaida

Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação com o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela faziam frequentes incursões.

Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou. Dia após dia, Zaida visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através do pagamento de um resgate.

O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer. O nobre cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os seus dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra.

Foi durante esse combate que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma passagem secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma seta e caiu ferida.

O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida.

Desde então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na noite após um doloroso gemido...


Lenda dos Sete Ais

Esta é uma lenda estranha que está na origem do nome de um local do concelho de Sintra e que remonta a 1147, data em que D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos Mouros.

Destacado para ocupar o castelo de Sintra, D. Mendo de Paiva surpreendeu a princesa moura Anasir, que fugia com a sua aia Zuleima. A jovem assustada gritou um "Ai!" e quando D. Mendo mostrou intenção de não a deixar sair, outro "Ai!" lhe saiu da garganta.

Zuleima, sem lhe explicar a razão, pediu-lhe para nunca mais soltar nenhum grito do género, mas ao ver aproximar-se o exército cristão a jovem soltou o terceiro "Ai!".

D. Mendo decidiu esconder a princesa e a sua aia numa casa que tinha na região e querendo levar a jovem no seu cavalo, ameaçou-a de a separar da sua aia se ela não acedesse e Anasir deixou escapar o quarto "Ai!".
Pouco depois de se instalar na casa, a princesa moura apaixonou-se por D. Mendo de Paiva, retribuindo o amor do cavaleiro cristão que em segredo a mantinha longe de todos.

Um dia, a casa começou a ser rondada por mouros e Zuleima receava que fosse o antigo noivo de Anasir, Aben-Abed, que apesar de na fuga se ter esquecido da sua noiva, voltava agora para castigar a sua traição. Zuleima contou a D. Mendo que uma feiticeira lhe tinha dito que a princesa morreria ao pronunciar o sétimo "Ai!".

Entretanto, Anasir curiosa pela preocupação da aia em relação aos seus "Ais", exprimiu o quinto e o sexto consecutivamente, desesperando a sua aia que continuou a não lhe revelar o segredo.

D. Mendo partiu para uma batalha e passados sete dias foi Aben-Abed que surpreendeu Anasir, que soltou o sétimo "Ai!", ao mesmo tempo que o punhal do mouro a feria no peito.

Enlouquecido pela dor, D. Mendo de Paiva tornou-se no mais feroz caçador de mouros do seu tempo.


O Cavaleiro Henrique

Nos primeiros tempos da Reconquista, cerca de treze mil cruzados vieram de toda a Europa para auxiliar D. Afonso Henriques na Reconquista aos Mouros.

Entre os muitos que pereceram e que foram considerados mártires, houve um cavaleiro chamado Henrique, originário de Bona, que morreu na conquista de Lisboa e que foi sepultado na Igreja de S. Vicente de Fora.
À memória do Cavaleiro Henrique estão associados muitos milagres, um dos quais deixou vestígios no nome de uma rua de Lisboa.

A lenda diz que logo que Henrique foi sepultado, dois dos seus companheiros, ambos cavaleiros surdos e mudos de nascença, vieram deitar-se sobre o seu túmulo de forma a que Henrique intercedesse junto de Deus pela sua cura.

Em sonhos, Henrique disse-lhes que Deus os tinha curado e quando acordaram verificaram o milagre.

Pouco tempo depois, morreu um escudeiro de Henrique dos ferimentos que tinha sofrido na conquista de Lisboa e foi sepultado na Igreja de S. Vicente, mas longe do túmulo do seu amo. O cavaleiro Henrique apareceu em sonhos ao sacristão da igreja e disse-lhe que queria o corpo do escudeiro junto de si. O sacristão não ligou importância ao sonho, nem quando este se repetiu no dia seguinte. Na terceira noite, Henrique, novamente em sonhos, falou-lhe tão irritado com a sua indiferença que o sacristão acordou imediatamente e passou todo o resto da noite a cumprir as suas indicações. Pela manhã e apesar de ter passado toda a noite naquele trabalho, encontrava-se descansado como se tivesse dormido toda a noite.

A novidade espalhou-se e os feitos do Cavaleiro Henrique continuaram: segundo a lenda, cresceu uma palma no seu túmulo cujas folhas curavam os males de todos os peregrinos que ali acorriam.

Um dia a palma foi roubada mas ficou para sempre na memória do povo através do nome de uma rua, a da Palma, na baixa de Lisboa.





Idiotas e zumbis - Por Tom Coelho


Idiotas e zumbis

Por Tom Coelho




"Os sábios aprendem com os erros dos outros,
os tolos com os próprios erros
e os idiotas não aprendem nunca."
 (Provérbio chinês)



Um estudante morre após sofrer coma alcoólico. Um juiz é afastado por usar um bem apreendido. Um motorista digita no celular enquanto dirige. O que estes episódios têm em comum?
 
 Em Bauru, o estudante de engenharia Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, sofreu parada cardiorrespiratória após ingerir cerca de 30 doses de vodca, o equivalente a uma garrafa e meia. Ele participava de uma competição absurda para celebrar quem tinha capacidade de beber álcool em maior quantidade.
 
 A idiotice da situação não se restringe ao morto. Envolve os outros seis colegas que também passaram mal (três deles sendo internados em UTI) e todos os demais participantes, incluindo os que estavam no entorno, registrando com seus celulares e postando em mídias sociais a imbecilidade da disputa como se fosse um ato admirável. A competição havia sido anunciada publicamente e a festa não foi interrompida mesmo após o registro de óbito. Todos, sem exceção, são igualmente idiotas e cúmplices por omissão.
 
 Pergunto-me: o que acontece no meio estudantil nos tempos atuais? Não importa se a faculdade é pública ou privada, de alto ou baixo poder aquisitivo. Não importa a região geográfica ou o tipo de curso. Em lugar da preponderância do estudar, do aprender, o que vemos é a recorrência dos trotes e a ocorrência de festas regadas a atos de violência, com estupros e mortes.
 
 No Rio de Janeiro, o juiz federal Flávio Roberto de Souza foi afastado do cargo, e está sob investigação, após ser flagrado dirigindo um dos veículos apreendidos do réu Eike Batista, além de ter determinado que um piano do empresário ficasse sob a guarda de um vizinho seu. O magistrado feriu o princípio básico da imparcialidade e provocou a suspensão de todos os processos sob sua tutela. Detalhe: embora afastado, continuará a receber seus vencimentos.
 
 Em São Paulo, um motorista de ônibus foi filmado utilizando as duas mãos para se comunicar pelo WhatsApp com o veículo em movimento transportando dezenas de passageiros. Um ato de irresponsabilidade extrema, cada vez mais praticado por pessoas que vivem como zumbis conectados aos seus eletrônicos e desconectados da vida. Não são mortos-vivos, mas sim vivos-mortos.
 
 O que há em comum entre estes três episódios? A educação, ou melhor, a falta dela. Uma dose de vodca oferece prazer, 30 doses, a morte. O poder de um juiz deve ser canalizado para o bem, não para benefício próprio. A tecnologia facilita a vida, aproxima pessoas, compartilha conhecimento, mas a mesma vida não se restringe a bits e bytes.
 
 A palavra “idiota”, oriunda do latim, remete a “falta de instrução”. Certamente não falta a estudantes universitários acesso a informação, não falta a um juiz federal conhecimento dos fundamentos éticos, não falta a um motorista entendimento do risco ao qual está se submetendo. Falta a todos o mínimo de discernimento, bom senso e respeito.
 



Data de publicação: 13/03/2015



Tom Coelho é educador, palestrante em temas sobre gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. Contato: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
 

quinta-feira, 26 de março de 2015

A imortalidade por correspondência


A imortalidade por correspondência

Por Daniel Teixeira

Debruçando-nos inicialmente sobre Camões que terá eventualmente sido o maior difusor português do conceito de que existe vida para além da morte, sabemos desde logo que este pequeno trabalho está direccionado para a interpretação de que ela, esta imortalidade, se manifesta de uma forma bem determinada: «aqueles que da Lei da Morte se libertam» ... e vivos memorialmente ficam.

Na verdade o autor Camões não pretendeu nem pretenderia lançar uma escada filosófica pitagórica ou outra que seria forçosamente anti-católica e severamente punida na altura em que o autor viveu.

Assim, a libertação da Lei da Morte faz-se, segundo este autor, da forma memorial, elegíaca ou não, ou seja, uma dada pessoa liberta-se desta inexorável lei através da memória que deixa de si e que as pessoas, a gente comum ou menos comum, guarda em si como património.

Montaigne, um dos meus pensadores favoritos, diz a dada altura das suas reflexões, que Deus nos deu, (na sua infinita sabedoria - será de crer que ele o tenha pensado embora não o tenha escrito) apenas uma forma de nascermos e milhares de formas de morrer.

Marco Aurélio, talvez o mais intelectual dos imperadores romanos (estóico) faz também ressaltar de uma outra forma a relatividade da importância da morte: apenas um grão de areia que cai do altar (da vida - deve entender-se).

Enquanto que em Montaigne se procura banalizar a morte - nesta nossa interpretação que não forçosamente na ideia do autor- apontando o imenso número de formas dela ter lugar, em Marco Aurélio faz-se ressaltar a relativamente pouca importância do viver humano, (no seu caso) no contexto da racionalidade estóica que neste autor se pode substituir à ideia de Universo ou de Natureza visto aqui de uma forma simplificada.

Um e outro, às suas duas maneiras, ao relativizarem o facto de se morrer e numa altura em que a memória dos povos tinha poucas possibilidades de se transmitir e permanecer, não deixaram de ficar na história em recuperação posterior às suas épocas de vida.

O mesmo Montaigne acima referido faz um longo elogio à memória e ao cavalo de Alexandre o Grande, interligando a construção do Império de Alexandre à posse e manuseio do seu cavalo (Bucéfalo).

Camões também se libertou da Lei da Morte e assim como aconteceu com Alexandre e o seu cavalo Bucéfalo agregou à sua memória o escravo Jau.
Não gostaria que fossem feitas comparações entre um cavalo por mais nobre e enobrecido que tenha sido (Alexandre construí-lhe um túmulo luxuoso) e um ser humano, embora a sociedade na altura não reconhecesse Jau como humano no sentido pleno por ser um escravo (logo uma coisa).

Ora, o que há de comum entre Bucéfalo, sobre cuja específica configuração existe uma relativamente extensa literatura e Jau?

Ninguém sabe ou ninguém se preocupou em descrever Jau, em criar uma imagem dele. Não se sabe como ele era realmente de forma ou caracterizado.

Nem sequer temos uma ideia da sua face e da sua constituição física. Diz-se dele ser da ilha de Java e, logo, um javanês será igual a todos os outros javaneses, assim sendo. Actualmente Java é a maior ilha do Arquipélago Indonésio onde se situa a capital Djacarta. Assim, Jau, seria, visto nos dias de hoje como sendo um indonésio, qualquer que seja a ideia que nós tenhamos da constituição física e facial de um indonésio.

Casimiro de Abreu, talvez dos poucos escritores que se debruçaram sobre Jau, na sua peça em um acto, desenvolve um pouco aquilo que foi Jau: um ser amante da sua terra (Java) e da sua família que teve um amor igualmente falecido tal como a bela Dinamene de Camões.

As referências de Camões atribuídas a Dinamene podem existir em diversos sonetos, dedicados a um amor perdido ou falecido, mas os estudiosos dividem-se entre Dinamene, Dona Catarina de Ataíde, Dama da Rainha, a qual é apontada como (pelo menos) musa do anagrama Natércia ao mesmo tempo que existem referências a um outro (ou ao mesmo) amor à Infanta D. Maria, irmão do Rei D. João III.

Para termos uma ideia de Jau em Casimiro de Abreu, cujo nome é aqui António, ele conta a Camões os seus amores.

ANTÓNIO (Jau)

Sim, sim; uma mulher eu amei muito.
Era tão bela! A mesma cor que tenho,
Ela tinha também; era de Java.
A infância ambos passamos sempre juntos
Brincando alegres pelos campos lindos.

Passaram-se os folguedos, e sozinhos
À fresca sombra dos gentis palmares
Que enfeitam a minha ilha tão formosa,
Mil falas de ternura lhe falava,
Mil esp'ranças risonhas eu nutria.

Era muito feliz o pobre escravo!

Depois… tão moça ela ainda finou-se!
O que eu chorei! E a dor pungente e amarga
Até à morte sentirei nesta alma
Que outro amor como aquele tão sincero…
Senhor, o pobre Jaú não terá nunca.

Mas o que fez Jau para merecer ser lembrado ainda hoje? De lembrar que Jau tem o seu nome numa rua em Lisboa, na zona de Alcântara / Stº Amaro assim como Luís Vaz de Camões.

Foi Jau um fiel servidor do vate, certo, esmolava para que este tivesse alimento e fosse vivendo aquela vida indigna para a qual foi votado no final da vida. Mas que seria da memória de Jau se antes ele, como tantos outros escravos, tivesse sido escravo de um ser normal e comum que da lei da morte se não tivesse libertado?

Camões sem Jau teria sempre escrito os Lusíadas, que foi afinal aquilo que da lei da morte o libertou e Jau sem Camões teria sido um desses inúmeros escravos dos quais não reza nem a história nem uma linha. Por outras palavras seria tão invisível à nossa memória de hoje como o foi enquanto mendigo.

De notar desde logo, no que se refere aos Lusíadas e a Camões e Jau que segundo a fabulação de Casimiro de Abreu o Javanês teria salvo os Lusíadas do fogo conforme veremos à frente.Portanto quando se diz atrás que Camões teria sempre escrito os Lusíadas, com Jau ou sem Jau, poderemos ainda aqui aceitar que sim, embora o autor brasileiro (C.A.) os tivesse colocado na eminência de se perderem não fora a acção de Jau.

Contudo, e voltando brevemente ao cavalo Bucéfalo, este está historicamente ligado, pelo menos lendariamente,(segundo Montaigne) à conquista do Império de Alexandre o Grande.

De Jau, não fora Casimiro de Abreu e mais algumas lendas que se recolhem, nada constaria de importante sobre a sua acção na escrita dos Lusíadas.

Assim e ainda Casimiro de Abreu:

CAMÕES

Eu à pátria sobreviver! Não quero.
Quem deste Portugal cantou as glórias
Não pode a Portugal na mesma lira
Desferir canto fúnebre saudoso.

Se a pátria é morta, hei-de morrer com ela.

Hei-de sim, hei-de sim, porque nesta alma
Era o afecto maior que ora existia.
Oh! que a mesma mortalha nos envolva;
E o canto d’alma apaixonado e terno,
Em que humilde exaltei a fama tua,
Que as chamas consumam; que hoje mesmo,
De Luís de Camões não tenha o mundo
Nem sequer uma prova de seus dias…
Bem poucos de prazer, de dor bastantes!

Queimem-se todos, queimem-se esses versos,
Desta alma parte, que escrevi mil vezes
Com pranto amargo deslizando em bagas.
Eia, coragem!

(Lança ao fogo alguns manuscritos e vai buscar os Lusíadas)

ANTÓNIO (Jau)

Os Lusíadas nunca!
Por quem sois, suspendei! sou que o peço:
Que não se queima assim num só momento
Dum poeta imortal a rica c’roa,
E o mais nobre brasão dum povo inteiro.

Oh!vou salvá-los.

Breve, Jau contribuiu para que fossem salvos os manuscritos de Camões, neste caso os Lusíadas, que noutros relatos constam como tendo sido igualmente salvos por Camões após um naufrágio no qual terá falecido Dinamene.

Camões pelo que escreveu teve e tem direito a estátuas, referências literárias e históricas constantes, enfim...Jau ganhou o direito a um nome de Rua em Lisboa, talvez mais, permito-me pensar, por uma questão de alicerçar materialmente a miséria do vate. Ainda aqui Jau se liberta da morte não se libertando de Camões. Tão escravo é memorialmente hoje como o foi durante a sua vida.

Sobre Dinamene existe referência escrita, aliás existem várias, mas dois sonetos referem expressamente o nome Dinamene:

Ah! minha Dinamene! Assim deixaste

Ah! minha Dinamene! Assim deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah! Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já pera sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te somente a dura Morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!

Oh mar! oh céu! oh minha escura sorte!
Que pena sentirei que valha tanto,
Que inda tenha por pouco viver triste?

E este onde o nome aparece recortado por força da métrica:

Quando de minhas mágoas

Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.

Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.

Brado: - Não me fujais, sombra benina!
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,

Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina...
Antes que diga: - mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.

E há ainda um outro que se diz referir-se a Dinamene, talvez o mais conhecido e repetido e estudado:

AlmA minha gentil, que te partiste

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Existem muito mais referências a amores idos em Camões mas alguns são de atribuição duvidosa a Dinamene, porque se podem muito bem referir aos seus alegados amores a Dona Catarina de Ataíde ou à Infanta D. Maria, irmã do Rei D. João III.

Como resumo temos neste pequeno esboço Camões, Jau, Dinamene, Dona Catarina de Ataíde e a Infanta D. Maria como entidades ligadas memorialmente à memória de Camões, sendo que Jau, Dona Catarina de Ataíde e D. Maria, irmã do Rei D. João III, por ele não são referidos de forma explícita e Jau, seguramente está ausente da poética de Camões.

E todos eles, com referência explícita ou sem ela, assim se libertaram da Lei da morte.